78 moveisdevalor.com.br MERCADO Indústria desacelera e ameaça abastecimento do varejo APÓS UMA DÉCADA RESILIENTE, SETOR ENTRA EM 2025 PRESSIONADO POR CUSTOS, INCERTEZAS E RETRAÇÃO NA PRODUÇÃO COPA, ELEIÇÕES E CRÉDITO AMPLIADO DEVEM REACELERAR CONSUMO E TENSIONAR A CADEIA NO SEGUNDO SEMESTRE Por Ari Bruno Lorandi, CEO da Móveis de Valor Se há algo que define o setor moveleiro e colchoeiro brasileiro nos últimos dez anos é resiliência. Mesmo diante de crises econômicas, pandemia e oscilações de consumo, o setor apresentou desempenho negativo em apenas dois anos – seja em receita, volume ou ambos. Trata-se de um histórico que reforça uma característica estrutural: a demanda por móveis e colchões não desaparece, ela apenas se desloca no tempo. Essa consistência, porém, pode estar criando um ponto cego. O ano passado foi um desses raros momentos de retração mais acentuada. E, ao contrário de ciclos anteriores, ele não foi seguido por uma recomposição imediata da produção industrial. Pelo contrário: 2025 começou com a indústria operando em modo defensivo. E é exatamente aí que nasce o risco. O ERRO CLÁSSICO DE LEITURA DE CICLO Historicamente, sempre que o setor desacelera, a reação natural da indústria é ajustar estoques, reduzir compras de insumos e operar com maior cautela. O problema é que 2026 não é um ano comum. Há três vetores simultâneos de estímulo à demanda: Copa do Mundo - tradicionalmente aquece consumo de bens duráveis e reformas domésticas. Eleições - aumento de liquidez na economia, especialmente via gastos públicos.
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