4 moveisdevalor.com.br Por Inalva Corsi, editora T alvez o problema não sejam as feiras. É o modelo que precisa mudar. A frase de Ari Bruno Lorandi ao comentar a Movelsul resume a feira realizada este mês em Bento Gonçalves. O projeto Conecta foi uma das iniciativas mais interessantes, porque trouxe para perto da indústria arquitetos, designers de interiores, hoteleiros, especificadores e construtoras. Da mesma forma os projetos de internacionalização que trouxeram importadores para conhecer o que a indústria brasileira tem a oferecer. Então, talvez a Movelsul tenha dado um passo muito importante e, daqui para a frente, as feiras não devam perguntar quantos lojistas conseguimos levar, mas perguntar quantos mercados novos conseguimos levar até a indústria. Esta edição tem mais, um Especial sobre Cozinhas, um espaço cada vez mais integrado à casa. E mostramos como será a cozinha em 2035 que já começou a ser projetada. Tem muita informação sobre os movimentos do varejo, começando pelo prejuízo de quase 470 milhões de reais que a Casas Bahia deixou à cadeia moveleira. Também tratamos da luta dos pequenos contra os gigantes, onde a escala já não resolve tudo e a tecnologia oferece novas armas aos varejistas locais. E o dilema de sempre, os consumidores que insistem em ter cada vez mais benefícios, mas exigem pagar cada vez menos por isso. Enquanto isso, a indústria espera que o tarifaço seja resolvido e preserva os empregos, segundo se lê nos dados do Novo Caged. A indústria moveleira encerrou junho com pouco mais de 275 mil trabalhadores, apenas 925 a menos que em julho do ano passado. Os dados das exportações também mostram sinais de que a dependência norte-americana já não é a mesma de um ano atrás e a América do Sul desponta como destino natural para os móveis brasileiros. De janeiro a julho aumentou quase 16% sua participação na comparação com igual período de 2025. E, depois do ripado, qual será a próxima revolução do móvel? Mostramos isso na seção Tendências, onde também mostramos que os pets ganham espaço no design e na indústria moveleira. Na seção Bed Report, uma reportagem mostra que o sono virou estratégico para a indústria colchoeira. E Rene Oliveira, CEO da Overseas, mostra quais os sinais do mercado de colchões nos Estados Unidos. Isso e outras informações – como sempre – você vê aqui, na Móveis de Valor. REDAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO Rua Dep. Estefano Mikilita, 125 - 3º andar CEP 81070-430 - Portão Curitiba – PR – Brasil CONTATO Fone (41) 99912-9877 www.moveisdevalor.com.br moveisdevalor@moveisdevalor.com.br DIRETORES Ari Bruno Lorandi aribruno@moveisdevalor.com.br Inalva Corsi inalvacorsi@moveisdevalor.com.br ADMINISTRAÇÃO/FINANÇAS Juliana Pinheiro financeiro@moveisdevalor.com.br REDAÇÃO Inalva Corsi – 3035 PR Jornalista Responsável inalvacorsi@moveisdevalor.com.br Natalia Concentino – 10431 PR natalia@moveisdevalor.com.br João Caetano Guimarães caetano@moveisdevalor.com.br Guilherme Arruda – 5955 RS Jornalista convidado guilherme@moveisdevalor.com.br DIREÇÃO DE ARTE E DIAGRAMAÇÃO Bruna Rosário arte@moveisdevalor.com.br ASSINATURAS E CIRCULAÇÃO assina@moveisdevalor.com.br COMERCIAL – SUL Inalva Corsi - (41) 99912-9877 | 99991-2974 inalvacorsi@moveisdevalor.com.br COMERCIAL – SUDESTE Cidinha Leal - (17) 98114-3666 cidinha@moveisdevalor.com.br CARTA DA EDITORA @moveisdevalor Acesse a versão digital desta edição
5 moveisdevalor.com.br SUMÁRIO NOSSA CAPA Ilustra capa desta edição cozinha Lumina, da Itatiaia, de Ubá (MG) www.minhaitatiaia.com.br @minhaitatiaia 96 TENDÊNCIAS Depois do ripado, qual será a próxima revolução do móvel? 100 TENDÊNCIAS Pets ganham espaço no design e na indústria moveleira SEÇÕES 6 CÁ ENTRE NÓS Talvez o problema não sejam as feiras 8 PONTO DE VENDA Varejo mais digital fica mais exposto a ciberataques 28 DESTAQUE DE CAPA Multicategorias amplia presença da Itatiaia na casa 10 ESPECIAL COZINHAS Cozinha precisa de tecnologia e integração à rotina da casa 68 VAREJO RJ da Casas Bahia atinge o setor em R$ 470 milhões 74 VAREJO Pequenos X Gigantes: a escala já não resolve tudo 80 VAREJO Todos querem mais por menos. Mas quem paga essa conta? 86 INDÚSTRIA Indústria absorve tarifaço e preserva base de empregos 90 EXPORTAÇÃO Setor busca novos mercados e reforça destinos tradicionais 32 DESTAQUE INDÚSTRIA Poquema celebra 40 anos com evolução permanente 34 FEIRAS E EVENTOS Movelsul aponta um novo caminho para as feiras 64 FEIRAS E EVENTOS Expomóvel mantém tradição de melhor feira do Nordeste 104 BED REPORT Sono e produtividade viram temas estratégicos na indústria 108 ARTIGO Mercado de colchões aponta para menos volume e valor resiliente 114 NOTAS INDÚSTRIA Jornada menor pressiona setor a repensar produtividade
6 moveisdevalor.com.br Por Ari Bruno Lorandi, CEO da Móveis de Valor Eu estava na primeira Movelsul, em 1977. Naquela época, uma feira de móveis tinha uma função muito clara: colocar fabricantes diante dos lojistas. Muitas indústrias gaúchas não tinham condições de participar da Fenavem, em São Paulo. Então Bento Gonçalves criou sua própria vitrine. A indústria levava seus lançamentos, o lojista visitava os estandes, fazia pedidos e voltava para casa. Funcionava. E funcionava tão bem que o Brasil inteiro passou a repetir a fórmula. Vieram outras feiras, outros polos, outros pavilhões. Mas, no fundo, quase todas faziam a mesma coisa: fabricante de um lado, lojista do outro e o pedido no meio. Mas o mundo mudou. E as feiras, nem tanto. Hoje, uma indústria não espera mais a feira do ano seguinte para lançar um produto. O lojista recebe novidade pelo celular. Faz reunião por vídeo. Negocia todos os dias. Visita fábrica. Compra por plataforma. A informação circula numa velocidade que simplesmente não existia quando esse modelo foi criado. Então eu faço uma pergunta que talvez incomode: ainda faz sentido gastar milhões para reunir, durante quatro dias, pessoas que já negociam entre si durante os outros 361? A Movelsul deste ano deixou essa pergunta ainda mais evidente. O número de visitantes foi menor. Muitos lojistas que tradicionalmente poderiam estar em Bento Gonçalves preferiram ir para Foz do Iguaçu, onde acontecia a VEX26. E por quê? Porque lá o produto não era necessariamente o protagonista. Conteúdo, gestão, comportamento do consumidor, tecnologia, futuro do varejo. Os produtos estavam presentes, claro. Os negócios também. Mas como consequência do encontro. TALVEZ O PROBLEMA NÃO SEJAM AS FEIRAS. É