ANO 24 • EDIÇÃO 254 • MARÇO DE 2026 ONDE O SETOR MOVELEIRO GANHA VOZ HÁ 24 ANOS Setor moveleiro ganha novo HUB ISPA Expo mostra indústria colchoeira automatizada Tarifaço dos EUA muda a estratégia moveleira Personalização impulsiona montagens de móveis @moveisdevalor
6 moveisdevalor.com.br Por Inalva Corsi, editora A Móveis de Valor é mais que uma revista – é um hub de inteligência que conecta indústria, varejo e estratégia no setor moveleiro. Traduz movimentos de mercado em decisão, antecipa tendências e dá voz a quem move a cadeia produtiva. E a cada edição isso fica ainda mais efetivo. Agora, estamos lançando o Hub de Inteligência Colaborativa. Uma nova plataforma que conecta indústria, fornecedores e varejo com especialistas do setor que passam a participar da construção de conteúdo estratégico para indústria, fornecedores e varejo de móveis. Na editoria Mercado mostramos que a busca do consumidor por personalização transforma a montagem de moveis em etapa estratégica. E que os reparos, antes vilões, viraram ativo estratégico da indústria. Em Economia, você confere o levantamento dos prejuízos que a enchente provocou no polo moveleiro de Ubá, estimados em mais de R$ 35 milhões. Conhece o novo mapa das exportações e por quê o Tarifaço força os moveleiros a redefinir suas estratégias, e fica sabendo que o móvel brasileiro ainda não chegou à Índia. Já ouviu sobre atribuição de produto? Pois ela é a nova vantagem competitiva do varejo. E, nesta edição, tem um alerta para as multas confiscatórias de ICMS. Outro tema relevante é a logística. E a chamada “última milha” define o lucro e a fidelização da sua marca. Em Indústria, analisamos a produção de móveis nos últimos 10 anos e a conclusão é que o modelo atual está esgotado e exige novas estratégias. A cobertura da ISPA Expo está na editoria Bed Report, com a análise que fiz presencialmente em Orlando. A conclusão é que o avanço da automação reflete a busca da indústria colchoeira por eficiência produtiva. Mostramos também a inauguração da mais moderna fábrica de colchões da Gazin; a certificação da Flex do Brasil, que reforça o compromisso da empresa com a proteção dos funcionários. E uma entrevista exclusiva com João Gabriel Jardini, novo CEO da Americanflex. ESG continua em pauta porque ela deixa de ser só diferencial e redefine a gestão sustentável e social das empresas. A editoria de Design traz as tendências que apontam novos caminhos para a criação de móveis e a Coleção Botânica que afirma o MDF como linguagem de design. Confira tudo isso que comprova porque a Móveis de Valor é muito mais que uma revista! REDAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO Rua Dep. Estefano Mikilita, 125 - 3º andar CEP 81070-430 - Portão Curitiba – PR – Brasil CONTATO Fone (41) 99912-9877 www.moveisdevalor.com.br moveisdevalor@moveisdevalor.com.br DIRETORES Ari Bruno Lorandi aribruno@moveisdevalor.com.br Inalva Corsi inalvacorsi@moveisdevalor.com.br ADMINISTRAÇÃO/FINANÇAS Juliana Pinheiro financeiro@moveisdevalor.com.br REDAÇÃO Inalva Corsi – 3035 PR Jornalista Responsável inalvacorsi@moveisdevalor.com.br Natalia Concentino – 10431 PR natalia@moveisdevalor.com.br João Caetano Guimarães caetano@moveisdevalor.com.br Guilherme Arruda – 5955 RS Jornalista convidado guilherme@moveisdevalor.com.br DIREÇÃO DE ARTE E DIAGRAMAÇÃO Bruna Rosário arte@moveisdevalor.com.br ASSINATURAS E CIRCULAÇÃO assina@moveisdevalor.com.br COMERCIAL – SUL Inalva Corsi - (41) 99912-9877 | 99991-2974 inalvacorsi@moveisdevalor.com.br COMERCIAL – SUDESTE Cidinha Leal - (17) 98114-3666 cidinha@moveisdevalor.com.br CARTA DA EDITORA @moveisdevalor Acesse a versão digital desta edição
7 moveisdevalor.com.br SUMÁRIO NOSSA CAPA Ilustra capa desta edição dormitório projetado Bloom, da Robel, de São José do Rio Preto (SP) (17) 3303-0500 www.robel.com.br 76 INDÚSTRIA Reparos eram vilões e viraram ativo estratégico da indústria 80 INDÚSTRIA Produção de móveis esgota modelo atual e exige novas estratégias 94 DESIGN Coleção Botânica afirma o MDF como linguagem de design SEÇÕES 8 CÁ ENTRE NÓS Varejo mais cauteloso redesenha relação com a indústria 10 PONTO DE VENDA Mais caixa, menos dívida é a nova estratégia do Magazine Luiza 36 INOVAÇÃO Um novo centro de inteligência nasce no setor moveleiro 14 MERCADO Tarifa, política e risco pautam o novo mapa das exportações 18 MERCADO Por que o móvel brasileiro ainda não chegou à Índia? 22 MERCADO Tarifaço dos EUA força setor a redesenhar estratégia 32 MERCADO Personalização transforma montagem em etapa estratégica 64 ECONOMIA Enchente provocou prejuízo milionário no polo de Ubá 68 VAREJO Atribuição de produto é a nova vantagem competitiva no varejo 74 VAREJO Multas de ICMS confiscatórias acendem alerta no varejo 40 INOVAÇÃO Dependência digital é quando seus dados viram reféns 44 BED REPORT ISPA Expo revela indústria de colchão mais automatizada 58 BED REPORT Gazin inaugura fábrica em MG e amplia presença industrial 60 DESTAQUE DE CAPA Inovações em projetos e soluções marcam nova fase da Robel 84 LOGÍSTICA Última milha define lucro e a fidelização da sua marca 88 TRILHA ESG ESG deixa de ser só diferencial e redefine a gestão das empresas 93 NOTAS INDÚSTRIA Indústria gaúcha fatura mais, mas perde fôlego em 2025
