Móveis de Valor - Edição 257

ANO 25 • EDIÇÃO 257 • JUNHO DE 2026 CONECTANDO IDEIAS, NEGÓCIOS E O FUTURO DO SETOR Tecnologia gera poder estratégico Exigências europeias favorecem brasileiros A geopolítica chega ao chão de fábrica Conheça o novo mapa mundial dos móveis @moveisdevalor ROTTENG ELEVA A PRODUTIVIDADE DA INDÚSTRIA MADEIREIRA

4 moveisdevalor.com.br Por Inalva Corsi, editora O primeiro semestre de 2026 termina deixando sentimentos mistos para a indústria e o varejo de móveis no Brasil. De um lado, persistem desafios conhecidos, como juros elevados, crédito seletivo, pressão sobre o consumo e um ambiente econômico que exige cautela de fabricantes e lojistas. De outro, surgem expectativas positivas para a segunda metade do ano, tradicionalmente mais forte para as vendas e impulsionada por datas importantes para o varejo, além da realização de feiras e eventos que movimentam toda a cadeia produtiva. A esperança de um segundo semestre mais aquecido não é exclusividade do mercado brasileiro. Em diferentes partes do mundo, a indústria moveleira atravessa um período de profundas transformações, impulsionadas por mudanças geopolíticas, novas cadeias de suprimentos, avanços tecnológicos e pela busca crescente por competitividade. Um dos sinais mais claros dessa mudança está no novo mapa global das exportações de móveis. Há cerca de duas décadas, o cenário internacional era amplamente dominado por países europeus. Itália e Alemanha ocupavam posições de liderança e eram referências incontestáveis em design, tecnologia e exportação. Hoje, embora continuem relevantes e influentes, já não lideram o ranking mundial. A China consolidou-se como a maior potência exportadora de móveis do planeta, posição construída a partir de uma combinação de escala produtiva, investimentos industriais, logística eficiente e capacidade de adaptação aos diferentes mercados. Ao seu lado, surgem novos protagonistas. O Vietnã transformou-se em um dos maiores polos mundiais de fabricação e exportação, beneficiado por investimentos internacionais e pela migração de parte da produção asiática. Já a Polônia tornou-se a grande força da Europa Oriental, conquistando mercados graças à produtividade, à proximidade com os principais centros consumidores europeus e à forte integração industrial. A influência chinesa, aliás, vai muito além dos números das exportações. O país vem redefinindo a lógica da indústria moveleira brasileira. Trata-se de um movimento que ultrapassa a simples importação de produtos acabados. Cada vez mais empresas nacionais incorporam o gigante asiático em suas estratégias de negócios, seja por meio da compra de componentes, da terceirização de etapas produtivas, do desenvolvimento de produtos sob encomenda ou da importação de linhas completas destinadas ao varejo físico e digital brasileiro. Ao mesmo tempo, as novas exigências dos mercados internacionais, especialmente da Europa, criam oportunidades para o móvel nacional. A indústria vem fazendo a lição de casa ao investir em automação, digitalização e nos conceitos da Indústria 4.0, tema da reportagem especial desta edição. Mas a evolução não para. A Indústria 5.0 já bate à porta, trazendo uma integração ainda maior entre tecnologia, pessoas e sustentabilidade. Nesse contexto, os princípios ESG deixam de ser diferenciais para se tornarem requisitos estratégicos. Tecnologia, inovação e sustentabilidade também estarão no centro das atenções da ForMóbile, realizada em meio a esse cenário de profundas transformações globais. Principal feira de tecnologia, matérias-primas, acessórios e suprimentos para móveis e colchões da América Latina, o evento vai reunir fabricantes, fornecedores e profissionais de toda a cadeia produtiva entre os dias 30 de junho e 3 de julho, em São Paulo. Mais do que apresentar novidades, a ForMóbile será uma oportunidade para refletir sobre o futuro da indústria e compreender como as empresas podem se posicionar em um mercado cada vez mais competitivo, globalizado e exigente. Nesta edição, reunimos análises, reportagens e entrevistas que ajudam a compreender os rumos da indústria e do varejo em um momento de profundas transformações para o setor moveleiro. Boa leitura. E nos encontramos na ForMóbile. REDAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO Rua Dep. Estefano Mikilita, 125 - 3º andar CEP 81070-430 - Portão Curitiba – PR – Brasil CONTATO Fone (41) 99912-9877 www.moveisdevalor.com.br moveisdevalor@moveisdevalor.com.br DIRETORES Ari Bruno Lorandi aribruno@moveisdevalor.com.br Inalva Corsi inalvacorsi@moveisdevalor.com.br ADMINISTRAÇÃO/FINANÇAS Juliana Pinheiro financeiro@moveisdevalor.com.br REDAÇÃO Inalva Corsi – 3035 PR Jornalista Responsável inalvacorsi@moveisdevalor.com.br Natalia Concentino – 10431 PR natalia@moveisdevalor.com.br João Caetano Guimarães caetano@moveisdevalor.com.br Guilherme Arruda – 5955 RS Jornalista convidado guilherme@moveisdevalor.com.br DIREÇÃO DE ARTE E DIAGRAMAÇÃO Bruna Rosário arte@moveisdevalor.com.br ASSINATURAS E CIRCULAÇÃO assina@moveisdevalor.com.br COMERCIAL – SUL Inalva Corsi - (41) 99912-9877 | 99991-2974 inalvacorsi@moveisdevalor.com.br COMERCIAL – SUDESTE Cidinha Leal - (17) 98114-3666 cidinha@moveisdevalor.com.br CARTA DA EDITORA @moveisdevalor Acesse a versão digital desta edição