O MODELO QUE PRECISA MUDAR Não precisa acabar com as feiras. Mas mudar a razão pela qual as pessoas se propõem a ir até elas. O projeto Conecta foi uma das iniciativas mais interessantes desta edição, justamente porque trouxe para perto da indústria pessoas que normalmente não estão no centro das feiras moveleiras. Arquitetos, designers de interiores, hoteleiros, especificadores, construtoras. Da mesma forma, os projetos de internacionalização trouxeram importadores para conhecer o que a indústria brasileira tem a oferecer. Isso é feira fazendo algo que dificilmente aconteceria numa simples visita comercial. Durante décadas, a indústria moveleira organizou praticamente todo o seu calendário olhando para o lojista. Só que existe alguém muito importante quase sempre do lado de fora desse jogo: o consumidor. É ele quem escolhe onde morar, É ele quem pesquisa design, sustentabilidade, conforto, funcionalidade e preço. E quem, no final das contas, paga por tudo. E, curiosamente, é justamente quem a indústria menos conhece diretamente. Com certeza, a feira do futuro deve ter menos metros quadrados de estandes monumentais. Menos investimento em estruturas que desaparecem quatro dias depois. E mais conteúdo. Mais consumidor. Mais mercado corporativo. Mais conexão internacional. Porque expor móveis simplesmente para encontrar lojistas que já conhecem aqueles fabricantes está ficando caro demais. Não significa que as feiras perderam importância. Elas precisam encontrar uma nova importância para entao se tornarem imprescindíveis. Depois de quase 50 anos fazendo a mesma feira, chegou a hora de parar de perguntar quantos lojistas conseguimos levar ao pavilhão. E começar a perguntar: quantos mercados novos conseguimos levar até a indústria?
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8 moveisdevalor.com.br BERLANDA INVESTE R$ 100 MI EM EXPANSÃO E PREVÊ FATURAMENTO BILIONÁRIO A empresa prevê faturar R$ 1 bilhão em 2026, ano em que completa 35 anos, e investirá cerca de R$ 100 milhões em expansão e modernização. Os recursos serão destinados à abertura de lojas, ampliação industrial, transformação digital, frota, distribuição e estrutura administrativa. Com mais de 200 unidades em 150 municípios de Santa Catarina e parte do Rio Grande do Sul, o grupo mantém três fábricas, incluindo a Berflex, de colchões, espumas e estofados, que também exporta. A estratégia combina crescimento no varejo, fortalecimento da indústria e expansão para novos mercados. MARABRAZ TAMBÉM PROTOCOLA PEDIDO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL A Marabraz, a exemplo da Casas Bahia, também protocolou pedido de recuperação judicial, envolvendo cinco empresas e passivos de cerca de R$ 140 milhões. A rede atribui as dificuldades à combinação de juros elevados, retração do consumo e conflitos societários e familiares, que teriam prejudicado o acesso a novas linhas de crédito. A companhia afirma que pretende manter as operações normalmente, preservando lojas, empregos e relações com fornecedores. O caso reforça a pressão do cenário econômico sobre o varejo, mas evidencia fatores internos específicos da empresa. PIX GANHA ESPAÇO NO E-COMMERCE E PODE REDUZIR ABANDONO DE COMPRAS Segundo a Confi Neotrust, o comércio eletrônico brasileiro deve movimentar R$ 254 bilhões no segundo semestre de 2026, alta de 20%. Ao mesmo tempo, 67% dos consumidores afirmam já ter desistido de uma compra por problemas nos canais digitais. Soluções como o Pix Biométrico buscam simplificar o checkout e reduzir etapas. Na Pagsmile, o Pix respondeu por 75% do volume transacionado entre janeiro de 2025 e julho de 2026. Para o varejo de móveis e colchões, facilitar o pagamento pode ser decisivo para transformar intenção em venda. VAREJO FICA MAIS DIGITAL, MAS TAMBÉM FICA MAIS EXPOSTO AOS CIBERATAQUES Levantamento da Kaspersky mostra que incidentes e vazamentos mais que dobraram em três anos, com 8,25% das empresas de varejo e e-commerce analisadas atingidas por ransomware em 2025 e 6,7 milhões de ataques de phishing identificados. A ameaça também chega pela cadeia de fornecedores, envolvida em 30% dos ataques ao setor. Para lojas de móveis e colchões, que concentram dados de clientes e dependem de sistemas de pagamento, gestão e logística, o avanço da digitalização exige reforço na segurança, treinamento de equipes e controle sobre parceiros conectados à operação. PONTO DE VENDA
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10 moveisdevalor.com.br Cozinha precisa de tecnologia integrada à rotina da casa A cozinha não está mais sendo tratada como um ambiente isolado na casa. Não, nós não estamos falando necessariamente sobre o conceito aberto, tão explorado nos programas americanos de reformas, amplamente assistidos pelos brasileiros. Mas, o que significa essa nova integração que surgiu como tendência na EuroCucina de 2026? O que estamos assistindo é um movimento para que a cozinha esteja em harmonia com os outros ambientes da casa arquitetonicamente, traga mais fluidez entre os espaços e uma experiência de convivência. A EuroCucina 2026 apresentou uma nova ideia de cozinha: mais sensorial, inteligente e fluida. O espaço se transforma num ecossistema doméstico onde design, tecnologia, convívio e bem-estar coexistem sem hierarquias. As marcas que participaram da mostra deixaram uma mensagem bastante clara, a de que a cozinha já não é apenas o coração da casa, mas sim o espaço mais estratégico. E, seguindo esse conceito, há uma eliminação progressiva das fronteiras entre os ambientes da casa. A cozinha dialoga com a sala de estar, abre-se para o exterior e integra-se de forma natural e leve. Outro ponto de destaque foi a tecnologia incorporada de forma discreta, como se pertencesse à cozinha, sem chamar a atenção, mas trazendo experiências diferenciadas e cada vez mais inovadoras. Soluções inteligentes não precisam ficar em evidência para que funcionem bem e se integrem ao mobiliário. Tudo está sendo pensado para que a cozinha tenha uma harmonia estética dentro dela e com outros ambientes, como as salas de estar e jantar. A cozinha deixa de ser um ambiente isolado e passa a integrar a arquitetura e a rotina da casa. Na EuroCucina 2026, tecnologia discreta, materiais naturais, formas orgânicas e soluções funcionais reforçaram essa mudança ESPECIAL COZINHAS Por Natalia Concentino, jornalista