8 moveisdevalor.com.br PRIORIZE UBÁ MOBILIZA SETOR EM APOIO AO POLO MOVELEIRO A campanha Priorize Ubá, liderada pela Móveis de Valor, convoca lojistas e parceiros a direcionarem compras para indústrias do polo mineiro afetado pelas enchentes. A iniciativa reforça que a qualidade dos produtos permanece a mesma, o que mudou foi a necessidade de reconstrução. O movimento busca preservar empregos, manter a atividade industrial e acelerar a retomada econômica da região. Mais do que uma ação pontual, a campanha propõe um gesto coletivo do setor, fortalecendo a cadeia produtiva em um momento decisivo. GESTÃO ULTRAPASSADA IMPULSIONA ROTATIVIDADE NO SETOR A alta rotatividade nas indústrias de móveis e colchões tem menos a ver com falta de mão de obra e mais com modelos de gestão que não acompanharam o mercado. A nova geração valoriza propósito, ambiente saudável e desenvolvimento, exigindo das empresas uma abordagem mais estruturada na contratação e retenção. Processos claros de integração, definição de competências e acompanhamento dos colaboradores tornam-se decisivos para reduzir o turnover. Outro ponto crítico é a liderança, que precisa evoluir para além da experiência técnica e assumir um papel ativo na gestão de pessoas. No fim, a leitura é direta: reter talentos deixou de ser custo e passou a ser estratégia para sustentar qualidade e crescimento. VAREJO MAIS CAUTELOSO REDESENHA RELAÇÃO COM A INDÚSTRIA O varejo segue como uma das principais forças da economia, mas o que muda agora é o comportamento: menos expansão e mais controle. A gestão de estoques, margens e capital passa a ser mais rigorosa, refletindo um consumidor mais seletivo e um ambiente econômico ainda pressionado. Esse movimento impacta diretamente a indústria, que precisa responder com mais precisão, eficiência e agilidade na produção. No Brasil, o cenário é semelhante: o crescimento existe, mas com disciplina. A leitura é clara: em um mercado mais ajustado, ganha espaço quem consegue alinhar operação, produto e estratégia com o ritmo real do varejo. BRASIL SEGUE EM AJUSTE LENTO, COMO O SETOR DE COLCHÕES Os sinais para 2026 mostram um cenário que lembra o próprio momento da economia brasileira: estabilização antes do crescimento. Assim como no país, o setor de colchões deixa para trás um período de retração e entra em uma fase de ajuste, com recuperação gradual e ainda marcada por cautela. Indicadores como remessas, atividade imobiliária e comportamento do consumidor apontam melhora, mas sem aceleração consistente no curto prazo. A leitura é clara: mais do que expandir, o momento exige disciplina, eficiência e adaptação ao novo perfil de consumo — um retrato bastante próximo do Brasil atual. Por Ari Bruno Lorandi, CEO da Móveis de Valor
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10 moveisdevalor.com.br YES MÓVEL SHOW SP CONFIRMA A FORÇA DO VAREJO NO SETOR A Yes Móvel Show São Paulo reforçou seu papel como um dos principais pontos de encontro entre indústria e varejo no setor moveleiro. O evento evidenciou um varejo ativo, com lojistas buscando renovação de mix e oportunidades comerciais em um ambiente claramente orientado a negócios. Entre os destaques, produtos com custo-benefício, versatilidade e giro rápido dominaram os lançamentos, refletindo um mercado ainda sensível ao preço. Ao mesmo tempo, a feira mostrou que, apesar do avanço do digital, o varejo físico segue como o principal termômetro do setor. No saldo geral, a Yes confirma um momento de ajuste estratégico, com empresas mais focadas em eficiência, posicionamento e conversão de vendas. Na próxima edição a Móveis de Valor traz cobertura completa do evento. MAIS CAIXA, MENOS DÍVIDA. A NOVA ESTRATÉGIA DO MAGAZINE LUIZA O Magazine Luiza encerrou 2025 com caixa reforçado e redução da dívida, consolidando um novo ciclo mais disciplinado financeiramente. A companhia alcançou R$ 3,1 bilhões de caixa líquido, após amortizações relevantes ao longo do ano. O foco agora está em rentabilidade, controle de custos e avanço da financeira própria, sinalizando um varejo mais seletivo e orientado à eficiência. TODESCHINI MODERNIZA LOJAS COM JORNADA DE COMPRA DIGITAL As Empresas Todeschini avançam na digitalização do ponto de venda ao adotar um modelo "phygital" em parceria com a Samsung. A iniciativa integra displays interativos, tablets e soluções conectadas para tornar a jornada de compra mais visual, dinâmica e precisa. O movimento reduz a abstração do cliente na escolha de projetos e reforça a experiência como fator central no varejo de móveis planejados. LIDER APOSTA NO E-COMMERCE PARA AMPLIAR VENDAS A Lider, marca de mobiliário de alto padrão e fornecedora da CasaCor, prepara o lançamento de seu e-commerce com até 100 modelos disponíveis na fase inicial. A expectativa é triplicar o faturamento mensal do canal, passando de cerca de R$ 500 mil para R$ 1,5 milhão em um ano. A operação será integrada às lojas e revendas, com apoio de estrutura logística própria. No médio prazo, a empresa projeta que o digital represente o equivalente a uma nova unidade de vendas, ampliando sua presença no mercado. PONTO DE VENDA
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14 moveisdevalor.com.br Tarifa, política e risco pautam o novo mapa das exportações A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de declarar ilegal o uso da IEEPA para impor tarifas poderia ter sido interpretada como um alívio. Mas não foi. O governo norte-americano rapidamente substituiu o instrumento jurídico por outros mecanismos já previstos na legislação comercial americana. O resultado prático é claro: mudou a forma, não o conteúdo. O AMBIENTE PROTECIONISTA PERMANECE Para o setor moveleiro brasileiro, isso significa conviver com um cenário de instabilidade tarifária contínua, em que o risco deixou de ser excepcional e passou a integrar a rotina estratégica das exportações. MUDANÇA JURÍDICA, MESMA PRESSÃO As tarifas baseadas na IEEPA foram revogadas, mas o governo dos EUA acionou outras frentes: Sobretaxa global com base na Seção 122 do Trade Act de 1974; Manutenção e ampliação das medidas sob a Seção 232 (segurança nacional) e Possível ampliação de medidas sob a Seção 301. Na prática, a política comercial americana migrou de instrumento jurídico, mas manteve a pressão estrutural sobre cadeias produtivas consideradas estratégicas. E a madeira – insumo central do setor moveleiro – está no radar. MERCADO Por Ari Bruno Lorandi, CEO da Móveis de Valor MUDANÇA DE BASE JURÍDICA NOS ESTADOS UNIDOS NÃO REDUZ O PROTECIONISMO. PARA O SETOR BRASILEIRO, O DESAFIO DEIXOU DE SER PONTUAL E PASSOU A SER ESTRUTURAL COMPETITIVIDADE NÃO SERÁ DEFINIDA SÓ POR EFICIÊNCIA PRODUTIVA OU DESIGN. DEPENDERÁ DA CAPACIDADE DE NAVEGAR EM UM AMBIENTE REGULATÓRIO INSTÁVEL
