MV Norte & Nordeste

PROJETO Iniciativa impulsiona competitividade moveleira COMÉRCIO Nordeste pode voltar ao consumo no 2º semestre COLCHÕES Plumatex avança com a chegada da Millbrook ABICOL Varejo precisa repensar venda de colchões Norte & Nordeste Edição 46 | Abril • Maio • Junho de 2026 Seis eventos impulsionaram o mercado da região no 1º semestre e a agenda seguirá aquecida até o final do ano RITMO INTENSO DE FEIRAS NO NORTE E NORDESTE moveisdevalor.com.br @moveisdevalor

4 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE Redação e Administração Rua Dep. Estefano Mikilita, 125 3º andar Portão • Curitiba • PR • Brasil • CEP 81070-430 (41) 99912-9877 moveisdevalor.com.br Diretores Ari Bruno Lorandi aribruno@moveisdevalor.com.br Inalva Corsi inalvacorsi@moveisdevalor.com.br Administração e Finanças Juliana Pinheiro financeiro@moveisdevalor.com.br Redação Inalva Corsi | 3035 PR Jornalista Responsável redacao@moveisdevalor.com.br Natalia Concentino | 10431 PR natalia@moveisdevalor.com.br João Caetano Guimarães caetano@moveisdevalor.com.br Executiva Comercial | Sul Inalva Corsi (41) 99912-9877 | 99991-2974 inalvacorsi@moveisdevalor.com.br Executiva Comercial | Sudeste e Nordeste Cidinha Leal (17) 98114-3666 cidinha@moveisdevalor.com.br Diagramação e Direção de Arte Bruna Rosário arte@moveisdevalor.com.br Assinaturas e Circulação (41) 99912-9877 assina@moveisdevalor.com.br Apoiam esta publicação Sindmóveis/PE • Sindicato das Indústrias de Móveis de Pernambuco Presidente: Guilherme Brito (81) 3338-1370 Sindimir • Sindicato das Indústrias de Madeira de Imperatriz e Região Presidente: Manoel Messias Nunes Sarmento (99) 3524-8624 Sindmóveis/CE • Sindicato das Indústrias do Mobiliário no Estado do Ceará Presidente: Osterno Junior (85) 3261-9769 EXPEDIENTE A revista Móveis de Valor Norte & Nordeste é uma publicação trimestral de responsabilidade do Intelligence Group e que conta com o apoio dos sindicatos e entidades de classe do Norte e Nordeste. Tem como objetivo a divulgação e promoção exclusiva da indústria e do varejo de móveis destas regiões. Norte & Nordeste @moveisdevalor Acompanhe a Móveis de Valor também em nossas redes sociais Acesse a versão digital da revista O primeiro semestre de 2026 tem sido desafiador para o varejo brasileiro e, de forma ainda mais intensa, para o Nordeste, onde a retração nas vendas superou a média nacional e exigiu cautela redobrada por parte dos lojistas. Ainda assim, o cenário não é de desalento. Pelo contrário. Há sinais consistentes de que o segundo semestre pode marcar uma virada importante, recolocando o Nordeste no centro da dinâmica de consumo do país. Historicamente mais forte para o varejo, a segunda metade do ano reúne uma combinação de fatores que tende a impulsionar a demanda. No caso nordestino, esse movimento ganha força adicional com o calendário de eventos e estímulos econômicos. As tradicionais festas de São João, a movimentação gerada pela Copa do Mundo, o ambiente eleitoral e iniciativas como o Desenrola 2.0, que deve reinserir milhões de consumidores no mercado, formam um conjunto relevante de vetores positivos. São elementos que, juntos, ajudam a recompor o poder de compra e a confiança do consumidor. Outro ponto que merece destaque é o papel das feiras e eventos regionais. Somente no primeiro semestre, seis encontros já movimentaram o setor na região, promovendo negócios, lançamentos e conexões estratégicas. E a agenda segue ativa, com pelo menos mais dois eventos previstos até o final do ano, sendo um no Norte e outro no Nordeste. Mais do que vitrines, essas feiras se consolidam como plataformas fundamentais de relacionamento, aproximando fabricantes de diferentes partes do Brasil dos lojistas locais e estimulando o desenvolvimento do mercado regional. PALAVRA DA EDITORA Entre os pontos de atenção, está a desaceleração da indústria nacional, que pode, em um cenário mais adverso, pressionar o abastecimento. No entanto, a indústria nordestina dá sinais claros de resiliência e confiança. Empresas como a Móveis São Carlos e a Magno Móveis, destacadas nesta edição, seguem investindo em tecnologia, ampliação de capacidade produtiva e novos produtos. Um indicativo de que, ao menos do ponto de vista da oferta, o setor se prepara para responder à retomada da demanda. Esta edição também traz outros conteúdos que reforçam a riqueza e o potencial da região. O design do Norte e Nordeste, que ganhou destaque no Salão do Móvel de Milão, evidencia a força da identidade regional aplicada ao mobiliário. Já o case do Super Rei dos Colchões, de Aracaju, mostra como gestão, posicionamento e conhecimento do mercado local podem transformar uma operação em referência. Em um momento de transição, informação, conexão e visão estratégica fazem toda a diferença. E é exatamente isso que buscamos entregar nesta edição. Publisher