11 moveisdevalor.com.br Para entendermos melhor que foi mostrado na EuroCucina, e saber quais os rumos que as marcas nacionais devem tomar nesse tipo de mobiliário, conversamos com profissionais que representam visões diferentes de mercado, uma é designer na Nicioli e a outra é diretora criativa da Florense. Apesar de elas ressaltarem aspectos em comum, cada uma trouxe as tendências para a realidade de suas empresas e dos seus respectivos públicos-alvo. Jaqueline Marques, designer da Nicioli, concorda que ficou muito evidente a consolidação da cozinha como parte integrante da casa e não mais como um ambiente isolado, compartilhando com os outros espaços uma mesma linguagem visual e forma de viver. Ela também evidencia alguns aspectos que contribuem para isso. “As formas curvas e orgânicas, especialmente presentes em ilhas, bancadas e elementos de mobiliário, aparecem com muita força. Elas trazem mais leveza, suavidade e acolhimento para o ambiente”. Sobre materiais, Jaqueline conta que chamou sua atenção a presença da madeira, das texturas, dos tons naturais e de uma iluminação mais cuidadosa. “Isso cria cozinhas que despertam os sentidos e convidam à permanência. São espaços que vão muito além do ato de cozinhar: acolhem, aproximam e criam memórias”, afirma, lembrando que a pedra deixa de ser apenas acabamento e passa a ser protagonista da cozinha, criando grandes superfícies esculturais, com veios naturais e aparência sofisticada. A designer considera muito interessante a combinação entre materiais. “A cozinha não precisa escolher entre madeira, pedra ou outros acabamentos. A riqueza está justamente em saber compor diferentes elementos de maneira equilibrada, criando um móvel com personalidade, que possa proporcionar um ambiente acolhedor”, explica. Roberta Castellan, diretora criativa da Florense, também destaca a integração arquitetônica e a experiência de convivência da casa toda como elementos centrais na concepção dos novos projetos. “Quando falamos desse tipo de cozinha, percebemos uma busca por ambientes mais acolhedores, sofisticados e sensoriais, com formas orgânicas, materiais naturais, ilhas com presença arquitetônica e tecnologia cada vez mais integrada e discreta”, observa. A diretora criativa da Florense conta que em cozinha integrada ou gourmet, a materialidade ganhou ainda mais protagonismo, com madeira de aparência natural, pedras, mármores, superfícies minerais e metais aparecendo com muita força. “Existe também uma valorização muito grande da textura e da sensação que o material transmite. O mármore, por exemplo, assume muitas vezes grandes superfícies, envolvendo ilhas e outros elementos arquitetônicos. As madeiras aparecem de forma sofisticada, frequentemente combinadas a pedras e metais”, indica. Ela acredita que, para uma cozinha social, essa escolha de materiais é especialmente A tecnologia integrada de forma discreta é uma das tendências
12 moveisdevalor.com.br ditam ser uma tendência: o uso de uma paleta mais neutra e natural, com tons de areia, bege, terracota, marrons, verdes e diferentes nuances de madeira. “Mas, as cores mais marcantes continuam tendo espaço, principalmente quando utilizadas de maneira pontual. Verdes e azuis, por exemplo, podem trazer personalidade e criar pontos de destaque sem comprometer a harmonia do ambiente”, observa Jaqueline Marques. A designer da Nicioli afirma que “mais do que seguir uma cor da moda, acredito que o importante é construir uma paleta que faça o cliente se sentir bem dentro da própria casa, com os móveis que vamos produzir”. Já a diretora criativa da Florense acredita que, especialmente nas cozinhas integradas, mais do que seguir uma cor específica, é importante construir uma composição coerente com o restante da casa. “Quando a cozinha participa do living, os acabamentos escolhidos para o mobiliário precisam estar de acordo com os demais elementos da arquitetura”, orienta. INOVAÇÃO E DESIGN Em uma cozinha de maior valor agregado, como é o caso dos produtos da Florense, a capacidade de explorar as inovações é grande. Mesmo assim, Roberta Castellan conta que a maior inovação que observa atualmente é a integração entre tecnologia, funcionalidade e arquitetura. “Nas cozinhas gourmet, isso é especialmente interessante, porque todos os recursos precisam estar presentes, sem comprometer a estética do ambiente. A tecnologia está mais discreta, os equipamentos cada vez mais integrados e as soluções de armazenamento mais inteligentes”, exemplifica. Ela também vê uma evolução importante nos mecanismos, na iluminação e na organização interna dos móveis. “É algo que não precisa, necessariamente, ser percebida visualmente. Muitas vezes, a melhor tecnologia é aquela que fica praticamente invisível e torna a experiência de uso mais simples e agradável”, pontua. A diretora criativa da Florense também fala sobre como sair do lugar comum nas criações. “Para mim, design é a capacidade de transfor ESPECIAL COZINHAS Formas curvas e orgânicas continuam em evidência nas cozinhas Roberta Castellan, diretora criativa da Florense importante, já que precisa “conversar” com o restante da arquitetura e com o mobiliário do living, para que não pareça um ambiente isolado. Roberta divide as cozinhas em operacionais e integradas ou gourmet quando se refere ao que o consumidor espera desses ambientes. “Na cozinha operacional, o consumidor busca principalmente funcionalidade, organização, ergonomia e eficiência. Já na cozinha integrada ou gourmet, existe uma expectativa adicional: ela também precisa representar o estilo de vida dos moradores. Deve ser um ambiente para cozinhar, mas também para receber, conversar e conviver”, afirma. Em relação aos padrões de cores, as duas profissionais destacam o que acre-
