Móveis de Valor - Edição 253

48 moveisdevalor.com.br metimento. Não pagam bem, não conseguem reter talentos”, resume. Segundo ela, quando o trabalhador percebe que o esforço diário não se converte em estabilidade nem em renda suficiente, a rotatividade passa a ser estratégia racional de sobrevivência, não problema comportamental. O desemprego atingiu a mínima história (5,6% em 2025), enquanto a taxa de rotatividade ficou em patamar recorde. Dados do Novo CAGED mostram que o Brasil fechou 2025 com saldo positivo na geração de empregos (+2,7%), e turnover médio de 33,6%, puxado pela Geração Z (41% de taxa de saída). Estimativa feita pela MV com números oficiais, indica que no setor de móveis a rotatividade média ficou próxima de 41% em 2025; em anos anteriores a média girava ao redor de 36%. A remuneração inicial no mercado formal de trabalho alcançou, em dezembro, o maior patamar da história para o mês, devido a dificuldades de empregadores para atrair e reter funcionários. A forma de reter trabalhadores é elevar salários, endossa o economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4Intelligence, em entrevista à Folha de São Paulo. “As novas gerações estão entrando no mercado de trabalho mais escolarizadas. Quem tem uma educação melhor vai ser mais resistente a fazer esforço físico", informa. INDÚSTRIA ANTECIPA INVESTIMENTOS “A escassez vai continuar se a gente continuar fazendo sempre da mesma maneira”, avisa a diretora executiva da Abicol, acrescentando que a situação está acelerando investimentos na modernização do parque fabril. “A indústria está investindo em tecnologia porque não tem saída. Estão desenvolvendo tecnologias que acabam substituindo a mão de obra operacional”, revela. A escassez ainda não virou a Menos jovens entram no mercado de trabalho interessados em cargos operacionais ELAS AVANÇAM ONDE OS HOMENS AINDA FORMAM MAIORIA A presença feminina já é uma realidade nas fábricas de colchões. Mulheres vêm ocupando postos antes restritos aos homens, com desempenho que derruba antigos estigmas. Diante da escassez de jovens do sexo masculino, o setor passou a abrir espaço para profissionais maduros e mulheres, inclusive em funções antes impensáveis, e o resultado tem sido positivo. Para reduzir a dependência de mão de obra, a indústria também acelera investimentos em tecnologia, automação e digitalização, combinando profissionais mais experientes com processos robotizados. Um dos principais entraves, porém, segue sendo a falta de formação especializada. Falta atratividade, políticas consistentes de qualificação e maior alinhamento entre indústria e serviços de aprendizagem. Nesse cenário, a rotatividade cresce: profissionais treinados acabam migrando rapidamente para outras oportunidades, muitas vezes informais, em busca de melhor remuneração. INDÚSTRIA

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