MV Norte & Nordeste 32

28 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE do projeto, visto que, ao pensar na acessibilidade desde o início, o re- sultado final acaba tendo um custo menor. “Quando as adaptações são pensadas na fase de projeto, duran- te a obra, o custo aumenta em torno de 3%. Já na reforma esse aumento pode chegar a 25%”, explica a arqui- teta, defendendo que isso acontece porque durante a obra os ambientes já são pensados levando em consi- deração os espaços e medidas ade- quadas, enquanto na refor- ma as adaptações exigem maiores alterações dos espaços. “Por isso, projetar todos os ambientes con- templando acessibilidade, além de permitir o acesso e a permanência de todas as pessoas, evita a necessi- dade de grandes reformas quando esse ambiente precisar de adaptações mais específicas”, enfatiza Carolina. Para a arquiteta, a solução para tornar os ambientes mais adaptados está em utilizar a tecnologia como aliada. “Para pessoas que Um banheiro acessível precisa ter piso antiderrapante, barras junto ao sanitário e no box, bancada mais baixa e sem mobílias embaixo Banheiro acessível desenvolvido pela arquiteta Carolina Danielian apresentam deficiência motora po- demos utilizar nos móveis sistemas elétricos de regulagem de altura, que proporcionam ao usuário adequa- ção com conforto, de acordo a sua necessidade, de maneira fácil, práti- ca, segura e permitindo autonomia”, exemplifica Carolina, observando que hoje esses sistemas já estão presen- tes em mesas de trabalho, bancadas de banheiro, bancadas e armários de cozinha, dormitórios e salas. “Já para pessoas cegas ou com baixa vi- são trabalhamos muito com os aca- bamentos utilizando contraste de texturas e cores que atribuem aos móveis também a função de sinali- zadores, que visam localizar e infor- mar as pessoas com deficiência visu- al sobre o ambiente ao seu redor”, destaca a arquiteta. O engenheiro civil e CEO da BioEng projetos, Norton Mello, concorda com Carolina. Especialista no de- senvolvimento de projetos para re- sidências, ambientes de trabalho e clínicas acessíveis para pessoas com deficiência, ele defende que o funda- mental é entender as necessidades de cada pessoa. “A gente tem que pensar em adaptar os espaços para que eles possam não só acolher, mas também compensar qualquer tipo de limitação”, enfatiza Mello. “Se a pessoa tem um decréscimo de acui- dade visual, então eu vou aumentar a luminosidade dos ambientes. Já se a pessoa tem deficiência motora eu vou aumentar a largura e modificar o sentido de abertura das portas e tro- car até mesmo a maçaneta para uma de alavanca, ao invés de uma redon- da”, exemplifica o especialista. Para Mello, o setor moveleiro precisa observar que existem várias defici- ências e que devem ser supridas ou compensadas por modelos de mo- biliário. “Por exemplo, uma pessoa idosa precisa de braços em cadeiras,

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