5 12 Norte e Nordeste em ritmo intenso de feiras e eventos Indústria desacelera e ameaça abastecimento do varejo 26 NE pode voltar ao centro do consumo no 2º semestre 20 Plumatex avança ao sono premium com a marca Millbrook 50 SUMÁRIO 06 CÁ ENTRE NÓS 08 NOTAS 12 NORTE E NORDESTE EM RITMO INTENSO DE FEIRAS E EVENTOS 18 SALÃO DE MARCO CONSOLIDA PROTAGONISMO DO POLO CEARENSE 20 NE PODE VOLTAR AO CENTRO DO CONSUMO NO 2º SEMESTRE 26 INDÚSTRIA DESACELERA E AMEAÇA ABASTECIMENTO DO VAREJO 30 MAGNO MÓVEIS FORTALECE LIDERANÇA REGIONAL E AMPLIA HORIZONTES 34 NOVA FÁBRICA MARCA OS 40 ANOS DA MÓVEIS SÃO CARLOS 38 GERAÇÃO ALPHA RECONFIGURA O CONSUMO DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS 42 SUPER REI DOS COLCHÕES MANTÉM A LIDERANÇA COM ÉTICA 46 PROJETO IMPULSIONA COMPETITIVIDADE NA PARAÍBA E AMAPÁ 48 O DESIGN DO NORTE E NORDESTE BRILHA EM MILÃO 50 PLUMATEX AVANÇA AO SONO PREMIUM COM A MARCA MILLBROOK 52 ENTREVISTA COM PRESIDENTE DA ABICOL: LUCIANO RADUAN DIAS 56 CHINA PODE REDESENHAR O MERCADO GLOBAL DE MÓVEIS

6 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE ARI BRUNO LORANDI CÁ ENTRE NÓS O Desenrola 2.0 tende a gerar impacto proporcionalmente maior no Nordeste porque a região concentra alguns dos maiores índices de endividamento e inadimplência do país, além de uma renda média inferior à observada no Sul e Sudeste. Com menos acesso ao crédito formal, a renegociação das dívidas devolve capacidade de consumo a milhões de famílias que estavam excluídas do mercado. O efeito é potencializado pelo peso do consumo na economia regional, beneficiando especialmente comércio, móveis, eletrodomésticos e serviços. Na prática, cada CPF que recupera acesso ao crédito tem potencial de gerar um impulso econômico relativamente maior do que em regiões de renda mais elevada. O mercado de móveis tem menor frequência de compras e menor número de itens pesquisados, o que amplia o impacto de promoções, liquidações e reajustes pontuais. Além disso, cada capital apresenta uma estrutura de varejo distinta, com diferentes estratégias comerciais e níveis de concorrência. Isso explica por que Salvador acumula alta de 2,29% no mobiliário até abril, enquanto Fortaleza registra queda de 0,71% e Recife de 0,57%. A elevada volatilidade dos subitens — como móveis de sala, quarto e cozinha — reforça que os movimentos refletem mais decisões comerciais locais do que uma tendência uniforme de custos ou demanda na região. Temos 83,3 milhões de brasileiros com restrições de crédito, o que significa que cerca de metade da população economicamente ativa enfrenta algum grau de exclusão financeira. O impacto vai muito além das finanças pessoais: reduz o consumo, limita o acesso ao crédito e freia setores dependentes de parcelamento, como móveis. Com menos famílias aptas a financiar compras, a atividade econômica perde dinamismo e as empresas enfrentam maior dificuldade para expandir vendas. A inadimplência elevada funciona como um freio ao crescimento econômico, restringindo investimentos, arrecadação e geração de empregos. POR QUE O DESENROLA GERA MAIS IMPACTO NO NORDESTE? Produzir painéis de madeira continua sendo um dos melhores negócios da cadeia moveleira brasileira. Os resultados de Dexco e Eucatex mostram crescimento simultâneo de receita, lucro e demanda, impulsionados principalmente pelo mercado interno. O setor demonstra uma rara capacidade de repassar aumentos de custos sem comprometer a rentabilidade, preservando margens mesmo em cenários desafiadores. Com o consumo doméstico absorvendo volumes crescentes de MDF e MDP, os painéis consolidam sua posição como um dos segmentos mais sólidos e lucrativos da indústria nacional. QUAL O MELHOR NEGÓCIO NA CADEIA MOVELEIRA? POR QUE O PREÇO DE MÓVEIS VARIA TANTO NA MESMA REGIÃO? O QUE SIGNIFICA TER METADE DA POPULAÇÃO COM NOME SUJO?

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8 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE Os preços ao produtor da indústria têm avanço acumulado de 1,9% em 2026, superando o ritmo observado na fabricação de produtos de madeira. Enquanto o segmento madeireiro acumula apenas 0,8% no ano, os móveis apresentam maior capacidade de repasse de custos e captura de valor. Já em relação aos últimos 12 meses, os móveis acumulam alta de 5,3%, contrastando com a queda de 5,1% da madeira. O cenário sugere uma cadeia em que a matéria-prima permanece relativamente comportada, enquanto a indústria moveleira demonstra maior sustentação de preços. NOTAS SEMINÁRIO ORIENTA MARCENEIROS SOBRE REFORMA TRIBUTÁRIA EM ITABUNA FEIRA ARTE DA FLORESTA DESTACA A FORÇA MOVELEIRA NO ACRE PREÇOS NA INDÚSTRIA SOBEM 1,9% DE JANEIRO A ABRIL Marceneiros e empresários participaram, em Itabuna (BA), de um seminário sobre reforma tributária, direito do consumidor e tecnologia aplicada à gestão. O principal alerta foi o avanço do cruzamento de dados fiscais, que ampliará a fiscalização sobre empresas e pessoas físicas. Especialistas destacaram a necessidade de maior controle financeiro e formalização dos negócios diante das novas exigências. Cruzeiro do Sul (AC) sediou a 3ª edição da Feira Arte da Floresta do Polo Moveleiro, reunindo fabricantes, artesãos e empreendedores da região. O evento apresentou móveis e peças produzidas com madeira amazônica, valorizando a produção local. Além da vitrine comercial, a iniciativa busca fortalecer a cadeia moveleira, gerar renda e ampliar oportunidades de negócios no interior da Amazônia. O varejo brasileiro recuou 3% em abril na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo o ICVA. Entre os segmentos mais afetados estão móveis, eletrodomésticos e departamentos, inseridos no grupo de bens duráveis e semiduráveis, que caiu 4,9%. O resultado reforça a postura mais cautelosa do consumidor diante do cenário econômico. MÓVEIS E ELETROS REGISTRAM PIOR DESEMPENHO EM MAIS DE UM ANO

