Móveis de Valor - Edição 261

ANO 25 • EDIÇÃO 261 • OUTUBRO DE 2026 CONECTANDO IDEIAS, NEGÓCIOS E O FUTURO DO SETOR O quarto como refúgio da rotina Venda de móveis online avança no varejo físico Setor avalia ter base industrial no Paraguai A fauna brasileira inspira o mobiliário @moveisdevalor

6 moveisdevalor.com.br Por Inalva Corsi, editora A edição de outubro da Móveis de Valor reúne uma variedade de temas e reportagens analíticas que ajudam a compreender os movimentos e desafios da cadeia moveleira, do varejo ao design, passando pela indústria e pelo mercado internacional. Começando pelo varejo, o CEO da Móveis de Valor, Ari Bruno Lorandi, analisa a economia brasileira e aponta que os varejistas de móveis estão pagando uma conta que eles não criaram. Já o jornalista convidado Guilherme Arruda se debruça sobre as vendas de móveis e constata que o comércio online avança sobre o varejo físico, impondo novos desafios aos lojistas. O especial desta edição, dedicado aos móveis para quarto, ficou a cargo da jornalista Natalia Concentino. A reportagem mostra como esse ambiente vem se transformando em um espaço de descompressão dentro de casa. As tendências que orientam o mobiliário para esse ambiente na ótica de especialistas do setor, e uma seleção de produtos que a indústria brasileira oferece ao varejo completam o conteúdo. Na editoria de Mercado, nossa equipe traz um panorama de questões que merecem atenção. O mercado global de móveis deve crescer a uma média anual de 5,4% até 2031; o setor moveleiro brasileiro avalia a possibilidade de estabelecer bases industriais no Paraguai; e o Vietnã avança como concorrente direto do mobiliário nacional. Outros dois temas acendem sinais de alerta para o setor. Os impactos do fim da escala 6x1 sobre a indústria e o varejo, e a pressão crescente sobre os custos enfrentada pelos fabricantes de estofados, são questões que exigem análise e planejamento em um ambiente de negócios cada vez mais desafiador. Na área de Design, também há oportunidades a explorar. O jornalista Caetano Guimarães aborda a busca por móveis que contribuam para a qualidade sonora dos ambientes. Enquanto outra reportagem mostra como o mobiliário corporativo vem perdendo a tradicional “cara de escritório”, acompanhando novas formas de trabalhar e ocupar os espaços. Esta edição traz ainda conteúdos que ampliam o olhar sobre os movimentos do setor no Brasil e no mundo. Entre eles, a entrevista com o presidente da Federação das Associações de Mobiliário da Turquia, realizada em Istambul por mim e por Ari Bruno Lorandi, durante nossa passagem pelo país em setembro. A conversa ajuda a entender as perspectivas de uma indústria que vem ganhando espaço no cenário internacional e as possibilidades de aproximação com o mercado brasileiro. Em um setor que se transforma tão rapidamente, estar bem-informado é mais do que acompanhar notícias, é ter elementos para avaliar cenários, reconhecer oportunidades e tomar decisões. É com esse compromisso que a Móveis de Valor segue conectando indústria, varejo, fornecedores e profissionais, levando aos seus leitores informação qualificada para compreender o presente e se preparar para o futuro. Boa leitura! REDAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO Rua Dep. Estefano Mikilita, 125 - 3º andar CEP 81070-430 - Portão Curitiba – PR – Brasil CONTATO Fone (41) 99912-9877 www.moveisdevalor.com.br moveisdevalor@moveisdevalor.com.br DIRETORES Ari Bruno Lorandi aribruno@moveisdevalor.com.br Inalva Corsi inalvacorsi@moveisdevalor.com.br ADMINISTRAÇÃO/FINANÇAS Juliana Pinheiro financeiro@moveisdevalor.com.br REDAÇÃO Inalva Corsi – 3035 PR Jornalista Responsável inalvacorsi@moveisdevalor.com.br Natalia Concentino – 10431 PR natalia@moveisdevalor.com.br João Caetano Guimarães caetano@moveisdevalor.com.br Guilherme Arruda – 5955 RS Jornalista convidado guilherme@moveisdevalor.com.br DIREÇÃO DE ARTE E DIAGRAMAÇÃO Bruna Rosário arte@moveisdevalor.com.br ASSINATURAS E CIRCULAÇÃO assina@moveisdevalor.com.br COMERCIAL – SUL Inalva Corsi - (41) 99912-9877 | 99991-2974 inalvacorsi@moveisdevalor.com.br COMERCIAL – SUDESTE Cidinha Leal - (17) 98114-3666 cidinha@moveisdevalor.com.br CARTA DA EDITORA @moveisdevalor Acesse a versão digital desta edição

7 moveisdevalor.com.br SUMÁRIO NOSSA CAPA Ilustra capa desta edição Roupeiro Emília cinamomo reflecta, da Panan Móveis, de Linhares (ES) (27) 3372-6363 www.pananmoveis.com.br 58 DESIGN Projeto Mobiliando ajuda a decorar moradias populares 70 TENDÊNCIAS Móvel corporativo perde a “cara” de escritório 74 TENDÊNCIAS Mobiliário também pode fazer parte da experiência sonora SEÇÕES 8 CÁ ENTRE NÓS Varejistas de móveis estão pagando uma conta que eles não criaram 10 PONTO DE VENDA Sidlar pede RJ com dívida de R$ 55,7 milhões 34 DESTAQUE DE CAPA Panan é sucesso nos quartos dos brasileiros há 35 anos 12 COMÉRCIO Venda de móveis online avança sobre varejo físico 16 COMÉRCIO Sua marca de móveis seria recomendada pela IA? 22 ESPECIAL O quarto como espaço de descompressão 38 CONTEÚDO DE MARCA Neo Touch, da Eucatex, ganha novo papel na indústria 40 MERCADO Mercado global de móveis deve crescer 5,4% ao ano 44 MERCADO Setor moveleiro avalia ter base industrial no Paraguai 48 MERCADO Vietnã avança como concorrente direto do móvel brasileiro 52 INDÚSTRIA Fim da escala 6x1 é novo desafio da indústria e do varejo 78 FEIRAS E EVENTOS Femur 2027, em nova fase, discute o futuro do setor 84 ENTREVISTA Turquia quer ampliar negócios com setor de móveis do Brasil 90 BED REPORT Custos e importações ampliam pressão sobre colchoeiros 96 ARTIGO Margem e prazo se perdem entre a venda e a montagem 98 NOTAS INDÚSTRIA Duratex e Kappesberg mostram como o design chega ao móvel

