Móveis de Valor - Edição 261

46 moveisdevalor.com.br LIMITAÇÕES LOGÍSTICAS O Paraguai tem energia elétrica das mais baratas do continente por conta de Itaipu, mas a rede de transmissão e de distribuição local tem deficiências. Quedas de tensão e apagões são comuns nas regiões industriais durante picos de calor no verão. Para evitar interrupções de maquinário e perdas de matéria-prima, as fábricas investem capital próprio em subestações. “Se custar US$ 6 milhões, por exemplo, o governo `devolve´ esse investimento em energia”, ressalta Jonathan. Em relação a logística, o leste paraguaio está integrado à fronteira com o Paraná e relativamente próximo de polos industriais do Sul e do Sudeste brasileiro, mas o Paraguai não tem saída direta para o mar. O escoamento depende de rodovias, hidrovias e corredores que passam por Brasil, Argentina e Uruguai. E terminais fluviais privados e portos secos possuem papel relevante, mas a dependência de países vizinhos cria riscos adicionais. Secas severas e prolongadas na Bacia do Rio Paraguai reduzem o calado e as barcaças costumam operar com apenas 50 a 70% de sua capacidade, encarecendo os fretes e provocando atrasos. Fora isso, bloqueios de fronteira, greves, instabilidades políticas regionais ou gargalos aduaneiros podem também afetar prazos e custos. Para quem depende de entregas rápidas esse é um ponto sensível. “Investimentos são resultado de análises que envolvem planejamento rigoroso, perpassando um brainstorm profundo sobre inúmeras variáveis e abrangendo itens como, capacidade, mercado, viabilidade, recursos financeiros, incentivos, logística, gestão, matriz de riscos, por exemplo. Caso as diretrizes estratégicas sinalizem vantagens locacionais positivas, ok. Vale para o Paraguai ou outro lugar no mundo. Só se basear pela oferta de atração de benefícios não é bom conselho”, adverte Maria Teresa Bustamante, presidente da Câmara de Comércio Exterior da FIESC. Maria Teresa Bustamante, presidente da Câmara de Comércio Exterior da FIESC A carga horária padrão é de 48 horas semanais, enquanto no Brasil é de 44 horas - o trabalhador paraguaio entrega mais horas pelo mesmo piso mensal. Não há FGTS e o sistema de previdência social exige encargos patronais significativamente menores do que a previdência brasileira. No modelo paraguaio, o trabalhador inicia o histórico com 12 dias de férias por ano, alcançando os 30 dias regulamentares somente após 10 anos na mesma empresa. No Brasil, são concedidos 30 dias logo após o primeiro ano de registro. Em relação a gargalos identificados em estudos, como baixa disponibilidade de trabalhadores qualificados em certas regiões, Jonathan aponta sem titubear: “No Paraguai isso é bem fácil de resolver: lá tudo é treinável e o governo apoia. Eles têm um sistema muito parecido com o nosso Senai”, explica, complementando que 70% da população não trabalha na formalidade. “Se a empresa fornece uniforme, elas fazem questão de mostrar para os outros”, comenta. MERCADO

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