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10 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE Um incêndio atingiu uma unidade da Bonno Colchões, em Guaiúba (CE), no fim de abril. As chamas se espalharam rapidamente devido à presença de materiais inflamáveis, provocando danos significativos ao galpão. Apesar dos prejuízos materiais, ninguém ficou ferido. As causas do incidente ainda serão investigadas pelas autoridades. Em meio ao processo de recuperação judicial do Grupo Toky, controlador da Tok&Stok e da Mobly, a varejista intensificou o fechamento de unidades pelo país. Paralelamente, ampliou campanhas promocionais com descontos de até 70%. A companhia enfrenta uma dívida próxima de R$ 1,1 bilhão e busca reorganizar suas operações. A Intenção de Consumo das Famílias avançou 1,2% em abril, alcançando o sexto mês consecutivo de crescimento. O destaque foi o indicador "Momento para Compra de Duráveis", que subiu 2,5% no mês e quase 19% em relação ao ano anterior. O movimento sinaliza melhora gradual da confiança do consumidor e favorece segmentos como móveis e colchões. O Gecex aprovou direitos antidumping sobre importações chinesas de fios e malhas de poliéster, mas suspendeu imediatamente sua aplicação por razões de interesse público. A decisão foi acompanhada pela abertura de avaliações específicas sobre os impactos da medida. O tema mobiliza fabricantes, importadores e setores consumidores das matérias-primas. TOK&STOK ACELERA FECHAMENTO DE LOJAS E AMPLIA LIQUIDAÇÕES PESQUISA REFORÇA EXPECTATIVA DE ALTA NAS VENDAS DE MÓVEIS GECEX APROVA ANTIDUMPING, MAS SUSPENDE COBRANÇA INCÊNDIO EM FÁBRICA DE COLCHÕES DE GUAIÚBA CAUSA PREJUÍZOS

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12 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE NORTE E NORDESTE EM RITMO INTENSO DE FEIRAS E EVENTOS a Expomóvel Nordeste consolidou mais uma vez sua relevância como uma das principais plataformas de negócios do setor de móveis e eletros no Norte e Nordeste. Promovida pela Expomóvel Eventos Corporativos, a feira reuniu fabricantes, lojistas, representantes comerciais e empresários de diversas regiões brasileiras. Segundo a organização, a edição deste ano superou as expectativas em público e geração de negócios, reforçando o crescimento consistente da feira ao longo dos últimos anos. Somando mais de 3.000 produtos em exposição e mais de 70 fabricantes, a feira apresentou ao mercado um amplo mix, incluindo móveis, eletros, decoração e utilidades. Além de expositores tradicionais, o evento contou com novas marcas que mosSeis eventos já impulsionaram o mercado no Nordeste no primeiro semestre, e a agenda segue aquecida, com pelo menos mais dois até o fim do ano, sendo um no Norte e outro no Nordeste Salão do Móvel Paraíba, em Campina Grande; ExpoAju, em Aracaju (com cobertura na edição 45 da Móveis de Valor Norte e Nordeste); Expomóvel Nordeste, em Caruaru; Femope, em Recife; Expomóvel São Luís, na capital maranhense; e Expomóvel Ceará, em Fortaleza, marcaram o calendário de feiras neste início de ano. Somados, os eventos reuniram, segundo os organizadores, mais de 50 mil visitantes e movimentaram um volume de negócios superior a R$ 500 milhões. Ainda que seja necessário relativizar os números, considerando possíveis sobreposições de público e projeções mais otimistas, é inegável o papel dessas feiras na dinamização do mercado, estimulando vendas e fortalecendo a relação entre indústria e varejo. Embora os dados indiquem que o varejo nordestino tenha registrado retração acima da média nacional nos primeiros meses do ano (veja matéria na página 18), as perspectivas para o segundo semestre são mais positivas. Nesse cenário, os pedidos realizados durante as feiras e as negociações iniciadas nos eventos tendem a se consolidar, reforçando o ciclo de retomada do setor. EXPOMÓVEL NORDESTE Realizada entre os dias 25 e 27 de fevereiro, no Polo Caruaru (PE), Com colaboração de João Caetano Guimarães, jornalista

