Móveis de Valor - Edição 260

57 moveisdevalor.com.br exista uma distância entre a maneira como os móveis são organizados internamente e aquilo que a vida contemporânea realmente precisa guardar. Celulares, carregadores, fones, controles remotos, documentos, medicamentos, chaves, pequenos eletrônicos e uma infinidade de objetos passaram a disputar espaço com aquilo que tradicionalmente determinava o desenho interno de armários, estantes, racks e gavetas. A “gaveta da perdição”, como o relatório a chama, pode ser vista também como uma pequena falha de projeto à espera de solução. QUANDO ATÉ O FORNO VIRA ARMÁRIO Outro resultado leva essa improvisação ao extremo: uma em cada dez pessoas entrevistadas utiliza o forno para guardar objetos. Na Coreia do Sul, essa proporção chega a 21%. Não significa necessariamente falta absoluta de espaço. Pode indicar também falta do espaço certo. Essa diferença é importante para a indústria moveleira. Criar mais armários não resolve obrigatoriamente o problema de organização. É preciso pensar em como esses espaços são distribuídos, acessados e utilizados. Gavetas com divisores, compartimentos específicos, ferragens que permitam aproveitar áreas antes inacessíveis, armazenamento vertical, módulos internos adaptáveis e soluções ocultas podem entregar mais funcionalidade sem necessariamente aumentar as dimensões do móvel. Em residências menores, isso ganha importância ainda maior. O MINIMALISMO ENCONTRA A VIDA REAL Talvez uma das descobertas mais interessantes do levantamento esteja na relação emocional com os objetos. Mesmo com residências menores e anos de valorização do minimalismo na arquitetura e no design, 59% dos entrevistados preferem uma casa com aparência de habitada a uma casa minimalista. E nada menos que 82% guardam objetos exclusivamente por razões sentimentais, ainda que raramente os utilizem ou sequer os mantenham à vista. São fotografias, lembranças de viagens, presentes, cartas, objetos herdados, peças ligadas à infância ou simplesmente coisas que, para quem observa de fora, talvez não tenham valor algum. Para quem mora naquela casa, têm história. A pesquisa sugere, portanto, uma mudança interessante. Em vez de eliminar objetos para alcançar uma estética A “gaveta da perdição” pode ser vista como uma falha de projeto à espera de solução A solução não precisa estar apenas em esconder. Pode estar em permitir guardar, organizar e exibir idealizada, parte das pessoas parece procurar uma forma de possuir com intenção e preservar aquilo que considera significativo. Essa interpretação pode produzir consequências no próprio desenho dos móveis. A solução não precisa estar apenas em esconder. Pode estar também em permitir guardar, organizar e exibir. Estantes, nichos, vitrines, módulos fechados e abertos, sistemas flexíveis e composições personalizáveis podem responder melhor a essa relação afetiva com os objetos do que ambientes pensados

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