68 moveisdevalor.com.br Vitrine social e espaço de viver Durante décadas, a sala ocupou um papel simbólico dentro da casa. Era o ambiente da formalidade, da recepção e, sobretudo, da representação. Sofás volumosos, estantes robustas e mesas de jantar imponentes não eram apenas escolhas estéticas — eram sinais claros de status. Mas esse modelo começou a se desfazer à medida que a própria dinâmica da vida doméstica mudou. Nos últimos 30 anos, transformações profundas — da redução dos espaços urbanos à chegada de novas tecnologias, passando pela integração dos ambientes e, mais recentemente, pela ressignificação da casa durante a pandemia — alteraram de forma decisiva a função da sala. E, com ela, o papel do mobiliário. O que antes era pensado para compor um cenário passou a ser projetado para sustentar múltiplas experiências. A sala deixou de ser um espaço estático para se tornar um ambiente dinâmico, onde convivem trabalho, lazer, descanso e interação social. Essa mudança se reflete diretamente no design dos móveis. Peças pesadas e permanentes deram lugar a soluções mais leves e flexíveis. O móvel isolado perdeu protagonismo para o conjunto. E a estética, embora ainda relevante, passou a dividir espaço com atributos como funcionalidade, ergonomia e adaptação ao uso real. Ao longo desse período, a evolução dos móveis de sala acompanhou três movimentos centrais: a transição do peso para a leveza, da rigidez para a flexibilidade e, mais recentemente, da forma para a experiência. Hoje, mais do que preencher espaços, o mobiliário organiza o cotidiano. Ele orienta fluxos, define usos e contribui para a forma como as pessoas vivem — e não apenas para como desejam ser vistas. A linha do tempo a seguir ajuda a entender esse percurso. Mais do que registrar mudanças estéticas, ela revela como o design respondeu — e, em muitos momentos, precisou correr para alcançar — as transformações no comportamento e nas expectativas do consumidor. Porque, no fim, não foi apenas o móvel que evoluiu. Foi a própria ideia de morar. ESPECIAL SALAS Por Ari Bruno Lorandi, CEO da Móveis de Valor EM 30 ANOS, MÓVEIS DEIXARAM DE REPRESENTAR STATUS PARA RESPONDER A NOVOS MODOS DE HABITAR, INTEGRAR E CONVIVER DENTRO DE CASA
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