13 traram lançamentos exclusivos e tendências voltadas especialmente ao varejo regional. Segundo Hélio Charles, diretor da Expomóvel Eventos Corporativos, muitos expositores relataram resultados acima do esperado, com fechamento de pedidos importantes para o primeiro semestre e prospecção de novos clientes para os próximos meses. O ambiente estruturado e favorável para negócios foi apontado como um dos diferenciais da edição. Além da geração de negócios imediatos, o evento desempenha papel estratégico para o varejo regional, funcionando como um termômetro do mercado e auxiliando lojistas no planejamento comercial para datas importantes do calendário, como Dia das Mães, Copa do Mundo e festas juninas. Além de contribuir diretamente para o fortalecimento da economia regional e da cadeia produtiva moveleira no Nordeste. FEMOPE De 05 e 07 de março, aconteceu em Recife, a segunda edição da Femope, que contou com 78 expositores, número maior que no ano passado, o que também contribuiu para o aumento no número de visitantes. Na avaliação dos organizadores, esta edição marca o sucesso da volta da Femope e a consolidação do evento na capital pernambucana. Aproximadamente 3 mil visitantes, entre lojistas, representantes comerciais e profissionais do setor, circularam pelo Recife Expo Center durante os três dias e movimentaram cerca de R$ 95 milhões em negócios. “Recebemos compradores de diversas regiões do Brasil, reforçando o evento como um importante ponto de encontro para quem movimenta o mercado”, afirma Rayza Fernanda Bezerra da Silva, comercial Femope. Para Luiz Felipe Peixe Macedo, diretor do evento, o número de visitantes agradou os expositores, que reconheceram a movimentação de clientes nos estandes e a realização de negócios. “Muitos expositores destacaram a qualidade dos lojistas presentes e o alto volume de oportunidades geradas. Inclusive, diversas empresas relataram que superaram as metas comerciais previstas para a feira”, pontua. O lojista Gabriel Vaz, da Sonofácil, visitou a segunda edição da Femope e destacou a importância do evento. “Essa é uma feira espetacular, com muita variedade, oportunidades e também é um bom lugar para reencontrar os amigos e manter o contato”, destacou. Entre os expositores, Alexandre Magno, diretor da Magno Móveis, pontuou a evolução da feira, em relação à primeira edição. “Essa edição da Femope deu muito certo e quero agradecer a todos Expomóvel Nordeste Recife Expocenter, local da Femope que deve receber ampliações em 2027

14 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE EXPOMÓVEL SÃO LUÍS A Expomóvel São Luís, realizada entre os dias 8 e 10 de abril no Multicenter Sebrae, em São Luís (MA), encerrou mais uma edição com resultados extremamente positivos para o setor de móveis e eletros do Norte e Nordeste. O evento, que também é organizado pela Expomóvel Eventos Corporativos, representa uma importante vitrine de tendências, lançamentos e oportunidades de negócios para fabricantes, lojistas e representantes comerciais. Nesta edição, recebeu cerca de 60 expositores e compradores de diversas regiões do país, atraídos pelos mais de 2.000 produtos exibidos, incluindo lançamentos exclusivos, oportunidades comerciais e networking qualificado. Entre os destaques da feira estiveram a diversidade de segmentos apresentados, reunindo móveis, eletros, decoração e utilidades, além da presença de novas marcas expositoras e lançamentos voltados ao perfil do consumidor nordestino. De acordo com a organização, o retrospecto das edições anteriores já apontava crescimento consistente, mas, segundo os expositores, em 2026 os números foram superados especialmente no volume de negociações iniciadas e concretizadas durante o evento. EXPOMÓVEL CEARÁ A Expomóvel Ceará cumpre a nobre missão de reativar eventos moveleiros em Fortaleza que, apesar de contar com um excelente aparato de feiras, não vinha atraindo bom público. Realizada entre os dias 27 e 29 de maio, no Centro de Eventos do Ceará, a feira chegou à sua quinta edição reunindo indústria, lojistas, representantes comerciais, arquitetos, designers e profissionais ligados ao mercado de móveis, colchões e decoração. Durante os três dias de evento, mais de 60 marcas e 55 expositores apresentaram ao mercado mais de 2.000 produtos, com foco em inovação, design, funcionalidade e nas principais tendências que devem nortear o setor nos próximos meses. Os lançamentos contemplaram segmentos como estofados, móveis planejados, colchões, decoração, iluminação e soluções para ambientes residenciais e corporativos. Além da exposição de produtos, a feira funcionou como ambiente estratégico para networking, prospecção de clientes e fortalecimento de parcerias comerciais, segundo a organização. A edição de 2026 reforçou sua presença no calendário nacional do setor moveleiro, mostrando o avanço da indústria regional, que investe cada vez mais em tecnologia, acabamento, sustentabilidade e design competitivo. EVENTOS DO SEGUNDO SEMESTRE Para encerrar o calendário de 2026, a região Norte recebe a YES Móvel Show Pará, de 5 a 7 de agosto, no Hangar Centro de Convenções, de Belém (PA). Já o Nordeste recebe mais uma edição da tradicional Expomóvel Pernambuco, de 13 a 14 de agosto, em Caruaru (PE). os clientes que nos visitaram, esse tipo de contato tem dado bons resultados para ambas as partes”. Segundo os organizadores, a Femope volta a acontecer em 2027, entre os dias 3 e 5 de março, e tem como novidade a ampliação dos investimentos em hospedagem, estimulando ainda mais a vinda de compradores do varejo e de expositores de diferentes regiões do país. Felipe Macedo, diretor da Femope, ressalta que está prevista uma expansão da estrutura do Recife Expo Center ao longo de 2027, o que deve permitir que, a partir de 2028, a Femope amplie ainda mais seu espaço de exposição, fortalecendo o evento no cenário regional e nacional do setor moveleiro. Expomóvel São Luís Expomóvel Ceará

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16 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE Equipe da Colchões Castor no estande da marca durante a Femope Equipe da Ortolite durante a Femope Equipe da Softflex no estande da marca na Femope Ana Paula Manfrin, da Poliman, recebe Lenimarques Oliveira (Lojas Guanabara) Cidinha Leal com Antônio Morais, da Duoplastic Equipe da Avelan recebe os lojistas Luiz Gonçalves (Casas Gonçalves), José Alberto (Hiago Móveis), Bruno Falcão (Bruno Eletro), José Elson (Rede Pernambuco), Luiz Feliphi Lins (Casas Gonçalves) Equipe da Ortonobre Colchões DESTAQUES FEMOPE Equipe da Quero Colchão: Júlia Lima, Irone Soares, Valério Ribeiro e Franck Mauricio com Marcela Luiza (Tradição)

