25 Irineu Munhoz, presidente da Abimóvel Luiz Carlos Pimentel, presidente do Sindusmobil Guilherme Brito, presidente do Sindimóveis-PE considerando a “relevante parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos”, mas destacou a importância de previsibilidade nas relações comerciais. EXPECTATIVAS DOS EXPORTADORES O segmento exportador moveleiro teve desempenho oscilante em 2025, com queda significativa nas remessas destinadas aos EUA nos últimos períodos do ano, após o início das tarifas elevadas. Historicamente, os Estados Unidos eram o principal destino das exportações brasileiras de móveis e colchões, chegando a responder por cerca de 30% do total antes da escalada tarifária. Em 2025, esse percentual caiu para cerca de 23,5%, refletindo o impacto das barreiras impostas. Com a decisão, há a expectativa de que esse movimento possa ser parcialmente revertido ao longo de 2026, desde que as tarifas sejam efetivamente reduzidas ou revertidas em categorias chave; haja previsibilidade sobre a aplicação do novo quadro tarifário (que hoje utiliza a chamada Seção 122 com sobretaxas de até 15% temporárias); as negociações comerciais e diplomáticas avancem de forma coordenada. SETOR MANTÉM POSTURA DE CAUTELA ESTRATÉGICA Apesar do alívio, há consenso entre especialistas de que a decisão da Suprema Corte não resolve todos os problemas: O ambiente comercial americano ainda é considerado protecionista, e novas bases jurídicas podem ser usadas para impor tarifas a produtos estrangeiros, inclusive móveis brasileiros; a aplicação prática das mudanças tarifárias ainda depende de regulamentação técnica por parte das autoridades aduaneiras dos EUA; a experiência de 2025 reforçou, no setor, a importância de diversificar mercados, reduzir a dependência de um único destino e fortalecer a competitividade industrial. O QUE SIGNIFICA PARA O BRASIL Embora o cenário ainda não represente uma normalização automática do comércio com os EUA, as reações das entidades revelam que há um alívio significativo na perspectiva de exportações em curto prazo; a medida pode criar um ambiente comercial menos volátil e mais favorável, desde que consolidada; e o setor vê a necessidade de conectar política comercial, diplomacia e estratégia exportadora para realmente aproveitar essa janela de oportunidade. EUA NO RADAR Antes da escalada tarifária, os Estados Unidos respondiam por cerca de 30% das exportações brasileiras de móveis e colchões, sendo historicamente o principal destino externo do setor. Com a imposição das sobretaxas, essa participação caiu para algo próximo de 23% a 24%, segundo dados consolidados do setor. A decisão da Suprema Corte norte-americana, ao considerar ilegais as tarifas ampliadas, abre espaço para: Recuperação gradual de market share Exportadores que perderam competitividade podem retomar negociações e contratos suspensos. Reequilíbrio de preços A retirada ou redução de sobretaxas melhora a margem e reposiciona o produto brasileiro frente a concorrentes asiáticos. Retomada de volumes Especialmente móveis de madeira, estofados e linhas com maior valor agregado. Mas o cenário ainda exige cautela. Parte das tarifas pode permanecer sob outros instrumentos legais, e o ambiente comercial dos EUA continua marcado por volatilidade regulatória. A janela está aberta, mas aproveitar depende de estratégia, diplomacia comercial e competitividade industrial.
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