MV Norte & Nordeste

58 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE preender a resposta da vegetação a diferentes práticas de manejo. Esses estudos oferecem conhecimento valioso, mas não significam que a Caatinga já disponha de madeira em escala para a indústria moveleira. É preciso conhecer os volumes sustentáveis de extração, a capacidade de regeneração, as características das espécies e as possibilidades reais de beneficiamento. NO NORTE, O PARÁ MOSTRA OUTRO CAMINHO A realidade florestal do Norte é diferente da encontrada no Semiárido. No Pará, a silvicultura e o processamento de madeira já apresentam experiências que ajudam a discutir o abastecimento industrial regional. Segundo dados do IBGE citados no levantamento que fundamentou esta pauta, o Pará produziu 3 milhões de metros cúbicos de madeira em tora proveniente da silvicultura em 2025. Entre as espécies utilizadas está o paricá, empregado em laminados, compensados, molduras, acabamentos e aplicações no mobiliário. Seu crescimento relativamente rápido e o fuste reto favorecem o aproveitamento industrial. O exemplo paraense reforça que Norte e Nordeste não precisam seguir um único modelo. Florestas plantadas, manejo sustentável da vegetação nativa e aproveitamento de resíduos podem atender a necessidades distintas, conforme a disponibilidade regional e a aplicação final. O ELO QUE FALTA FORTALECER Para que novas fontes de madeira cheguem efetivamente às indústrias de móveis, é necessário integrar pesquisa, produção florestal, colheita, secagem, beneficiamento e distribuição. Os fabricantes precisam de matéria-prima com características conhecidas, qualidade consistente, preço competitivo e entregas regulares. Sem essa organização, o potencial florestal dificilmente se transforma em fornecimento industrial. O avanço dependerá de investimentos de longo prazo e de maior articulação entre instituições de pesquisa, produtores, serrarias e fabricantes. Para o Norte e Nordeste, a oportunidade está em desenvolver soluções adequadas a cada território – e transformar recursos e conhecimento locais em uma cadeia de abastecimento mais forte para a indústria moveleira. Sem organização o potencial florestal dificilmente se transforma em fornecimento industrial MANEJO DA CAATINGA TAMBÉM INTEGRA A DISCUSSÃO Outra possibilidade está no manejo sustentável da vegetação nativa da Caatinga. Seu aproveitamento, entretanto, depende de critérios científicos e autorização adequada, de modo a preservar a regeneração do bioma e evitar a degradação ambiental. A publicação da Embrapa Manejo florestal na Caatinga: 40 anos de experimentação reúne resultados de unidades de pesquisa em Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Bahia. O acompanhamento de longo prazo ajuda a com-

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