8 moveisdevalor.com.br Por Ari Bruno Lorandi, CEO da Móveis de Valor O que está acontecendo com o varejo de móveis brasileiro merece muito mais atenção do que vem recebendo. Vejam três exemplos recentes. A Casas Bahia reduziu seus estoques em 40,5% entre abril e agosto e registrou uma diminuição de mais de 4.600 pessoas no quadro de funcionários em menos de um mês. A Sidlar, rede com 15 lojas em São Paulo, pediu recuperação judicial com dívidas de R$ 55,7 milhões. E a Kitchens, marca de móveis planejados de alto padrão, enfrenta dificuldades financeiras, fechamento de showroom e atrasos na entrega de produtos. Três empresas, três realidades diferentes, três públicos distintos. Mas um problema que atravessa todo o varejo: vender está cada vez mais difícil, enquanto manter as portas abertas custa cada vez mais caro. Juros elevados encarecem o crédito, comprometem o capital de giro e afastam consumidores. A insegurança econômica adia decisões de compra, principalmente de produtos de maior valor, como móveis e colchões. E as empresas ficam espremidas entre despesas que não param de crescer e um mercado que não consegue reagir. Nem durante a pandemia, quando as lojas foram obrigadas a fechar, vimos exatamente uma situação como esta. Naquela época, havia uma emergência sanitária. Agora, estamos VAREJISTAS DE MÓVEIS ESTÃO PAGANDO UMA CONTA QUE ELES NÃO CRIARAM diante de um problema econômico que se prolonga e compromete a capacidade de recuperação das empresas. É claro que cada negócio tem seus próprios problemas de gestão, endividamento e estratégia. Mas seria um erro tratar tantos sinais de dificuldade como acontecimentos isolados. O Brasil precisa enfrentar o custo do crédito, recuperar a confiança e criar condições para que o consumo e o investimento voltem a crescer. Porque, se nada mudar, outras empresas poderão seguir o mesmo caminho. E quando uma loja de móveis fecha, o prejuízo não fica apenas com o comerciante. Atinge fabricantes, fornecedores, trabalhadores e toda uma cadeia produtiva. O alerta está dado. Não adianta esperar que o mercado se recupere sozinho enquanto as condições para sua recuperação continuam tão desfavoráveis. Ou mudamos o Brasil ou muitos irão mudar do Brasil.

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10 moveisdevalor.com.br CASAS BAHIA REDUZ ESTOQUES EM 40,5% E PERDE 4,6 MIL FUNCIONÁRIOS Entre abril e agosto de 2026 o valor recuou de R$ 3,18 bilhões para R$ 1,89 bilhão, segundo perícia judicial. No mesmo período, o quadro de funcionários encolheu em 4.647 pessoas, queda de 15,6% do total. O laudo também apontou centros de distribuição ociosos e saldo mínimo de caixa de R$ 29 milhões, diante de desembolsos médios de R$ 34,5 milhões por dia útil. A retração operacional acende um alerta para fabricantes de móveis, diante dos possíveis impactos sobre pedidos e pagamentos. FRETE PESA MAIS QUE PREÇO E MUDA A DECISÃO DE COMPRA NO E-COMMERCE Pesquisa E-Consumidor 2027, do Opinion Box com a Nuvemshop, mostra que 44% dos consumidores priorizam frete grátis ou reduzido ao comprar online, superando os 40% que destacam preços baixos. O frete caro leva 59% dos entrevistados a abandonar o carrinho, enquanto 67% preferem entrega gratuita a descontos percentuais. Para o varejo de móveis, os dados reforçam a importância da logística e das condições de entrega na decisão de compra e na fidelização do cliente. VAREJO DE MÓVEIS RECUA 2,4% NO ANO E EXPÕE DIFERENÇAS REGIONAIS A queda chegou a 2,4% no volume de vendas entre janeiro e agosto de 2026, segundo o IBGE. Pernambuco liderou o crescimento, com alta de 14,8%, seguido por Goiás, com 13,2%, e Distrito Federal, com 12,8%. Na outra ponta, Minas Gerais recuou 27,1%, Santa Catarina caiu 12,4% e o Rio Grande do Sul, 9,8%. Apesar da redução gradual das perdas ao longo do ano, o setor ainda não retomou o crescimento, com diferenças regionais que exigem estratégias comerciais específicas. SIDLAR PEDE RJ COM DÍVIDA DE R$ 55,7 MILHÕES A rede Sidlar Planejados pediu recuperação judicial em São Paulo, com dívidas de R$ 55,7 milhões distribuídas entre 110 credores. Com 15 lojas e mais de 300 profissionais, a empresa atribui a crise aos juros elevados, ao encarecimento do crédito e à queda nas vendas. Entre os credores estão 46 fornecedores de móveis, com R$ 4,6 milhões a receber. A rede já teve mais de 40 lojas em 2011 e reduziu sua operação após uma reestruturação iniciada em 2012. O pedido aguardava análise da Justiça no fechamento desta edição. PONTO DE VENDA

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12 moveisdevalor.com.br Venda de móveis online avança sobre varejo físico Na primeira semana de setembro, o Magazine Luiza anunciou parceria para vender cerca de 27 mil produtos (incluindo móveis) no marketplace do Mercado Livre. A operação foi estruturada no modelo First-Party, ou 1P: o Magalu mantém a propriedade do estoque enquanto o Mercado Livre oferece audiência, tecnologia, tráfego e ambiente transacional. A aproximação entre redes físicas e marketplaces não representa apenas uma nova vitrine para os produtos. É também uma estratégia para ampliar alcance, tráfego, dados e velocidade logística, aguçada por uma ampla base de consumidores ativos no e-commerce cuja decisão de compra está a apenas um toque. Pesquisa feita pela Visa mostra que 86% dos brasileiros fazem compras online pelo menos uma vez por mês (Exame). Em sentido oposto, desde 2022 redes como Casas Bahia, Americanas, Carrefour, Marisa e Magazine Luiza, reduziram em mais de 1,1 mil o número de unidades físicas, segundo levantamento do jornal O Estado de São Paulo. No mesmo período, canais digitais e marketplaces, inclusive internacionais, vem ganhando peso na decisão de compra. Em 2025 as vendas digitais somaram negócios de R$ 235 bilhões, 15,3% acima do ano anterior, o número de compradores alcançou 94,2 milhões, totalizando 438,9 milhões de pedidos, com ticket médio Casa e decoração, que abrange mobiliário, responde por 11,7% das compras digitais, puxada por ferramentas de realidade aumentada e IA. A fronteira entre varejista, marketplace, operador logístico e rede de lojas está cada vez menos nítida COMÉRCIO Por Guilherme Arruda, jornalista convidado

