Móveis de Valor - Edição 254

80 moveisdevalor.com.br Produção de móveis esgota modelo atual e exige novas estratégias A indústria moveleira brasileira terminou o ciclo de dez anos encerrado em 2025 no epicentro de uma crise produtiva que testou os limites de sua sobrevivência. O percurso é comparável a uma estrada esburacada, que alternou breves momentos de alento com quedas que deixaram marcas profundas na sua estrutura. O diagnóstico? Uma instabilidade crônica que transcende as oscilações sazonais vistas em qualquer economia. Entre 2016 e 2025, o setor enfrentou uma retração de 10,1% em 2016 e um tombo dramático de 16,2% em 2022. Não são apenas números em uma planilha, mas sintomas de um organismo industrial operando sob asfixia. Mesmo com respiros UMA DÉCADA DE OSCILAÇÕES REVELA UMA FORTE DEPENDÊNCIA DO CRÉDITO E VULNERABILIDADE DIANTE DE JUROS ELEVADOS E CONSUMO DOMÉSTICO INSTÁVEL ESPECIALISTAS DEFENDEM UM PACTO ENTRE INDÚSTRIA E VAREJO PARA RECUPERAR MARGENS, EFICIÊNCIA OPERACIONAL E PLANEJAMENTO EM UM AMBIENTE ECONÔMICO VOLÁTIL pontuais em 2017 e 2024, quando o crédito e a renda deram fôlego momentâneo ao consumo, a média anual do período fixou-se em -2,23%, evidenciando um saldo amargo. Esta fragilidade não é fruto do acaso, mas a exposição direta de dois fatores: de um lado as intempéries macroeconômicas; de outro, o esgotamento de um modelo “viciado” entre o varejo e o consumidor. Uma análise de regressão revela que variáveis – como taxas de juros, índices de inadimplência e a renda disponível das famílias – explicam cerca de 78% da variação anual da produção. Na prática, isso significa que quase quatro quintos INDÚSTRIA Por Guilherme Arruda, jornalista convidado

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