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14 moveisdevalor.com.br mar aquilo que fazemos todos os dias em uma experiência especial. Sair do lugar comum não significa criar algo extravagante ou seguir uma tendência. Significa encontrar uma solução que seja funcional e que faça sentido para quem vai vivenciar aquele espaço”, reflete. “Aquilo que é realmente bem projetado não precisa chamar atenção apenas pelo novo, mas especialmente pela proporção, pelos materiais, pela qualidade, pela funcionalidade e pela emoção que transmite”, resume. O IMPACTO DAS TENDÊNCIAS NOS MÓVEIS SERIADOS A designer da Nicioli, Jaqueline Marques, conta que há espaço para trazer as referências da EuroCucina para o mobiliário seriado e modulado, desde que sejam traduzidas para a realidade e para o desejo do consumidor brasileiro. “Não se trata de reproduzir o que foi apresentado na Europa, mas de compreender os conceitos, a essência dessas tendências, e transformá-los em soluções desejáveis, viáveis e possíveis para a nossa indústria produzir”, enfatiza. Segundo ela, o desafio da indústria é transformar uma referência vista em Milão em um produto desejável e, acima de tudo, que faça sentido na vida do cliente. O consumidor espera que a cozinha acompanhe a sua rotina e sua maneira de viver. “A estética continua sendo fundamental, mas precisa caminhar junto com funcionalidade, organização, conforto e praticidade. Muitas vezes a cozinha é onde o dia começa e onde boas histórias acontecem”, revela. E como fazer móveis de cozinha que se integrem a outros ambientes? Jaqueline Marques refere que o primeiro passo é entender que não existe uma fronteira rígida entre os ambientes. “Em um conceito aberto, a cozinha precisa ser projetada em sintonia com a sala, como parte de um todo”, diz. “Uma maneira de fazer isso é criar conexões por meio dos materiais, das cores e das texturas”, explica. Mas, integrar não significa deixar tudo igual. Significa criar uma linguagem comum, capaz de fazer cozinha, sala e jantar parecerem partes de uma mesma história”, pontua. Jaqueline Marques, designer da Nicioli Tons amadeirados e integração com outros ambientes foram bem exploradas na EuroCucina 2026 Cozinha Arco, design by Pininfarina, para a Florense ESPECIAL COZINHAS
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16 moveisdevalor.com.br Veja o que está em alta no universo das cozinhas Depois de conferir as novidades apresentadas em Milão, durante a EuroCucina 2026, é hora de voltar os olhos para o mercado brasileiro. Fabricantes de cozinhas moduladas e seriadas também renovam seus produtos, incorporando novas soluções de design, funcionalidade e aproveitamento dos espaços. A Móveis de Valor selecionou alguns dos lançamentos deste ano e ouviu empresários do setor sobre o que está mudando nas exigências do consumidor. Na Rio Doce, de Linhares (ES), os lançamentos de 2026 foram desenvolvidos a partir de mudanças percebidas no comportamento do consumidor. Segundo Juliana Rodrigues Dambroz, do marketing da empresa, a cozinha precisa hoje combinar praticidade, melhor aproveitamento do espaço e uma estética mais acolhedora. “Observamos a preferência por cores mais naturais e sofisticadas e por combinações que permitem personalizar o ambiente de acordo com diferentes estilos”, afirma. A preocupação com espaço também ganhou importância, especialmente diante de cozinhas menores. Isso levou a empresa a buscar soluções que ampliem a capacidade de organização e o aproveitamento interno dos módulos. Para Juliana, o consumidor também está mais atento à qualidade dos materiais e acabamentos. “O grande desafio para a indústria é equiFabricantes de cozinhas seriadas e moduladas renovam produtos, cores e soluções para acompanhar um consumidor mais atento à funcionalidade, ao design e ao espaço ESPECIAL COZINHAS
17 moveisdevalor.com.br librar estética, funcionalidade, qualidade e acessibilidade, oferecendo soluções que atendam às necessidades reais das famílias e às diferentes configurações de cozinha". Fernando Bernardeli, gerente comercial da Robel, de São José do Rio Preto (SP), identifica movimento semelhante, mas acrescenta outro aspecto: a liberdade de composição. “O consumidor quer aproveitar melhor o espaço e ter liberdade para criar uma cozinha adequada às suas necessidades e ao seu estilo. Por isso, a possibilidade de editar módulos superiores, inferiores e tampos é um diferencial importante”, afirma. FALKK ESTREIA NO SEGMENTO DE COZINHAS Depois de construir sua trajetória com móveis para salas, quartos e complementos, a Falkk amplia sua atuação e entra no mercado de cozinhas moduladas. A nova linha Domo foi apresentada durante a Movelsul, marcando a estreia da empresa gaúcha no segmento. Voltada principalmente ao pequeno e médio varejo com lojas físicas, a linha aposta na flexibilidade de composição dos módulos e incorpora recursos como corrediças telescópicas, dobradiças com amortecimento, puxadores cava embutidos e diferentes opções de acabamento. A Falkk também buscou facilitar a venda e a elaboração dos ambientes nas lojas. Para isso, disponibiliza sem custo adicional a plataforma Spaces Flex, que permite ao varejista montar projetos de cozinha sem a necessidade de um projetista. PRODUTOS EM DESTAQUE COZINHA VERSATO – NICIOLI Trata-se de um produto com visual imponente e detalhes que conquistam os clientes. Produzida 100% em MDF, com cristaleira em LED, tampo em BP de 25mm, dobradiças com amortecimento, corrediças telescópicas e pés com regulagem de altura. A marca aposta no design para agradar o cliente final e facilitar as vendas do lojista, também em razão de suas funcionalidades. Cozinha Versato, da Nicioli, na cor Fendy
18 moveisdevalor.com.br COZINHA GOLD SLIM – ROBEL Esta cozinha projetada da Robel tem foco na personalização, visando oferecer melhor aproveitamento dos espaços. Conta com módulos superiores, inferiores e tampos editáveis, permitindo adequar o projeto a diferentes ambientes. Para o lojista, essa flexibilidade amplia as possibilidades de atendimento e permite criar soluções mais alinhadas às necessidades de cada consumidor. COZINHA TREBBIANO – RIO DOCE Produzida 100% em MDF, a Trebbiano está entre os destaques da Rio Doce em 2026. A cozinha combina portas superiores com vidro Reflecta e pintura UV, nas opções amêndoa com off white ou amêndoa com platina. A composição pode chegar a 3,5 metros de largura e inclui paneleiro com espaço para micro-ondas, balcões de 80 ou 120 cm e aéreo para geladeira. Puxadores revestidos em MDF e nichos decorativos nos módulos aéreos completam o conjunto. COZINHA MODULADA VITÓRIA – RIMO Com mais de 30 módulos em diferentes medidas e configurações, a Vitória permite montar desde cozinhas compactas até composições mais completas. Produzida em MDF, a linha aposta justamente nessa flexibilidade para facilitar a adaptação a diferentes espaços. As caixas são apresentadas no padrão Carvalho, enquanto as frentes podem ser escolhidas em Carvalho, Off White ou Fendi. Portas com vidro Reflecta acrescentam leveza e um toque contemporâneo ao conjunto. COZINHA MODULADA FINEZE – HENN Produzida 100% em MDF e com 2,20 metros de altura, a Fineze oferece mais de 20 módulos para diferentes configurações de cozinha. Entre as soluções estão módulos exclusivos de gavetas, balcão para pia com pistão a gás e cristaleira com vidro reflecta temperado. A Henn também combina perfis de alumínio com novos puxadores em “J”, reforçando o desenho mais limpo da linha. A Fineze chega na cor Areia HP, com tampos em Areia HP ou Cinamomo. A Robel tem como destaque a cozinha projetada Gold Slim Cozinha Trebbiano, um dos destaques da Rio Doce A cozinha modulada Vitória, da Rimo, possui mais de 30 módulos disponíveis em diferentes medidas A cozinha modulada Fineze é um dos destaques da Henn em 2026 ESPECIAL COZINHAS
