MV Norte & Nordeste

47 No fim de 2025, o Brasil registrava 81,2 milhões de inadimplentes - alta de 10% sobre o ano anterior, segundo a Serasa. Para Thiago Carvalho, assessor econômico da Fecomércio SP, o cenário afeta diretamente bens duráveis. “Móveis e colchões são compras parceladas, que comprometem renda por vários meses. Em ano eleitoral, o consumidor tende a adotar postura mais cautelosa e aguardar definições sobre a política econômica”, analisa. As vendas de móveis e decoração no estado de São Paulo cresceram 3,2% no acumulado de 12 meses até setembro de 2025, mas o segundo semestre já indicava retração: queda de 1,7% em julho, 7,2% em agosto e 10,8% em setembro. O desempenho anual do varejo paulista deve fechar 2025 com alta de 5%, sustentada principalmente pelo primeiro semestre. O crédito mais caro e a base elevada de comparação pesaram na desaceleração da segunda metade do ano. MARGENS PRESSIONADAS Para Vitor Agostini, presidente da Movergs, o impacto varia conforme o perfil de cada empresa. “Muitos empresários reduzem margens no primeiro momento para manter preços competitivos. Nem todos conseguem repassar aumentos de matéria-prima e impostos”, afirma. Ele lembra ainda que 2026 marca o início da transição da reforma tributária, o que exigirá atenção redobrada para evitar transtornos fiscais. No Espírito Santo, o presidente do Sindimol-ES, Vitor Guidini, é direto: “É possível esperar redução das margens no curto e médio prazo. Custos operacionais e financeiros avançam mais rápido que a capacidade de repasse.” Consumidor adota postura mais cautelosa na compra de bens de maior valor Vitor Guidini, presidente do Sindimol-ES Vitor Agostini, presidente da Movergs Crédito: Carlos Ferrari Segundo ele, empresas com maior controle de custos, produtividade e posicionamento claro tendem a atravessar o período com maior solidez. GESTÃO SERÁ DETERMINANTE Em ambiente de juros elevados, a gestão de estoques ganha centralidade. “Estoque parado é dinheiro parado”, alerta Thiago Carvalho. Ele recomenda cautela também em investimentos e contratações, diante do risco de desaceleração mais intensa. Apesar das incertezas, o histórico recente mostra que o mercado costuma errar projeções de crescimento. Nos últimos anos, o PIB superou sistematicamente as estimativas iniciais. Ainda assim, 2026 se desenha como um período de decisões estratégicas delicadas. Planejamento financeiro, eficiência operacional e disciplina na preservação de margens deixarão de ser diferenciais e passarão a ser condição de sobrevivência.

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