Móveis de Valor - Edição 259

36 moveisdevalor.com.br OS EUA QUEREM CONVERSAR Carlos Velastegui, da Muebles Leon, do Equador, participou pela primeira vez da feira. Ele é dono de uma fábrica de móveis de metal, e embora não tenha experiência como importador, veio buscar opções para diversificar sua produção e está interessado em móveis de madeira maciça. “Devemos fechar negócio ainda esse ano”, acredita. “É mais fácil importar do que produzir internamente por causa dos custos”, justifica. “O Equador é uma economia pequena”, admite. Consultor na área de exportação, Matheus Ximenes, diretor executivo e sócio da Vista Furniture Co., de São Paulo, conta que o motivo de estar na Movelsul foi o interesse de lojistas dos Estados Unidos que o procuraram para prospectar oportunidades. “O que tem acontecido é que grandes redes varejistas que dependiam muito da Ásia, estão procurando alternativas para diversificar seus fornecedores. Eles temem o que pode acontecer amanhã e querem informações do Brasil, mesmo com as atuais sobretaxas”, revela. “O interesse deles por móveis de madeira maciça e estofados aumentou significativamente nos últimos meses”, acrescenta. O assunto mais comentado antes da abertura da feira foi o anúncio de pedido de recuperação judicial da Casas Bahia e da Marabraz e os impactos que, eventualmente, poderiam acontecer nos dias seguintes. André Teixeira, dono da Showroom Móveis, de Erechim (RS) foi direto: “A Casas Bahia vai ser a primeira de muitas que vão quebrar no setor”, sinalizou. E o motivo para ele é simples: o consumidor prefere comprar no site por causa do mau atendimento na loja. “É horrível, me desculpe os grandes lojistas”, lamentou. O mercado de móveis, segundo ele, é saudável no Brasil por causa dos pequenos lojistas. “Mas as fábricas, as grandes interessadas, nunca viram isso”, declarou. Com a experiência de 32 anos no varejo conta que nunca viu um moveleiro que trabalha com pequeno lojista quebrar. Seu objetivo na feira foi visitar fornecedores, prospectar novos, mas principalmente, rever amigos. Encomendas? “Cliente é quem define a demanda, mas reforçamos sempre o estoque para o final de ano”, concluiu. FEIRAS E EVENTOS Bruna Dias, da Elements Carlos Velastegui, da Muebles Leon, do Equador Matheus Ximenes, diretor executivo e sócio da Vista Furniture Co. que os chineses ocuparam na Movelsul. Bruna Dias, dona da Elements, também fabricante de cadeiras para escritório e gamer, com sede em Florianópolis, não está preocupada com o avanço chinês porque tem feito forte trabalho de posicionamento da marca com produtos não tradicionais. “Somos a número um na pesquisa do Google em cadeiras ergonômicas”, diz. “Eles (chineses) são bons em fazer produtos, mas não sabem trabalhar a marca”, está convicta a jovem empresária. Detalhe: sua produção é feita na China, na Eslovênia e na Itália. Historicamente, a Movelsul tem se caracterizado por ser ponto de encontro de importadores de várias partes do mundo, em especial, de países da América do Sul. O motivo são os custos de produção maiores em relação ao móvel brasileiro, que tem ainda a vantagem de ter qualidade e design – e é isso que atrai os importadores. “No meu caso, que vim buscar exportação, a feira está ótima”, comentou Vitor Guidini, diretor comercial da Cimol Móveis, de Linhares (ES).

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