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20 moveisdevalor.com.br COZINHA ALMA – CASAMIA Com 2,30 metros de altura, a cozinha Alma aposta em uma composição de maior presença visual, aliando recursos funcionais a detalhes de acabamento. Os módulos aéreos utilizam duas profundidades para favorecer a ergonomia, enquanto apliques canelados, portas com vidro fumê e puxadores de alumínio reforçam o desenho contemporâneo. A linha também oferece cristaleira com iluminação em LED, torres quentes com tomadas e dobradiças slow motion. A combinação de cores reúne cinza corda e detalhes em mascavo. COZINHA LIZ – TELASUL A Liz representa a aposta da Telasul em atualizar a linguagem das tradicionais cozinhas de aço. Com 2,08 metros de altura, a composição utiliza linhas mais limpas e combina metal, vidro fumê e acabamento amadeirado para criar uma aparência mais contemporânea. Produzida em aço com estampas discretas, traz puxadores de desenho elegante, portas com vidro fumê temperado e tampo amadeirado no padrão Carvalho Xingu, conciliando a praticidade característica do material com uma proposta visual mais sofisticada. COZINHA VINOTECA - IMOBAL A cozinha combina os padrões Avelã e Linheiro com frentes provençais e aposta nas linhas curvas, acompanhando a tendência das formas orgânicas e criando uma composição mais fluida. O Avelã se aproxima dos tons de doce de leite e café com leite e contrasta suavemente com o Linheiro, amadeirado de desenho mais uniforme e sem catedrais. Na Vinoteca, o padrão Tijolo acrescenta tons terrosos inspirados em elementos naturais como argila, areia e pedra. A cozinha Alma, da Casamia, está disponível em cinza corda com detalhes em mascavo Cozinha Liz, da Telasul, foi desenvolvida para renovar o mobiliário em aço COZINHA MODULADA DOMO – FALKK Apresentada na Movelsul 2026, a Domo marca a entrada da Falkk no segmento de cozinhas moduladas. Voltada principalmente ao pequeno e médio varejo com lojas físicas, a linha oferece módulos funcionais e diferentes possibilidades de composição. Entre os recursos estão corrediças telescópicas, dobradiças com amortecimento, puxadores cava embutidos e diferentes acabamentos. Como apoio à venda, a empresa disponibiliza gratuitamente a plataforma Spaces Flex, que permite ao lojista desenvolver os projetos sem depender de um projetista. A linha Domo, da Falkk, é formada por cozinhas moduladas funcionais e foi lançada na Movelsul 2026 A combinação de formas orgânicas e tons naturais marca a proposta da cozinha Vinoteca, da Imobal ESPECIAL COZINHAS
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22 moveisdevalor.com.br A cozinha de 2035 já começou a ser projetada Durante décadas, imaginar a cozinha do futuro significava pensar em robôs preparando refeições, geladeiras conversando com seus proprietários e eletrodomésticos repletos de telas. Algumas dessas previsões estão se tornando realidade. Outras provavelmente nunca passarão de curiosidades tecnológicas. Mas uma transformação bem mais profunda já começou. A cozinha dos próximos cinco ou dez anos talvez surpreenda justamente porque parecerá menos tecnológica do que imaginávamos. Equipamentos desaparecerão dentro dos móveis, sistemas de cocção poderão ficar escondidos sob bancadas, ferragens executarão movimentos cada vez mais sofisticados e sensores acompanharão diferentes atividades sem necessariamente chamar atenção. A tecnologia estará em toda parte. Só não precisará aparecer. Ao mesmo tempo, a própria cozinha está mudando de função. De ambiente destinado essencialmente ao preparo dos alimentos, tornou-se espaço de convivência, trabalho, entretenimento e integração familiar. É essa combinação entre arquitetura, moNos próximos oito ou dez anos, tecnologia deverá ficar menos visível enquanto móveis, superfícies e equipamentos transformam a cozinha em um ambiente mais inteligente, flexível e integrado à casa ESPECIAL COZINHAS Por Ari Bruno Lorandi, CEO Móveis de Valor
23 moveisdevalor.com.br sob determinadas superfícies permitem que a própria bancada seja utilizada para cozinhar. Quando desligado o sistema, praticamente desaparece o elemento que identificamos como cooktop. Não se trata mais apenas de conceito. Soluções comerciais de indução invisível já existem, embora custos, compatibilidade de materiais, instalação e manutenção ainda limitem sua disseminação. Se a tecnologia ganhar escala nos próximos anos, o impacto sobre o projeto poderá ser considerável. A ilha utilizada pela manhã para o café poderá ser superfície de trabalho algumas horas depois, receber panelas no almoço e voltar a funcionar como mesa ou apoio à noite. O móvel deixa de abrigar o equipamento. O próprio móvel começa a executar sua função. Essa talvez seja uma das fronteiras mais interessantes da cozinha futura. 3. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, MAS COM ALGUMA UTILIDADE A inteligência artificial também chegará definitivamente à cozinha. A questão será separar utilidade de espetáculo. Já existem eletrodomésticos conectados, fornos controlados remotamente e sistemas capazes de auxiliar no preparo dos alimentos. Há ainda equipamentos que começam a automatizar temperaturas e etapas de cocção. A tendência é que câmeras, sensores e softwares avancem sobre funções como reconhecimento de alimentos, controle de estoque, redução de desperdício e orientação de preparo. No Brasil, projeções de mercado indicam forte expansão dos eletrodomésticos inteligentes até 2030, com refrigeradores ainda ocupando posição relevante e cooktops e utensílios inteligentes entre as categorias de maior potencial de crescimento. Mas provavelmente vencerá a tecnologia que exigir menos atenção do consumidor, e não mais. A melhor cozinha inteligente talvez não seja aquela com a maior tela. Será aquela capaz de resolver pequenas tarefas sem obrigar ninguém a aprender a operá-la. biliário, tecnologia e comportamento que começa a desenhar a cozinha de 2030 e 2035. 