5 moveisdevalor.com.br SUMÁRIO NOSSA CAPA Ilustra capa desta edição equipamento RottStop Eco, da Rotteng, de Limeira (SP) (19) 3441-2887 www.rotteng.com.br 56 MERCADO Quatro meses depois, Ubá segue em reconstrução 70 BED REPORT Setor colchoeiro entra no semestre sem consenso 72 DESTAQUE COMÉRCIO Center Kennedy acelera expansão e amplia fronteiras 76 DESTAQUE COMÉRCIO Berlanda mira primeiro bilhão e 295 lojas em SC SEÇÕES 6 CÁ ENTRE NÓS Seis mitos que a indústria moveleira insiste em acreditar 8 PONTO DE VENDA Colchões é o item com maior inflação em 5 meses 38 DESTAQUE DE CAPA Rotteng eleva produtividade da indústria madeireira 12 ESPECIAL INDÚSTRIA 4.0 Escassez de mão de obra impulsiona automação 20 ESPECIAL INDÚSTRIA 4.0 Fabricantes de tecnologia trazem inovações ao País 28 ESPECIAL INDÚSTRIA 4.0 Nova NR – 1 deve beneficiar trabalhador e empresa 34 ESPECIAL INDÚSTRIA 4.0 Indústria 5.0 prova que ESG é indispensável 42 MERCADO Conheça o novo mapa mundial dos móveis 46 MERCADO China redefine a lógica da indústria moveleira do Brasil 50 MERCADO Novas exigências europeias favorecem móveis brasileiro 52 MERCADO Quando a geopolítica chega ao chão de fábrica 62 REPORTAGEM ESPECIAL Colapso da Tok&Stok revela nova crise no varejo 68 ARTIGO A ilusão de que aumentar preço significa ganhar mais 78 MV OBSERVATÓRIO Envelhecimento da população acende alerta para móvel sênior 80 SERVIÇOS A uberização chega à montagem de móveis 82 ARTIGO Você coloca o número correto no selo de conformidade? 84 TENDÊNCIAS Superwood quer transformar o futuro da indústria madeireira 90 FEIRAS E EVENTOS Salão Argentino aposta no design como diferencial 98 NOTAS INDÚSTRIA Menos perda e recuperação desigual entre os polos

6 moveisdevalor.com.br Por Ari Bruno Lorandi, CEO da Móveis de Valor Ao longo de mais de três décadas acompanhando a indústria moveleira, ouvi inúmeras explicações para justificar resultados, decisões e estratégias. Algumas fazem todo sentido. Outras, de tanto serem repetidas, acabaram se transformando em verdades quase absolutas. O problema é que o mercado muda, o consumidor muda e os negócios mudam. E muitas dessas certezas deixam de fazer sentido sem que a gente perceba. Por isso, reuni seis mitos que continuam circulando pelo setor e que merecem, no mínimo, uma reflexão. Talvez alguns deles ainda façam parte das conversas dentro da sua empresa. 1. Aumentar o preço aumenta a margem Nem sempre. Muitas empresas olham apenas para a margem unitária e esquecem do impacto sobre o volume. Em determinados momentos, um aumento de preço reduz vendas, piora a diluição dos custos fixos e, no final, diminui o lucro total da operação. A pergunta correta não é "quanto ganho por peça", mas "quanto sobra no final do mês". 2. O mercado vai voltar ao que era antes Provavelmente não. O consumidor mudou. O varejo mudou. O crédito mudou. A concorrência mudou. A história mostra que os mercados raramente voltam ao estágio anterior. Eles evoluem para uma nova configuração. Quem espera a volta do passado costuma chegar atrasado ao futuro. 3. Produto bom vende sozinho Talvez tenha vendido um dia. Hoje, não. Existem milhares de bons produtos disputando a atenção do consumidor. Design, marca, exposição, comunicação, experiência e relacionamento passaram a ter peso semelhante ao da qualidade. O mercado está cheio de excelentes produtos que ninguém conhece. 4. O problema é o preço do concorrente Muitas vezes não é. Quando uma empresa perde vendas, a explicação mais confortável costuma ser culpar quem vende mais barato. Mas frequentemente o problema está em posicionamento, diferenciação, prazo de entrega, atendimento, exposição ou comunicação. Nem toda perda de mercado é guerra de preços. 5. Crescer resolve tudo Nem sempre. Existem empresas que aumentam faturamento e pioram seus resultados. Crescimento sem rentabilidade pode apenas ampliar problemas já existentes. A pergunta mais importante não é "quanto crescemos", mas "quanto ganhamos". 6. O cliente compra móveis Não exatamente. As pessoas compram conforto. Compram praticidade. Compram status. Compram acolhimento. Compram a casa que imaginam ter. O móvel é apenas o meio. As empresas que entendem isso normalmente conseguem construir marcas mais fortes e relacionamentos mais duradouros. O problema dos mitos não é que sejam totalmente falsos. É que eles continuam parecendo verdadeiros mesmo quando o mercado já mudou.

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8 moveisdevalor.com.br IKEA RETOMA APOSTA EM MÓVEIS INFLÁVEIS APÓS DÉCADAS A IKEA voltou a investir em móveis infláveis com o lançamento da poltrona PS 2026, retomando um conceito que não teve sucesso nos anos 1990. O novo modelo pesa menos de oito quilos, possui câmaras de ar ajustáveis e foi desenvolvido para oferecer mais conforto e durabilidade. Segundo a empresa, a poltrona passou por mais de 50 mil ciclos de testes antes de chegar ao mercado. Além da praticidade, a solução reduz custos logísticos e o consumo de materiais, reforçando a busca da indústria por produtos mais sustentáveis e eficientes. WESTWING ACELERA RECUPERAÇÃO E FICA PERTO DO LUCRO NO 1º TRI A Westwing iniciou 2026 com sinais consistentes de recuperação. No primeiro trimestre, a empresa reduziu o prejuízo em 90,3%, aumentou a receita líquida em 7,3% e avançou na eficiência operacional. A expansão da marca própria foi um dos destaques, passando a representar 40,4% do volume bruto de mercadorias comercializadas. A companhia também registrou crescimento do GMV pelo segundo trimestre consecutivo. Apesar de ainda consumir caixa, a empresa se aproxima do equilíbrio financeiro e reforça sua estratégia de crescimento baseada em rentabilidade, eficiência e geração de valor. FRAUDE DE R$ 11,7 MILHÕES REFORÇA ALERTA SOBRE PROTEÇÃO DE DADOS Uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro revelou um esquema de fraudes eletrônicas que causou prejuízo de R$ 11,7 milhões a duas grandes redes varejistas. Utilizando dados pessoais vazados, os criminosos criaram cadastros falsos para realizar quase 13 mil compras online. Os sistemas de segurança das empresas conseguiram bloquear mais de 60 mil tentativas de fraude. O caso reforça a necessidade de investimentos em proteção de dados, monitoramento de transações e ferramentas antifraude. Com o avanço das compras digitais, a segurança cibernética tornou-se um tema estratégico para o varejo. MADEIRAMADEIRA E SHOPEE OFERECEM MONTAGEM DE MÓVEIS A MadeiraMadeira passou a disponibilizar seu serviço de montagem de móveis na loja oficial da marca na Shopee. Agora, os consumidores podem contratar a instalação no momento da compra, com garantia de 90 dias após a execução do serviço. Inicialmente, a novidade está disponível em 14 estados brasileiros. A iniciativa acompanha uma tendência crescente do comércio eletrônico: a oferecer serviços agregados que aumentem a conveniência, simplifiquem a jornada de compra e agreguem valor à experiência do consumidor. PONTO DE VENDA MÓVEIS MANTÊM INFLAÇÃO SOB CONTROLE; COLCHÕES ACELERAM PREÇOS Os preços de móveis e colchões apresentaram comportamentos distintos nos cinco primeiros meses de 2026. Enquanto o IPCA geral acumulou alta de 3,2% até maio, o grupo mobiliário avançou apenas 1,15%, mostrando reajustes abaixo da inflação média do País. O destaque ficou com os colchões, que acumulam alta de 6,15% no ano, superando o índice geral e sinalizando maior pressão de custos no segmento. Já os móveis para sala seguem em deflação (-1,36%), enquanto móveis para quarto (2,67%) e cozinha (1,56%) registram aumentos mais moderados. Os números indicam que a concorrência continua limitando os repasses de preços na indústria moveleira, enquanto o segmento de colchões demonstra maior capacidade de absorver os custos ao consumidor.