17 Antonio Morais, da Duoplastic com clientes Cidinha Leal com Guilherme Brito e Pedro José (Móveis São Carlos), Edileudo Alves (representante), e equipe da Zenir Móveis: Rejane Pastor, Karine Karan e João Neto Carmen e Alexandre Magno e o representante Leandro Bezerra recebem a lojista Fabiane Almeida (Baby Disney Móveis) Equipe da Magno Móveis no seu estande durante a Femope Rafael Correia, da Móveis Peroba, recebe as lojistas Andrea Simone e Grazi (Simone Móveis) Cidinha Leal com João Henrique (Fábrica de Móveis Vitor) e Ibiapino Bezerra (representante) Fátima Souza (representante) com os diretores da Sparta Móveis: Luiz Roberto e Lucilene Pereira Priscila Costa e Cidinha Leal, com os organizadores da Femope, Luiz Felipe Peixe Macedo e Rayza da Silva

18 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE SALÃO DE MARCO CONSOLIDA PROTAGONISMO DO POLO CEARENSE to das relações comerciais. O crescimento do Salão acompanha esse movimento. Para esta edição, a estrutura física foi ampliada em 50%, somando 4.700 metros quadrados, enquanto o número de empresários participantes ultrapassou 300. Na abertura, o presidente do Sindmóveis, Júnior Osterno, destacou o momento de expansão do setor e anunciou a criação do Museu do Polo Moveleiro de Marco e de um centro tecnológico, voltado ao desenvolvimento da indústria local. “O Museu do Polo Moveleiro de Marco, é um espaço para contar a nossa história e registrar a trajetória construída ao longo dos anos. O centro tecnológico para o setor Evento reuniu mais de 30 expositores, cerca de oito mil visitantes e expectativa é de movimentar mais de R$ 15 milhões em negócios O município de Marco (CE) consolidou a força de sua indústria moveleira no 7º Salão de Móveis de Marco, promovido de 26 a 29 de maio, no Centro de Eventos Rogério Aguiar. Organizado pelo Sindicato das Indústrias de Mobiliário do Estado do Ceará (Sindmóveis-CE) e Fabricantes Associados do Marco (Fama), o evento reuniu mais de 30 expositores, oito mil visitantes e expectativa de movimentar R$ 15 milhões em negócios. Reconhecido como um dos principais polos moveleiros do Nordeste, Marco vem ampliando sua presença no mercado nacional por meio de investimentos em design, inovação, qualidade industrial e fortalecimenDesign e inovação foram pontos relevantes observados no Salão

19 moveleiro, é algo imprescindível para que a gente continue evoluindo”, afirmou. O presidente da Fama, Leonardo Aguiar, ressaltou a evolução do evento e o simbolismo de a feira ter sido realizada nas antigas instalações da Móveis Osterno, reforçando a conexão entre a história do polo e seus planos de crescimento. Também presente na abertura, o prefeito de Marco, Rogério Neto, destacou os investimentos das empresas locais em qualidade, design e inovação, fatores que vêm contribuindo para ampliar a competitividade do setor. HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO Um dos momentos marcantes do evento foi o reconhecimento à trajetória do polo moveleiro e de seus pioneiros. Idealizador do Polo Moveleiro de Marco, Rogério Aguiar relembrou o início da atividade industrial no município e sua contribuição para o desenvolvimento econômico da região. A história do polo é frequentemente apontada como exemplo de desenvolvimento regional baseado na indústria. Ao longo das últimas décadas, empresas locais ampliaram sua capacidade produtiva, profissionalizaram suas operações e conquistaram espaço em diferentes mercados do país. TECNOLOGIA E COMPETITIVIDADE Parceiro do evento desde a primeira edição, o Sistema FIEC participou do Salão por meio de ações do SESI, SENAI e IEL Ceará, apresentando soluções voltadas à automação industrial, qualificação profissional e melhoria dos processos produtivos. Segundo Elson Mesquita, gerente da unidade SESI SENAI Sobral, a indústria moveleira atravessa uma importante fase de transformação tecnológica. No evento foi apresentada uma bancada 4.0 de automação para demonstrar possibilidades de modernização e aumento de produtividade nas fábricas. DESIGN E ALCANCE NACIONAL Além da geração de negócios, o Salão de Móveis de Marco promoveu o intercâmbio entre profissionais de diferentes regiões do país. O designer gaúcho Régis Padilha destacou o trabalho das empresas locais na construção de identidade de proCentro de Eventos Rogério Aguiar, local do Salão duto e fortalecimento de marca, e a arquiteta e lojista paraense Thayze Cortes elogiou a evolução do polo e a qualidade dos produtos apresentados. Com crescimento de estrutura, participação expressiva de empresários e expectativa de negócios, o 7º Salão de Móveis de Marco reforçou o protagonismo do polo cearense na indústria moveleira brasileira e evidenciou os investimentos em inovação, qualificação e desenvolvimento que vêm sustentando a expansão do setor. Bancada 4.0 de automação foi apresentada pelo SESI SENAI Sobral

