88 moveisdevalor.com.br Mercosul-UE redesenha o jogo para o móvel brasileiro O acordo entre Mercosul e União Europeia volta ao centro do debate industrial com uma promessa tentadora: ampliar o acesso a um dos mercados mais sofisticados do mundo. Mas, para o setor moveleiro brasileiro, a leitura precisa ir além do entusiasmo inicial. O que está em jogo não é um salto imediato de exportações, e sim uma mudança estrutural na forma de competir. A entrada em vigor provisória da parte comercial, prevista para 2026, começa a destravar o ambiente de negócios com avanços relevantes - ainda que graduais. Menos burocracia, maior previsibilidade e mecanismos como a autocertificação de origem tendem a reduzir custos operacionais e dar mais fluidez às exportações. É um primeiro passo importante, mas insuficiente para transformar o cenário no curto prazo. TARIFA MENOR NÃO SIGNIFICA RESULTADO IMEDIATO Hoje, móveis brasileiros enfrentam tarifas médias próximas de 8% a 10% ao entrar na União Europeia. O acordo prevê a eliminação dessas tarifas, mas de forma progressiva, em prazos que podem chegar a dez anos. Na prática, isso significa que o ganho competitivo será construído ao longo do tempo. Não há um “efeito imediato” capaz de reposicionar o Brasil de um ano para o outro. Por outro lado, cria-se uma trajetória clara: ao final do processo, o móvel brasileiro chega ao mercado europeu em condições muito mais equilibradas frente a concorrentes globais. Essa previsibilidade é, por si só, um ativo estratégico. Ela permite planejamento, investimento e reposicionamento industrial com horizonte definido. ACORDO ABRE PORTAS PARA A INDÚSTRIA MOVELEIRA, MAS IMPÕE UM NOVO PADRÃO DE COMPETITIVIDADE BASEADO EM VALOR, NÃO EM VOLUME O ACORDO NÃO É SOBRE VENDER AGORA. É SOBRE QUEM VAI CONSEGUIR VENDER DEPOIS. QUEM TRATA COMO REPOSICIONAMENTO ESTRATÉGICO, GANHA Por Ari Bruno Lorandi, CEO Móveis de Valor MERCADO
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