Móveis de Valor - Edição 254

82 moveisdevalor.com.br deve ser motivo para paralisia, mas de catalisador para um novo pacto setorial. A crise, para Lorandi, se manifesta de forma aguda no ponto de venda, e indica uma falha pedagógica e estratégica no varejo tradicional: na busca por volume e massificação, acabou por distorcer a percepção de valor do produto. "O modelo atual enfrenta críticas devido à forma como interage com o público ao “treinar” o consumidor para comprar errado". Para ele, essa deseducação, focada em preço e métricas de curto prazo, ignora particularidades regionais, o que contribui para o cenário de desassossego e que oprime as margens de lucro. EFICIÊNCIA OPERACIONAL O horizonte é desafiador. A expectativa de estagnação ou leve retração exige que empresários e lojistas abandonem a “esperança passiva por ventos favoráveis" e passem a investir mais em eficiência operacional, gestão de estoques e controle de custos. A resiliência, neste novo ciclo, dependerá da capacidade de transformar o mobiliário em algo que "fale a língua de cada região", abandonando os modelos genéricos em favor de uma produção conectada com a pluralidade cultural brasileira. A transição demanda, acima de tudo, coragem para confrontar riscos e liderar as transformações necessárias. A reafirmação da força do varejo físico, que ressurge diante da perda de fôlego do e-commerce, oferece uma oportunidade única para reestruturar a conexão com o cliente. Para o CEO da Móveis de Valor, a solução para 2026 passa obrigatoriamente por um alinhamento coletivo e a revisão profunda de propósitos. E reforça: "A instabilidade da produção física de móveis ao longo da última década demanda novas estratégias para lidar com a volatilidade do mercado". O ano será o divisor de águas entre aqueles que permanecerão reféns do macroambiente e aqueles que, ao investir em posicionamento estratégico e diferenciação regional, saberão transformar a cautela em um crescimento robusto e sustentável. Somente a união entre uma indústria eficiente e um varejo que saiba orientar o consumidor - e não apenas vender - poderá abrir caminho para uma década de maior previsibilidade – observando-se que o novo pacto não é apenas uma escolha administrativa, mas um imperativo de sobrevivência. OS CAMINHOS DO PACTO Para avançar, o setor moveleiro precisa alinhar algumas mudanças estratégicas que passam por mercado, produto e posicionamento. Design conectado às regiões O mobiliário brasileiro precisa abandonar modelos genéricos e dialogar com as características culturais e geográficas de cada região do país, adaptando design, produtos e soluções às realidades locais. Venda mais técnica no varejo O diagnóstico aponta que o varejo muitas vezes “treina o consumidor a comprar errado”. O novo pacto propõe uma venda mais técnica e orientada ao uso correto do produto, reforçando também a importância do varejo físico, que volta a ganhar relevância diante da perda de fôlego do e-commerce. Força do fator local nas exportações No mercado externo, a estratégia passa por valorizar o chamado “Fator Local” como diferencial competitivo, compreendendo as mudanças em mercados globais e adaptando a oferta brasileira a essas novas dinâmicas. Postura ativa diante do mercado Mais do que reagir aos desafios econômicos, o setor precisa assumir uma postura propositiva. O desempenho em 2026 dependerá da capacidade das empresas de antecipar riscos, enfrentar mudanças e liderar transformações. “É o varejo que leva o consumidor a comprar errado” INDÚSTRIA

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