Móveis de Valor - Edição 253

109 moveisdevalor.com.br é uma forma inteligente de organizar o negócio para ganhar eficiência e reduzir perdas". Ou seja, no setor industrial, uma governança bem aplicada é o antídoto para o improviso e o retrabalho, transformando surpresas desagradáveis em controle e maior margem de lucro. CADEIA DE SUPRIMENTOS PODE TRAZER RISCOS PARA INDÚSTRIA Segundo a especialista em ESG, um dos maiores erros estratégicos é olhar para a governança apenas dentro dos portões da fábrica, já que um dos riscos mais críticos para o setor moveleiro está na cadeia de suprimentos. “Quando um fornecedor entrega menos do que o combinado, quando a matéria-prima carece de rastreabilidade ou quando os contratos são frágeis, a empresa está diante de uma falha de governança. Na indústria, risco tem um impacto imediato no caixa. Gerir fornecedores não é uma tarefa burocrática, é uma busca por eficiência operacional”, esclarece. Débora acrescenta que ao definir critérios claros de seleção e acompanhamento, a indústria reduz o desperdício de insumos, diminui paradas de produção e evita compras emergenciais que são sempre mais caras. “É aqui que a governança se traduz em redução real de custos e eliminação de desperdícios invisíveis que corroem o lucro mês após mês”, ensina. Para a especialista, essa proteção se estende também aos campos jurídico e ambiental. “Como o setor de móveis e colchões lida com insumos de impacto relevante, como madeiras, espumas, colas e vernizes, qualquer falha de um parceiro comercial pode atingir diretamente a imagem da indústria. Uma crise envolvendo um fornecedor com práticas irregulares não fica restrita a ele; ela respinga na marca que coloca o produto no mercado, gerando multas, interrupção de vendas e danos à reputação que levam anos para serem recuperados”, alerta. Justamente por isso, estruturar a governança na gestão de fornecedores funciona como um seguro silencioso, garantindo a conformidade e a segurança que o empresário precisa para “dormir tranquilo”. De acordo com Débora, empresas que possuem uma cadeia de fornecedores organizada e processos claros conseguem acessar novos mercados, negociar em melhores condições com grandes compradores e, principalmente, justificar seu preço através do Débora Irie, especialista em ESG e consultora do Instituto Impulso valor entregue. “A governança permite que a indústria saia da guerra baseada somente em preço, oferecendo confiança, padrão e previsibilidade ao mercado. O que antes era visto como um custo adicional, passa a ser o argumento que fecha grandes negócios”, destaca. Resumindo: “é preciso mudar a narrativa vigente, pois a governança é eficiência operacional, gestão de riscos é proteção do lucro e o cuidado com a cadeia de suprimentos é o que impede que o resultado do seu trabalho se perca em meio à desorganização. O primeiro e mais estratégico passo para garantir que o seu negócio continue competitivo e lucrativo começa exatamente onde muitos ainda não olham com a atenção necessária: na qualificação e no desenvolvimento de quem fornece para você”, conclui a especialista.

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