Móveis de Valor - Edição 209
47 moveisdevalor.com.br nos pagamentos via boleto, já que o Pix tende a substituir essas operações”, comenta. José Luiz ainda aproveita para lembrar que o mercado tem em mãos um sistema financeiro mais rápido, práti- co e seguro e isso impacta positivamente na gestão de negócios e na própria prestação dos serviços. Outro papel importante do Pix, segundo o entre- vistado, é reforçar a ideia de que não precisa ter dinheiro físico para fazer compras. “Os outros meios de pagamento continuarão a existir, claro, mas há um entendimento de que o Pix poderá substituir determinados comportamentos finan- ceiros conforme a popularização do seu uso. Por exemplo, a partir do momento em que o Banco Central colocou os custos das transações para pa- tamares muito baixos com o Pix, ele está propor- cionando melhores condições até para pequenas transações, típicas de prestadores de serviços au- tônomos ou locais”, analisa José Luiz Rodrigues. Mesmo com tantos aspectos aparentemente po- sitivos, recentemente surgiu uma polêmica e uma dúvida entre os empresários que utilizam o serviço: os bancos podem cobrar taxas pelo uso do Pix? A resposta é sim. “As instituições bancárias podem fazer a cobrança no caso de pessoas jurídicas por conta das transações que ocorrem emmaior volume e possuem valores maiores do que as realizadas en- tre pessoas físicas, de modo geral. Mas esse debate sobre os custos do Pix ainda está em alta, tanto para quem fornece o serviço, quanto para quem o utiliza- rá, porque o Pix receberá novas funcionalidades em um futuro próximo”, adiciona o especialista. José Luiz lembra que o Banco Central já anunciou que haverá uma série de gratuidades em alguns serviços, enquanto define outros pa- râmetros tarifários. O que o especia- lista alerta é que ainda falta conhe- cimento da população em relação ao serviço. “A grande defasagem do mercado hoje é de educação finan- ceira. Portanto, é preciso ensinar as pessoas que estão acostumadas a lidar apenas com o físico. E não são poucas essas pessoas. As dimensões do País e a grande diferença social fazem com que a experiência de pessoas de classe social mais alta seja completamente diferente daquele usuário de baixa renda que reside em locais menos centrais”. Ele prossegue dizendo que “o entendimento sobre o que é um banco digital, sua segurança, como o dinheiro fica em um banco digital e como são realizados os pagamentos por meio dessas insti- tuições ainda é algo difícil para essa população”. E ainda acrescenta que o Banco Central entende a importância da conscientização do mercado. “A instituição vem se reunindo com representantes de bancos e fintechs para ouvir a sociedade, por meio de consultas públicas, para avaliar modelos internacionais e avaliando internamente a viabili- dade de implementações tecnológicas”. RELAÇÃO ENTRE PIX E VAREJISTAS Apesar de ser considerado um sucesso entre as pessoas físicas, os últimos dados apresentados pelo Banco Central sobre o uso geral do Pix mos- tram que o varejo ainda não possui representati- vidade nas transações. “Os dados divulgados pelo BC referentes a junho indicam que pouco mais de 11 milhões de chaves Pix pertencem a pessoas ju- rídicas, enquanto as pessoas físicas possuem mais de 274 milhões de chaves. Ou seja, o Pix ainda não ‘pegou’ no varejo”, analisa Arnaldo Blasques, sócio da Omniroots – unidade da Gouvêa Ecosys- tem – responsável pela vertical de banco digital e meios de pagamentos, que foi conselheiro durante o processo de implementação do Pix. Blasques aproveita para explicar os motivos des- sa diferença enorme entre o uso do Pix por pes- DADOS DIVULGADOS PELO BANCO CENTRAL
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