1. A COZINHA COMEÇA A DESAPARECER Uma das transformações mais interessantes já tem nome: invisible kitchen, ou cozinha invisível. Não significa acabar com a cozinha. Significa fazer com que ela deixe de parecer uma cozinha quando não estiver sendo utilizada. Geladeiras podem receber painéis idênticos aos móveis. Pequenos eletrodomésticos desaparecem atrás de portas. Áreas de armazenamento ficam escondidas. Puxadores cedem espaço a sistemas de abertura integrados e grandes superfícies contínuas fazem a marcenaria se aproximar cada vez mais da arquitetura. A explicação está, em grande parte, na integração da cozinha aos ambientes sociais. Quando sala, jantar e cozinha dividem praticamente o mesmo espaço, aquela linguagem tradicional de ambiente técnico começa a incomodar. Surge uma cozinha que pode assumir a aparência de uma grande composição de mobiliário. Talvez esteja aí uma das mudanças mais importantes para a indústria moveleira: a fronteira entre fabricar uma cozinha e produzir arquitetura interior ficará cada vez menor. 2.FINALMENTE PODERÁ COZINHAR NA BANCADA Durante décadas, a sequência foi relativamente previsível: fogão, cooktop a gás, cooktop elétrico e indução. O próximo movimento já começou. Sistemas de indução instalados
24 moveisdevalor.com.br 4. GUARDAR MELHOR SERÁ TÃO IMPORTANTE QUANTO COZINHAR MELHOR Há uma revolução menos espetacular acontecendo atrás das portas dos armários. O armazenamento está se tornando mais especializado. Gavetas internas, divisores móveis, mecanismos retráteis, despensas integradas e aproveitamento de cantos e alturas transformam áreas antes perdidas em espaço útil. E isso tende a ganhar importância. A pesquisa de tendências 2026 da NKBA aponta justamente o avanço de armários do piso ao teto, maior presença de gavetas, despensas e ilhas carregadas de capacidade de armazenamento. Em outras palavras, o futuro da cozinha não dependerá apenas de eletrônica. Uma boa ferragem pode ser tão transformadora quanto um aplicativo. Para fabricantes de móveis, fornecedores de componentes e projetistas, essa mudança é particularmente relevante. Quanto mais integrada e visualmente limpa se tornar a cozinha, maior será a engenharia necessária para esconder tudo aquilo que continua precisando estar lá. 5. A COZINHA SERÁ CADA VEZ MAIS PERSONALIZADA Há outra mudança silenciosa acontecendo. Durante muito tempo, projetar uma cozinha significou encontrar a melhor disposição para pia, geladeira, fogão e armazenamento. Agora entram outras perguntas. Quem mora naquela casa? Cozinha diariamente? Recebe amigos? Trabalha em casa? Toma vinho? Tem animais? É idoso? Há crianças? Compra alimentos semanalmente ou diariamente? Na pesquisa da NKBA, 85% dos profissionais apontam áreas específicas para bebidas entre as soluções de personalização em evidência; 64% mencionam espaços destinados à alimentação de pets e 59%, cozinhas preparadas para refeições no próprio ambiente. Isso aponta para uma mudança importante: a cozinha deixa de ser organizada apenas por função e passa a ser organizada por estilo de vida. Para a indústria de móveis planejados, abre-se um enorme território de diferenciação. 6. MENOS LABORATÓRIO. MAIS CASA Curiosamente, enquanto a tecnologia avança, a estética segue em outra direção. Depois de anos dominados por superfícies brancas, cinzas, brilho, inox e uma aparência quase laboratorial, madeira, pedras, texturas, tons terrosos e materiais com aspecto natural recuperam protagonismo. É quase uma reação humana à tecnologia. Quanto mais sofisticado fica aquilo que está escondido, menos o ambiente precisa demonstrar tecnologicamente aquilo que sabe fazer. Há inclusive um movimento internacional chamado unkitchen, que questiona cozinhas excessivamente perfeitas e padronizadas em favor de espaços mais acolhedores, pessoais e com aparência de ambientes realmente vividos. Isso não significa o fim do minimalismo. Significa que ele pode ficar mais quente. 7. A ILUMINAÇÃO PASSA A FAZER PARTE DO MÓVEL A luz também deixará progressivamente de ser apenas responsabilidade do teto. Iluminação sob armários, dentro de gavetas e nichos, ESPECIAL COZINHAS
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26 moveisdevalor.com.br sensores de presença, ajuste de intensidade e luz específica para diferentes áreas de trabalho tendem a se integrar cada vez mais ao mobiliário. No levantamento da NKBA, iluminação natural, qualidade da iluminação e luz direcionada às áreas de trabalho aparecem entre as principais considerações dos projetos de cozinha. Isso cria outra transformação importante para a indústria. Elétrica, eletrônica e mobiliário começam a conversar desde a concepção do produto, e não apenas na instalação final. 8. SUSTENTABILIDADE DEIXARÁ DE SER ARGUMENTO PARALELO Há ainda uma mudança que provavelmente atravessará todas as demais. Uma cozinha projetada para durar mais, permitir manutenção, substituir componentes e adaptar-se a mudanças futuras tende a fazer mais sentido ambiental e economicamente do que aquela destinada à substituição integral. Materiais recicláveis ou renováveis, componentes reparáveis, redução de desperdício e eficiência energética deverão ganhar importância, mas talvez a discussão mais interessante seja outra: quanto tempo essa cozinha permanecerá atual e funcional? Nesse sentido, sustentabilidade começa no projeto. Uma cozinha preparada para receber novas tecnologias sem precisar ser completamente descartada poderá representar uma evolução muito maior do que simplesmente incorporar determinado material considerado ambientalmente correto. E O QUE PROVAVELMENTE NÃO ACONTECERÁ? Talvez seja esta a parte mais interessante. É pouco provável que, em cinco ou dez anos, todas as cozinhas estejam preparando refeições sozinhas. Também parece improvável que robôs domésticos substituam integralmente a relação das pessoas com o preparo dos alimentos. A história da tecnologia mostra que nem tudo aquilo que é possível se torna necessário. O que tende a prosperar são soluções que resolvem problemas concretos: economizar espaço, reduzir esforço, facilitar limpeza, conservar alimentos, diminuir desperdício, melhorar ergonomia e permitir que um mesmo ambiente cumpra diferentes funções. Por isso, talvez tenhamos passado anos olhando para o lugar errado quando tentávamos imaginar a cozinha do futuro. Esperávamos encontrar máquinas. E o futuro pode estar, na verdade, no móvel. DE FABRICANTE DE ARMÁRIOS A INTEGRADOR DE SOLUÇÕES