15 moveisdevalor.com.br A Seção 232, voltada à segurança nacional, já abrange madeira serrada processada, toras, árvores em pé e produtos derivados de madeira. A definição de “derivative products” inclui itens transformados que utilizam madeira como insumo relevante. Isso coloca móveis de madeira, enquadrados no Capítulo 94 do HTSUS, dentro do escopo da medida. Hoje, o exportador brasileiro enfrenta uma equação complexa: Tarifa NMF regular: entre 0% e 6%, conforme classificação; Tarifa adicional da Seção 232: 25%; Possível exposição futura à Seção 301; e Risco de medidas antidumping ou compensatórias A sobretaxa global da Seção 122 pode não se acumular com a 232 em determinados enquadramentos, mas a definição depende da classificação exata do produto. Ou seja, não há espaço para improviso técnico. O RISCO NÃO É APENAS TARIFÁRIO. É POLÍTICO A investigação em curso sob a Seção 301 envolve temas como meio ambiente, ambiente digital, propriedade intelectual, PIX e etanol. Embora móProximidade e complementariedade são fatores determinantes por conta da logistica veis não sejam o foco central, o instrumento permite inclusão setorial conforme conveniência estratégica. Esse é o ponto central: a política comercial deixou de ser apenas técnica. Ela se tornou ferramenta geopolítica. E quando o critério é político, a previsibilidade diminui. EXPORTAR FICOU MAIS COMPLEXO O impacto não se resume ao percentual da tarifa. Ele afeta: formação de preço, negociação contratual, planejamento de pro-
16 moveisdevalor.com.br Alguns movimentos tornam-se essenciais: Confirmação rigorosa da classificação tarifária; Revisão de cláusulas contratuais com importadores; Diversificação de mercados; Avaliação de alternativas logísticas e produtivas; Monitoramento constante do ambiente regulatório americano. A dependência de um único mercado, por mais relevante que seja, torna-se risco estratégico. O QUE ESTÁ EM JOGO O comércio internacional vive uma fase de reconfiguração. Cadeias produtivas consideradas sensíveis estão sob escrutínio crescente. Madeira e seus derivados entram nesse debate sob a justificativa de segurança nacional e proteção industrial. Para o Brasil, isso significa que competitividade não será definida apenas por eficiência produtiva ou design. Ela dependerá também da capacidade de navegar em um ambiente regulatório instável. O tarifaço não é apenas uma barreira. É um sinal. Sinal de que o comércio global está menos previsível, mais politizado e mais seletivo. Para o setor moveleiro, o desafio não é reagir a uma tarifa específica. É estruturar-se para um mundo em que mudanças tarifárias deixaram de ser exceção e passaram a ser regra. SE O ACESSO APERTA NOS EUA, ONDE ESTÃO AS NOVAS PORTAS? A instabilidade tarifária nos Estados Unidos não precisa ser interpretada apenas como barreira. Pode funcionar como catalisador de diversificação. A América Latina e a África surgem como vetores naturais dessa reconfiguração. AMÉRICA LATINA: PROXIMIDADE E COMPLEMENTARIDADE Mercados como Chile, Colômbia, Peru, Paraguai e Hoje, o exportador brasileiro enfrenta uma equação complexa de tarifas, política e riscos dução, logística e estrutura de risco cambial. Empresas que operavam com margens já comprimidas precisam recalibrar estratégias. A volatilidade tarifária exige contratos mais flexíveis, revisão constante da classificação fiscal (HTS) e monitoramento permanente das proclamações e ordens executivas. Não se trata apenas de pagar mais imposto. Trata-se de conviver com incerteza estrutural. UM CENÁRIO QUE EXIGE MATURIDADE ESTRATÉGICA O setor moveleiro brasileiro já atravessou crises cambiais, retrações de demanda e oscilações internas. Mas o atual contexto adiciona uma camada geopolítica que exige postura diferente. MERCADO
17 moveisdevalor.com.br países da América Central apresentam: crescimento urbano consistente, expansão da classe média, dependência de importações de móveis e menor volatilidade regulatória em comparação aos EUA. Além disso, a proximidade geográfica reduz custos logísticos e facilita adaptação comercial. Em muitos desses mercados, o móvel brasileiro compete mais por qualidade e design do que por preço puro. O desafio é escala. São mercados menores individualmente, mas que, somados, podem representar alternativa estratégica relevante. ÁFRICA: O MERCADO EM FORMAÇÃO Países africanos vivem processo acelerado de urbanização e crescimento populacional. Em diversas economias do continente, há: déficit habitacional, expansão da construção civil, crescimento de centros urbanos, forte dependência de importações. O Brasil possui vantagem cultural e diplomática em mercados lusófonos como Angola e Moçambique, mas oportunidades também se expandem para África Ocidental e Norte do continente. O risco é maior, a estrutura comercial ainda é menos consolidada — mas é justamente aí que estão as janelas de médio prazo. O PONTO ESTRATÉGICO Os Estados Unidos são mercado maduro, previsível em demanda, mas agora volátil em política comercial. América Latina e África são menos sofisticados em volume, porém mais abertos em posicionamento. Diversificar não significa abandonar o mercado americano. Significa reduzir vulnerabilidade estrutural. Em um cenário de comércio global mais politizado, depender excessivamente de um único destino deixou de ser estratégia eficiente. Passou a ser risco concentrado. A questão não é apenas onde vender. É como equilibrar risco e oportunidade em um mundo que já não opera sob as mesmas regras de previsibilidade de dez anos atrás. ENTENDA AS SEÇÕES 232, 122 E 301 SEM JURIDIQUÊS As tarifas aplicadas pelos Estados Unidos se baseiam em instrumentos previstos na legislação comercial americana. Veja, de forma simples, o que significa cada um deles: Seção 232 – Segurança Nacional Permite impor tarifas quando determinado produto é considerado ameaça à segurança nacional. No caso da madeira e derivados, a justificativa é proteger a cadeia produtiva estratégica. Na prática: tarifas adicionais que podem chegar a 25%. Seção 122 – Ajuste Emergencial Autoriza sobretaxas temporárias para reduzir desequilíbrios na balança comercial. É uma medida ampla e aplicada de forma mais generalizada. Na prática: funciona como um freio rápido às importações. Seção 301 – Práticas Comerciais Desleais Permite investigar e aplicar tarifas contra países acusados de práticas comerciais injustas, como barreiras regulatórias ou violação de propriedade intelectual. Na prática: é o instrumento mais político e imprevisível.