20 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE NORDESTE PODE VOLTAR AO CENTRO DO CONSUMO NO 2º SEMESTRE mamente importante para setores ligados ao lar. Móveis, colchões e eletros estão entre as categorias mais beneficiadas historicamente por conta da ampliação da renda, crédito popular, programas de renegociação, formalização financeira e urbanização acelerada. Além disso, o Nordeste possui uma característica fundamental para o setor moveleiro: alta dependência de compra parcelada. E isso torna qualquer melhora no acesso ao crédito um potencial acelerador de demanda. O PESO DO DESENROLA 2.0 O avanço do Desenrola 2.0 pode se tornar um dos principais vetores indiretos para reativação do consumo no segundo semestre. O primeiro semestre de 2026 tem sido duro para o varejo brasileiro — e especialmente para o Nordeste. Segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), a região registrou a maior retração do país em abril, com queda real de 4,7% nas vendas. O resultado naturalmente acendeu o alerta em setores altamente dependentes de consumo financiado, como móveis, colchões e eletrodomésticos. Mas, olhando além da fotografia imediata, começam a surgir sinais importantes de que o segundo semestre pode ter uma dinâmica diferente - especialmente no Nordeste. E isso acontece por uma combinação rara de fatores, porém os mais relevantes são: retomada gradual do crédito, avanço do Desenrola 2.0, Por Ari Bruno Lorandi, CEO da Móveis de Valor melhora da bancarização, expansão do consumo regional, aumento histórico da demanda no segundo semestre e maior digitalização do varejo nordestino. A grande questão agora não é apenas se o Nordeste vai reagir. Mas quem estará preparado para capturar essa reação. NORDESTE CONTINUA SENDO UMA DAS REGIÕES MAIS ESTRATÉGICAS DO CONSUMO BRASILEIRO Mesmo em desaceleração, o Nordeste permanece como uma das regiões mais relevantes para expansão do varejo nacional. Existe uma razão estrutural para isso: o crescimento do consumo nordestino nas últimas duas décadas criou uma nova classe consumidora extre-

21 Embora o programa não seja voltado especificamente ao varejo de móveis, ele atua em um ponto decisivo: a recuperação da capacidade de crédito das famílias. Milhões de consumidores que estavam negativados voltam gradualmente ao sistema financeiro, recuperando o limite de cartão, acesso ao crediário, financiamento e capacidade de parcelamento. E o setor moveleiro conhece bem esse efeito. Historicamente, sempre que ocorre um programa que facilita a negociação por parte dos inadimplentes, acontece naturalmente a expansão do crédito popular, redução momentânea da inadimplência com a reorganização financeira das famílias. As categorias ligadas ao lar costumam responder relativamente rápido a esse quadro favorável. Especialmente em regiões onde o crediário ainda exerce papel central no varejo. O SEGUNDO SEMESTRE HISTORICAMENTE FAVORECE MÓVEIS Existe ainda um fator sazonal extremamente importante. O segundo semestre costuma concentrar o período mais forte para vendas de móveis e colchões no Brasil. Isso ocorre pela combinação da realização da Black Friday, chegada do Natal e das reformas de fim de ano, o recebimento do 13º salário o que estimula maior circulação de renda e a renovação da casa para as festas de fim de ano. No Nordeste, essa dinâmica costuma ganhar intensidade adicional em cidades médias e polos regionais de consumo. Além disso, o varejo regional vem ampliando operações promocionais e digitais, aumentando capacidade de conversão em períodos de maior demanda. O CONSUMIDOR MUDOU — E ISSO MUDA O JOGO Mas existe uma mudança importante: o consumidor nordestino de 2026 não é o mesmo de cinco anos atrás. Agora ele está mais conectado aos acontecimentos, portanto, mais sensível a preço, mais digital o que permite ser mais comparativo e menos impulsivo. O crescimento do e-commerce no ICVA mostra exatamente isso. Enquanto o varejo físico praticamente ficou estagnado, o digital avançou 6,5% nominalmente em abril. Isso cria uma nova lógica competitiva para móveis e colchões. Não basta mais apenas oferecer parcelamento. Será necessário combinar crédito inteligente, possibilidade de ver na loja e fechar na internet, velocidade de entrega, comunicação mais eficiente para que ele tenha percepção de valor. O VAREJO REGIONAL PODE GANHAR PROTAGONISMO Existe outro movimento relevante acontecendo silenciosamente: o fortalecimento do varejo regional nordestino. Enquanto grandes redes nacionais enfrentam pressão O "efeito Desenrola" pode agitar o comércio de móveis no segundo semestre operacional, muitas empresas regionais ganharam em agilidade, proximidade com o consumidor, em eficiência comercial e na capacidade de adaptação local. Em várias cidades do Nordeste, o consumidor ainda mantém forte vínculo com varejistas locais e redes regionais. Isso pode favorecer operações mais rápidas na captura da retomada de consumo. O MAIOR RISCO TALVEZ NÃO SEJA A DEMANDA Curiosamente, o maior risco para parte da indústria pode não ser a falta de consumo. Mas sim erro de leitura do mercado. Depois de meses de desaceleração, muitas empresas reduziram produção, estoques e agressividade comercial. Caso o crédito destrave mais rápido no segundo semestre, algumas operações do varejo podem enfrentar ruptura por escassez, atraso de entrega, perda de timing promocional e maior dificuldade de abastecimento regional. O histórico do setor mostra que retomadas ligadas ao crédito costumam acontecer de forma relativa-

22 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE Mais do que simplesmente esperar melhora do mercado, o desafio agora será identificar antecipadamente onde a retomada começará primeiro. E, historicamente, quando o crédito volta a circular no Brasil, o lar costuma estar entre os primeiros destinos do consumo. mente acelerada nas categorias de bens duráveis. CRÉDITO, RENDA E SAZONALIDADE: RADAR POSITIVO PARA MÓVEIS O Nordeste segue pressionado no curto prazo. Isso é fato. Mas os sinais econômicos e comportamentais indicam que o segundo semestre pode abrir uma janela importante de recuperação para móveis e colchões. Especialmente para empresas capazes de combinar crédito competitivo, operação regional eficiente, presença digital, ter um mix adequado, velocidade comercial e percepção de valor ao que disponibiliza ao cliente.