13 moveisdevalor.com.br de R$ 536,60. Para esse ano, a projeção é crescer 10,6% para R$ 259,8 bilhões, com ticket médio de R$ 562,15 e 460,8 milhões de pedidos, impulsionado por um fluxo de 97 milhões de compradores. Os dados e projeções são da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM). Grandes plataformas vêm adotando a prática de promoções em datas duplas. O Mercado Livre afirma que o 7.7 deste ano foi o melhor dia de vendas de sua história no Brasil em volume de transações, itens comercializados e compradores únicos. A Shein afirma ter atraído mais de 310 mil consumidores em uma live de nove horas no seu 9/9. O calendário da Shopee inclui Dia das Mães, Dia dos Namorados, Festa Junina, Black Friday e Natal. A proposta é criar diferentes momentos de compra. “O digital não matou a loja. Expôs mais rapidamente as fragilidades das cadeias com problemas”, observa Ana Paula Tozzi, especialista em varejo e CEO da AGR Consultores. “A digitalização do consumo é um caminho sem volta”, atesta Fernando Mansano, presidente da ABIACOMM. “Em 2026, o e-commerce segue avançando, atraído por novas tecnologias. A inteligência artificial ganha protagonismo e torna as jornadas de compra mais personalizadas. Esse crescimento consistente fortalece o varejo e amplia oportunidades para pequenos e grandes negócios”, acrescenta. O FOCO NO SETOR DE MÓVEIS E CASA As categorias de produtos mais procuradas são eletrodomésticos, telefonia, moda e acessórios, casa e decoração e informática. Móveis estão na categoria de casa e decoração, que representa 11,7% das vendas do e-commerce. “O uso de fotos e vídeos, de avaliações de consumidores, de informações mais detalhadas sobre medidas e materiais, além de ferramentas de realidade aumentada e IA ajudam a reduzir barreiras que tradicionalmente existiam para a compra de móveis pela internet”, aponta Mansano. Para o dirigente, as aproximações entre redes de varejo e grandes marketplaces faz sentido, pois cada empresa possui ativos diferentes e complementares. Para o varejo, plataforma de grande audiência significa acessar novos consumidores; para Fernando Mansano, presidente da ABIACOMM o marketplace, significa incorporar o sortimento de um grande varejista que fortalece a oferta de produtos e categorias. “No caso de móveis há um componente de logística: são produtos que exigem uma operação diferenciada em função de peso, dimensão e características de entrega”, explica o presidente da ABIACOMM. Lembrando que a parceria Magalu–Mercado Livre combina demanda digital do marketplace com a expertise da Magalog e a possibilidade de usar lojas físicas para retirada e devolução de produtos. RISCOS POTENCIAIS Outro aspecto é que o marketplace ajuda a transformar estoque regional em oferta nacional. A integração de catálogo, estoque e transporte possibilita vender itens de lojas para consumidores de outras regiões, testar novos produtos e até usar lojas como mini-hubs ou pontos de retirada. Mas o que é para ser relação ganha-ganha, pode esconder riscos, como pressão por descontos, custos e comissões de publicidade crescentes, conflito

14 moveisdevalor.com.br e de bons resultados em canais como WhatsApp e atendimento automatizado da Kappesberg. DO ONLINE PARA LOJAS FÍSICAS Nesse mosaico é preciso observar a expansão omnichannel de marketplaces para o varejo físico, movimento conhecido como online-to-offline (O2O). Empresas nativas digitais têm avançado no ambiente tradicional por meio de quatro formatos: lojas com estoque local, showrooms para experimentação e compra digital, pontos parceiros voltados à logística reversa e retirada, além de unidades temáticas dedicadas a testar categorias específicas de produtos e atrair tráfego de consumidores. No setor moveleiro, o exemplo é a da varejista digital americana Wayfair, especializada em móveis, decoração e artigos para o lar. Em 2024, abriu loja física em Wilmette, Illinois, com cerca de 13,9 mil m². Decidiu criar uma presença física para que o consumidor pudesse tocar e testar o conforto, além de observar acabamento, verificar cor e textura e reduzir o risco de comprar algo volumoso pela internet. No Brasil, os exemplos são da MadeiraMadeira, Mobly, Shopee e Mercado Livre. O caso da MadeiraMadeira é o mais comparável à Wayfair. O Mercado Livre avançou no Brasil sobretudo por meio de centros de distribuição, agências de envio, pontos de retirada, operadores logísticos, e integração com lojas e estabelecimentos parceiros – ela anunciou a ampliação de sua rede logística, incluindo novos centros de fulfillment. Isso não significa uma rede de lojas abertas ao consumidor, mas constitui uma forma de presença física decisiva para o marketplace. O fato é que o varejo brasileiro vive uma mudança estratégica, até certo ponto, forçada: de um lado busca expansão para ter rentabilidade sustentável; de outro, acumula dívidas que nos últimos 30 meses somam cerca de R$ 68 bilhões (Americanas, R$ 43 bi, Casas Bahia, R$ 17,3 bi, Marabraz, R$ 140 milhões entre outras). “As lojas físicas nunca vão morrer porque, além do comércio, envolvem uma atividade social, cultural e de entretenimento. O que mudou é o tipo de experiência que as pessoas esperam vivenciar dentro delas”, especifica Edgar Neto, gestor de inovação do Sebrae-SP. É crescente o número de fábricas de móveis que tem canal direto de vendas de preços entre canais, ruptura de integração, dificuldade para administrar devoluções, e o risco de o marketplace priorizar marcas próprias ou sellers. Analistas chamam a atenção para a concorrência acirrada de preço. No caso do pequeno varejo todo cuidado é pouco com plataformas que cobram comissões de cada produto vendido e o principal apelo de vendas nesses sites é o preço competitivo, ainda mais que esse grupo já opera com uma margem de lucro muito enxuta e possui menor fôlego de caixa em comparação aos grandes varejistas, aponta Kelly Carvalho, economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomercio). A recomendação é não entrar em uma disputa por preços com grandes marcas. Para ela, o melhor é focar em nichos específicos, produtos de marca própria e as especialidades da empresa. INDÚSTRIA ADERE AO DIGITAL Magazine Luiza e Casas Bahia não são propriamente marketplaces digitais puros, mas varejistas com marketplaces próprios que estão conectando lojas, centros de distribuição e plataformas externas. E a tendência não se limita ao varejo. A indústria, antes confinada à ponta da produção, também disputa espaço. É crescente o número de fábricas de móveis que vem usando o online como canal direto de vendas, como a Madesa, que em cinco anos quadruplicou o faturamento e no grupo K1 há evidências de expansão da operação digital B2B COMÉRCIO