18 moveisdevalor.com.br Por que o móvel brasileiro ainda não chegou à Índia? Quando se observa o mapa global das exportações brasileiras de móveis, alguns destinos aparecem com frequência: Estados Unidos, países da América Latina e, em menor escala, Europa. Mas há um mercado que chama atenção não pelo volume atual, e sim pelo tamanho da oportunidade ainda não explorada: a Índia. Com cerca de 1,4 bilhão de habitantes, o país asiático tornou-se a nação mais populosa do planeta e vive um processo acelerado de urbanização e expansão da classe média. Em teoria, é exatamente o tipo de mercado que deveria interessar à indústria moveleira. Na prática, porém, o comércio de móveis entre Brasil e Índia ainda é quase simbólico. Mesmo no melhor momento da série, o valor exportado não chegou a US$ 1 milhão. Para um setor que movimenta bilhões de dólares globalmente, trata-se de um volume extremamente reduzido. UM MERCADO QUE AINDA NÃO ENTROU NO RADAR O contraste entre o tamanho do mercado indiano e o volume exportado pelo Brasil é impressionante. Enquanto o país asiático reúne mais de um bilhão de consumidores, a presença brasileira ainda é praticamente inexistente. A comparação indica um desequilíbrio evidente: um mercado gigantesco que ainda não se converteu em destino relevante para a indústria brasileira. POR QUE A ÍNDIA AINDA NÃO COMPRA MÓVEIS DO BRASIL? Existem algumas razões estruturais que ajudam a explicar essa distância comercial. MERCADO Por Ari Bruno Lorandi, CEO da Móveis de Valor COM 1,4 BILHÃO DE HABITANTES E URBANIZAÇÃO ACELERADA, A ÍNDIA PODERIA SER UM MERCADO ESTRATÉGICO PARA O MÓVEL BRASILEIRO. MAS OS NÚMEROS MOSTRAM QUE A RELAÇÃO COMERCIAL INEXISTE
19 moveisdevalor.com.br 1. Produção doméstica forte A Índia possui uma indústria moveleira local extensa, formada principalmente por pequenas e médias empresas. 2. Estrutura de consumo diferente Grande parte do mobiliário ainda é produzida sob medida ou por marcenarias locais. 3. Logística e distância Os custos logísticos e a distância geográfica reduzem a competitividade de exportações brasileiras. 4. Barreiras comerciais e culturais Diferenças regulatórias e padrões de consumo dificultam a entrada de novos fornecedores. UM MERCADO DE LONGO PRAZO Apesar disso, ignorar a Índia pode ser um erro estratégico. O país passa por três transformações simultâneas: urbanização acelerada, crescimento da renda média e expansão da construção civil. Esses fatores normalmente impulsionam a demanda por móveis. Em outras palavras, o mercado ainda não está plenamente estruturado para importações relevantes, mas caminha nessa direção. A PERGUNTA QUE IMPORTA Hoje, as exportações brasileiras de móveis para a Índia ainda são pequenas demais para alterar o desempenho do setor. Mas a pergunta estratégica talvez não seja quanto vendemos hoje. A pergunta é outra: quanto poderemos vender quando um mercado de 1,4 bilhão de pessoas começar a consumir móveis em escala global? Para a indústria brasileira, essa pode ser uma das fronteiras comerciais mais interessantes da próxima década. Sala com mobiliário, casa da classe média da Índia
20 moveisdevalor.com.br milhões em produtos brasileiros, enquanto a Índia – o país mais populoso do planeta – importou apenas US$ 629 mil. A diferença evidencia que, apesar das discussões frequentes sobre diversificação de mercados, o setor ainda depende fortemente de poucos destinos tradicionais. Isso não significa que a Índia seja um mercado irrelevante. Pelo contrário. Com mais de 1,4 bilhão de habitantes e rápida urbanização, o país pode se tornar uma das maiores fronteiras de consumo de móveis nas próximas décadas. O problema é que, por enquanto, essa oportunidade ainda está praticamente fora do radar comercial da indústria brasileira. QUANTO CADA INDIANO COMPRA DE MÓVEIS BRASILEIROS? Quando se divide o total exportado pelo Brasil para a Índia pelo tamanho da população do país asiático, o resultado ajuda a dimensionar o estágio atual dessa relação comercial. Enquanto cada americano compra, em média, cerca de 60 centavos de dólar por ano em móveis brasileiros, na Índia esse valor é praticamente inexistente: menos de cinco centésimos de centavo de dólar por habitante. Em outras palavras, um consumidor americano compra mais de mil vezes o que compra um indiano. O número pode parecer apenas curioso, mas revela algo mais profundo: um dos maiores mercados consumidores do planeta ainda praticamente não compra móveis brasileiros. E é justamente nesse contraste que pode estar uma das grandes oportunidades de expansão internacional da indústria. O desafio do setor não é apenas vender mais para os mercados tradicionais, é descobrir e desenvolver mercados que ainda não entraram no radar comercial das exportações brasileiras. Homem indiano visita loja de móveis em Nova Delhi Crédito: Freepik ANO ÍNDIA ESTADOS UNIDOS 2021 US$ 463 mil US$ 362,3 milhões 2022 US$ 855 mil US$ 351,9 milhões 2023 US$ 425 mil US$ 259,4 milhões 2024 US$ 255 mil US$ 249,6 milhões 2025 US$ 629 mil US$ 200,2 milhões EXPORTAÇÕES DE MÓVEIS ÍNDIA E ESTADOS UNIDOS (2021–2025) Resultado: Os Estados Unidos compraram 541 vezes mais móveis brasileiros que a Índia no período de cinco anos. DIVERSIFICAÇÃO AINDA É MAIS DISCURSO QUE REALIDADE A comparação entre Estados Unidos e Índia revela o grau de concentração das exportações brasileiras de móveis. Em 2025, o mercado americano absorveu cerca de US$ 200 MERCADO
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22 moveisdevalor.com.br Tarifaço dos EUA força setor a redesenhar estratégia A era Trump tem sido marcada pela imprevisibilidade regulatória, tarifas como barganha e uma política externa baseada em custo-benefício imediato. Após a Suprema Corte derrubar o suporte jurídico das taxas globais em fevereiro, o governo impôs um tarifaço temporário de 15% por 150 dias. A atual volatilidade não reflete apenas as canetadas, mas a insegurança dos exportadores diante de mudanças súbitas. Esse padrão alimenta uma percepção de risco constante, onde a rapidez das decisões acentua a instabilidade econômica e institucional. Em 2025, os EUA continuaram como principal destino, mas com queda de participação: o market share recuou para 23,5%, após anos operando próximo ou acima de 30%, conforme a Abimóvel, que aponta relatos de cancelamentos, renegociações e um contingente relevante de tratativas em “compasso de espera” por falta justamente de previsibilidade regulatória. As exportações pressionaram não apenas o desempenho no mercado americano, também puxaram para baixo os números consolidados do setor – exportações e produção. A diretora executiva da Abimóvel, Cândida Cervieri analisa o quadro e aponta preocupações futuras. A seguir um resumo com os principais pontos. QUAIS TAXAS INCIDEM SOBRE MÓVEIS VENDIDOS AOS EUA? As exportações de móveis brasileiros para os ABIMÓVEL CONTABILIZA CERCA DE DEZ MIL DEMISSÕES NOS POLOS MOVELEIROS E INTENSIFICA DIÁLOGO DIPLOMÁTICO PARA REVERTER PERDAS E REDUZIR TAXAS APESAR DE ENFRENTAR INSEGURANÇA REGULATÓRIA E QUEDA DE INVESTIMENTOS SOB GESTÃO TRUMP, SETOR BUSCA MELHORAR COMPETITIVIDADE E TRATADOS BILATERAIS Por Guilherme Arruda, jornalista convidado MERCADO