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24 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE ONDE ESTÁ O MAIOR POTENCIAL DE CONSUMO DE MÓVEIS crescimento do setor no segundo semestre pode não vir apenas das capitais, mas dessas cidades intermediárias que concentram expansão do consumo popular. O QUE ISSO SINALIZA PARA INDÚSTRIA E VAREJO O radar regional aponta uma possível combinação muito relevante para móveis e colchões no segundo semestre: consumidor ainda pressionado, mas voltando ao crédito; forte dependência de parcelamento; grande participação das classes populares; sazonalidade positiva do segundo semestre; crescimento do varejo digital e expansão das cidades médias. Isso pode favorecer operações com crediário competitivo, mix de móveis voltado à classe C, logística regional mais eficiente, comunicação popular mais assertiva e integração entre físico e digital. Os dados do Mapa de Mercado 2026 – pesquisa de consumo do Instituto Impulso – ajudam a explicar por que o Nordeste continua sendo estratégico para a indústria moveleira, mesmo em um cenário momentâneo de desaceleração do varejo. O levantamento mostra que a região concentra alguns dos maiores mercados consumidores de móveis e artigos do lar do país, especialmente em capitais e cidades médias com forte presença das classes C2 e D/E, justamente o público mais dependente de crédito, parcelamento e programas de reorganização financeira. O que chama atenção é que, em muitas cidades nordestinas, as classes de menor renda representam entre 40% e mais de 50% de todo o potencial de consumo de mobiliário. Isso significa que qualquer melhora no acesso ao crédito pode gerar impacto direto e relativamente rápido sobre as vendas do setor. Dados do IPC Maps mostram ainda um aspecto extremamente relevante: boa parte desse consumo está concentrada nas classes C2 e D/E, reforçando a forte dependência regional de crédito e parcelamento. ONDE CLASSES POPULARES TÊM MAIOR PESO Em algumas cidades, o consumo das faixas C2 e D/E já representa praticamente metade de todo o mercado de móveis e artigos do lar. Os destaques são: Vitória da Conquista (BA) 51,5%; Rio Branco (AC) 49,4%; Feira de Santana (BA) 49,2%; Jaboatão dos Guararapes (PE) 48,4% e Maceió (AL) 47,5%. Isso ajuda a explicar por que programas como o Desenrola 2.0 podem ter impacto desproporcionalmente positivo nessas regiões. Veja ao final o infográfico mostrando em números o que é o “Brasil de Cima” em relação ao potencial de consumo de móveis. O NOVO VETOR DO SETOR PODE VIR DAS CIDADES MÉDIAS Outro ponto importante do levantamento é o fortalecimento das cidades médias nordestinas. Municípios como: Feira de Santana (BA), Vitória da Conquista (BA), Caruaru (PE), Campina Grande (PB), Mossoró (RN) e Imperatriz (MA) passam a ganhar relevância estratégica por combinar expansão urbana, maior bancarização, crescimento do varejo regional, menor saturação competitiva e avanço logístico do e-commerce. Na prática, parte importante do

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26 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE INDÚSTRIA DESACELERA E AMEAÇA ABASTECIMENTO DO VAREJO na economia, especialmente via gastos públicos. Crédito facilitado — programas como o Desenrola 2 ampliam o acesso ao consumo. Esse conjunto cria uma assimetria: demanda tende a subir enquanto a produção ainda está contida. EFEITO INVISÍVEL: A CONTRAÇÃO DA INDÚSTRIA Nos últimos meses, a indústria vem reduzindo compras de matérias- -primas e insumos. E essa decisão não é arbitrária, ela responde a um ambiente global instável. A guerra no Oriente Médio adiciona três fatores críticos: pressão sobre custos logísticos; aumento de preços de derivados de petróleo (impactando espuma, químicos, transApós uma década resiliente, setor entra em 2026 pressionado por custos, incertezas e retração na produção Se há algo que define o setor moveleiro e colchoeiro brasileiro nos últimos dez anos é resiliência. Mesmo diante de crises econômicas, pandemia e oscilações de consumo, o setor apresentou desempenho negativo em apenas dois anos — seja em receita, volume ou ambos. Trata- -se de um histórico que reforça uma característica estrutural: a demanda por móveis e colchões não desaparece, ela apenas se desloca no tempo. Essa consistência, porém, pode estar criando um ponto cego. O ano passado foi um desses raros momentos de retração mais acenPor Ari Bruno Lorandi, CEO da Móveis de Valor tuada. E, ao contrário de ciclos anteriores, ele não foi seguido por uma recomposição imediata da produção industrial. Pelo contrário; 2026 começou com a indústria operando em modo defensivo. E é exatamente aí que nasce o risco. O ERRO CLÁSSICO DE LEITURA DE CICLO Historicamente, sempre que o setor desacelera, a reação natural da indústria é ajustar estoques, reduzir compras de insumos e operar com maior cautela. O problema é que 2026 não é um ano comum. Há três vetores simultâneos de estímulo à demanda: Copa do Mundo — tradicionalmente aquece consumo de bens duráveis e reformas domésticas. Eleições — aumento de liquidez