Para a indústria moveleira, essa transformação traz uma consequência particularmente importante. Produzir cozinhas poderá exigir cada vez mais conhecimento sobre ferragens, iluminação, eletrônica, superfícies, eletrodomésticos, conectividade, ergonomia e arquitetura. O fabricante não precisará produzir todas essas tecnologias. Mas terá de saber integrá-las. Essa mudança altera inclusive a percepção de valor do produto. Dois projetos aparentemente semelhantes poderão entregar experiências completamente diferentes dependendo daquilo que existe escondido atrás de uma porta, sob uma bancada ou dentro de uma gaveta. É aí que está a grande oportunidade. A cozinha de 2035 provavelmente continuará tendo armários, gavetas, bancadas, pia e lugares para guardar panelas. Talvez, olhando rapidamente, nem pareça tão diferente daquela que conhecemos hoje. Mas abrir uma porta, tocar uma superfície ou começar a preparar uma refeição poderá revelar outra história. O futuro da cozinha não será necessariamente aquilo que veremos. Será aquilo que ela será capaz de fazer. ESPECIAL COZINHAS
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28 moveisdevalor.com.br Itatiaia amplia seu espaço na casa A Itatiaia construiu, ao longo de mais de seis décadas, uma forte relação com a cozinha brasileira. Nascida em 1964, a empresa cresceu acompanhando as transformações dos lares e consolidou-se como uma das marcas mais reconhecidas do segmento. Mas vem ampliando esse território e busca ocupar novos espaços dentro da casa. Esse movimento ganhou força em 2013, com a entrada no segmento de eletros, e vem sendo desenvolvido como uma estratégia de longo prazo. A proposta é levar para novas categorias a mesma experiência, qualidade e conhecimento sobre as necessidades do consumidor que ajudaram a construir a trajetória da marca. Mais do que ampliar o número de produtos, a Itatiaia pretende oferecer soluções cada vez mais completas para o lar, mantendo como pilares qualidade, confiabilidade e uma relação equilibrada entre valor e preço. EXPANSÃO COM PROPÓSITO A estratégia multicategoria não significa entrar em qualquer segmento. A empresa avalia continuamente comportamento e tendências de consumo, potencial de mercado, complementaridade com o portfólio, viabilidade comercial e capacidade de oferecer uma proposta competitiva. A escuta do mercado também tem papel importante. Representantes, lojistas e parceiros comerciais contribuem para identificar mudanças no comportamento do consumidor e oportunidades no ponto de venda. A entrada em lavadoras semiautomáticas é um exemplo desse movimento. A categoria se soma aos fogões e cooktops produzidos na unidade de De referência em cozinhas a uma marca multicategoria, empresa expande portfólio para acompanhar as novas necessidades do consumidor e criar oportunidades para o varejo DESTAQUE DE CAPA Por Inalva Corsi, editora
29 moveisdevalor.com.br Sooretama, no Espírito Santo, e às demais soluções desenvolvidas com parceiros internacionais. Independentemente do local de fabricação, a empresa mantém o mesmo padrão de qualidade. O acompanhamento envolve todas as etapas, do desenvolvimento do produto e definição das matérias-primas à produção, testes, embalagem e expedição. UM ECOSSISTEMA A complementaridade entre móveis, eletros e eletroportáteis é um dos pilares da estratégia. Na vida real, esses produtos fazem parte da mesma experiência e convivem dentro dos ambientes da casa. A cozinha, por exemplo, não termina nos móveis. Ela incorpora fogão, cooktop, eletroportáteis e outros itens que participam da rotina. Ao trabalhar essas categorias de forma integrada, a Itatiaia amplia as possibilidades de solução para o consumidor e, ao mesmo tempo, cria novas oportunidades para o varejo. Em cozinhas, onde possui uma trajetória consolidada, o desafio é continuar evoluindo em design, funcionalidade e experiência. Já em eletros e eletroportáteis, a empresa trabalha para ampliar reconhecimento, distribuição e competitividade. A estratégia aproveita um ativo construído ao longo de décadas, que é a confiança na marca. A intenção é fazer com que o consumidor reconheça nas novas categorias a mesma qualidade que já associa aos móveis Itatiaia. VALOR PARA O VAREJO A expansão também transforma o portfólio em uma ferramenta de negócios para o ponto de venda. Um mix mais completo permite trabalhar exposição, venda complementar e novas possibilidades de giro. O consumidor que chega à loja procurando uma cozinha pode encontrar também fogão, A entrada no segmento de lavadoras semiautomáticas é um exemplo da estratégia de multicategorias Independentemente do local de fabricação, os produtos com a marca Itatiaia mantém o mesmo padrão de qualidade cooktop ou eletroportátil da mesma marca. Para o varejista, isso representa novas oportunidades comerciais. Para o consumidor, uma jornada de compra mais simples, com diferentes soluções reunidas em um mesmo ecossistema. A Itatiaia trabalha junto ao varejo na construção desse movimento, com ações comerciais, materiais de comunicação, conteúdos de produto e estratégias de exposição que favorecem a venda combinada. A proximidade com o ponto de venda é parte importante da estratégia, tanto que as informações trazidas por lojistas e representantes ajudam a empresa a aprimorar produtos, mix, comunicação e abordagem comercial. TRADIÇÃO QUE EVOLUI Ampliar a atuação
30 moveisdevalor.com.br çou em 1964, em Ubá (MG), assim como a casa brasileira também mudou. A história, portanto, funciona como uma base para evoluir. Essa visão é especialmente importante na construção da comunicação. A forte associação com cozinhas é um patrimônio da marca e não precisa ser rompida. O objetivo é ampliá-la, continuar sendo lembrada quando o consumidor pensa em cozinha e, cada vez mais, também quando busca outras soluções para o lar. A CASA MUDOU As transformações no comportamento do consumidor influenciam diretamente o desenvolvimento de produtos. Ambientes menores e mais integrados, rotinas mais dinâmicas e consumidores mais informados aumentam a importância de atributos como praticidade, funcionalidade, design, tecnologia, consumo e durabilidade. O desafio é traduzir essas mudanças em produtos acessíveis e relevantes para diferentes perfis de consumidores. Nesse cenário, a experiência do consumidor passa a ser pensada de maneira mais ampla. O conceito de casa completa não está apenas na quantidade de categorias disponíveis, mas na capacidade de fazer com