18 moveisdevalor.com.br num momento em que também no Brasil se discute o futuro da loja física diante do avanço do comércio eletrônico, das redes sociais e da inteligência artificial. A experiência chinesa sugere que a questão talvez não seja escolher entre loja física e digital. É fazer com que uma complete a outra. 5 MOVIMENTOS DA CHINA QUE O BRASIL PRECISA OBSERVAR 1. Menos dependência da casa nova Reforma e substituição do mobiliário ganham importância à medida que diminui o impulso proporcionado pelo mercado imobiliário. 2. Da peça para a casa inteira A personalização integrada transforma toda a residência em oportunidade comercial. A indústria deixa de pensar somente no produto e começa a pensar na solução. 3. Tecnologia incorporada ao morar Projeto digital, plataformas inteligentes e mobiliário conectado começam a fazer parte da mesma experiência residencial. 4. Conteúdo se aproxima da venda Livestreams e criadores das plataformas sociais ajudam a transformar inspiração, recomendação e entretenimento em ferramentas comerciais. 5. A loja física muda de função O consumidor pesquisa e se inspira digitalmente, mas continua querendo experimentar o móvel. O físico deixa de competir com o digital para tornar-se parte da mesma jornada. UMA TRANSFORMAÇÃO QUE ULTRAPASSA A CHINA Toda essa mudança teria importância suficiente se estivesse acontecendo em qualquer grande mercado. Na China, ganha outra dimensão. Estamos falando do país responsável por mais de um terço de toda a produção e das exportações mundiais de móveis. E isso significa que qualquer avanço significativo em sua indústria tem potencial para alterar a competição internacional. Durante muito tempo, fabricantes de diferentes partes do mundo procuraram enfrentar a concorrência chinesa evitando uma disputa exclusivamente por preço. Design, personalização, qualidade percebida, sustentabilidade e serviço passaram a funcionar como instrumentos de diferenciação. Agora, esses mesmos atributos começam a aparecer com maior intensidade na estratégia chinesa. O próprio estudo resume a direção dessa transformação: com o encerramento da era de rápido crescimento baseado em volume, a próxima fase do mercado chinês deverá ser marcada pelo desenvolvimento orientado pelo design, pela personalização da casa inteira e pelo consumo orientado por valor. O ALERTA PARA O BRASIL É justamente nesse ponto que a transformação da China deixa de ser uma curiosidade sobre o maior mercado moveleiro do planeta e passa a interessar diretamente à indústria brasileira. A China não está abandonando aquilo que a tornou competitiva. Continua dispondo de enorme escala industrial, cadeias produtivas estruturadas e presença internacional. O que está fazendo é acrescentar novas camadas a essa capacidade. Se design, personalização, tecnologia, experiência e soluções integradas ganharem cada vez mais espaço ao lado da escala e da eficiência industrial, a competição internacional tende a ficar mais sofisticada. Para a indústria brasileira, portanto, talvez o principal alerta não esteja na possibilidade de a China continuar produzindo móveis baratos em enorme quantidade. O verdadeiro desafio começa quando a maior fábrica de móveis do planeta aprende também a competir por design, tecnologia, experiência e valor. ECONOMIA
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