Móveis de Valor - Edição 255

25 moveisdevalor.com.br Estudos reforçam esse cenário. Levantamento da FGV aponta que ganhos de produtividade seriam condição necessária para sustentar a mudança. Já análises da Confederação Nacional do Comércio indicam aumento relevante na folha de pagamento em caso de adoção ampla do novo modelo. Embora haja apoio social à medida, o principal ponto de atenção está na implementação. Em economias desenvolvidas, jornadas menores foram adotadas após ganhos consistentes de eficiência e ampla negociação coletiva — uma trajetória ainda distante da realidade brasileira. Hoje, diferentes propostas tramitam no Congresso, com modelos que variam entre mudanças constitucionais e ajustes via legislação trabalhista. Em paralelo, surgem alternativas como desoneração da folha para mitigar impactos. O consenso entre especialistas é que a discussão precisa avançar junto a uma agenda de produtividade. Sem esse alinhamento, a redução da jornada tende a redistribuir custos — e não necessariamente gerar ganhos econômicos sustentáveis. BRASIL JÁ TEM JORNADAS ABAIXO DE 44 HORAS O BRASIL E A BAIXA PRODUTIVIDADE Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que o Brasil ocupa a 94ª posição em produtividade no ranking global. O indicador relaciona produção econômica às horas trabalhadas e é chave para medir competitividade. Segundo o levantamento, os brasileiros trabalham, em média, 38,9 horas por semana – menos do que em 97 países. Em economias como China, Índia e México, jornadas mais longas ajudam a alimentar o debate sobre produtividade e modelos de trabalho. IRINEU MUNHOZ PROPÕE TRANSIÇÃO EM ETAPAS O presidente da Abimóvel, Irineu Munhoz, defende que a redução da jornada seja feita de forma gradual e alinhada à realidade do setor. Segundo ele, mudanças precisam ser tratadas como política produtiva, evitando aumento de custos e impactos na formalização. A proposta considera desafios como tributação das pequenas empresas, operação industrial contínua e produtividade – que caiu 8,4% em 2025 – e sugere uma transição de cinco a quinze anos, com negociação coletiva como base. Estudo do Ministério do Trabalho mostra que cerca de dois terços dos vínculos formais no país (29,7 milhões) já operam no modelo 5x2, com jornadas inferiores às 44 horas semanais previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A redução é viabilizada por acordos e convenções coletivas, prática adotada há décadas em diversos setores. Em tecnologia da informação e entre eletricitários, por exemplo, jornadas de 40 horas – e até 30 horas em funções específicas – já são realidade. Em atividades de atendimento ao cliente, a carga costuma ser de 36 horas semanais, distribuídas conforme escala negociada.

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