23 moveisdevalor.com.br Estados Unidos estão sujeitas a um regime tarifário composto por três camadas principais. (Veja no infográfico). OS EUA AINDA DISPÕEM DE OUTROS INSTRUMENTOS PARA SOBRETAXAR OS MÓVEIS? Sim, ainda dispõem de ferramentas comerciais para sobretaxar móveis brasileiros, permitindo a modulação de restrições por diferentes bases jurídicas após decisões da Suprema Corte. Esse cenário gera um período de alta sensibilidade regulatória, no qual importadores americanos buscam clareza operacional para precificar produtos. Assim, parte das negociações permanece suspensa até que haja previsibilidade suficiente para a efetivação dos pedidos. COMO ESTÁ A SEÇÃO 301 E QUAIS OS PRÓXIMOS PASSOS? A investigação encontra-se em fase de coleta de informações e análise pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Diferente de um gatilho automático, o processo segue um rito com consultas e audiências para identificar práticas comerciais "injustas". Iniciada em 15 de julho de 2025, a investigação tem prazo legal de conclusão até 15 de julho de 2026. Os próximos passos incluem a publicação de um relatório final e a possível definição de listas de códigos tarifários e calendários para a implementação de tarifas seletivas e elevada. QUAIS INDICATIVOS ESTÃO NA MESA DE NEGOCIAÇÕES? Os principais indicativos são a exclusão total das sobretaxas ou, no mínimo, redução dos encargos para patamares inferiores a 15%. Para viabilizar essa recomposição de competitividade, mantém-se um diálogo contínuo com autoridades brasileiras (MDIC e Itamaraty) e interlocução direta em Washington. A retomada depende da estabilidade do marco tarifário e da capacidade de formação de preço em toda a cadeia. O cenário é crítico para indústrias que destinam até 100% de sua produção customizada exclusivamente ao mercado americano. O custo tributário final depende do código do produto no sistema HTSUS (Harmonized Tariff Schedule of the United States) e do material predominante na peça exportada Cândida Servieri, diretora executiva Abimóvel
24 moveisdevalor.com.br É POSSÍVEL RECUPERAR PARTE DAS PERDAS DE 2025? Sim, é possível recuperar parte das perdas estimadas entre US$ 70 milhões e US$ 90 milhões, mas o processo não será instantâneo e depende de variáveis externas ao exportador. Fatores como o tempo de prateleira, em que fornecedores substitutos ocupam o espaço brasileiro, e a capacidade limitada das empresas de financiar a transição sacrificando a rentabilidade ditam o ritmo dessa retomada. Fora isso, a forte concorrência asiática e os longos ciclos de planejamento do mercado americano exigem que a normalização regulatória ocorra cedo para que o fluxo de pedidos seja restabelecido ainda este ano. QUAL O BALANÇO DAS EMPRESAS ATINGIDAS? Os estragos nos polos moveleiros do Sul e Sudeste revela um impacto sistêmico que vai além da queda nas exportações, abrangendo a reprogramação industrial e a suspensão da produção. Estima-se que o "tarifaço" tenha influenciado cerca de 10 mil desligamentos, além de causar uma queda drástica nos investimentos em modernização e maquinário no segundo semestre de 2025. O cenário é marcado por um choque assimétrico: enquanto o Brasil representa menos de 1% das importações de móveis dos EUA, o mercado americano é o destino central da pauta externa de muitas indústrias nacionais. Essa dependência irradia danos rapidamente para fornecedores, transportadores e microeconomias regionais, encurtando o horizonte de decisão das empresas atingidas. A AMPLIAÇÃO DE NOVOS MERCADOS CONTINUA COMO ESTRATÉGIA? Sem dúvida. A descentralização alcança cerca de 180 países. O objetivo não é abandonar os EUA, mas diversificar destinos para reduzir a vulnerabilidade e construir resiliência diante de um comércio internacional mais regulado. Essa estratégia baseia-se em pilares como design original, inteligência comercial e adequação técnica. Além do planejamento empresarial, a atuação diplomática é determinante para a previsibilidade do setor. Nesse contexto, acordos com a União Europeia, EFTA e Singapura são monitorados de perto para redesenhar condições de competitividade e antecipar impactos em barreiras tarifárias e requisitos técnicos globais. A Índia vem demonstrando expansão forte nas vendas aos EUA e a tendência é aumentar em 2026 MERCADO
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26 moveisdevalor.com.br DESIGN BRASILEIRO MIRA O MERCADO NORTE-AMERICANO ALÍVIO MOMENTÂNEO, CAUTELA PERMANENTE O projeto Brazilian Furniture prepara uma nova ofensiva internacional em 2026 com a participação na ICFF - International Contemporary Furniture Fair, em Nova Iorque, entre 17 e 19 de maio. A estratégia combina três frentes complementares para ampliar a presença do mobiliário brasileiro na América do Norte. AS TRÊS FRENTES DA AÇÃO Exposição de empresas Companhias brasileiras participam com estandes individuais na Área Brasil, concebida com cenografia unificada para reforçar a identidade nacional e destacar a criatividade da indústria. Design + indústria Produtos desenvolvidos no âmbito do programa serão apresentados internacionalmente após lançamento no Salone del Mobile (ISALONI), fortalecendo o design brasileiro como diferencial competitivo. Missão comercial Rodadas de negócios aproximarão empresas brasileiras de compradores da América do Norte e Central, com foco na geração de negócios e ampliação da presença comercial. Plataforma continental de design Mais do que uma feira americana, a ICFF reúne compradores e especificadores de diversos mercados do continente - incluindo Canadá, México e países da América Central - consolidando-se como uma das principais plataformas de design das Américas. A redução recente da alíquota sobre móveis brasileiros trouxe alívio momentâneo para empresas do polo