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12 moveisdevalor.com.br ESPECIAL INDÚSTRIA 4.0 Escassez de mão de obra impulsiona Indústria 4.0 No ano passado a Móveis de Valor fez um Especial completo sobre a Indústria 4.0, apresentando todos os seus conceitos e agora, em 2026, voltamos a dedicar reportagens especiais sobre esse tema. Nossa ideia é trazer uma atualização sobre os movimentos dos setores de móveis e colchões em direção à Indústria 4.0 e encaminharmos a 5.0, uma quinta revolução industrial que está mais próxima da nossa realidade do que muitos imaginam, abrangendo aspectos relacionados ao ESG e até às mudanças da NR-1. Dentre os principais conceitos trazidos pela 4ª Revolução Industrial estão a Internet das Coisas (IoT), a Inteligência Artificial, a Computação em Nuvem, a Manufatura Avançada, os Digital Twins, COM QUEIXAS DE FALTA DE MÃO DE OBRA, EMPRESÁRIOS BRASILEIROS BUSCAM SOLUÇÕES NA AUTOMATIZAÇÃO PARA CONTINUAREM PRODUZINDO EM ESCALA E COM QUALIDADE ESSE MOVIMENTO FAZ COM QUE AS INDÚSTRIAS NACIONAIS SE APROXIMEM AINDA MAIS DE CONCEITOS COMO OS DA INDÚSTRIA 4.0 E, FUTURAMENTE, IMPLANTAR A 5.0 a Manutenção Preditiva, a integração digital dos processos produtivos e a Cibersegurança. Em comum, essas tecnologias permitem maior conectividade, monitoramento em tempo real e tomada de decisão baseada em dados. No Brasil ainda vemos as indústrias se adaptando a essa nova realidade, enquanto na Europa ela já é mais concreta como na Alemanha e países nórdicos ou na Ásia, com China, Coreia do Sul e Japão, por exemplo, além dos Estados Unidos, na América do Norte. Mas, vemos o setor de móveis e colchões correndo atrás da modernização, com algumas indústrias de maior porte já trabalhando de forma totalmente automatizada, como veremos adiante nesse Especial. Por Natalia Concentino, jornalista

13 moveisdevalor.com.br E um dos aspectos mais citados pelos entrevistados como impulsionadores para a aquisição de máquinas e equipamentos voltados à automação é a escassez da mão de obra, assunto que vem sendo tratado em matérias da Móveis de Valor há um bom tempo. Rene de Oliveira, CEO da Overseas e com muita experiência nos mercados brasileiro e europeu de colchões, confirma que há uma preocupação crescente por parte dos fabricantes colchoeiros em relação à mão de obra. “Há uma tendência de escassez e rotatividade, sendo difícil encontrar e manter funcionários, o que deve só piorar nos próximos anos. Existe desinteresse das pessoas em trabalhar no chão de fábrica, justamente porque a tecnologia abriu outros campos; então, a indústria precisa se modernizar, e as pessoas vão se sentir mais atraídas, e pode vir por meio da união entre robôs e humanos na linha de produção”, analisa. O CEO da Overseas conta que as empresas de colchão têm investido mais em automação. “Há um forte avanço de um ano para cá em busca de automação por parte desses fabricantes. Esse movimento já vinha acontecendo nos últimos anos, mas se intensificou, principalmente por conta da tecnologia com custo mais acessível e maior eficiência”, pontua, citando como exemplo um maquinário da MertMakina que, se ficar parado por mais de um minuto, questiona o operador qual o motivo da parada e, se a resposta não vier imediatamente a máquina trava. “É uma linha inteligente, que toma a informação e gera um ‘report’ ao vivo, ou seja, não precisa esperar para saber que tem um problema e qual é esse problema”, explica. Rene conta que tem fabricantes brasileiros usando essa tecnologia no setor de colchões e, cerca de seis, estão em processo de implementação. “Empresários querem melhorar a qualidade e reduzir custos. Essas máquinas ajudam a fazer o controle das matérias-primas, gerando mais produtividade, menos custos e com mais facilidade de manutenção”. Para ele, o setor colchoeiro nacional já está consciente do que está acontecendo no mundo, e a falta de mão de obra é mais um alerta. “Empresas Rene de Oliveira, CEO da Overseas Linha automática de montagem de colchão com IoT, que gera reports de eficiência de cada máquina e operadores ao vivo