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16 moveisdevalor.com.br Sua marca de móveis seria recomendada pela IA? Consumidor já não percorre o antigo caminho entre busca, site e compra. Com a IA entrando na decisão, marcas precisam ser compreendidas antes mesmo de serem encontradas Por Ari Bruno Lorandi, CEO Móveis de Valor Durante anos, fabricantes e varejistas de móveis aprenderam uma fórmula relativamente simples para disputar o consumidor na internet: aparecer no Google, melhorar o SEO, gerar tráfego, levar o cliente ao site e tentar convertê-lo. Essa sequência está perdendo força. O consumidor agora circula entre redes sociais, avaliações, marketplaces, criadores de conteúdo, comunidades online e ferramentas de inteligência artificial. Muitas vezes, forma uma opinião sobre uma marca antes mesmo de visitar seu site. A mudança parece pequena, mas mexe profundamente com a maneira como empresas de móveis e colchões constroem sua presença digital. A pergunta já não é apenas “como minha empresa aparece na busca?”. Passa a ser: “quando uma IA precisa indicar um produto, ela encontra razões para recomendar minha marca?” Essa é a provocação levantada por Bill Napier, ex-diretor de marketing da Ashley Furniture Industries e atual sócio-gerente do Napier Marketing Group, ao analisar a transformação da jornada de compra no setor moveleiro. O CONSUMIDOR ENCURTOU O CAMINHO O modelo tradicional seguia aproximadamente esta sequência: BUSCAR → CLICAR → VISITAR O SITE → CONHECER O PRODUTO → COMPRAR. A nova jornada tende a ser muito COMÉRCIO

17 moveisdevalor.com.br menos linear: DESCOBRIR → VALIDAR → DECIDIR → COMPRAR. A descoberta pode acontecer em um vídeo. A validação, em avaliações e comentários. A comparação pode ser feita por uma ferramenta de IA. E somente depois disso o consumidor chega à loja, ao marketplace ou ao site da empresa. Isso significa que uma marca pode ganhar – ou perder – uma venda antes de receber qualquer visita em seu próprio ambiente digital. IA NÃO PROCURA APENAS PALAVRAS. PROCURA EVIDÊNCIAS Talvez esteja aqui a maior mudança. Um mecanismo de busca tradicional organiza páginas. A IA tenta interpretar informações e produzir uma resposta. Para isso, pode considerar avaliações de consumidores, clareza das informações sobre produtos, referências externas, conteúdo educativo, comentários de especialistas, reputação e consistência da presença da marca na internet. Consequentemente, repetir “qualidade”, “conforto”, “design” ou “melhor custo-benefício” oferece pouca diferenciação quando praticamente todos os concorrentes dizem a mesma coisa. O problema se torna ainda maior em um setor acostumado a utilizar promoções como principal argumento de comunicação. Se uma marca fala quase exclusivamente de desconto, ela pode acabar sendo compreendida – pelo consumidor e pela máquina – essencialmente como preço. A IA não criou essa fragilidade. Apenas ficou muito eficiente em enxergá-la. DEPOIS DA RECOMENDAÇÃO VEM O AGENTE Há ainda uma transformação maior no horizonte. Sistemas de IA começam a avançar da simples recomendação para a execução de tarefas. Em uma próxima etapa do comércio digital, poderão selecionar produtos, comparar características e preços e participar cada vez mais diretamente da própria transação. Imagine um consumidor dizendo: “Encontre um sofá para uma sala pequena, resistente a animais, confortável, de uma empresa bem avaliada e dentro deste orçamento.” A disputa deixa de ser somente pela atenção daquele consumidor. Passa também pela capacidade de a marca fornecer informações suficientes para que a máquina entenda por que determinado produto atende melhor à solicitação. O QUE FABRICANTES E VAREJISTAS PODEM FAZER AGORA Das dez recomendações apresentadas originalmente por Napier, algumas podem ser condensadas em seis movimentos particularmente aplicáveis ao mercado brasileiro: 1. Não faça do desconto sua identidade Preço continua importante, mas não explica por que uma marca merece ser escolhida. 2. Responda perguntas reais Em vez de páginas carregadas de adjetivos, produza conteúdo que esclareça dúvidas: qual produto serve para quem, diferenças de materiais, durabilidade, manutenção e situações de uso. Conteúdo baseado em respostas também facilita a interpretação pelos sistemas de IA.

18 moveisdevalor.com.br 6. Produza informação também para ser entendida pela IA Comparações, perguntas frequentes, especificações claras e conteúdos educativos ajudam sistemas de inteligência artificial a compreender o que uma empresa efetivamente oferece. A PRÓXIMA VENDA PODE COMEÇAR SEM VOCÊ Isso não significa que site, loja física, vendedor ou Google perderam importância. Significa que eles deixaram de controlar sozinhos a jornada. A decisão começa cada vez mais cedo e é alimentada por informações espalhadas por diferentes ambientes. Busca, redes sociais, avaliações, conteúdo, varejo e IA deixam de funcionar como canais isolados. A marca precisa contar uma história coerente em todos eles. Para móveis e colchões, a mudança merece atenção especial. São produtos de compra comparada, com diferenças de construção nem sempre evidentes e nos quais confiança, reputação e informação têm peso significativo. Durante muito tempo, a preocupação foi conseguir que o consumidor encontrasse a marca. Agora surge uma questão bem mais desconfortável: quando a IA encontrá-la, terá motivos para recomendá-la? 3. Transforme avaliações em patrimônio Comentários, respostas a reclamações e experiências verificadas funcionam como evidências de confiança – para pessoas e máquinas. 4. Diga claramente por que seu produto é diferente Qualidade, conforto e valor são requisitos básicos. A marca precisa ocupar um território reconhecível. 5. Troque adjetivos por provas Materiais, construção, testes, medidas, durabilidade e demonstrações concretas dizem mais do que uma coleção de superlativos. UMA PERGUNTA PARA FAZER HOJE Se alguém pedir a uma IA que indique os melhores produtos da sua categoria, que informações disponíveis na internet dariam a ela motivos concretos para incluir a sua marca na resposta? COMÉRCIO

