91 moveisdevalor.com.br dos resíduos utilizados para a formação da biomassa é composta por resíduos provenientes do MDF, já que ele possui um poder calorífico maior do que a madeira de origem florestal. Ou seja, além reduzir o uso de combustíveis fósseis, esse tipo de energia também não impacta as florestas. “Desde os anos 1980 existem alternativas para substituir os combustíveis fósseis, mas, recentemente, percebemos que os resíduos de madeira provenientes da indústria de móveis eram um bom combustível. A madeira usada por essa indústria é mais seca, o cavaco e a serragem são mais limpos, sem resíduos florestais”, explica Rafael, que leva em consideração a região em que está localizada a fábrica mineira, que é muito próxima do polo moveleiro de Ubá. Localizada na região, a P&G Transporte e Comércio, especializada nesse tipo de operação e com 30 anos de história, forneceu para a InterCement Brasil cerca de 4,2 toneladas de resíduos de madeira em 2025. “Antes de enviarmos o material, fazemos a triagem de todos os resíduos recebidos da indústria moveleira, separando restos de espuma e metal. Tudo de acordo com as normas, que são bem rigorosas para manter a qualidade”, diz Gabriel Silva, responsável administrativo da empresa. “A nossa unidade do Sul de Minas Gerais é uma das mais tecnológicas e maiores, dessa forma, exige combustíveis de alta qualidade e a queima acontece de forma muito rápida. As serragens comuns são muito úmidas e, portanto, começamos a estudar o uso desses resíduos da produção de móveis que, como dito anteriormente, são mais secos. Assim, tivemos um ganho muito grande em relação ao uso da biomassa natural, além de dar uma boa destinação para esses resíduos”, avalia o gerente de coprocessamento da InterCement. Rafael Mauri conta que em 2019 foi iniciado o investimento no uso desse material e que, por conta da pandemia, as primeiras cargas começaram a chegar no final de 2021, quando eles iniciaram os testes, e depois tudo correu muito rápido. “Essa é uma parceria pioneira com a indústria de móveis em que os resíduos são usados na sua totalidade e com as emisRafael Fenerich Mauri, gerente de coprocessamento da InterCement Brasil Estrutura em que acontece a queima de combustíveis para a produção do cimento sões controladas por órgãos ambientais. Nós utilizamos de 5 a 6 mil toneladas desse material por ano”, explica. Dessa forma, a indústria cimenteira consegue substituir de 30 a 40% dos combustíveis fósseis. Todo o processo e parceria traz impactos positivos para todos os atores dessa cadeia de móveis e cimento. “A indústria de móveis gera o material de forma constantes e precisa descartá-lo de forma correta, então essa passa a ser uma alternativa importante e, para a InterCement, é uma opção para reduzir o uso de combustíveis fósseis. Esse é o cenário ideal para quem produz cimento. Inclusive, as cinzas que sobram da queima de combustíveis são incorporadas ao clinquer (mate-
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