MV Norte & Nordeste

39 Nesse cenário, o quarto ganha importância como ambiente de descompressão. Depois de um dia marcado por trabalho, informações e exposição às telas, cresce a busca por um espaço que favoreça o descanso físico e mental. “O nosso cérebro responde ao espaço onde estamos, antes de ter consciência, então o silêncio é importante, assim como a luminosidade, as texturas e os demais estímulos sensoriais”, explica a futurista. Essa percepção amplia o papel dos móveis na composição do ambiente. Materiais agradáveis ao toque, iluminação adequada, superfícies acolhedoras e organização visual deixam de ser apenas escolhas estéticas e passam a contribuir para a experiência de uso. CONFORTO E TECNOLOGIA SEM EXCESSOS A preocupação com o sono também influencia o desenvolvimento de produtos. Além da escolha do colchão, ganham espaço recursos destinados ao controle da luminosidade, da temperatura e dos ruídos. Andrea destaca a presença crescente das chamadas tecnologias invisíveis, incorporadas ao ambiente para proporcionar conforto sem chamar atenção. Entre os exemplos estão sistemas de iluminação regulável, colchões com ajustes individualizados e soluções que ajudam a reduzir interferências sonoras. A proposta não é transformar o quarto em uma demonstração de equipamentos tecnológicos, mas utilizar esses recursos para melhorar a qualidade do descanso. O movimento aparece também nas tendências internacionais. No Salão do Móvel de Milão 2026, camas com cabeceiras generosas, estruturas estofadas e formas arredondadas reforçaram a ideia de acolhimento. Madeiras em tons quentes, cores terrosas e tecidos com diferentes texturas contribuíram para criar ambientes visualmente mais tranquilos. Armários e closets modulares, mesas de cabeceira integradas e iluminação discreta também estiveram presentes nas propostas, demonstrando a aproximação entre estética e funcionalidade. Para a indústria brasileira, entretanto, o desafio está em interpretar essas referências e transformá-las em produtos adequados às características e ao poder de compra do consumidor nacional. A REALIDADE DOS ESPAÇOS COMPACTOS A busca por um dormitório confortável encontra limites concretos nas dimensões das moradias. Nas habitações populares, o quarto frequentemente precisa acomodar cama, guarda-roupa, televisão e, em algumas situações, um espaço de trabalho ou estudo. As arquitetas Ana Paula Giuffrida e Danielle Stern, fundadoras do Projeto Mobiliando, observam Eduardo Nuncio, gerente de marketing e desenvolvimento de produto da Móveis Carraro Ambientes compactos exigem mais criatividade da indústria Andrea Bisker, futurista, palestrante e cofundadora do Clube Aladas

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