Móveis de Valor - Edição 256

80 moveisdevalor.com.br Crédito facilitado - programas como o Desenrola 2 ampliam o acesso ao consumo. Esse conjunto cria uma assimetria: demanda tende a subir enquanto a produção ainda está contida. EFEITO INVISÍVEL: A CONTRAÇÃO DA INDÚSTRIA Nos últimos meses, a indústria vem reduzindo compras de matérias-primas e insumos. E essa decisão não é arbitrária, ela responde a um ambiente global instável. A guerra no Oriente Médio adiciona três fatores críticos: pressão sobre custos logísticos; aumento de preços de derivados de petróleo (impactando espuma, químicos, transporte); incerteza na cadeia global de suprimentos. Além disso, fretes seguem voláteis, os prazos internacionais estão menos confiáveis, e as indústrias evitam formar estoques elevados em ambiente de risco. Ou seja: a cadeia está sendo “enxugada” exatamente antes de um possível pico de demanda. O PONTO DE INFLEXÃO O comportamento típico do setor sugere que: O varejo começa a sentir melhora entre julho e agosto. O pico de demanda se concentra entre setembro e novembro. Se a indústria não antecipar produção entre maio e julho, o sistema pode entrar em colapso operacional. E isso não significa falta total de produto,v mas ruptura seletiva: linhas específicas, colchões com maior valor agregado e móveis com maior dependência de insumos. O RISCO REAL: NÃO É CRISE, É FALTA É importante deixar claro que não estamos diante de um cenário de retração. Estamos diante de um possível descompasso entre oferta e demanda. E esse tipo de problema é mais difícil de gerenciar. Porque ele acontece quando o varejo quer vender, o consumidor quer comprar, mas a indústria não consegue entregar no timing necessário. O setor moveleiro brasileiro já demonstrou, ao longo da última década, que sabe reagir a crises. O desafio agora é outro. Não se trata de sobreviver à falta de demanda, mas de se preparar para um excesso dela. Se a indústria mantiver o freio acionado por muito tempo, o risco deixa de ser financeiro e passa a ser operacional. E, neste caso, quem não estiver pronto até o terceiro trimestre pode assistir ao mercado aquecido… do lado de fora. QUEM COMPRAR ANTES, VENDE DEPOIS Mas há um ponto capaz de reequilibrar essa equação, e ele está no varejo. Antecipar pedidos deixa de ser apenas uma decisão operacional e passa a ser uma estratégia de proteção de receita. Em um cenário de possível descompasso entre oferta e demanda, quem comprar antes não apenas garante abastecimento - garante competitividade. Mais do que reagir ao mercado, o varejo tem, neste momento, a oportunidade de ajudar a moldá-lo. Ao sinalizar demanda com antecedência, contribui para que a indústria ajuste sua produção, reduz riscos na cadeia e evita rupturas justamente no período mais importante do ano. No segundo semestre, não será apenas uma disputa por consumidor. Será, também, uma disputa por produto. E, dessa vez, quem se antecipar não vai apenas vender mais, vai conseguir vender. Antecipar compras deve ser a estratégia do varejo para vender no segundo semestre MERCADO

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