14 moveisdevalor.com.br que já estão automatizadas começam a enxergar os resultados e os benefícios claros, e outros começam a observar e ter consciência de que isso é sinônimo de competitividade”, destaca. Na Europa, a questão da mão de obra é mais grave que no Brasil e na América Latina, o que levou a automatização de um número maior de empresas e, por isso, estão na nossa frente nesse quesito, porém as tecnologias são as mesmas. “É importante dizer que nesse processo de automatização os europeus viram melhoria na qualidade dos produtos, com redução de custo e do número de colchões com defeito, além de melhora no uso de matéria-prima e na gestão de mão de obra”. Investir em automação não significa que a fábrica inteira será operada por robôs, ao contrário, os humanos continuarão presentes. “Automação e manutenção caminham juntas, por isso é preciso ter equipe técnica bem-preparada, além de softwares que ajudem na manutenção preventiva”, avisa Rene de Oliveira, lembrando que ainda falta estrutura de manutenção dentre os fabricantes brasileiros de colchão, e que é preciso estar atento às peças de reposição e criar uma gestão profissional para que a produção não pare. Para suprir essa demanda, Rene conta que a Overseas desenvolveu um software que faz essa gestão, o Overseas Service, que comercializa equipamentos e dispõe de peças em território brasileiro, técnicos eletrônicos, mecânicos e eletricistas. Seguindo esse caminho, o CEO da Overseas acredita que a tendência é de que nos próximos anos a Indústria 4.0 esteja consolidada no Brasil com, pelo menos, quatro vezes mais fábricas automatizadas já em 2027. “Com isso, a evolução para a Indústria 5.0 fica ainda mais próxima, com a integração entre criatividade humana e máquinas para personalização. Lógico que é preciso dominar primeiro a 4.0 para que essa migração seja feita de forma mais eficiente, mais ecológica, com processos amigáveis e profissionais especializados. Afinal, para atrair e manter profissionais é preciso estar automatizado e oferecer remuneração compatível”, finaliza. A seguir você confere dois exemplos de fábricas brasileiras de colchões que já estão com seus processos automatizados dentro dos conceitos da Indústria 4.0. Tela do sistema IoT ao vivo no celular do gerente de produção Robô alimentado de molejos e espumas na entrada da linha de montagem de uma fábrica de colchões automatizada ESPECIAL INDÚSTRIA 4.0

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16 moveisdevalor.com.br ESPECIAL INDÚSTRIA 4.0 Gazin é exemplo de automação na indústria colchoeira Buscando elevar os padrões de qualidade, a Gazin Colchões intensificou os investimentos em automação nos últimos anos. A decisão faz parte de um planejamento estratégico de crescimento e modernização industrial que visa aumentar a eficiência dos processos produtivos e criar um ambiente de trabalho cada vez mais seguro e ergonômico para os colaboradores. “A automação é vista por nós como um investimento contínuo, alinhado ao compromisso de oferecer produtos de excelência aos consumidores e garantir a sustentabilidade do negócio no longo prazo”, ressalta Maicon Aurélio Trovó, gerente administrativo/industrial geral. Com a necessidade de garantir maior padronização nos processos e aumentar a competitividade da operação, a Gazin passou a investir em maquinário e tecnologia que permitem essa automatiEMPRESA INVESTIU NA MODERNIZAÇÃO DA LINHA DE PRODUÇÃO E ACREDITA QUE A INTEGRAÇÃO COM OS COLABORADORES É FUNDAMENTAL PARA MELHORIA CONTÍNUA DE PRODUTIVIDADE zação, o que já vem gerando resultados positivos. “Observamos ganhos importantes em produtividade, melhoria dos indicadores de qualidade, maior estabilidade dos processos e redução de desperdícios. Outro benefício relevante está relacionado à segurança e à ergonomia dos colaboradores, já que parte das atividades com maior esforço físico ou repetitividade passou a ser realizada por equipamentos automatizados”, conta Maicon. Segundo ele, a produção de colchões exige precisão em diversas etapas e a tecnologia contribui para reduzir variações, melhorar o fluxo de processos e no aumento da confiabilidade dos produtos entregues no mercado. A modernização da empresa envolveu a implantação de equipamentos automatizados em diferentes etapas do processo de produção, já citadas pelo gerente, entre elas estão:

17 moveisdevalor.com.br Linha de montagem de colchões: que proporciona a padronização de aplicação de materiais garantindo qualidade, melhoria em ergonomia visto que o transporte de todos os produtos através de esteiras e ganhos em produtividade; Armazenamento automático de espuma: Através de alimentadores e esteiras, proporcionando otimização do espaço físico, controle de cura, prevenção de danos e melhorias no fluxo do processo; Máquinas de colchoarias modernas: equipamentos que reduzem a necessidade de manuseio do produto, garantindo maior qualidade, melhoria em ergonomia e ganhos em produtividade. Como citado por Maicon Aurélio, essa implantação permitiu direcionar colaboradores para atividades de maior valor agregado e sem grande esforço físico, mas ela só foi possível com o envolvimento deles nesse processo. “A tecnologia só gera resultados quando acompanhada do desenvolvimento das pessoas. Por isso, cada etapa de modernização é acompanhada por programas de treinamento, capacitação técnica e desenvolvimento profissional”, garante. Ele conta que a Gazin entende que a automação não substitui as pessoas, ela transforma o modo de trabalhar. “O conhecimento, a experiência e o comprometimento das equipes continuam sendo fundamentais para o sucesso da operação. As máquinas trazem velocidade, precisão e segurança para o processo, mas são as pessoas que promovem a inovação, resolvem problemas e garantem a melhoria contínua”, acrescenta. Já sobre o futuro da produção de colchões, Maicon reforça que o objetivo da Gazin é continuar evoluindo como uma indústria cada vez mais moderna, eficiente e orientada por dados. “Seguiremos investindo em automação, digitalização, inovação de processos e desenvolvimento de novos produtos que atendam às expectativas dos consumidores”. Ele reforça sua crença de que a indústria do futuro será caracterizada pela integração entre tecnologia e pessoas. “Por isso, nossos investimentos não estão focados apenas em equipamentos, mas também na formação de equipes preparadas para atuar em ambientes cada vez mais tecnológicos”, comenta, ressaltando que o objetivo é fortalecer continuamente a capacidade produtiva e manter os padrões elevados de qualidade, competitividade e sustentabilidade. “Entendemos que o crescimento sustentável ocorre quando a evolução tecnológica é acompanhada pela evolução das pessoas, garantindo a continuidade dos resultados e da cultura de melhoria contínua”, conclui. Maicon Aurélio Trovó, gerente administrativo/industrial geral

