84 moveisdevalor.com.br Sonhos e pesadelos da IA no cotidiano A vida da maioria das pessoas segue quase inalterada, enquanto a Inteligência Artificial ganha espaço no discurso das grandes empresas de tecnologia e, aos poucos, se infiltra no dia a dia por meio de celulares e computadores. Vendida como a próxima grande revolução, a IA também encontra ceticismo — especialmente entre aqueles que já viram promessas semelhantes com a internet e as redes sociais. Desde a popularização do ChatGPT, em 2022, o tema ganhou escala global, impulsionado também por disputas geopolíticas. Ainda assim, seus impactos práticos avançam de forma gradual, sem a ruptura imediata que muitos anúncios sugerem. Parte desse entusiasmo está ligada à força da propaganda tecnológica, que frequentemente apresenta novas funcionalidades como “inteligência”. No entanto, diferente da inteligência humana — marcada por experiência, subjetividade e corpo —, a IA depende de trabalho humano, consumo de energia e grandes estruturas técnicas. Na prática, trata-se de uma evolução da computação, com maior capacidade de adaptação e uso cotidiano. Como em outras ondas tecnológicas, muitas promessas podem se mostrar exageradas. Entre elas, a ideia de que a IA reduziria a sobrecarga de trabalho. O que se observa, porém, é o contrário: além de executar suas funções, profissionais precisam aprender, alimentar e operar essas ferramentas — muitas vezes gerando mais valor para as big techs do que para si próprios. Ao mesmo tempo, cresce o temor da substituição de empregos, especialmente em funções mais automatizáveis. Nesse sentido, a IA se aproxima de uma nova revolução industrial, agora expandida para além das fábricas. Diante disso, surgem movimentos de resistência — como o retorno ao analógico em áreas como a educação. Mais do que respostas definitivas, a IA expõe um cenário em disputa entre promessas de eficiência e riscos sociais ainda em aberto. Resumo de artigo de Richard Miskolci, sociólogo que pesquisa os usos das tecnologias de informação e comunicação. ARTIGO Richard Miskolci, sociólogo Por Richard Miskolci
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