Universo Abico - Início de um novo ciclo

Anuário de Colchões Brasil 2026 179 plificada, especialmente em segmentos com margens apertadas e estruturas produtivas integradas como o de espumas e colchões. O VAI E VEM DO POLIÉSTER: DEBATE QUE PARECIA RESOLVIDO, VOLTOU COM MAIS FORÇA O setor iniciou 2025 acreditando que o capítulo do antidumping sobre fios texturizados 100% poliéster havia sido encerrado definitivamente. A decisão de setembro de 2024 — sustentada no Parecer SEI nº 2.671/2024/MDIC — havia atendido a uma ampla mobilização das entidades têxteis e demonstrado que a imposição de tarifas poderia causar efeitos colaterais graves: aumento de preços para o consumidor, redução da competitividade e concentração de mercado em um único fornecedor nacional, a UNIFI. O encerramento havia sido comemorado pela ABICOL como uma vitória importante para a cadeia colchoeira, preservando especialmente pequenas e médias empresas que dependem do insumo para produção de tecidos, malhas e componentes. No entanto, em fevereiro de 2025, a reabertura de um novo processo, novamente a pedido da UNIFI, surpreendeu o setor. Para muitos, foi interpretada como um retrocesso em relação ao consenso técnico construído nos anos anteriores. Desta vez, as margens investigadas poderiam chegar a 64,9% ou US$ 0,79/kg — patamar considerado incompatível com a realidade competitiva brasileira. Setores intensivos em mão de obra alertaram para o risco de fechamento de linhas produtivas, perdas de postos de trabalho e impactos em cascata sobre confecções, colchões e manufaturas têxteis. A sensação predominante era a de que a indústria voltava a operar sob incertezas, sem previsibilidade para planejamento de médio e longo prazos. O CASO DO POLIOL: DOS SINAIS DE ALERTA ÀS TARIFAS QUE PRESSIONAM TODA A CADEIA Se o antidumping do poliéster reacendeu um debate conhecido, o caso do poliol trouxe preocupações inéditas. A matéria-prima, que representa até 55% da composição da espuma e cerca de 35% do custo de um colchão, não possui substitutos. Qualquer intervenção sobre sua importação tem potencial de impactar rapidamente preços, margens e abastecimento. Desde o início do ano, especialistas apontavam que o cenário global (excesso de oferta, queda da demanda e preços retraídos) não justificava a imposição de sobretaxas. Ainda assim, o governo aplicou direitos antidumping sobre poliol proveniente da China e dos EUA, com validade de até cinco anos. Algumas alíquotas ultrapassaram 90%, patamar considerado extremo por toda a cadeia produtiva. A reação foi imediata. A ABICOL avaliou que a decisão poderia comprometer particularmente micro, pequenas e médias empresas, e alertou para o risco de desabastecimento, dado que o país conta, na prática, com apenas um produtor nacional: a Dow. A entidade ampliou a mobilização para o processo de interesse público, reforçando que o aumento de custos poderia elevar os preços dos colchões entre 5% e 10% — e em alguns casos até mais — dependendo da sensibilidade de cada modelo. A pesquisa divulgada poucos dias depois escancarou o impacto real das tarifas: • 70% das empresas ainda buscavam alternativas para absorver o aumento de custos; • 60% planejavam reajustes imediatos nos preços; • 68% previam queda nas vendas; • 57% temiam não conseguir repassar os custos ao mercado; • 1 em cada 3 empresas relatou risco de perda de competitividade frente a produtos importados. Além disso, vários fabricantes alertaram para o risco de redução temporária de produção por falta de poliol a preços acessíveis, um movimen-

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