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22 moveisdevalor.com.br O quarto como refúgio da rotina O quarto do futuro já mudou, impulsionado pela busca por bem-estar, qualidade do sono e ambientes que acompanhem as transformações no modo de morar ESPECIAL Como sabemos, o comportamento do consumidor na sociedade tem forte influência no morar e não é diferente quando falamos sobre os quartos, que se transformam em espaços de descompressão; com a qualidade do sono no topo das preocupações; com todo o entorno da cama e a parte sensorial do ambiente. Logo, a ideia central é ter um local para descansar, efetivamente, depois de um dia intenso de trabalho, informações, acesso às telas e contato com outras pessoas. Essa parece uma ideia sobre o futuro do morar. Mas, parafraseando a música de vinheta de final de ano, ‘o futuro já começou’, por isso, a indústria moveleira precisa estar atenta aos movimentos relacionados ao morar. “A gente precisa se perguntar: o que está acontecendo hoje? O envelhecimento populacional já chegou ao Brasil, as pessoas não estão mais se casando como antigamente, os avós ajudam a cuidar dos netos e os jovens estão com menos dinheiro. Todos esses fatores devem ser levados em consideração”, observa a futurista, palestrante e cofundadora do Clube Aladas, Andrea Bisker. Segundo ela, tudo isso leva ao aumento das casas multigeracionais, ou seja, uma mesma habitação reunindo, pais, filhos e netos – assunto já tratado na Móveis de Valor há alguns anos. “Precisamos entender que queremos casas de longa duração, com móveis que se transformam, paredes que se alteram e elementos que vão se adaptando ao movimento dos moradores e ao envelhecimento deles”, explica Andrea. Andrea Bisker traz argumentos que nos fazem pensar sobre todas as interações que existem Por Natalia Concentino, jornalista

23 moveisdevalor.com.br nessa casa, e no quarto surgindo como o ambiente em que essas pessoas estarão, enfim, sozinhas ou apenas com seus companheiros, em um momento para se desligar de todo o resto. “O nosso cérebro responde ao espaço onde estamos, antes de ter consciência, então o silêncio é importante, assim como a luminosidade, as texturas e os demais estímulos sensoriais. O quarto vai ser o local para descansarmos a mente, um lugar de intimidade em que podemos nos isolar, em que procuramos o bem-estar”, complementa. A profissional ressalta a importância do sono e para isso, além de um bom colchão, as pessoas também estão apelando para fragrâncias, tecnologia para controle de luz e até painéis que absorvem ou reduzem ruídos. O quarto vem ganhando prioridade na casa, ele serve como um abrigo e precisa de superfícies e materiais que trazem essa sensação. O uso das chamadas tecnologias invisíveis também ganha espaço, com luzes variando, colchões com ajuste de conforto unilateral, ajuste de temperatura, ou seja, é uma tecnologia para conforto e não para ostentar”, explica. Sobre os móveis, a futurista diz que eles precisam ser flexíveis, porque o quarto pode ser até um local de trabalho no dia a dia, embora alguns acreditem que esse não seja o espaço ideal para isso. “A maior parte das pessoas não usa o quarto apenas para dormir, elas fazem absolutamente de tudo, como assistir filmes, estudar, namorar e trabalhar”, destaca. O QUARTO POPULAR E essa questão do trabalho no quarto é algo discutido em todos os tipos de moradias, mas nas populares esse assunto pode ser um pouco delicado, por conta do pequeno tamanho dos cômodos, como explicam as arquitetas Ana Paula Giuffrida e Danielle Stern, especialistas nesse tipo de imóvel e fundadoras do Projeto Mobiliando (leia mais na página 58). “O home office é sempre difícil de encaixar nessas casas, às vezes conseguimos uma escrivaninha em algum canto do quarto ou aproveitar um guardaroupa com escrivaninha embutida, ou até opções retráteis”, afirmam. Andrea Bisker, futurista, palestrante e cofundadora do Clube Aladas Ideia de quarto de casal feita pelo Projeto Mobiliando

24 moveisdevalor.com.br o desenho dos móveis e a escolha dos materiais ajudam a criar uma atmosfera de conforto. As camas ganham protagonismo, com cabeceiras generosas, formas arredondadas e estruturas estofadas que reforçam a sensação de aconchego. Madeiras em tons quentes, cores terrosas e tecidos com diferentes texturas também aparecem nessa composição, valorizando a experiência sensorial e a ideia do quarto como um espaço de descanso. Outro movimento está relacionado à flexibilidade do mobiliário. Armários, closets e sistemas modulares permitem diferentes configurações, acompanhando as dimensões dos ambientes e as necessidades dos moradores. Essa possibilidade de adaptação ganha importância diante de casas e apartamentos com espaços cada vez mais disputados e de uma rotina em que o quarto pode assumir diferentes funções. A personalização também se destaca, com combinações de acabamentos, materiais e soluções que permitem criar ambientes com identidade própria. A funcionalidade, por sua vez, aparece integrada ao desenho dos móveis, com soluções que buscam conciliar praticidade e estética. Mesas de cabeceira integradas, iluminação de apoio e recursos tecnológicos incorporados de maneira discreta ajudam a organizar o ambiente sem comprometer a harmonia visual. São propostas que dialogam com a busca por conforto e bem-estar e reforçam uma mudança de perspectiva para a indústria moveleira: o quarto não precisa ser apenas bonito ou funcional, mas deve atender às diferentes necessidades de quem utiliza esse espaço. Ambiente apresentado no Salão de Milão 2026 ESPECIAL As arquitetas trazem um pouco da realidade das habitações populares para explicarem que nem sempre o espaço e as condições financeiras permitem que o quarto seja o espaço de descompressão ideal. “Quando falamos do mobiliário para esse tipo de quarto estamos falando da presença de uma cama, geralmente indicamos box-baú para maior armazenamento, guarda-roupa e armário aéreo, além de uma televisão na parede”, indicam. O QUE SE VIU EM MILÃO As tendências apresentadas no Salão do Móvel de Milão também apontam para quartos mais acolhedores, em que

