Móveis de Valor - Edição 253

19 moveisdevalor.com.br Consumidor adota postura mais cautelosa na compra de bens de maior valor Thiago Carvalho, assessor econômico da Fecomercio SP passaram a liquidar dívidas em ritmo maior. O saldo de crédito cresce menos, enquanto os indicadores de endividamento e da inadimplência avançam de forma significativa. No final de 2025, havia 81,2 milhões de inadimplentes, 10% a mais em relação a dezembro de 2024, de acordo com a Serasa, que considera uma pessoa devedora a partir do momento em que o credor faz a notificação. Um tempero adicional é o calendário que tem o maior número de feriados em dias úteis da última década, o que acaba expondo um dilema recorrente da nossa economia: como conciliar produtividade e consumo diante de tantas pausas. Considere ainda os dias extras em razão de feriados estaduais e municipais, além dos pontos facultativos, como vésperas de Natal e Ano Novo, e o dia de Corpus Christi. Se por um lado o turismo e o lazer ganham fôlego, setores como indústria e varejo de bens duráveis tendem a enfrentar perdas. CONSUMIDOR CAUTELOSO Pesquisa elaborada pela Fecomércio SP com base nos dados da secretaria estadual da Fazenda, mostra que as vendas de móveis e decoração no maior mercado do país cresceram 3,2% no acumulado nos 12 meses encerrados em setembro de 2025 (último dado disponível), mas na comparação mês ante igual mês do ano anterior, a tendência é de que queda. “O faturamento recuou 1,7% em julho, 7,2% em agosto e 10,8% em setembro — ou seja, as perspectivas para 2025 já não eram boas. Para 2026, o cenário de juros altos e inadimplência em patamar elevado deve continuar influenciando negativamente”, analisa Thiago Carvalho, assessor econômico da Fecomércio SP. Ademais, continua Thiago, "como móveis e colchões são bens duráveis em que a compra normalmente é feita de maneira parcelada, comprometendo a renda por vários meses, é importante considerar as eleições presidenciais deste ano. O consumidor costuma adotar uma postura mais cautelosa quanto à compra de bens de maior valor, preferindo aguardar a definição da política econômica que será adotada para tomar a decisão de comprar”, pondera o economista. Os dados do ano passado ainda estão sendo processados, mas a expectativa é que as vendas do varejo paulista tenham crescido 5% em 2025. “Esse desempenho está baseado no primeiro semestre. O segundo foi de desaceleração e até mesmo de queda nas vendas para alguns segmentos, principalmente para os que comercializam bens duráveis, como veículos, materiais de construção, móveis e decoração. Além da forte base de comparação, o crédito mais caro acaba impactan-

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