8 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE ARI BRUNO LORANDI CÁ ENTRE NÓS A eleição terminou. E, para muitos empresários do setor moveleiro, ficou uma pergunta que talvez seja mais difícil de responder do que escolher um candidato: e agora? É uma pergunta legítima. Afinal, estamos falando de quem acorda todos os dias preocupado com vendas, produção, empregos, fornecedores, impostos e contas para pagar. De quem olha para tudo aquilo que recolhe em tributos e conclui que não recebe serviços públicos compatíveis com esse esforço. E que, depois de uma eleição, continua enfrentando os mesmos problemas. Porque existe uma realidade que não muda com o resultado das urnas: a empresa precisa continuar funcionando. E o ambiente econômico não oferece respostas simples. Os dados do IBGE mostram que o varejo brasileiro cresceu apenas 0,1% em agosto, na comparação com julho. A indústria também enfrenta oscilações. E, para quem fabrica móveis, o problema não é apenas produzir. É encontrar consumidores dispostos e capazes de comprar. Móvel não é uma compra obrigatória todos os meses. Pode ser adiada. E, quando o orçamento familiar aperta, frequentemente é isso que acontece. O empresário sabe disso. Ele sente antes de aparecer nas estatísticas. Mas há uma questão que considero fundamental. Durante uma campanha eleitoral, discutimos o que o próximo governo poderá fazer pela economia. Depois da eleição, precisamos lidar com a economia que existe. Isso não significa deixar de cobrar. O empresário tem todo o direito de exigir eficiência do Estado, qualidade dos serviços públicos, previsibilidade tributária e condições adequadas para investir. Aliás, essa cobrança precisa ser permanente, independentemente de quem esteja governando. Porque o governo tem responsabilidades sobre o ambiente econômico. E as decisões tomadas em Brasília repercutem diretamente nos custos, no crédito, no consumo e na capacidade de investimento das empresas. Mas cobrar do governo é uma coisa. Esperar que uma mudança política resolva os problemas da empresa é outra. E aqui está, na minha opinião, o grande desafio para 2027. A ELEIÇÃO PASSOU. E AGORA, EMPRESÁRIO? O empresário moveleiro precisa olhar com ainda mais atenção para a produtividade, para os custos que não consegue repassar, para os produtos que realmente dão resultado e para os mercados onde ainda existem oportunidades. Precisa também repensar sua relação com o varejo. Porque uma indústria pode ter bons produtos, preços competitivos e capacidade de produção. Mas, se o lojista não consegue – ou não sabe – vender, toda a cadeia sofre. E há outra questão importante: não confundir faturamento com resultado. Vender mais, sacrificando margens, não significa necessariamente ganhar mais. E crescer sem rentabilidade pode acabar enfraquecendo a própria empresa. Então, que expectativa podemos ter? Não há elementos para prometer uma recuperação rápida. E existem dificuldades que podem continuar pressionando o setor nos próximos anos. A economia depende de crédito, renda, confiança, investimentos e produtividade. E parte importante dessas condições está relacionada às decisões do governo. O empresário não controla tudo isso. Mas pode agir sobre aquilo que está ao seu alcance. Pode rever custos, melhorar processos, avaliar sua carteira de produtos, fortalecer parcerias comerciais e preparar a empresa para diferentes cenários. Não há garantia de sucesso. Mas há decisões que podem reduzir riscos. E quero terminar com uma reflexão. Uma das maiores dificuldades do empresário moveleiro é ter que dedicar tanta energia para enfrentar obstáculos que pouco têm a ver com aquilo que ele sabe fazer: produzir, inovar, vender e gerar empregos. Essa realidade precisa continuar sendo discutida e cobrada, mesmo depois da eleição. Mas existe uma diferença entre o tempo da política e o tempo dos negócios. Governos têm mandatos. Empresas precisam construir continuidade. E o empresário não pode esperar quatro anos para decidir o que fazer amanhã. Cá entre nós... a eleição passou. Os desafios continuam. E o futuro da indústria moveleira não pode ficar esperando a próxima urna.
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