Móveis de Valor - Edição 259

26 moveisdevalor.com.br sensores de presença, ajuste de intensidade e luz específica para diferentes áreas de trabalho tendem a se integrar cada vez mais ao mobiliário. No levantamento da NKBA, iluminação natural, qualidade da iluminação e luz direcionada às áreas de trabalho aparecem entre as principais considerações dos projetos de cozinha. Isso cria outra transformação importante para a indústria. Elétrica, eletrônica e mobiliário começam a conversar desde a concepção do produto, e não apenas na instalação final. 8. SUSTENTABILIDADE DEIXARÁ DE SER ARGUMENTO PARALELO Há ainda uma mudança que provavelmente atravessará todas as demais. Uma cozinha projetada para durar mais, permitir manutenção, substituir componentes e adaptar-se a mudanças futuras tende a fazer mais sentido ambiental e economicamente do que aquela destinada à substituição integral. Materiais recicláveis ou renováveis, componentes reparáveis, redução de desperdício e eficiência energética deverão ganhar importância, mas talvez a discussão mais interessante seja outra: quanto tempo essa cozinha permanecerá atual e funcional? Nesse sentido, sustentabilidade começa no projeto. Uma cozinha preparada para receber novas tecnologias sem precisar ser completamente descartada poderá representar uma evolução muito maior do que simplesmente incorporar determinado material considerado ambientalmente correto. E O QUE PROVAVELMENTE NÃO ACONTECERÁ? Talvez seja esta a parte mais interessante. É pouco provável que, em cinco ou dez anos, todas as cozinhas estejam preparando refeições sozinhas. Também parece improvável que robôs domésticos substituam integralmente a relação das pessoas com o preparo dos alimentos. A história da tecnologia mostra que nem tudo aquilo que é possível se torna necessário. O que tende a prosperar são soluções que resolvem problemas concretos: economizar espaço, reduzir esforço, facilitar limpeza, conservar alimentos, diminuir desperdício, melhorar ergonomia e permitir que um mesmo ambiente cumpra diferentes funções. Por isso, talvez tenhamos passado anos olhando para o lugar errado quando tentávamos imaginar a cozinha do futuro. Esperávamos encontrar máquinas. E o futuro pode estar, na verdade, no móvel. DE FABRICANTE DE ARMÁRIOS A INTEGRADOR DE SOLUÇÕES Para a indústria moveleira, essa transformação traz uma consequência particularmente importante. Produzir cozinhas poderá exigir cada vez mais conhecimento sobre ferragens, iluminação, eletrônica, superfícies, eletrodomésticos, conectividade, ergonomia e arquitetura. O fabricante não precisará produzir todas essas tecnologias. Mas terá de saber integrá-las. Essa mudança altera inclusive a percepção de valor do produto. Dois projetos aparentemente semelhantes poderão entregar experiências completamente diferentes dependendo daquilo que existe escondido atrás de uma porta, sob uma bancada ou dentro de uma gaveta. É aí que está a grande oportunidade. A cozinha de 2035 provavelmente continuará tendo armários, gavetas, bancadas, pia e lugares para guardar panelas. Talvez, olhando rapidamente, nem pareça tão diferente daquela que conhecemos hoje. Mas abrir uma porta, tocar uma superfície ou começar a preparar uma refeição poderá revelar outra história. O futuro da cozinha não será necessariamente aquilo que veremos. Será aquilo que ela será capaz de fazer. ESPECIAL COZINHAS

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