93 moveisdevalor.com.br NÃO ESTAMOS SÓS O Brasil não é o único país pressionado pelas novas barreiras comerciais. China e Vietnã, dois gigantes da indústria moveleira, também procuram alternativas ao mercado americano. A China amplia sua presença na Europa e utiliza bases produtivas no Sudeste Asiático. O Vietnã, segundo maior exportador mundial de móveis e fortemente dependente dos Estados Unidos, mira mercados como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Índia. A diferença está nas condições dessa disputa. O Brasil continua limitado pelo chamado custo sistêmico de exportar. Pesquisa da CNI aponta entre os principais obstáculos o transporte internacional, a ineficiência e as tarifas portuárias, as limitações de rotas e contêineres e a volatilidade cambial. Por isso, diversificar mercados não basta. Se China e Vietnã conseguem competir fortemente em custo e escala, o móvel brasileiro precisa avançar onde possui melhores argumentos: design, sustentabilidade, matéria-prima renovável e originalidade. É pelo valor agregado, mais do que pelo preço, que o Brasil pode ampliar seu espaço no mercado internacional. com 27,3 mil e Erechim (RS), com US$ 16,5 mil, não esquecendo Eusébio (CE), Putinga (RS) e Cárceres (MT). O bloco europeu enfrenta uma pressão comercial sem precedentes. Em 2024, as exportações chinesas para o bloco cresceram 27% em valor, atingindo €13,2 bilhões, contra €10,4 bilhões em 2023, conforme dados do serviço alemão de informação EUWID. Em volume físico, as importações de móveis de madeira da China cresceram 35%, para 1,68 milhão de toneladas em 12 meses, aceleração de mais 27% no primeiro trimestre de 2025, segundo dados do Eurostat, publicados pelo Interior Daily. Diante desse cenário, a Comissão Europeia intensificou sua resposta regulatória. Em novembro de 2025, impôs tarifas antidumping definitivas sobre compensados de madeira dura chineses — 86,8% para a maioria dos exportadores (Regulamento EU 2025/2333). A INCÓGNITA AMERICANA A agência de notícias Reuters diz que o presidente dos EUA está entrando em uma nova fase para construir um muro tarifário mais durável, usando leis comerciais mais tradicionais e já testadas nos tribunais. E o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, deixou claro que Trump usará tudo à sua disposição para erguer tarifas para repatriar a produção e reduzir o déficit comercial. Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, prevê que com a manutenção das tarifas em 37,5%, o setor moveleiro brasileiro continuará a perder espaço no mercado americano, e a compensação por outros mercados será lenta e parcial. O Brasil tem 634 polos moveleiros que se relacionam comercialmente com 195 países, a metade de forma ativa e contínua, uma parte de maneira menos frequente e outra totalmente irregular. E é essa turma dos “menos atuantes” que começa a aparecer de forma discreta no mapa das exportações. É bom lembrar que o caminho é longo.
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