110moveisdevalor.com.br MDF de bagaço de cana pode redesenhar a indústria moveleira Durante décadas, a indústria moveleira evoluiu tendo a madeira de reflorestamento, especialmente pinus e eucalipto, como base estrutural incontestável. Agora, um novo vetor começa a ganhar densidade técnica e relevância estratégica: o uso do bagaço de cana-de-açúcar como matéria-prima para MDF e MDP. O tema deixou de ser experimental. O que antes era tratado como pesquisa acadêmica ou solução de nicho começa a ocupar um espaço mais concreto nas discussões industriais globais, impulsionado por três forças simultâneas: pressão por custos, exigência ambiental real e abundância de biomassa disponível. O Brasil, maior produtor mundial de cana-de- -açúcar, gera anualmente mais de 200 milhões de toneladas de bagaço — um subproduto concentrado, recorrente e, até pouco tempo, subaproveitado. Transformar esse resíduo em painel estrutural não é uma ruptura tecnológica, mas uma reorganização inteligente da cadeia de suprimentos. Diferentemente da madeira, que exige ciclos de 7 a 15 anos entre plantio e corte, o bagaço é gerado anualmente, no ritmo da safra. Ele já nasce triturado, homogêneo e concentrado nos parques industriais das usinas, eliminando etapas logísticas complexas e abrindo espaço para uma nova lógica de fornecimento de matéria-prima para painéis. Do ponto de vista técnico, a viabilidade é clara. O bagaço apresenta alta concentração de celulose, responsável pela resistência estrutural, e lignina, um polímero natural com função aglutinante. Isso permite sua transformação em paiO MDF DE BAGAÇO NÃO ELIMINA A MADEIRA, MAS REDUZ DEPENDÊNCIA, PORÉM, O AVANÇO MAIS PROVÁVEL É VIA PAINÉIS HÍBRIDOS, NO CURTO E MÉDIO PRAZO O MAIOR GARGALO HOJE ESTÁ NAS RESINAS E NORMATIVAS, NÃO NO PAINEL. O BRASIL REÚNE MATÉRIA-PRIMA, INDÚSTRIA E TÉCNICAS PARA LIDERAR ESSE MOVIMENTO MATÉRIAS-PRIMAS Por Ari Bruno Lorandi, CEO da Móveis de Valor
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