47 moveisdevalor.com.br Parcerias com SENAI e SESI tem ampliado programas de qualificação e requalificação profissional e ações mostrando oportunidades de carreira com foco em jovens. “É um desafio que não se resolve no curto prazo. Exige ação coordenada, investimentos contínuos em pessoas e modernização industrial”, diz a diretora executiva da Abimóvel, Cândida Cervieri. INSATISFAÇÕES REVELADAS O risco não é a aposentadoria em si da Geração X: é a perda silenciosa de conhecimento prático acumulado ao longo de décadas sem que haja transferência estruturada para as gerações seguintes. Ou seja, estão saindo sem reposição equivalente, o que acentua a crise de falta mão de obra. “Temos menos jovens entrando no mercado de trabalho interessados em ocupar cargos operacionais”, relata Adriana Pierini, diretora executiva da Abicol. “É onde reside o maior problema”, completa. O que mudou não foi a disposição para o trabalho, mas a tolerância a jornadas longas, ambientes rígidos e perspectivas limitadas. A Geração Z (18–29 anos) apenas tornou explícita insatisfações antigas. O discurso de que “ninguém quer trabalhar” ignora um detalhe essencial: ninguém quer trabalhar mal. Essa tribo – e os Millennials (30–44 anos) – questiona horário fixo improdutivo, chefias autoritárias, promessas vagas e o sacrifício sem contrapartida. A escassez de pessoal não é geracional, é estrutural. Ao comparar com outras áreas, as fábricas perdem no quesito custo-benefício, mesmo com carteira assinada. Os jovens se perguntam: o que ganho com jornada longa e rígida, ambiente físico pesado, pouca autonomia, remuneração baixa, crescimento lento e lideranças pouco preparadas? Resultado: escolhem atividades como serviços de entregas, aplicativos de transporte, logística, entre outras, mesmo que seja informal. RETENÇÃO DE TALENTOS Lúcia Garcia, economista sênior do DIEESE está convicta de que a dificuldade de contratação no setor não está ligada à falta de pessoas, mas à incapacidade de manter trabalhadores por mais tempo. “Salários baixos inviabilizam qualquer projeto de permanência e de comproCândida Cervieri, diretora executiva da Abimóvel DESTAQUES Cálculos elaborados a partir de dados do Novo CAGED indicam que o setor moveleiro manteve cerca de 300 mil empregos formais ativos em 2025 no Brasil. A falta de pessoal qualificado tem ocasionado atrasos na produção, perda de contratos e aumento dos custos operacionais devido ao retrabalho. Santa Catarina registrou variação negativa de 1,92% no estoque de empregos em 2025. A desaceleração iniciou em agosto com o tarifaço. (FIESC) Adriana Pierini, diretora executiva da Abicol
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