38 moveisdevalor.com.br espaço para o Brasil em nichos como móveis de madeira, produtos sustentáveis e design diferenciado. Importadores interessados em reduzir a dependência asiática tendem a olhar com mais atenção para esses atributos. Na União Europeia, a recuperação econômica deve ser gradual, mas a agenda ambiental surge como fator decisivo. Empresas brasileiras que comprovem rastreabilidade, uso de madeira legal, certificações e práticas ESG ganham vantagem competitiva. Em contrapartida, regulações mais rígidas, como o EUDR, podem limitar o acesso de empresas que ainda não estejam plenamente adaptadas. Além dos EUA, mercados como Portugal, França, Países Baixos e Espanha merecem atenção, assim como oportunidades crescentes no Canadá, México, Reino Unido e países do Oriente Médio, impulsionadas por investimentos imobiliários e consumo de bens duráveis. Segundo a FIESC, acordos comerciais e ajustes tarifários tendem a incentivar a busca por mercados mais sofisticados. Nesse contexto, o sucesso do exportador brasileiro dependerá de design de alto valor agregado, sustentabilidade e inovação para atender nichos cada vez mais exigentes. EXPORTADOR BRASILEIRO DEVE MIRAR NICHOS NA ALEMANHA O mercado alemão de móveis é dominado por fornecedores europeus e asiáticos, com foco em escala e preço. Para o exportador brasileiro, competir em volume não é uma estratégia viável. A oportunidade está em nichos de maior valor agregado, baseadosem design, sustentabilidade e qualidade, avalia Cleomar Prunzel, presidente da AHK-RS – Câmara de Comércio Brasil-Alemanha. O acordo UE-Mercosul, ao prever a redução gradual de tarifas para produtos industrializados, pode ampliar o acesso do móvel brasileiro a um dos mercados mais exigentes do mundo. A combinação entre previsibilidade regulatória e simplificação aduaneira tende a beneficiar empresas com posicionamento claro e proposta diferenciada. Para além das exportações, o acordo também favorece parcerias industriais e investimentos alemães em tecnologia, automação, máquinas e insumos, fortalecendo cadeias produtivas integradas. Pequenas e médias empresas, maioria no setor moveleiro, ganham condições mais favoráveis para iniciar ou ampliar sua atuação internacional. O avanço do tratado, no entanto, segue em compasso de espera. O Parlamento Europeu solicitou uma avaliação jurídica ao Tribunal de Justiça da União Europeia, e a implementação ainda depende da aprovação dos legislativos dos países envolvidos. CAUTELA E FOCO EM NICHOS O cenário das exportações de móveis para Estados Unidos e União Europeia em 2026 será mais desafiador, mas ainda oferece oportunidades para empresas bem posicionadas, avalia a Abimóvel. Nos EUA, o ambiente de consumo tende a permanecer cauteloso, influenciado por juros elevados e ajustes no mercado imobiliário, o que deve limitar volumes, sobretudo em produtos de menor valor agregado. Por outro lado, a diversificação das cadeias globais de suprimentos e a busca por fornecedores mais confiáveis abrem DE FRENTE COM OS NÚMEROS
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