18 moveisdevalor.com.br ESPECIAL INDÚSTRIA 4.0 Padrões elevados motivam automação da Reconflex Com automação ainda em fase de implantação, a baiana Reconflex já projeta maior padronização dos processos, redução de desperdícios, maior eficiência operacional e controle mais rigoroso de qualidade. A empresa encara a automação como a evolução natural de uma marca que sempre acreditou que tecnologia, inovação e qualidade caminham juntas. Edivaldo Oliveira, fundador e presidente da Reconflex, acredita que o consumidor está cada vez mais exigente e espera produtos com padrões elevados de qualidade, desempenho e durabilidade. “A tecnologia nos ajuda a tornar os processos mais precisos, rastreáveis e eficientes. Além de oferecer melhores ferramentas para que nossos profissionais possam trabalhar com mais segurança, produtividade e foco naquilo que realmente agrega valor”, avalia. “Estamos conduzindo esse processo de modernização industrial com a incorporação de tecnologias e equipamentos que elevam o nível de automação e controle da produção. Tudo isso A FABRICANTE BAIANA DE COLCHÕES ESTÁ EM FASE DE IMPLANTAÇÃO DE EQUIPAMENTOS E TECNOLOGIAS PARA AUTOMATIZAR SUA LINHA DE PRODUÇÃO está acontecendo de forma gradual e planejada, garantindo que cada etapa seja concluída sem comprometer a produção atual e a qualidade dos nossos produtos”, conta Edivaldo. Os colaboradores estão fazendo parte desse processo de implantação. “Eles participam efetivamente dessa evolução, recebendo treinamento, desenvolvendo novas competências e ampliando suas oportunidades de crescimento profissional”, destaca o empresário, acrescentando que está sendo construída uma agenda que combina capacitação prática, transferência de conhecimento e adaptação progressiva da operação até a implementação completa do projeto. O fundador e presidente da empresa acredita que o futuro da indústria está baseado em conexão, inteligência e personalização. “Os consumidores buscam produtos de alta performance, desenvolvidos com mais precisão e alinhados às suas necessidades de conforto e bem-estar. Para atender essa demanda, as fábricas precisarão ser cada vez mais inteligentes e conectadas”, finaliza.

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20 moveisdevalor.com.br ESPECIAL INDÚSTRIA 4.0 Fabricantes de tecnologia trazem inovações ao país A transformação digital já deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade dentro das indústrias moveleira e colchoeira. Em um cenário marcado por consumidores cada vez mais exigentes, necessidade de personalização, pressão por produtividade e busca constante por eficiência operacional, fabricantes de máquinas e equipamentos vêm assumindo um papel estratégico na modernização do setor. Mais do que fornecer equipamentos, esses players estão levando ao mercado soluções capazes de conectar máquinas, sistemas, pessoas e dados em um mesmo ambiente produtivo. O resultado é uma indústria mais inteligente, integrada e preparada para responder rapidamente às demandas do mercado. GRANDES PLAYERS INTERNACIONAIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS TRAZEM SUAS TECNOLOGIAS AO BRASIL E QUEREM IMPULSIONAR A INDÚSTRIA 4.0 FEIRAS COMO A FORMÓBILE SERVEM DE PALCO PARA A APRESENTAÇÃO DE NOVIDADES E NEGÓCIOS ESTRATÉGICOS PARA MOVELEIROS E COLCHOEIROS Aproveitando o crescente interesse dos fabricantes brasileiros por automação e digitalização, tradicionais empresas internacionais estão trazendo ao País tecnologias que já vêm sendo utilizadas em mercados mais avançados. Muitas dessas inovações poderão ser vistas de perto em eventos como a Formóbile, considerada a principal feira do setor na América Latina e uma importante vitrine para as soluções ligadas à Indústria 4.0. Entre os destaques está a italiana Biesse, que vem investindo fortemente em tecnologias voltadas à integração digital e ao monitoramento inteligente dos processos produtivos. “Nossa proposta principal é aproveitar a tecnologia da informação e o transporte rápido de dados

21 moveisdevalor.com.br para promover uma integração digital eficiente. Isso contribui para um melhor aproveitamento dos equipamentos e permite o monitoramento do chão de fábrica em tempo real. Essa é a grande chave da transformação”, afirma Federico Giunta, sales director lines da Biesse. Segundo Giunta, a automação moderna vai muito além da simples substituição de atividades manuais. Ela cria um ambiente produtivo capaz de reagir rapidamente aos acontecimentos da fábrica, corrigindo desvios em tempo real, antecipando necessidades de manutenção e fornecendo informações para decisões mais rápidas e assertivas. “É como comparar a vida antes e depois do WhatsApp. Hoje resolvemos praticamente tudo em tempo real. Na indústria acontece algo semelhante. A interação entre pessoas e máquinas ganhou velocidade e eficiência. É como se equipamentos e fábricas inteiras estivessem conectados em um grande grupo de mensagens”, exemplifica. Essa conectividade gera um volume significativo de informações que passam a ser utilizadas estrategicamente pelas empresas. Os softwares embarcados nos equipamentos armazenam históricos completos de produção, manutenção, falhas e ocorrências operacionais, permitindo uma visão ampla do desempenho fabril. “Todos os dados ficam disponíveis por meio de acessos controlados por senha. Isso garante transparência e rastreabilidade, permitindo identificar quem estava operando determinado equipamento em cada momento. Além da responsabilidade operacional, isso também gera valorização do trabalho realizado”, explica. Outro diferencial destacado pelo executivo é a adaptação das soluções para a realidade brasileira. Segundo ele, a empresa realizou um esforço significativo para disponibilizar interfaces, softwares e conteúdos de suporte em português. “Nossas máquinas possuem relógios internos de manutenção que geram alertas automáticos. O operador recebe notificações com links para manuais, listas de peças e vídeos explicativos que mostram exatamente como executar cada procedimento. Isso reduz erros, facilita treinamentos e Federico Giunta, sales director lines da Biesse Célula com sistema Nesting, da Biesse