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26 moveisdevalor.com.br Indústrias revelam tendências e desafios do mercado de dormitórios O quarto ganha protagonismo e amplia a demanda por móveis que combinem conforto, design e funcionalidade. Diante de um consumidor mais exigente, a indústria busca oferecer qualidade, versatilidade e preços competitivos em um mercado de incertezas ESPECIAL Os fabricantes de móveis para quartos ouvidos pela Móveis de Valor concordam com um ponto importante sobre a mudança de comportamento dos brasileiros: o quarto está ganhando mais importância dentro das casas. Com isso, nascem novas necessidades e essa é a razão pela qual a indústria moveleira deve estar atenta. Funcionalidade, estética, tamanhos reduzidos, versatilidade e outros aspectos devem ser levados em consideração no momento da criação e produção. Segundo Carolina Merci Pizza, designer de produtos da Madetec, o quarto é onde a pessoa se sente mais à vontade em casa. “O cliente quer que ele seja confortável, que tenha a cara dele e funcione bem no dia a dia, principalmente em apartamentos menores, onde cada canto precisa ser bem aproveita”, destaca. Inclusive, essa informação casa perfeitamente com o que já vínhamos abordando nesse mesmo especial na reportagem da página 22. Gerente comercial da Robel, Fernando Bernardeli, lembra que o consumidor busca móveis que se adaptem ao ambiente e à sua rotina, com soluções de organização, diferentes possibilidades de composição e um design que permaneça atual por mais tempo. “Com espaços cada vez mais compactos, cresce a busca por soluções que unam estética e funcionalidade, aproveitando melhor cada ambiente. Nesse contexto, o mobiliário precisa acompanhar essa transformação, oferecendo versatilidade e liberdade para organizar, compor e personalizar o espaço de acordo com o estilo e as necessidades de cada pessoa”, explica.

27 moveisdevalor.com.br Eduardo Nuncio, gerente de marketing e desenvolvimento de produto da Móveis Carraro Humberto Bucci, diretor comercial da Zanzini Móveis Essa é a mesma linha de pensamento de Eduardo Nuncio, gerente de marketing e desenvolvimento de produto da Móveis Carraro. “O mercado de dormitórios hoje busca por bem-estar e inteligência espacial, impulsionando a demanda por móveis que entregam a sofisticação do sob medida com a agilidade do seriado”, afirma, contando também que hoje o quarto é visto como um santuário de refúgio e reconexão, onde as pessoas buscam desaceleram da rotina. “Ele deixou de ser apenas um local para dormir para se tornar o ambiente mais íntimo da casa, exigindo móveis que combinem conforto sensorial e organização inteligente para eliminar o ruído visual e criar uma verdadeira atmosfera de bem-estar”. “As pessoas passam mais tempo no quarto e esperam mais dele. É onde descansam, mas também onde se arrumam, guardam o que têm de mais pessoal e, muitas vezes, trabalham ou estudam. Por isso o consumidor ficou mais exigente com organização e com aparência”, enfatiza Humberto Bucci, diretor comercial da Zanzini Móveis. De acordo com ele, o consumidor quer abrir o roupeiro e encontrar as coisas no lugar, além de querer que o móvel valorize o ambiente. “O quarto virou um espaço de identidade, e a compra do móvel passou a ser mais pensada”. A gerente comercial da Mambel Móveis, Clara Laisa Antunes, conta que a empresa vê o dormitório cada vez mais conectado ao estilo de vida de que o utiliza. “Por isso, vemos uma busca maior por móveis que unam estética, funcionalidade e aproveitamento de espaço. Cores mais naturais, combinações de tons, detalhes que valorizam o design e soluções práticas para organização continuam ganhando espaço”, enumera, contando que também estão percebendo um consumidor mais atento aos detalhes do produto. “As pessoas querem que o quarto tenha a sua identidade e seja um lugar onde elas realmente se sintam bem. Isso acaba influenciando bastante a escolha dos móveis”, afirma André Santos, diretor da Santos Andirá. Ele aponta também uma procura maior por móveis versáteis, que acompanhem diferentes momentos e necessidades. Quem também dá detalhes sobre tendências mais práticas é Flavio Fabiano Rodrigues, diretor da Ambientes compactos exigem mais criatividade da indústria J&A Móveis. “Roupeiros com portas de correr, espelhos, acabamentos ripados e combinações de tons amadeirados com cores neutras continuam ganhando bastante destaque. Além da estética, o consumidor também valoriza muito a organização interna, com boas divisões, gavetas, prateleiras e espaços bem planejados”, conta. Ramon Rigoni, diretor da Rimo, acredita que as pessoas estão buscando produtos que estejam em linha com as novidades e tendências do mercado quando se trata de cores, formas, materiais e texturas. “Além disso outro conceito que me chama a atenção é o do custo do móvel ao longo do tempo, sob

28 moveisdevalor.com.br veis para dormitórios neste ano de 2026, um ano em que tivemos Copa do Mundo e eleições, dois eventos que costumam influenciar o comportamento de compra dos brasileiros. “É um mercado competitivo e sensível ao crédito, como todo bem durável. O consumidor pesquisa mais, compara e cobra durabilidade pelo que paga. Nesse cenário, quem entrega só preço perde espaço. O que tem respondido melhor são produtos com valor percebido maior: matéria-prima de qualidade, ferragens melhores e design atual”, adianta Humberto Bucci, da Zanzini. A competitividade também é apontada por Carolina Merci Pizza, da Madetec. “Existe muita oferta, principalmente no online. O cliente compara bastante e escolhe quem entrega um produto bonito, resistente e que cabe no bolso. Nosso foco é justamente esse equilíbrio: unir qualidade, bom design e um preço acessível”, assinala, lembrando que a Madetec quer sempre que cada recurso funcional seja também um motivo para a escolha do móvel. Apesar da competitividade, Clara Antunes, da Mambel, enxerga várias oportunidades. “O consumidor está mais informado e criterioso, comparando não apenas preço, mas também qualidade, design, funcionalidade e acabamento. Para a indústria, isso aumenta a responsabilidade de desenvolver produtos que tenham um bom equilíbrio entre custo, qualidade e diferenciais”, afirma. A gerente comercial conta que a empresa trabalha muito para que seus produtos tenham identidade própria, desde a escolha dos materiais e acabamentos até os detalhes construtivos, para que eles se destaquem no mercado. Pensamento muito parecido com André Santos, da Santos Andirá. “O consumidor está mais atento, pesquisa mais e busca uma boa relação entre preço, qualidade, design e funcionalidade. Para a indústria, isso aumenta o desafio de entender esse consumidor e desenvolver produtos que realmente façam sentido para o dia a dia”, opina, acrescentando que a empresa tem uma história muito forte no segmento de dormitórios e que é preciso continuar inovando e acompanhando as mudanças de comportamento. Esse aspecto também foi percebido por Flavio Fabiano Rodrigues, da J&A. “Existe também ESPECIAL Fernando Bernardeli, gerente comercial da Robel André Santos, diretor da Santos Andirá Carolina Merci Pizza, designer de produtos da Madetec duas óticas. A primeira que um o produto de maior durabilidade produz impacto menor ao meio ambiente ao longo do tempo, que também é uma preocupação do consumidor, e segundo pelo motivo financeiro, pois da mesma forma essa vida útil mais longa reduz o custo por dia, mês ou ano ao consumidor”, afirma. Dentre essas tendências está o uso de LEDs, como lembra Guilherme Tibiriçá, que atua no marketing e design da Leifer Móveis. “Hoje isso está em evidência nos roupeiros, combinando as luzes com as portas em vidro reflecta, além do ripado e de cores como o cinamomo. Esse mesmo ripado também aparece nas cabeceiras para colchões que compõem o ambiente”, destaca, explicando ainda que o quarto é visto como um ambiente acolhedor e a relação dos móveis deve ser mais harmônica, por isso o uso de luzes quentes e tons amadeirados. OS DESAFIOS DO MERCADO Com o final do ano se aproximando, resolvemos questionar os fabricantes a respeito do mercado de mó-