catarinense com forte presença no mercado americano. Ainda assim, o ambiente segue marcado por incerteza regulatória e cautela estratégica. Segundo Maria Bustamante, presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, o cenário mudou, mas não necessariamente ficou mais previsível. “O pesadelo só mudou de cenário.” DOIS FATORES QUE DEFINEM O CURTO PRAZO Negociação diplomática A expectativa é que um eventual encontro entre Lula e Donald Trump possa abrir espaço para revisão ou suavização da aplicação da Seção 301 sobre produtos brasileiros. Investigação comercial O prazo teórico para conclusão da investigação da Seção 301 está previsto para junho, embora o governo americano tenha margem política para antecipar ou alterar decisões. O desafio para exportadores Para a diretora executiva da Abimóvel, Cândida Cervieri, a questão central não está na aceitação do produto brasileiro. “O desafio não está na aceitação do móvel brasileiro, mas na previsibilidade do ambiente de negócios.” A demanda americana permanece ativa, mas tarifas elevadas e mudanças regulatórias influenciam diretamente a precificação e o apetite dos importadores. MERCADO
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28 moveisdevalor.com.br CSIL aponta e-commerce como infraestrutura e IA é o próximo salto O comércio eletrônico deixou de ser a grande ruptura do varejo para se tornar parte da infraestrutura do negócio. A avaliação é da CSIL Milano, que acompanha o setor moveleiro global desde o início dos anos 2000 e publicou um dos primeiros estudos sobre e-commerce de móveis em 2001. Segundo a instituição, a transformação digital da indústria moveleira - historicamente dependente de experiência física, ticket elevado e logística complexa - foi profunda. O contraste entre o ambiente digital incipiente de 2001 e o cenário atual evidencia uma mudança estrutural no comportamento do consumidor e na estratégia das empresas. DE EXPERIMENTO A PADRÃO DE MERCADO No ano 2000, havia cerca de 418 milhões de usuários de internet no mundo. As vendas online globais somavam apenas US$ 50 bilhões. No setor moveleiro, as primeiras iniciativas B2C enfrentaram fracassos marcantes, associados a políticas de frete insustentáveis e altas taxas de devolução. Mas o movimento lançou as bases do que viria a seguir. MERCADO NO ANO 2000, HAVIA CERCA DE 418 MILHÕES DE USUÁRIOS DE INTERNET NO MUNDO. AS VENDAS ONLINE GLOBAIS SOMAVAM APENAS 50 BILHÕES DE DOLARES AGORA, O “COMÉRCIO AGENTE” PERMITE REALIZAR COMPRAS POR MEIO DE INTERFACES DE IA QUE INTEGRAM BUSCA, ESTOQUE E PAGAMENTO EM UM ÚNICO FLUXO
29 moveisdevalor.com.br De acordo com a CSIL, os pioneiros - sobretudo nos Estados Unidos - começaram a testar configuradores online e modelos de catálogo digital. Ao longo da década de 2010, uma nova lógica competitiva emergiu: os dados se tornaram o principal ativo estratégico. Empresas capazes de personalizar ofertas, prever demanda e gerenciar devoluções passaram a superar os modelos tradicionais. A PANDEMIA ACELEROU - E DEPOIS NORMALIZOU O ponto de inflexão foi a pandemia. Em 2020 e 2021, as vendas online de móveis cresceram a taxas de dois dígitos no mundo, segundo a CSIL. Em 2022, o ritmo desacelerou: crescimento global de apenas 1%, com o mercado atingindo US$ 96,3 bilhões - cerca de 11% do consumo mundial de móveis, contra 1% em 2000. “O boom acabou; o comércio eletrônico amadureceu”, resume a CSIL. Hoje, nos mercados maduros, o crescimento anual gira entre 2% e 4%. O digital deixou de ser diferencial para se tornar exigência básica. Até mesmo a IKEA reflete essa maturidade: no ano fiscal 2024/25, as vendas online representaram 30% do faturamento total, patamar semelhante ao auge da pandemia. Em 2018/19, eram 11%. O PRÓXIMO CAPÍTULO: COMÉRCIO AGENTE Se o e-commerce virou infraestrutura, o próximo salto vem da Inteligência Artificial. A CSIL identifica o surgimento do chamado “comércio agente”, no qual consumidores realizam compras por meio de interfaces conversacionais com IA, integrando estoque, pagamento e recomendação em um único fluxo. Plataformas digitais já testam sistemas de finalização de compra dentro de chats. O Walmart, por O ponto de inflexão foi a pandemia. Em 2020 e 2021, as vendas online de móveis cresceram a taxas de dois dígitos no mundo
30 moveisdevalor.com.br exemplo, anunciou parceria com a OpenAI para permitir compras via interface conversacional. No setor moveleiro, a própria IKEA desenvolveu o assistente “Kreativ”, que permite visualizar móveis no ambiente do cliente por meio de IA. Para a CSIL, não se trata mais de abrir novos canais, mas de redesenhar a experiência de compra. O DESAFIO PARA O SETOR MOVELEIRO A conclusão do relatório é clara: o comércio eletrônico deixou de ser disruptivo. Tornou-se padrão operacional. O desafio agora não é “digitalizar”, mas diferenciar. Para um setor em que escala, personalização e espaço físico são determinantes, a integração entre experiência digital e showroom físico passa a ser estratégica. Da primeira pesquisa da CSIL, em 2001, aos atuais marketplaces impulsionados por IA, o comércio eletrônico evoluiu de promessa a infraestrutura. A próxima vantagem competitiva estará na capacidade de integrar dados, canais e experiência em um ambiente onde o digital já não é novidade - é obrigação. Assistente “Kreativ” da IKEA, permite visualizar móveis no ambiente do cliente por meio de IA IMPACTOS PARA O BRASIL Embora o relatório da CSIL tenha foco global, suas implicações para o setor moveleiro brasileiro são claras. 1. O online deixou de ser diferencial O e-commerce já faz parte da infraestrutura mínima do varejo. Tratá-lo como projeto paralelo passou a ser risco estratégico. 2. Eficiência define competitividade Com o crescimento digital mais estável, a disputa migra para logística, gestão de devoluções e inteligência de dados. 3. IA pode reduzir barreiras de compra Assistentes virtuais, visualização 3D e personalização ajudam a diminuir a insegurança do consumidor em compras de alto valor, como móveis. 4. Integração indústria–varejo será essencial Omnichannel exige integração real de estoque, prazos e informações técnicas. Fragmentação operacional passa a ser desvantagem. 5. Dados tornam-se ativo estratégico Empresas que capturam e utilizam dados proprietários terão vantagem em precificação, planejamento e fidelização. Síntese: o e-commerce deixou de ser ruptura e virou base. A próxima vantagem competitiva estará na integração entre canais, dados e inteligência.