22 moveisdevalor.com.br aumenta a autonomia dos profissionais. Mesmo um operador mais novo consegue trabalhar com segurança e eficiência”, afirma. Quem também acompanha de perto o avanço da digitalização no mercado brasileiro é a italiana Giben, empresa que atua há anos no País e observa um crescimento consistente da procura por soluções automatizadas. “Nós percebemos crescimento considerável nos últimos dois anos na busca por automação e integração de processos em empresas de todos os portes. Grande parte desse movimento está relacionada à necessidade de melhorar desempenho produtivo e também à dificuldade crescente de encontrar mão de obra qualificada”, explica Ari Valarini, gerente comercial da Giben. Para ele, uma das grandes vantagens da automação está na capacidade de controlar processos complexos com muito mais precisão. “O mercado atual trabalha com uma quantidade muito maior de padrões, acabamentos e configurações, porém em lotes menores. Os sistemas inteligentes conseguem interpretar automaticamente todas as informações de produção e realizar ajustes sem intervenção humana, utilizando códigos de barras ou QR Codes inseridos logo no início do processo”, destaca. Na prática, isso significa eliminar uma série de etapas manuais que, até pouco tempo atrás, dependiam da experiência do operador e estavam sujeitas a erros, retrabalhos e desperdícios. “O software entende exatamente o que precisa ser feito em cada peça. Antigamente, muitas mudanças eram realizadas manualmente e isso demandava tempo, além de aumentar o risco de falhas. Hoje, os ajustes acontecem automaticamente”, complementa. Para ilustrar esse cenário, Valarini cita as células de produção baseadas em tecnologia nesting. “As seccionadoras podem ser integradas aos processos de furação e colagem de bordas. Dependendo da configuração da fábrica, a transferência das peças pode ser realizada por robôs ou operadores. Ao final, as peças já saem prontas para as próxiAri Valarini, gerente comercial da Giben Sistema integrado de corte Nesting + Colagem de bordas, da Giben ESPECIAL INDÚSTRIA 4.0

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24 moveisdevalor.com.br mas etapas, independentemente do tamanho ou da complexidade do projeto”, explica. Apesar do avanço observado, o executivo acredita que o Brasil ainda pode acelerar sua jornada rumo à Indústria 4.0. “A evolução tecnológica está acontecendo, mas precisamos de mecanismos de financiamento mais competitivos. Investimentos em automação são de longo prazo e exigem condições mais favoráveis para que um número maior de empresas possa modernizar suas operações”, avalia. Outro importante fornecedor global que acompanha esse movimento é a SCM. Para a empresa, a transformação digital já deixou de ser um diferencial competitivo e passou a representar uma condição essencial para a sobrevivência e o crescimento das indústrias. “O setor moveleiro vive uma situação interessante. Existe uma parcela das empresas que já compreendeu que tecnologia não é custo, mas investimento, e está avançando rapidamente. Ao mesmo tempo, ainda encontramos muitas organizações que estão tentando entender por onde começar essa jornada”, comenta Luciano Greipel, gerente de produtos da SCM. Segundo ele, as demandas mais recorrentes envolvem aumento de produtividade, redução de desperdícios, rastreabilidade, integração de sistemas e maior controle sobre os processos produtivos. “Outro tema muito forte é a flexibilidade. As empresas precisam produzir lotes menores, atender projetos personalizados e cumprir prazos cada vez mais apertados. Nesse contexto, as células inteligentes e os sistemas integrados tornam-se ferramentas fundamentais”, observa. A personalização, aliás, é apontada como uma das principais forças que impulsionam os investimentos em automação. “O mercado sob medida está em expansão. Isso exige que o fabricante consiga migrar rapidamente de um projeto para outro sem perder produtividade, sem aumentar o tempo de setup e sem gerar desperdícios. É por isso que cresce a procura por linhas completas automatizadas e por máquinas capazes de se comunicar entre si”, afirma. Luciano Greipel, gerente de produtos SCM tem linhas completas automatizadas e comunicação entre máquinas ESPECIAL INDÚSTRIA 4.0

25 moveisdevalor.com.br SOLUÇÕES PARA A INDÚSTRIA DE COLCHÕES Entre as soluções oferecidas pela empresa estão os centros de usinagem inteligentes, que permitem produzir lotes menores com elevado grau de precisão e total rastreabilidade ao longo da fábrica. Quando o assunto é indústria de colchões, a turca Elektroteks desponta como uma das referências globais em automação e digitalização. Segundo Serkan Güller, CEO da empresa, a companhia foi uma das pioneiras na adoção dos conceitos da Indústria 4.0 e agora já trabalha dentro da lógica da Indústria 5.0. “Implementamos sistemas integrados de automação, conectividade, monitoramento de processos e otimização da produção em tempo real. Agora avançamos para uma nova etapa, em que o ser humano passa a ocupar uma posição central dentro do ambiente produtivo”, explica. De acordo com o executivo, a Indústria 5.0 busca combinar automação avançada com ergonomia, segurança e experiências mais intuitivas para os operadores. “Nossas soluções unem alta tecnologia e interfaces inteligentes que reduzem a carga cognitiva dos profissionais. O objetivo é tornar a interação entre pessoas e máquinas mais simples, eficiente e produtiva”, afirma. No Brasil, ele observa uma crescente preocupação dos fabricantes com eficiência operacional e competitividade. “As empresas buscam reduzir a manipulação manual em etapas como colagem, montagem e processamento de espumas. Ao mesmo tempo, querem ampliar a padronização e elevar a qualidade final dos produtos”, comenta. Outro aspecto cada vez mais valorizado é o bem-estar dos colaboradores. “Existe uma preocupação crescente com ergonomia e segurança. Os fabricantes procuram soluções que reduzam esforços repetitivos e permitam que os operadores assumam funções de maior valor agregado dentro da produção”, acrescenta. Além disso, a demanda por equipamentos conectados também segue em expansão. “Os dados gerados pelas máquinas ajudam a identificar oportunidades de melhoria, otimizar recursos e Serkan Güller, diretor da Elektroteks KYK-HS2, da Elektroteks

