Móveis de Valor - Edição 253

42 moveisdevalor.com.br Para Irineu, o Brasil pode reagir de forma mais coordenada ao cenário de tarifaços ao combinar uma diplomacia estatal ativa, diplomacia empresarial estruturada e profissionalizada, estratégias de diversificação de mercados e políticas de fortalecimento da competitividade industrial interna. “Em um ambiente global volátil, a atuação mútua entre governo, entidades representativas e empresas é essencial para reduzir riscos, preservar mercados e garantir a sustentabilidade das exportações brasileiras”, afirma. Além da mudança de postura, Irineu diz que o governo precisa avançar em acordos comerciais (como Mercosul–UE), garantir previsibilidade regulatória, investir em infraestrutura, logística e redução do Custo Brasil, além de apoiar a indústria exportadora e a qualificação da mão de obra. Para o setor industrial moveleiro, Irineu destaca a importância da diversificação de mercados; investir em inovação, design e sustentabilidade; e fortalecer o planejamento estratégico, inteligência comercial e qualificação contínua. “Em um mundo marcado por instabilidade econômica e comercial, a resiliência da indústria moveleira brasileira dependerá da capacidade de adaptação, cooperação institucional, diplomacia industrial e do fortalecimento estrutural do setor”, finaliza. TARIFAS APLICADAS PELO MÉXICO NA IMPORTAÇÃO DE MÓVEIS TARIFA DE 35% Produtos com maior carga de importação • Móveis de metal para escritórios • Demais móveis de metal • Mesas técnicas e pranchetas • Móveis de outros materiais (inclui mistos e não especificados) • Sommiers (estrados para camas) TARIFA DE 25% Maior parte do portfólio moveleiro • Móveis de madeira para escritórios • Estações de trabalho • Móveis de madeira para cozinhas • Móveis de madeira para dormitórios • Púlpitos • Móveis de plástico • Móveis de bambu • Móveis de ratã (rattan) • Partes e componentes de móveis Fonte: Poder Legislativo Federal do México LEITURA ESTRATÉGICA A estrutura tarifária mexicana impõe alíquotas elevadas justamente sobre categorias de maior valor agregado, como móveis metálicos, sommiers e itens técnicos. Já o mobiliário residencial de madeira concentra-se na faixa intermediária de 25%, indicando um ambiente seletivo para importações, com impacto direto sobre competitividade, preço final e estratégias de acesso ao mercado. "Diante disso, é fundamental uma atuação coordenada entre governo e setor produtivo". A fim de proteger o setor de mais efeitos negativos, a entidade promove a internacionalização das empresas por meio de feiras, missões comerciais e projetos de exportação, com foco na diversificação de mercados e na abertura de novas oportunidades comerciais. “Outro eixo central é a atuação institucional e de diplomacia industrial, com diálogo permanente com o governo e órgãos de comércio exterior para reduzir impactos de barreiras tarifárias e regulatórias e fortalecer a indústria nacional”, explica Irineu. Para ele, essas iniciativas contribuem para mitigar os efeitos de medidas protecionistas e posicionar a cadeia moveleira brasileira de forma mais competitiva no cenário global. O QUE O BRASIL PODE FAZER DIANTE DOS FATOS? A resposta ao crescente protecionismo industrial não pode se limitar à diplomacia tradicional de Estado. A diplomacia empresarial torna-se cada vez mais estratégica, na qual empresas, entidades setoriais e associações industriais atuam de forma coordenada com o governo para defender interesses econômicos, dialogar com parceiros internacionais e antecipar riscos comerciais. MERCADO

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