29 moveisdevalor.com.br uma valorização crescente de produtos versáteis, que aproveitem melhor os espaços e acompanhem diferentes estilos de decoração. Para a indústria, isso exige inovação constante e atenção às novas necessidades do consumidor”, completa, destacando que a empresa busca desenvolver produtos com diferentes opções de acabamentos e soluções internas que facilitem a organização e atendam às necessidades reais dos consumidores. Fernando Bernardeli, da Robel, acredita que esse mercado exige versatilidade. “Os espaços, as necessidades e os perfis dos consumidores são muito diferentes, o que aumenta a procura por soluções que ofereçam possibilidades de escolha e melhor aproveitamento do ambiente. Nesse cenário, os dormitórios modulados ganham força justamente por permitirem configurações mais personalizadas, sem abrir mão de design, qualidade e funcionalidade”, opina. Já Ramon Rigoni, da Rimo, diz que o mercado se mantém neutro, com algumas linhas crescendo mais que outras. “O primeiro semestre foi mais forte, mas acredito que com copa, juros altos, eleições e a insegurança que ela gera no futuro tivemos um segundo semestre mais fraco, porém nossa equipe continua firme em campo buscando atingir as metas que estabelecemos para esse ano em todas nossas linhas de produtos”, esclarece. Para Eduardo Nuncio, da Carraro, falar sobre o mercado de móveis para quarto não é tão simples em 2026. “Creio que ele está pautado pela busca de eficiência operacional e inteligência de espaço, tudo isso devido à compactação dos imóveis e ao cenário econômico complexo, que exige rentabilidade para que a empresa permaneça sustentável no mercado”, explica, contando que a Carraro busca se destacar combinando a sofisticação no design com o uso inteligente das matérias-primas para buscar competitividade. “Obviamente, O mercado precisa de produtos que se destaquem diante de tanta competição Ramon Rigoni, diretor da Rimo Guilherme Tibiriçá, responsável pelo marketing e design da Leifer Móveis tudo isso contando com soluções ergonômicas adequadas, engenharia de embalagem inteligente que otimizam custos e frete, simplificação da montagem, exposição adequada no ponto de venda etc.”. Guilherme Tibiriçá, da Leifer, é mais otimista quanto ao mercado e acredita que ele está em fase de expansão. “Estamos vivendo uma transformação profunda, impulsionada por mudanças no estilo de vida, na moradia e nos valores do consumidor. Exatamente por esse motivo que entendemos que as portas reflecta slow interferem nessa experiência, porque elas evitam impactos, riscos e barulhos em um ambiente de descanso”, afirma.

30 moveisdevalor.com.br Confira a seleção de produtos de sucesso nos quartos A Móveis de Valor separou uma seleção de móveis que são boas soluções para os quartos brasileiros, já que eles unem funcionalidade, design e atendem bem ao que procuram os consumidores ESPECIAL GUARDA-ROUPA DALÍ – MADETEC Com certeza o grande diferencial deste modelo da paranaense Madetec é a escada retrátil para acessar os compartimentos superiores do guarda-roupa. O Dalí possui também portas de correr com amortecimento, cabideiros extensíveis em alumínio, oito gavetas com corrediças telescópicas e ripado angular com moldura envoltória de 25 mm. São 278 cm de largura com muito espaço e um design exclusivo. ROUPEIRO TORONTO ULTRA – CARRARO A Carraro apresenta o roupeiro Toronto Ultra, modelo feito 100% em MDF, com pintura externa UV de alta resistência, garantindo excelente acabamento. Possui detalhes frontais com rebaixos usinados, portas com vidro reflecta e puxadores metálicos e em MDF, internamente tem divisão “Ele Ela”, gavetas com corrediças telescópicas, cabideiros em alumínio e dobradiças com amortecimento. Oferece opção de iluminação LED. GUARDA-ROUPA RAVI NEW – MAMBEL O guarda-roupa Ravi New, da gaúcha Mambel, combina amplo espaço interno e praticidade. Com portas deslizantes e estrutura 100% em MDF, o modelo conta com corrediças telescópicas, cabideiros em alumínio, dobradiças com amortecimento e iluminação em LED inclusa. Suas medidas são 230 cm de altura, 200 cm de largura e 55,8 cm de profundidade.

31 moveisdevalor.com.br ROUPEIRO SÃO CARLOS E PAINEL MILANO – LEIFER O roupeiro São Carlos, da Leifer, é produzido 100% em MDF e conta com kit de iluminação em LED, seis gavetas internas, torre com prateleiras e cabideiros em alumínio. As portas com acabamento reflecta bronze complementam o visual do móvel. Já o painel para casal Milano tem acabamento ripado e acompanha mesas de cabeceira, sendo produzido 100% em MDF e indicado para colchões de até 1,58 m de largura. LINHA DE PLANEJADOS – RIMO A linha de planejados Rimo integra dormitório e escritório em um ambiente que combina conforto, funcionalidade e design. A composição reúne padrões amadeirados Nogueira Caiapó e Castanha de Caju. Tem guarda-roupa, bancada de trabalho integrada, nichos decorativos, soluções de armazenamento e iluminação. Com diferentes padrões, cores e acabamentos, permite criar ambientes personalizados, aproveitando os espaços. GUARDA-ROUPA ZURI – SANTOS ANDIRÁ Com 8 portas e divisão "Ele e Ela", combina design moderno e amplo espaço interno. O modelo conta com divisórias que separam os espaços para cada usuário, além de prateleiras, maleiro, seis gavetas com corrediças telescópicas e dois cabideiros em alumínio. Os puxadores em MDF revestido nas portas e os modelos pontuais em ABS nas gavetas complementam o visual do móvel.