que elas conversem entre si e ofereçam soluções coerentes para diferentes momentos da vida. O PRÓXIMO CAPÍTULO Depois de mais de seis décadas entrando na casa dos brasileiros pela cozinha, a Itatiaia amplia seu horizonte. A transformação envolve portfólio, indústria, varejo e comunicação, mas, principalmente, representa uma nova etapa na relação da marca com o consumidor. A empresa quer estar presente em mais momentos e necessidades do lar, levando para novas categorias a experiência que construiu no segmento de cozinhas. A cozinha foi o começo da história. A casa inteira é o espaço que a Itatiaia pretende conquistar nos próximos capítulos, com uma estratégia multicategoria sustentada pela mesma essência que acompanha a marca desde 1964, que é entender a casa brasileira e oferecer soluções que façam sentido para a vida real. A unidade de Sooretama (ES) concentra a produção de fogões e lavadoras Desde 1964 a Itatiaia mantém a produção de cozinhas na matriz, em Ubá (MG) DESTAQUE DE CAPA não significa abandonar a identidade construída ao longo de mais de seis décadas. Para a Itatiaia, tradição e inovação são complementares. A tradição está nos princípios que permanecem: qualidade, confiança e proximidade com o consumidor. A inovação aparece na disposição para incorporar novas categorias, tecnologias, designs e formas de relacionamento com o mercado. A empresa entende que a Itatiaia de hoje precisa ser diferente daquela que come-
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32 moveisdevalor.com.br Poquema celebra 40 anos de uma trajetória com evolução constante Há 40 anos, mais precisamente em abril de 1986, nascia no polo moveleiro de Arapongas (PR) uma empresa que começaria fabricando estantes e, ao longo das décadas seguintes, transformaria seu portfólio, sua estrutura produtiva e sua presença no mercado. Era o início da trajetória da Poquema. A mudança acompanhou as próprias transformações do consumo. Depois das estantes vieram os racks e, posteriormente, a especialização em cozinhas e kit’s, linhas que hoje dividem espaço no catálogo com os roupeiros. A empresa tornou-se referência nesses segmentos e atualmente abastece lojas multimarcas, grandes redes de varejo e operações de e-commerce em diferentes regiões do País. Segundo Nelson, Marco Antonio e Cristiane Poliseli, diretores da Poquema, a especialização em cozinhas e kit’s surgiu justamente da leitura das demandas do mercado. “Assim que a Poquema entrou no mercado, fabricava apenas estantes, logo vieram os racks, mas depois percebemos uma alta demanda e exigência por cozinhas e kit’s, o que fez com que elas ganhassem espaço e que as outras linhas fossem descontinuadas e substituídas, posteriormente, pelos roupeiros”, contam. Nelson Poliseli lembra que a inclusão de cada item no portfólio sempre considerou a relação custo-benefício e a necessidade real do consumidor. A longevidade da empresa, entretanto, também exigiu capacidade permanente de adaptação. Entre os principais desafios enfrentados nessas quatro décadas, ele destaca a velocidade da evolução tecnológica, a necessidade de manter as equipes motivadas, administrar transições entre gerações, incorporar novas ferramentas digitais e desenvolver processos sistematizados e informatizados capazes de acompanhar o crescimento da companhia. DESTAQUE INDÚSTRIA Empresa de Arapongas (PR) comemora o sucesso de quatro décadas de resiliência, evolução e qualidade. Especialista na fabricação de cozinhas, kit’s e roupeiros está presente de Norte a Sul do País, nas principais lojas de móveis e e-commerce Por Natalia Concentino, jornalista
33 moveisdevalor.com.br A lista inclui ainda a necessidade de permanecer atento às transformações do mercado de trabalho e enfrentar as sucessivas dificuldades político-econômicas do País. INVESTIMENTOS ACOMPANHAM O CRESCIMENTO Ao longo dessa trajetória, a Poquema ampliou sua estrutura e hoje conta com 15 mil m² de área construída e aproximadamente 300 funcionários diretos e indiretos, atendendo os mercados nacional e internacional. A modernização do parque fabril permanece entre as prioridades. “Nos últimos três anos a empresa investiu por volta de R$ 10 milhões em maquinários e acabou de instalar uma terceira linha de embalagem, tudo para aprimorar cada dia mais o atendimento aos clientes”, informa Marco Antonio. Os investimentos também acompanham as mudanças no próprio mobiliário residencial. De acordo com Cristiane Poliseli, o desenvolvimento dos produtos considera cada vez mais o aproveitamento dos espaços, a funcionalidade, os materiais, o acabamento e o design. “A inovação permite que a empresa se destaque em um mercado cada vez mais competitivo”, afirma. A capacidade de acompanhar tendências de produto e, simultaneamente, incorporar novas tecnologias industriais é apontada pelos proprietários como um dos fatores que permitiram a Poquema chegar às quatro décadas mantendo sua competitividade. “Nós sempre inovamos nos produtos, nos mantemos sempre focados nas novas tendências relacionadas ao mobiliário, bem como nas tendências tecnológicas em termos de máquinas e equipamentos para produção da indústria moveleira, mantendo o nosso potencial fabril a todo vapor”, declara Cristiane. QUATRO DÉCADAS E NOVOS PLANOS Para Nelson, Marco Antonio e Cristiane, chegar aos 40 anos representa mais do que longevidade empresarial. É resultado da capacidade de atravessar diferentes ciclos econômicos e acompanhar profundas transformações do mercado. “Chegar aos 40 anos é uma jornada de muita resiliência, troca mútua e evolução constante. Tanto os profissionais quanto a empresa mudam ao longo de quatro décadas, evoluindo, superando crises econômicas e transformações de mercado. A estabilidade vem da marca e da capacidade de se tornar indispensável dia após dia”, destacam. A comemoração, porém, também abre espaço para olhar os próximos anos. Segundo Marco Antonio, os planos passam pela busca de processos produtivos cada vez mais eficientes e por uma estratégia apoiada em metas claras e no acompanhamento permanente das tendências. “Isso é importante para sabermos o que o consumidor valoriza, a fim de ajustar o nosso processo, custo e a eficiência produtiva. Nós pretendemos continuar fazendo investimentos, com vistas ao crescimento sólido e sustentável da marca”, conclui. Nelson, Marco Antonio e Cristiane Poliseli, diretores da Poquema Showroom da empresa criado por @arq.poliseli
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