20 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE POR QUE A PRODUÇÃO DE MÓVEIS SEGUE REFÉM DA ECONOMIA? nor dependência de parcelamento, o móvel permanece fortemente atrelado ao mercado interno e à capacidade das famílias de assumir compromissos financeiros. Em períodos de juros elevados e inadimplência crescente, o consumo de bens duráveis tende a ser postergado. O impacto é imediato na indústria, que sente o recuo nas encomendas, na reposição de estoques e no ritmo das linhas de produção. Para 2026, o cenário permanece desafiador. O ambiente combina juros ainda altos, crédito restrito e um contexto eleitoral que, historicamente, gera cautela nas decisões de consumo e investimento. A expectativa predominante é de estagnação ou, na melhor hipótese, leve retração. Diante desse quadro, a agenda esNos últimos dez anos, a indústria moveleira brasileira alternou breves recuperações e quedas profundas. Com forte dependência de crédito e renda, o setor entra em 2026 ainda pressionado por juros elevados e consumo cauteloso A indústria moveleira brasileira encerrou 2025 após uma década marcada por instabilidade e forte influência do ambiente macroeconômico. O período foi menos uma trajetória de crescimento contínuo e mais uma sucessão de altos e baixos, com momentos de recuperação intercalados por retraçõeas significativas. Em 2016, a produção caiu 10,1%. Em 2022, o recuo foi ainda mais intenso: 16,2%. Houve respiros importantes, como em 2017, quando o Por Guilherme Arruda, jornalista convidado setor avançou 4,5%, e em 2024, com crescimento de 9,8%, impulsionado por melhora temporária na renda e no crédito. Ainda assim, o saldo da década é negativo: a média anual foi de -2,23%, revelando um setor estruturalmente pressionado. A explicação está menos dentro das fábricas e mais no ambiente econômico. Simulações estatísticas indicam que variáveis como taxa de juros, inadimplência e renda familiar explicam cerca de 78% da variação anual da produção. Em termos práticos, significa que quase quatro quintos da oscilação do setor estão diretamente ligados ao cenário macroeconômico. Isso evidencia um ponto central: a indústria de móveis está entre as mais sensíveis ao ciclo de crédito. Diferentemente de segmentos com maior vocação exportadora ou me-
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