Móveis de Valor - Edição 261

8 moveisdevalor.com.br Por Ari Bruno Lorandi, CEO da Móveis de Valor O que está acontecendo com o varejo de móveis brasileiro merece muito mais atenção do que vem recebendo. Vejam três exemplos recentes. A Casas Bahia reduziu seus estoques em 40,5% entre abril e agosto e registrou uma diminuição de mais de 4.600 pessoas no quadro de funcionários em menos de um mês. A Sidlar, rede com 15 lojas em São Paulo, pediu recuperação judicial com dívidas de R$ 55,7 milhões. E a Kitchens, marca de móveis planejados de alto padrão, enfrenta dificuldades financeiras, fechamento de showroom e atrasos na entrega de produtos. Três empresas, três realidades diferentes, três públicos distintos. Mas um problema que atravessa todo o varejo: vender está cada vez mais difícil, enquanto manter as portas abertas custa cada vez mais caro. Juros elevados encarecem o crédito, comprometem o capital de giro e afastam consumidores. A insegurança econômica adia decisões de compra, principalmente de produtos de maior valor, como móveis e colchões. E as empresas ficam espremidas entre despesas que não param de crescer e um mercado que não consegue reagir. Nem durante a pandemia, quando as lojas foram obrigadas a fechar, vimos exatamente uma situação como esta. Naquela época, havia uma emergência sanitária. Agora, estamos VAREJISTAS DE MÓVEIS ESTÃO PAGANDO UMA CONTA QUE ELES NÃO CRIARAM diante de um problema econômico que se prolonga e compromete a capacidade de recuperação das empresas. É claro que cada negócio tem seus próprios problemas de gestão, endividamento e estratégia. Mas seria um erro tratar tantos sinais de dificuldade como acontecimentos isolados. O Brasil precisa enfrentar o custo do crédito, recuperar a confiança e criar condições para que o consumo e o investimento voltem a crescer. Porque, se nada mudar, outras empresas poderão seguir o mesmo caminho. E quando uma loja de móveis fecha, o prejuízo não fica apenas com o comerciante. Atinge fabricantes, fornecedores, trabalhadores e toda uma cadeia produtiva. O alerta está dado. Não adianta esperar que o mercado se recupere sozinho enquanto as condições para sua recuperação continuam tão desfavoráveis. Ou mudamos o Brasil ou muitos irão mudar do Brasil.

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