32 moveisdevalor.com.br LINHA BLOOM – ROBEL A Linha Bloom, da Robel, combina design, funcionalidade e personalização para criar dormitórios adaptados a diferentes espaços e necessidades. Com módulos de várias medidas, permite personalizar a parte interna do roupeiro com gavetas, sapateiras, colmeias e prateleiras. Oferece opções de portas com espelho ou vidro Reflecta, puxadores de alumínio e dobradiças com sistema slow motion. A variedade permite criar ambientes mais organizados e funcionais. ROUPEIRO VISION GLASS – ZANZINI Na cor Cinamomo, traz o conceito de closet, com seis portas reflecta que deixam o interior à mostra, e iluminação LED bivolt com controle remoto nas três repartições internas. Produzido 100% em MDF, conta com cinco gavetas usinadas, corrediças telescópicas, uma gaveta com divisórias e chave, além de cabideiros e suportes metálicos. As portas possuem puxadores de alumínio e dobradiças com pistão. ROUPEIRO EROS – J&A MÓVEIS Produzido 100% em MDF, o roupeiro Eros, da J&A Móveis, reúne sofisticação, funcionalidade e design contemporâneo. Com seis portas e amplo espaço interno, oferece soluções práticas para organizar roupas e objetos pessoais, facilitando a rotina. Seu acabamento moderno valoriza a composição do ambiente, tornando o móvel uma opção para dormitórios que buscam aliar estética, conforto e organização. ESPECIAL

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34 moveisdevalor.com.br Panan é sucesso nos quartos dos brasileiros há 35 anos Em 2026, a Panan Móveis comemora os seus 35 anos de muito trabalho e consolidação de sua trajetória como uma das maiores fabricantes de guarda-roupas do Brasil. A empresa, fundada em 1991 em Linhares (ES), por Paulo Joaquim do Nascimento e Plínio Pandolfi, na época contava com apenas quatro colaboradores e produzia 20 roupeiros por mês. Hoje a história é diferente, a empresa tem a produção mensal de 20 mil roupeiros, conta com 450 funcionários e leva seus guarda-roupas para todo o Brasil. Lá no começo de sua história, a Panan vendia roupeiros montados para compradores do Espírito Santo e Minas Gerais, uma produção bem mais artesanal, utilizando a macanaíba (ou madeira de sucupira) como matéria-prima. “Era tudo muito regional e fomos evoluindo passo a passo, aumentando a produção conforme íamos crescendo”, recorda-se Paulo Joaquim do Nascimento, conhecido por Paulinho, atual presidente da empresa. A evolução aumentou em 1997 quando a produção já alcançava uma média de mil guarda-roupas por mês. “Nessa época já contávamos com linha de impressão. O investimento em maquinários foi aprimorando ainda mais o processo produtivo, e em 1998 já vendíamos guarda-roupas desmontados, em mogno e marfim, para todo o Brasil, quando a empresa deixou de ser apenas regional”, conta. Paulinho aprofunda um pouco mais sua lembrança ao contar o motivo pelo qual a Panan se Especializada na fabricação de guarda-roupas, a empresa chega ao 35º aniversário com uma trajetória construída sobre investimentos, expansão industrial, superação de desafios e capacidade de se reinventar em um mercado cada vez mais competitivo CAPA Por Natalia Concentino, jornalista

35 moveisdevalor.com.br especializou nesse tipo de móvel. “Sempre trabalhamos com móveis de quarto, desde o primeiro dia até hoje. Como a nossa empresa tinha um espaço físico pequeno, a gente tinha que ser especialista em um produto, então optamos por guarda-roupas, já que eles possuem linhas retas e a gente não tinha maquinário para fazer curvados, ou móveis arredondados”. DESAFIOS SUPERADOS COM SUCESSO Ao longo de 35 anos, a trajetória da Panan foi marcada por desafios que acompanharam o próprio crescimento da empresa. Da necessidade de ampliar a estrutura industrial às sucessivas crises econômicas enfrentadas pelo país, cada etapa exigiu planejamento e capacidade de superação. “Nós queríamos fazer a modernização do nosso parque fabril há anos, mas tivemos de lidar com algumas situações antes disso. O bom é que sempre superamos todas elas com muito trabalho, dedicação e perseverança”, afirma Paulinho. Um dos projetos mais importantes dessa trajetória começou a ser planejado em 2011, mas só recentemente pôde ser concluído. Segundo o empresário, a capacidade produtiva havia chegado ao limite, mesmo com a operação em dois turnos. “Nós estávamos com a produção estagnada há quatro ou cinco anos. Trabalhávamos em dois turnos e não tínhamos como produzir mais”, lembra. A expansão havia sido executada apenas parcialmente, devido a dificuldades financeiras. A partir de 2021, porém, a empresa decidiu retomar o projeto e investir na construção da nova fábrica, elevando sua estrutura industrial a 35 mil m². Para Paulinho, o crescimento é resultado de uma combinação de fatores que ajudaram a consolidar a marca no mercado. Entre eles, destaca o respeito ao cliente, a qualidade dos produtos, o posicionamento da Panan e a atenção ao design. Também considera fundamentais a agilidade nas entregas e a eficiência do pós-venda, atributos que, segundo ele, sustentam a confiança conquistada ao longo dos anos. Gustavo e Izabela posam com o pai Paulo Joaquim do Nascimento, o Paulinho FUTURO DA EMPRESA Se a ampliação industrial representa uma nova etapa na história da Panan, outra transformação igualmente importante já está em andamento: a sucessão familiar. Paulinho prepara os filhos, Gustavo e Izabela, para assumirem gradualmente a condução dos negócios, garantindo a continuidade da empresa construída ao longo de três décadas e meia. O processo começou com a entrada dos dois na empresa e foi acompanhado por um especialista, que auxiliou na definição das responsabilidades, da hierarquia e dos acordos societários. Hoje, Gustavo responde pelas áreas comercial,

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