Móveis de Valor - Edição 257

35 moveisdevalor.com.br Por fim, Débora explica por que a resiliência é colocada como um dos pilares desse novo conceito de indústria. “Ela está ligada à capacidade de adaptação a choques geopolíticos e interrupções na cadeia de suprimentos”, diz. Aliás, qualquer semelhança com o momento em que estamos vivendo não é mera coincidência. Portanto, a partir dessas explicações, Débora Irie lembra que a Europa já está fazendo com que isso se torne realidade. “O continente está financiando essa transição através do programa Horizon Europe e do plano ‘Industry 5.0: A transformative vision for Europe’, cujas prioridades são claras”, aponta. Ela lembra que a Comissão Europeia orienta que essa transformação seja suportada por três pilares de política pública: a requalificação da mão de obra para competências digitais, a adoção ética da Inteligência Artificial e a liderança mundial em pesquisa e inovação. Abaixo enumeramos as propriedades dos programas europeus citados pela especialista em ESG: 1. Twin Transition (Transição Gêmea): A diretriz de que as transições digital e verde devem caminhar juntas; nenhuma inovação tecnológica é aceita se não for sustentável. 2. Dever de Diligência (Supply Chain Due Diligence): Através da Corporate Sustainability Due Diligence Directive (CSDDD), a Europa obriga as indústrias a controlarem a integridade ética e ambiental de todos os seus fornecedores, exigindo tecnologias de rastreabilidade como Blockchain (registro digital descentralizado e imutável) e IoT (internet das coisas, objetos conectados). 3. Human-Centric Ecosystems (Ecossistemas Centrados no Humano): Incentivos a fábricas que criam ambientes de trabalho inclusivos, com foco em riscos psicossociais e segurança do trabalho, espelhando a urgência da nossa NR-1. O QUE JÁ É REALIDADE? De acordo com Débora, que também participa do HUB de Inteligência Colaborativa da Móveis de Valor, o setor moveleiro e industrial europeu Débora Irie, especialista em ESG e consultora do Instituto Impulso já integra modelos de Servitização, ou seja, a venda do uso do produto e não a posse, como no caso de aluguel de colchões ou móveis corporativos. Isso aumenta o ciclo de vida dos bens de consumo. Nessa realidade já está sendo aplicado o conceito de gêmeos digitais, em que as fábricas europeias criam réplicas virtuais de seus produtos para simular o impacto ambiental de cada alteração de design antes mesmo de cortar a primeira chapa de madeira. Assim como há uso de robôs que operam ao lado de humanos, algo que cresceu muito em setores de montagem final em países como Alemanha e Itália ao longo dos últimos três anos. “Empresas que integraram esses princípios relataram uma redução de 15% a 20% no desperdício de matéria-prima e uma queda significativa na rotatividade de pessoal (turnover), provando que focar no bem-estar do colaborador é, matematicamente, mais rentável”, afirma Débora Irie. Diante dessa nova realidade, Débora diz

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