MV Norte & Nordeste 32
29 poltronas e sofás para que ela pos- sa se apoiar na hora de se sentar e levantar. Nesse caso, a altura do as- sento também deve ser observada”, explica o engenheiro. “Há uma infi- nidade de possibilidades de adap- tações. É preciso pensar em móveis que não tenham cantos vivos e me- sas com bordas mais elevadas para, se acontecer a queda de algum lí- quido ele não chegue até o chão e não deixe o ambiente escorregadio”, indica Mello, acrescentando que a au- tomação e a mecanização dos móveis também é essencial. “No caso das cozinhas é preciso pen- sar em armários mecanizados, que permitam que a pessoa aperte um botão e esse armário desça até um nível no qual a pessoa possa utili- zá-lo, sem precisar subir em bancos ou escadas”, continua o CEO. “Já nos quartos, hoje trabalhamos com camas articuladas com a mecatrônica, que auxiliam a pessoa a se deitar e a se levantar”, completa Mello, adicionan- do que há uma série de elementos que podem ser implementados com o apoio da bioengenharia aplicada no setor moveleiro para trazer maior acessibilidade para esse público. Atualmente Mello trabalha também com robôs de telepresença, desen- volvidos para automatizar residências através de comandos de voz. Essa nova tecnologia permite a realização de videochamadas com familiares, amigos e até mesmo teleconsultas. Além disso, esses robôs conseguem medir a temperatura corporal, a gli- cemia e a pressão do indivíduo que o utiliza. Outro diferencial é que eles também podem ser interligados com um smartwatch para verificar bati- mentos cardíacos e saturação, por exemplo. “O robô é um assistente pessoal polivalente que aumenta ain- da mais a autonomia e a independên- cia das pessoas. Já estamos aplicando essa tecnologia em hospitais e em re- sidências para pessoas idosas e tem sido bastante aceita pelo mercado”, comenta o engenheiro. Depois de tantas ideias e possibi- lidades de adaptações de ambien- tes, é preciso trazer essa conversa para a realidade do setor moveleiro em relação à acessibilidade. E, nes- se ponto, Mello enfatiza que tanto o varejo quanto as indústrias ainda estão despreparados para atender esse nicho da população. “Infeliz- mente não temos nas lojas nem nas indústrias, móveis de série disponí- veis para pessoas com deficiência, então, normalmente precisamos pedir para designers desenvolverem mó- veis planejados para atender essa neces- sidade”, conta o en- genheiro. “O maior problema do despreparo das indústrias e do vare- jo moveleiro é que isso torna os proje- tos muito mais ca- ros. Se tivéssemos uma gama maior de Norton Mello, engenheiro civil e CEO da BIOENG projetos Para uma casa se tornar acessível é preciso pensar nas necessidades específicas dos moradores Robio, um robô de telepresença desenvolvido para automatizar residências
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