MV Norte & Nordeste

49 Adriana Pierini, diretora executiva da Abicol Cândida Cervieri, diretora executiva da Abimóvel prazo. Exige ação coordenada e modernização industrial”, afirma Cândida Cervieri, diretora executiva da Abimóvel. Para Adriana Pierini, diretora executiva da Abicol, o ponto crítico está nas funções operacionais. “Temos menos jovens interessados em ocupar esses cargos. É onde reside o maior problema”, diz. NÃO É FALTA DE PESSOAS. É FALTA DE ATRATIVIDADE A narrativa de que “ninguém quer trabalhar” simplifica demais a questão. O que mudou foi a tolerância a jornadas longas, ambientes rígidos e perspectivas limitadas. A Geração Z e os Millennials questionam horário fixo improdutivo, chefias autoritárias, crescimento lento e remuneração pouco competitiva. Diante disso, muitos optam por serviços de entrega, transporte por aplicativo e logística, mesmo na informalidade. Segundo Lúcia Garcia, economista sênior do DIEESE, a dificuldade está menos na contratação e mais na retenção. “Salários baixos inviabilizam qualquer projeto de permanência. Se não pagam bem, não conseguem reter talentos.” Dados do Novo Caged mostram saldo positivo de empregos em 2025 (+2,7%), mas com turnover médio de 33,6%, puxado pela Geração Z (41%). Estimativa da MV indica que, no setor de móveis, a rotatividade ficou próxima de 41% - acima dos cerca de 36% registrados em anos anteriores. SALÁRIO, QUALIFICAÇÃO E TECNOLOGIA A remuneração inicial no mercado formal atingiu recorde histórico em dezembro, reflexo da dificuldade de atrair trabalhadores. Para o DESTAQUES Cálculos elaborados a partir de dados do Novo Caged indicam que o setor moveleiro manteve cerca de 300 mil empregos formais ativos em 2025 no Brasil. A falta de pessoal qualificado tem ocasionado atrasos na produção, perda de contratos e aumento dos custos operacionais devido ao retrabalho. Santa Catarina registrou variação negativa de 1,92% no estoque de empregos em 2025. A desaceleração iniciou em agosto com o tarifaço. (FIESC) ELAS AVANÇAM ONDE OS HOMENS AINDA FORMAM MAIORIA A presença feminina já é uma realidade nas fábricas de colchões. Mulheres vêm ocupando postos antes restritos aos homens, com desempenho que derruba antigos estigmas. Diante da escassez de jovens do sexo masculino, o setor passou a abrir espaço para profissionais maduros e mulheres, inclusive em funções antes impensáveis, e o resultado tem sido positivo. Para reduzir a dependência de mão de obra, a indústria também acelera investimentos em tecnologia, automação e digitalização, combinando profissionais mais experientes com processos robotizados. Um dos principais entraves, porém, segue sendo a falta de formação especializada. Falta atratividade, políticas consistentes de qualificação e maior alinhamento entre indústria e serviços de aprendizagem. Nesse cenário, a rotatividade cresce: profissionais treinados acabam migrando rapidamente para outras oportunidades, muitas vezes informais, em busca de melhor remuneração.

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