81 moveisdevalor.com.br do destino das fábricas e lojas são decididos pelo Banco Central ou pela capacidade de endividamento dos consumidores. Diferente de outros setores industriais que buscaram nas exportações um porto seguro, a movelaria permaneceu ancorada no mercado interno, tornando-se refém da volatilidade doméstica e acesso ao crédito parcelado. Irineu Munhoz, presidente da Abimóvel, informa que a indústria de móveis e colchões fechou 2025 com recuo de 1,2% no volume produzido. Outubro teve o pico, com mais de 41,5 milhões de peças, em um movimento de antecipação de pedidos. A inflexão veio no último bimestre: em novembro, a produção caiu 7,2% (38,5 milhões de peças) e, em dezembro, recuou para 30,7 milhões (-20,4% no mês), um desenho típico de cautela, com carteira mais curta, decisões mais lentas e maior seletividade. “O setor entra em 2026 com o freio de mão puxado”, aponta. “Quando juros e crédito restringem o mercado interno e o ambiente externo perde clareza regulatória e tarifária, o setor tende a operar em modo defensivo, ajustando turnos, revisando compras e postergando investimentos”, afirma Munhoz. Para ele, três vetores devem definir o ritmo nesse ano: crédito para consumo e capital de giro, comportamento do varejo - que fechou 2025 com queda de 4,3% nas vendas — e o ambiente externo. Nesse cenário, o desafio deixa de ser apenas saber quando o volume volta e passa a ser em que condições o setor conseguirá voltar a planejar. COMPASSO FORA DA REALIDADE Ari Bruno Lorandi, CEO da Móveis de Valor, não poupa desaprovação ao modelo de intermediação entre a fábrica e a casa do consumidor. O comportamento errático da última década, segundo ele, é o grito de alerta de um sistema que perdeu o compasso com a realidade. A mudança é urgente. "O sobe e desce na produção física de móveis é o principal sintoma dessa relação” observa, enfatizando que esse quadro não
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