42 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE Lorandi, um marqueteiro excepcional, e sua esposa, a jornalista Inalva Corsi, de Curitiba (PR) — havia deixado uma revista tradicional do setor para iniciar um novo empreendimento editorial. A proposta era mais ampla, multimídia e inovadora, e poucos anos depois passaria a influenciar de forma decisiva esse mercado. Ambos se tornaram amigos próximos de Vikentios Kakakis. Foi por meio de sua editora que, posteriormente, foi lançado o livro sobre o Sistema de Design Italiano, escrito a quatro mãos com Mauro Paixão, um designer gráfico, e prefaciado por Vik. Esse projeto foi claramente impulsionado pela participação, no ano anterior, em um estande no pavilhão satélite do Salão do Móvel de Milão — também articulado com o apoio de Vik COMO UMA CADEIRA VIROU TROFÉU EM HOMENAGEM A UM ÍCONE Sempre gostei da minha carreira como designer industrial e tenho ótimas histórias para contar. Ainda assim, poucas experiências se comparam à mina criativa que foi trabalhar no Nordeste brasileiro. Vivi em Recife — ou melhor, trabalhei a partir de lá — por três intensos e inesquecíveis anos. Algumas dessas histórias acabaram registradas no livro "A cara oculta del diseño", editado no Chile. Outras surgiram depois, como esta, que não resisti em contar. Recentemente, recebi a foto de um restaurante recém-inaugurado que utilizava cadeiras desenhadas por mim em 2003 — e ainda em produção, 23 anos depois. Algo raro nos dias de hoje e, claro, um reforço inesperado para o ego. Mas o que realmente merece ser contado não é a longevidade da cadeira, e sim a história improvável por trás dela e da figura colossal que foi Vikentios Kakakis, a quem dedico este relato. Na época, eu morava em Fortaleza (CE) e tinha grande interesse em conhecer o setor moveleiro regional quando soube de um concurso de design ligado a uma nova feira de móveis em Recife. Cheguei ao evento com dois protótipos selecionados e, para minha total surpresa, fui o único designer a responder ao chamado. Resultado: primeiro e segundo lugar. A situação surreal acabou rendendo um estande gratuito, onde expus outros projetos meus. Foi também nesta época que um casal de jornalistas e editores da mais respeitada publicação brasileira especializada em mobiliário — Ari Bruno Por Jorge Montana, designer*
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