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32 moveisdevalor.com.br Personalização transforma setor de montagem em etapa estratégica O crescimento dos móveis planejados e das soluções personalizadas para interiores tem ampliado o espaço para um elo cada vez mais estratégico na cadeia moveleira. A montagem profissional ganha protagonismo à medida que consumidores e empresas direcionam investimentos para projetos sob medida, voltados ao melhor aproveitamento de espaço, à funcionalidade e à integração dos ambientes. Tendências internacionais de design e arquitetura de interiores reforçam esse movimento. A personalização dos ambientes, aliada ao uso de materiais sustentáveis e a valorização do design como parte do estilo de vida contemporâneo, também tem impulsionado a demanda por móveis planejados. Nesse contexto, os projetos deixam de cumprir apenas uma função utilitária e passam a integrar de forma mais profunda a identidade estética das residências e dos espaços corporativos. Claudemir Dal Evedove, fundador e head de produto da Sisfrete – que se apresenta como um TMS (Transportation Management System) voltado para a previsibilidade operacional e o controle de custos logísticos –, comenta que muitas pessoas ainda associam o sucesso de um produto principalmente à sua fase de produção, no entanto, no cenário atual, logística e montagem passam a ter um papel MERCADO Por João Caetano Guimarães, jornalista CRESCIMENTO DOS PROJETOS PERSONALIZADOS E DO E-COMMERCE MOVELEIRO REFORÇA A NECESSIDADE DE MONTAGEM PROFISSIONAL E LOGÍSTICA EFICIENTE A DEMANDA POR PROFISSIONAIS CAPACITADOS EM TRANSPORTE, MANUSEIO E MONTAGEM AUMENTOU, MAS A OFERTA NÃO ACOMPANHA ESSA EXPANSÃO
33 moveisdevalor.com.br igualmente decisivo na percepção de valor do produto e na preferência do consumidor. “O setor moveleiro é um dos que mais cresce em buscas no e-commerce. O aumento da demanda digital tem ampliado as oportunidades de venda, mas também expõe desafios logísticos importantes. Não basta produzir bem. É necessário entregar com eficiência e garantir que o produto chegue ao consumidor final em perfeitas condições e tenha uma montagem adequada”, explica. Com o crescimento desse mercado, a etapa de montagem ganha relevância no processo de entrega ao consumidor. A execução técnica adequada tornou-se um fator determinante para que o projeto concebido seja reproduzido com precisão no ambiente final. Uma instalação inadequada pode comprometer o alinhamento, nivelamento e o acabamento, afetando diretamente a percepção de qualidade do cliente. A capacitação da área de montagem acompanha a própria transformação do setor moveleiro, que vem ampliando o foco em produtos de maior valor agregado. Projetos com sistemas modulares, design orgânico, iluminação embutida e componentes tecnológicos exigem níveis mais elevados de precisão e conhecimento técnico, muitas vezes superiores às orientações tradicionais presentes em manuais de montagem. “Os desafios da logística e da montagem, assim como a profissionalização dessas áreas, devem ser considerados desde o início do projeto. Uma produção bem elaborada pode reduzir tamanhos das embalagens, facilitando o transporte e a montagem, agradando o cliente com o resultado”, afirma Claudemir. DESAFIOS DE LOGÍSTICA Apesar da expansão, o setor também enfrenta desafios. Entre eles o alto custo do crédito e a redução do poder de compra, que tornam o consumidor mais criterioso na hora de investir em novos móveis. Nessa mesma linha, Claudemir afirma que entregar móveis ao consumidor também se torna Claudemir Dal Evedove, fundador e head de produto da Sisfrete Expansão do mercado exige transportadoras capazes de garantir qualidade na entrega e competitividade nos custos
34 moveisdevalor.com.br um desafio significativo. Para ele, há a necessidade de encontrar transportadoras capazes de atender todo o território nacional, com qualidade na entrega e preços competitivos. “Em grandes centros urbanos, a operação se torna ainda mais complexa. Móveis de médio e grande porte frequentemente enfrentam dificuldades de descarga, por exemplo”. O fundador da Sisfrete também observa que a mão de obra é um dos maiores entraves de toda a cadeia logística. A demanda por profissionais capacitados em transporte, manuseio e montagem aumentou, mas a oferta não acompanha essa expansão. Quando as embalagens não possuem reforços adequados, como cantoneiras e proteções estruturais, pequenos impactos durante o transporte podem causar danos. Em um ambiente de comércio eletrônico, onde o consumidor possui direito de devolução, essas avarias geram custos adicionais e impactam diretamente a rentabilidade da operação. Logo, investimentos em capacitação técnica, padronização de processos e uso de tecnologia para rastreabilidade e controle das operações são caminhos importantes para melhorar a eficiência da cadeia. EXPECTATIVAS PARA OS PRÓXIMOS ANOS A perspectiva para os próximos meses é de continuidade na evolução desse mercado, embora em ritmo menor. Com o consumidor cada vez mais atento ao valor agregado das soluções para o lar, a integração entre planejamento, montagem e acabamento tende a se consolidar como um diferencial competitivo na cadeia moveleira. O avanço indica que a competitividade estará cada vez mais ligada à capacidade de integrar produção, logística e experiência do consumidor de forma eficiente. Em 2026, empresas que conseguirem digitalizar sua cadeia logística, reduzir perdas invisíveis e profissionalizar as etapas de transporte e montagem terão vantagem competitiva no mercado. Personalização e design impulsionam a demanda por móveis planejados MERCADO