26 moveisdevalor.com.br apoiar decisões estratégicas. Isso transforma a gestão industrial em um processo muito mais preciso e eficiente”, conclui. FORMÓBILE COMO VITRINE PARA INOVAÇÕES Marcada para acontecer entre os dias 30 de junho e 3 de julho, em São Paulo, a Formóbile vai reunir os principais fabricantes globais de máquinas, equipamentos, componentes e tecnologias voltadas à indústria moveleira e colchoeira. Mais do que uma feira de negócios, o evento vem se consolidando como um ambiente de disseminação de conhecimento e tendências ligadas à transformação digital. “A Formóbile assume cada vez mais o papel de conectar o setor moveleiro às discussões sobre Indústria 4.0 e também sobre Indústria 5.0. Hoje o mercado não busca apenas produtividade. Existe interesse por integração de processos, uso inteligente de dados, sustentabilidade e valorização das pessoas dentro da indústria”, destaca Tatiano Segalin, business manager da Formóbile. Entre os expositores, a expectativa é apresentar tecnologias capazes de demonstrar, na prática, como a automação pode transformar o ambiente produtivo. A Biesse, por exemplo, pretende montar uma verdadeira smart factory dentro do estande. “Para o Brasil e para toda a América Latina, a Formóbile é uma feira extremamente estratégica. Vamos apresentar uma pequena fábrica conectada, reunindo processos de corte, colagem de bordas e furação totalmente integrados e operando ao vivo”, adianta Federico Giunta. A Giben também chega ao evento com perspectivas positivas. “Em 2024 tivemos um excelente desempenho durante a feira e nossas expectativas continuam muito boas. Vamos apresentar soluções de furação flexível, corte nesting e colagem de bordas, mostrando como a automação pode gerar ganhos concretos para os fabricantes”, afirma Ari Valarini. Já a SCM aposta na apresentação de uma célula completa de nesting integrada ao conceito de Indústria 4.0. “Vamos demonstrar uma célula com carga e descarga automáticas, etiquetagem integrada e comunicação completa entre equipamentos. Além disso, teremos coladeiras de bordas, centros de furação, seccionadoras e outras tecnologias operando em tempo real para que o visitante possa acompanhar seu funcionamento”, revela Luciano Greipel. A Elektroteks, por sua vez, levará para a feira a KYK-HS2, considerada um dos seus equipamentos de maior sucesso internacional. “Essa é nossa máquina de fechamento de colchões mais vendida, reconhecida pela robustez, precisão e produtividade. Também apresentaremos soluções para montagem de colchões, equipamentos da linha Mammut para quilting e bordado, além de tecnologias para corte, processamento e manuseio de espumas”, informa Serkan Güller. Com investimentos crescentes em conectividade, automação e inteligência de dados, os fabricantes de máquinas reforçam que a transformação digital já está em curso. E eventos como a Formóbile mostram que a indústria brasileira tem acesso a tecnologias capazes de elevar seus níveis de produtividade, flexibilidade e competitividade, aproximando-se cada vez mais dos padrões internacionais de manufatura inteligente. Tatiano Segalin, business manager da Formóbile

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28 moveisdevalor.com.br ESPECIAL INDÚSTRIA 4.0 Nova NR-1 deve beneficiar trabalhadores e empresas N esse Especial vimos que as indústrias, principalmente, estão preocupadas em automatizar sua produção por conta da escassez de mão de obra. Por sinal, esse é um tema recorrente nas reportagens da Móveis de Valor, mas você (empresário) já parou para pensar que a nova NR-1 tem uma boa ligação com a Indústria 5.0, e pode ajudar na produtividade dos seus colaboradores? Pois é, à primeira vista alguns empresários mais tradicionalistas podem achar que a promoção de programas contínuos sobre saúde mental deve significar gastos, porém é preciso enxergar além, e pensar nos benefícios que isso traz para o funcionário, o que, claro, impacta diretamente sua produtividade. NORMA QUE INCLUI RISCOS PSICOSSOCIAIS NO AMBIENTE DE TRABALHO EXIGE ADEQUAÇÃO DAS EMPRESAS E REFORÇA A IMPORTÂNCIA DO BEM-ESTAR DOS COLABORADORES AO COLOCAR AS PESSOAS NO CENTRO DAS ESTRATÉGIAS CORPORATIVAS, NOVA NR-1 APROXIMA EMPRESAS DOS CONCEITOS DA INDÚSTRIA 5.0 E DA GESTÃO SUSTENTÁVEL Dados do Ministério da Previdência Social, divulgados recentemente, mostram que os afastamentos por burnout cresceram 823% em quatro anos. Segundo a mesma pesquisa, em 2025 foram concedidos 7.595 benefícios de incapacidade temporária por esgotamento profissional, contra 823 em 2021. Esse número representa quase nove vezes mais no período. O Ministério Público do Trabalho (MPT) também divulgou números que deixam claro esse avanço. As denúncias relacionadas à saúde mental no trabalho passaram de 190 para 1.022 entre 2021 e 2025, o que corresponde a um aumento de cerca de 438%.

29 moveisdevalor.com.br Todos esses dados mostram que a saúde mental precisa ser colocada em pauta, então, a Norma Regulamentadora nº1 (NR-1), criada em 08 de junho de 1978, passou por uma reformulação que inclui riscos psicossociais e passou a vigorar em 26 de maio de 2026, depois de um adiamento pedido em 2025. Para entender melhor qual a importância e como ela deve ser aplicada conversamos com Marcia Tolotti, psicanalista e especialista em programas corporativos de saúde mental. Ao começar a explicação, Marcia avisa que a nova NR-1 deixa claro que não se trata de fazer um trabalho de saúde mental individual para cada colaborador, mas sim de saúde mental do ambiente. “A saúde mental deixa de ser uma ação de sensibilização e passa a se tornar uma gestão de risco”, evidencia. E esses riscos psicossociais são 13 (confira lista no box ao lado), que as empresas devem identificar, avaliar e controlar, oferecendo programas continuados para que esses fatores de risco diminuam. Dentro desse contexto, a psicanalista acredita que seja fundamental as lideranças receberem uma orientação e um treinamento específico sobre a NR-1. “As lideranças são um canal direto entre os colaboradores e a alta gestão. Eles recebem muitos insumos e informações a respeito de como está a moral, a cultura e o aspecto de bem-estar emocional dos colaboradores”, orienta, lembrando que também deve ser feito um trabalho de treinamento específico para os colaboradores, através de um programa continuado e estruturado para combater os 13 fatores. Marcia Tolotti explica que para que a empresa fique totalmente adequada às normas, ela precisa começar com um levantamento dos riscos psicossociais por setor. Isso deve acontecer independentemente do segmento, número de funcionário e se o regime é PJ ou CLT. “A NR-1 não especifica o tipo de profissional que vai fazer isso, mas ele precisa ter conhecimento técnico para mapear em cada setor qual é o grau desses 13 fatores, assinando o laudo de acordo com o que está estabelecido pelo Ministério do Trabalho e Emprego”, reforça. Mesmo que a empresa tenha feito o mapeamento e tenha sido constatado baixo risco, é preciso seguir para a próxima etapa, que é a implementação dos programas e treinamentos continuados, já citados por Marcia. “Como sou especialista reconhecida pelo MEC em NR-1 sou um exemplo de profissional que pode ser contratado para ministrar esses programas, portanto, as empresas devem buscar especialistas na hora de colocá-los em prática”. Segundo a psicanalista, que também Marcia Tolotti, psicanalista e especialista em programas corporativos de saúde mental CONFIRA A LISTA COM OS 13 FATORES DE RISCOS PSICOSSOCIAIS: 1. Assédio de qualquer natureza 2. Baixa clareza de papel/função 3. Baixa demanda de trabalho (subcarga) 4. Baixa justiça organizacional 5. Baixas recompensas e reconhecimento 6. Baixo controle no trabalho / Falta de autonomia 7. Eventos violentos ou traumáticos 8. Excesso de demandas (sobrecarga) 9. Falta de suporte no trabalho 10. Más relações no ambiente de trabalho 11. Má gestão de mudanças organizacionais 12. Trabalho em condições de difícil comunicação 13. Trabalho remoto e isolado

