20 moveisdevalor.com.br ção da reforma tributária. “Vai exigir bastante atenção no sentido de adequação para evitar transtornos com o fisco”, chama a atenção. GESTÃO DOS ESTOQUES Vitor Guidini, presidente do Sindimol, do Espírito Santo, é taxativo: “Sim, é possível esperar uma redução das margens de rentabilidade das indústrias de móveis, especialmente no curto e médio prazo. O aumento dos custos operacionais, financeiros e produtivos ocorre em ritmo mais rápido do que a capacidade de repasse de preços ao mercado, o que naturalmente comprime as margens do setor”, explica. Para ele, juros elevados, custos fixos mais altos e um consumo mais seletivo fazem com que as empresas precisem ser ainda mais eficientes para preservar resultados. “Nesse cenário, as organizações que investem em gestão, controle de custos, produtividade e posicionamento claro de mercado terão melhores condições de sustentar margens e atravessar esse período com maior solidez”, indica o empresário. Thiago Carvalho, da Fecomércio SP, destaca que em períodos de juros elevados, é fundamental fazer uma boa gestão dos estoques. “Estoque parado significa dinheiro parado, prejudicando o fluxo de caixa da empresa. Além disso, é importante adotar uma certa dose de cautela na realização de investimentos — seja em ampliação física, seja em reformas, seja em contratação de funcionários, já que, se a desaceleração for mais intensa que o esperado, será necessário reduzir o quadro na sequência, gerando custos. Ou seja, 2026 será complexo, e o empresário precisa estar preparado e atento”, alerta. Nos últimos anos, o mercado financeiro colecionou equívocos ao projetar o PIB brasileiro. Em 2021, previa 3,4% e o resultado foi 4,8%. Em 2022, estimava 0,36%, mas a economia avançou 3%. Em 2023, esperava 0,8% e o crescimento chegou a 3,2%. Em 2024, a projeção era de 1,5%, mas o país surpreendeu com 3,4%. Ano passado imaginou 2,25%, e o resultado deve ficar próximo de 2,3%. Fica a pergunta: afinal, é possível levar a sério os oráculos do mercado em 2026? Vitor Agostini, presidente da Movergs Crédito: Carlos Ferrari Vitor Guidini, presidente do Sindimol-ES MERCADO do negativamente as vendas”, informa. MARGENS APERTADAS Juros, inflação, renda das famílias, inadimplência, assim como custos fixos e capital de giro das empresas são variáveis que podem influenciar o desempenho da indústria moveleira. Para o novo presidente da Movergs, Vitor Agostini, um impacto maior ou menor depende do perfil de cada empresa e varia caso a caso, acrescentando que o polo gaúcho é formado por empresas dos mais variados portes, número de colaboradores, estrutura de custos e capacidade de atender a diferentes mercados. “A maioria dos empresários, procura atuar diminuindo margens nos primeiros momentos para tentar manter os preços ao consumidor final e, dependendo do tipo de produto, nem todos conseguem repassar os reajustes que ocorrem em matéria-prima e impostos, por exemplo. Depende do perfil de cada empresa”, diz Agostini, reforçando que ano eleitoral costuma inibir a economia e que 2026 inicia o período de transi-
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