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36 moveisdevalor.com.br Um novo centro de inteligência nasce no setor moveleiro A Móveis de Valor inicia um novo capítulo em sua trajetória editorial com o lançamento do Hub de Inteligência Colaborativa MV, uma plataforma criada para reunir conhecimento, experiências e análises estratégicas de toda a cadeia moveleira. Mais do que um novo espaço de publicação, o projeto nasce com uma proposta inédita no setor: transformar a informação em um processo contínuo de colaboração entre indústria, fornecedores, especialistas e varejo. A iniciativa parte de uma constatação simples. Em um ambiente econômico cada vez mais complexo, marcado por mudanças rápidas no consumo, na tecnologia e na geopolítica, o acesso a informação qualificada tornou-se um ativo estratégico para as empresas. O Hub surge justamente para organizar e ampliar esse fluxo de conhecimento. UM NOVO FORMATO DE INTELIGÊNCIA PARA O SETOR O Hub de Inteligência Colaborativa MV funciona como um ambiente digital estruturado para reunir conteúdos produzidos por diferentes agentes da cadeia moveleira. A proposta é criar um espaço permanente de discussão e análise sobre os principais temas que impactam o setor, como mercado, tecnologia, design, varejo, produtividade e estratégia empresarial. INOVAÇÃO Por Ari Bruno Lorandi, CEO da Móveis de Valor NOVA PLATAFORMA CONECTA INDÚSTRIA, FORNECEDORES E VAREJO EM UM AMBIENTE PERMANENTE DE INTELIGÊNCIA, INFORMAÇÃO ESTRATÉGICA E PRODUÇÃO COLABORATIVA DE CONTEÚDO ESPECIALISTAS, EXECUTIVOS E PROFISSIONAIS DO SETOR PASSAM A PARTICIPAR DA CONSTRUÇÃO DO CONTEÚDO, CONTRIBUINDO COM EXPERIÊNCIAS PRÁTICAS E REFLEXÕES ESTRATÉGICAS
37 moveisdevalor.com.br Ao reunir visões complementares, a plataforma amplia a capacidade de leitura do mercado e ajuda empresários e executivos a compreender melhor as transformações que afetam a indústria. Mais do que notícias, o Hub pretende oferecer inteligência aplicada ao negócio. CONTEÚDO CONSTRUÍDO EM REDE Uma das principais características do projeto é seu modelo colaborativo. Empresas, especialistas, executivos e profissionais do setor passam a participar da construção do conteúdo, contribuindo com análises, artigos, experiências práticas e reflexões estratégicas. Essa dinâmica cria uma rede de conhecimento que reflete a diversidade e a complexidade da cadeia moveleira. Ao mesmo tempo, a curadoria editorial da Móveis de Valor garante consistência, relevância e qualidade nas publicações. O resultado é um ambiente que combina pluralidade de visões com rigor informativo. INFORMAÇÃO COMO ATIVO ESTRATÉGICO Nos últimos anos, o setor moveleiro brasileiro atravessou mudanças profundas. Transformações no comportamento do consumidor, pressão por produtividade, digitalização do varejo, reorganização das cadeias globais de suprimento e novas demandas por sustentabilidade passaram a influenciar diretamente as decisões empresariais. Nesse contexto, informação deixa de ser apenas conteúdo e passa a ser ferramenta de gestão. O Hub de Inteligência Colaborativa MV foi concebido exatamente com esse objetivo: ajudar empresas a interpretar tendências, antecipar movimentos Informação deixa de ser apenas conteúdo e passa a ser ferramenta de gestão
38 moveisdevalor.com.br CONECTAR CONHECIMENTO E MERCADO Com o Hub, a Móveis de Valor amplia seu papel histórico de veículo de informação e análise para o setor moveleiro. Ao longo de décadas, a publicação acompanhou transformações da indústria, registrou momentos importantes e contribuiu para a formação de uma cultura de informação no segmento. Agora, com o Hub de Inteligência Colaborativa MV, essa missão ganha uma nova dimensão. A informação deixa de ser apenas publicada e passa a ser construída em rede, conectando empresas, profissionais e ideias em um ambiente dedicado ao desenvolvimento estratégico do setor moveleiro. COMO FUNCIONA O HUB DE INTELIGÊNCIA COLABORATIVA MV O Hub de Inteligência Colaborativa MV foi criado para reunir e organizar conhecimento relevante para toda a cadeia moveleira. A plataforma funciona como um ambiente permanente de produção e compartilhamento de informação estratégica. Na prática, o Hub reúne diferentes tipos de conteúdo: Análises de mercado Estudos e interpretações sobre comportamento do consumidor, tendências de consumo e movimentos da indústria. Artigos e reflexões estratégicas Conteúdos produzidos por executivos, especialistas e profissionais do setor. Experiências empresariais Relatos e cases de empresas que ajudam a traduzir estratégia em prática. Tendências e inovação Debates sobre tecnologia, design, produtividade e transformação do varejo. Leituras de cenário Conteúdos que ajudam a interpretar fatores econômicos, geopolíticos e regulatórios que impactam o setor. Todo o material publicado passa por curadoria editorial da Móveis de Valor, garantindo consistência, relevância e qualidade das informações. O objetivo é transformar o Hub em um ambiente permanente de inteligência para o setor moveleiro. do mercado e identificar oportunidades de crescimento. UM PROJETO PIONEIRO NO SETOR Embora hubs de conhecimento já sejam comuns em setores como tecnologia e finanças, iniciativas semelhantes ainda são raras na indústria moveleira. O lançamento do Hub de Inteligência Colaborativa MV representa, portanto, um passo importante na evolução do ambiente de informação do setor. A proposta é criar uma plataforma que não apenas divulgue fatos, mas também estimule reflexão, debate e construção coletiva de conhecimento. INOVAÇÃO
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40 moveisdevalor.com.br Dependência digital é quando seus dados viram reféns No livro A Fortuna Impossível, de Richard Osman, personagens enterram segredos em um cofre físico, longe do mundo digital. No varejo de móveis, ocorre o oposto: o caixa, o estoque, o relacionamento com o cliente e até o marketing vivem na nuvem. Sites, ERPs, plataformas de e-commerce, sistemas de PDV e CRMs armazenam o verdadeiro patrimônio invisível das empresas. O problema surge quando esse patrimônio fica nas mãos de terceiros - e o acesso passa a depender da boa vontade do fornecedor. O PROBLEMA DA DEPENDÊNCIA DIGITAL A digitalização acelerada pós-pandemia tornou o setor altamente dependente de parceiros tecnológicos. Empresas de software controlam históricos de vendas. Plataformas hospedam cadastros de clientes. Agências gerenciam domínios e dados de campanhas. Tudo funciona perfeitamente - até que surge um conflito contratual, uma migração de sistema ou uma auditoria. É nesse momento que algumas empresas descobrem que seus dados estão em formatos proprietários; a exportação exige pagamento adicional; o domínio está registrado em nome da agência; o acesso ao sistema pode ser suspenso por disputa comercial. E a pergunta que surge: de quem são, afinal, os dados? INOVAÇÃO Por Ari Bruno Lorandi, CEO da Móveis de Valor NO SETOR MOVELEIRO, ONDE ERP, E-COMMERCE E CRM CONCENTRAM O CORAÇÃO DO NEGÓCIO, ENTENDER LGPD, CONTRATOS E PROPRIEDADE INTELECTUAL DEIXOU DE SER DETALHE JURÍDICO E PASSOU A SER QUESTÃO ESTRATÉGICA
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