30 moveisdevalor.com.br A especialista trata isso tudo como uma oportunidade e um desafio. “É uma abordagem muito ampla e é um momento em que o Brasil precisa dar esse salto. Se as empresas não se adequarem para valer, dependendo do processo trabalhista que ela responder, pode colocar em risco a sua própria sustentabilidade e a vida da empresa, principalmente no caso das menores”, afirma. Por outro lado, Marcia Tolotti avalia que essas exigências podem aproximar as empresas dos princípios da Indústria 5.0, modelo que coloca as pessoas no centro das estratégias de desenvolvimento. “Além da tecnologia, da automação e da Inteligência Artificial, há um olhar mais atento para a saúde física e mental, a qualidade de vida, a segurança psicológica e o desenvolvimento humano”, destaca. Segundo ela, investir no bem-estar dos colaboradores não é apenas uma questão social, mas também de desempenho. “Quando as pessoas estão com a saúde mental equilibrada, tendem a produzir mais. Muitas vezes, um profissional focado e mentalmente saudável entrega mais resultados em cinco horas do que alguém que trabalha 12 horas sob pressão e desgaste constante”, afirma. A especialista ressalta ainda que os fatores psicossociais impactam diretamente a produtividade e a segurança no ambiente de trabalho. Trabalhadores que enfrentam problemas relacionados à saúde mental estão mais suscetíveis a acidentes, afastamentos e ao aumento da demanda por consultas e atendimentos médicos. Para Marcia, a relação entre bem-estar e resultados é clara. “Quando a empresa consegue identificar seus gargalos e implementar ações alinhadas à NR-1, há ganhos em produtividade e maior controle sobre situações de assédio, sobrecarga, conflitos e riscos psicossociais. Isso se traduz em melhores resultados financeiros e redução de custos”, explica. Na avaliação da psicanalista, o desafio está em mudar a forma como as organizações enxergam seus profissionais. “Precisamos superar a visão de que colaboradores são apenas números. Eles são seres humanos e precisam de condições adequadas para desempenhar seu trabalho da melhor forma possível. Quando isso acontece, todos ganham”, conclui. As empresas devem realizar treinamentos e programas contínuos sobre saúde mental no ambiente de trabalho participa do HUB de Inteligência Colaborativa da Móveis de Valor, mais de 90% das empresas ainda não estão adequadas às novas regras estabelecidas pela NR-1. “Temos mais de 90 dias a partir de maio, até o dia 26 de agosto, para as empresas se enquadrarem, por isso elas são obrigadas a fazer esse levantamento de riscos e a implementação dos programas”, avisa. MUDANÇAS NAS RELAÇÕES PÓS-IMPLEMENTAÇÃO Perguntamos o que pode mudar nas relações trabalhistas a partir da implementação da NR-1. Marcia Tolotti observa que as empresas, agora, têm de estabelecer um canal para que os próprios colaboradores possam fazer denúncias, caso queiram, a partir dos fatores de risco. “A saúde mental deixa de ser uma coisa supérflua e passa a ser obrigatória”, dispara. Ela acredita também que a adequação não seja tão simples, pois muitas lideranças estão acostumadas com um sistema antigo, e as próprias empresas não costumam ter essa cultura de cuidado. “Começamos a ver muitas situações em que os colaboradores, por um ambiente ruim de trabalho, acabam adoecendo e muitas empresas já estão sofrendo processos trabalhistas em relação à burnout e ansiedade generalizada. Então, precisamos treinar lideranças para que consigam ter uma comunicação adequada, para que entendam até onde elas podem estabelecer uma pressão ou não com os seus colaboradores”, esclarece, acrescentando que as mudanças da NR-1 são uma das maiores revoluções dentro das relações trabalhistas no país. ESPECIAL INDÚSTRIA 4.0

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32 moveisdevalor.com.br ESPECIAL INDÚSTRIA 4.0 Milão aponta tendências para softwares moveleiros A Cyncly, empresa global de softwares, levou sua equipe, incluindo a da América Latina, para a Milan Design Week a fim de promover um encontro para falar sobre as tendências e movimentos do mercado que impactam diretamente o uso de softwares no setor moveleiro. A proximidade e conversa com profissionais que atuam com design, varejo e arquitetura trouxe insights para a empresa. “Mais do que acompanhar tendências, estar presente nesse ambiente permite entender como o mercado global está evoluindo e quais movimentos devem impactar fabricantes, varejistas, arquitetos e designers nos próximos anos”, afirma Katia Ortiz, country manager Latam. Ela conta que esses encontros reforçam que a tecnologia deixou de ser apenas suporte PERSONALIZAÇÃO MAIS RÁPIDA, INTEGRAÇÃO DE PROCESSOS, DADOS QUE ANTECIPEM DEMANDAS E USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PARA APRIMORAMENTO ESTÃO NA PAUTA operacional e passou a ocupar um papel estratégico na competitividade das empresas. Temas como automação, integração de ponta a ponta, experiência do consumidor e inteligência aplicada aos negócios estiveram muito presentes nas discussões, segundo Katia Ortiz, que elege a personalização em escala como um dos assuntos mais discutidos. “O consumidor quer produtos cada vez mais personalizados, mas continua exigindo agilidade, qualidade, sustentabilidade e uma experiência fluida em todos os canais”, relata. Ela diz que, nesse contexto, foi possível ver um avanço importante das discussões sobre integração entre design, engenharia, produção e vendas, criando fluxos mais conectados e inteliCrédito: Salvatore Pollara | Divulgação Cyncly

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