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28 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE porte); incerteza na cadeia global de suprimentos. Além disso, fretes seguem voláteis, os prazos internacionais estão menos confiáveis, e as indústrias evitam formar estoques elevados em ambiente de risco. Ou seja, a cadeia está sendo “enxugada” exatamente antes de um possível pico de demanda. O PONTO DE INFLEXÃO O comportamento típico do setor sugere que o varejo começa a sentir melhora entre julho e agosto. O pico de demanda se concentra entre setembro e novembro. Se a indústria não antecipar produção entre maio e julho, o sistema pode entrar em colapso operacional. E isso não significa falta total de produto,v mas ruptura seletiva: linhas específicas, colchões com maior valor agregado e móveis com maior dependência de insumos. O RISCO REAL: NÃO É CRISE, É FALTA É importante deixar claro que não estamos diante de um cenário de retração. Estamos diante de um possível descompasso entre oferta e demanda. E esse tipo de problema é mais difícil de gerenciar. Porque ele acontece quando o varejo quer vender, o consumidor quer comprar, mas a indústria não consegue entregar no timing necessário. O setor moveleiro brasileiro já demonstrou, ao longo da última década, que sabe reagir a crises. O desafio agora é outro. Não se trata de sobreviver à falta de demanda, mas de se preparar para um excesso dela. Se a indústria mantiver o freio acionado por muito tempo, o risco deixa de ser financeiro e passa a ser operacional. E, neste caso, quem não estiver pronto até o terceiro trimestre pode assistir ao mercado aquecido… do lado de fora. Quem comprar antes, vende depois Mas há um ponto capaz de reequilibrar essa equação, e ele está no varejo. Antecipar pedidos deixa de ser apenas uma decisão operacional e passa a ser uma estratégia de proteção de receita. Em um cenário de possível descompasso entre oferta e demanda, quem comprar antes não apenas garante abastecimento - garante competitividade. Mais do que reagir ao mercado, o varejo tem, neste momento, a oportunidade de ajudar a moldá-lo. Ao sinalizar demanda com antecedência, contribui para que a indústria ajuste sua produção, reduz riscos na cadeia e evita rupturas justamente no período mais importante do ano. No segundo semestre, não será apenas uma disputa por consumidor. Será, também, uma disputa por produto. E, dessa vez, quem se antecipar não vai apenas vender mais, vai conseguir vender. Antecipar compras deve ser a estratégia do varejo para vender no segundo semestre

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30 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE MAGNO MÓVEIS FORTALECE LIDERANÇA REGIONAL E AMPLIA HORIZONTES “Um dos nossos pilares de atuação em 2026 é reforçar ainda mais nossa presença no mercado por meio da participação nas principais feiras do setor moveleiro do Nordeste”, afirma Alexandre Magno Barros de Brito, diretor da Magno Móveis. Segundo ele, esses eventos são fundamentais para fortalecer conexões, consolidar parcerias e apresentar ao mercado as novas coleções e soluções desenvolvidas pela empresa. A agenda começou no Salão Móvel Paraíba, realizado entre os dias 21 e 23 de janeiro, em Campina Grande (PB). Em março, a empresa participou da Femope, em Recife (PE), de 5 a 7, e da Expomóvel Nordeste, em Caruaru Com mais de quatro décadas de atuação, fabricante pernambucana acelera expansão comercial, investe em novos produtos e transforma seu conhecimento dos mercados Norte e Nordeste em diferencial competitivo A Magno Móveis vive um momento de expansão e fortalecimento da marca. Com mais de 40 anos de atuação e sede em Afogados da Ingazeira (PE), a fabricante vem intensificando sua presença no mercado por meio da participação nas principais feiras do setor moveleiro do Nordeste, ao mesmo tempo em que amplia seu portfólio com novos produtos alinhados às demandas do varejo e do consumidor. Somente no primeiro semestre de 2026, a empresa marcou presença em quatro eventos estratégicos realizados em diferentes estados da região, apresentando lançamentos, estreitando relacionamentos comerciais e ampliando sua rede de parceiros.

31 (PE), de 25 a 27. O ciclo do primeiro semestre foi concluído na Expomóvel Ceará, realizada de 27 a 29 de maio, em Fortaleza (CE). O retorno obtido em cada um desses encontros, segundo Alexandre, superou as expectativas. “Tivemos uma receptividade extremamente positiva às coleções apresentadas, com visitas qualificadas, fortalecimento da confiança dos nossos parceiros e geração de novas oportunidades de negócios”, destaca. Mais do que uma vitrine para produtos, as feiras representam uma importante ferramenta estratégica para a empresa. “São oportunidades para acompanhar tendências, estreitar relacionamentos com lojistas e representantes, identificar movimentos do mercado e fortalecer ainda mais nossa atuação comercial”, acrescenta. CONSUMIDOR IMPULSIONA CRESCIMENTO Ao longo de sua trajetória, a Magno Móveis construiu um ativo que vai além da capacidade produtiva e da força comercial: o profundo conhecimento dos consumidores das regiões Norte e Nordeste. Presente há décadas nesses mercados, a empresa acompanha de perto as transformações econômicas, sociais e comportamentais que influenciam as decisões de compra das famílias. Essa proximidade permite identificar tendências, compreender as particularidades de cada região e desenvolver produtos alinhados às necessidades reais dos consumidores. Aspectos como funcionalidade, melhor aproveitamento dos espaços, resistência, praticidade e relação custo-benefício continuam entre os atributos mais valorizados pelo público e orientam o desenvolvimento das coleções da marca. “Estar próximo dos nossos clientes e do varejo regional nos permite compreender com mais rapidez as mudanças do mercado e transformar essas percepções em soluções que fazem sentido para o consumidor”, afirma Alexandre. O empresário destaca que a participação constante nas principais feiras do Nordeste reforça ainda mais essa conexão. Além de gerar negócios, os eventos funcionam como importantes termômetros de mercado, contribuindo para identificar novas demandas, antecipar tendências e fortalecer relacionamentos estratégicos. Ao comentar sobre a Expomóvel Ceará, o empresário ressalta o papel crescente do evento no cenário regional. “Com crescimento gradual e consistente a cada edição, a feira tornou-se um ambiente extremamente favorável para a aproximação entre industriais, lojistas e representantes. Além de apresentar tendências e inovações, abre espaço para o lançamento de produtos e para a discussão de conceitos ligados ao design, às cores, às texturas e às novas demandas do varejo”, avalia. Para Alexandre, o fortalecimento das feiras regionais também contribui para projetar o Nordeste nacionalmente. “Ao promover conexões estratégicas e movimentar a economia regional, esses eventos ajudam a consolidar o protagonismo do Nordeste no cenário moveleiro brasileiro”, afirma. NOVA LINHA DE COZINHAS Entre os destaques apresentados pela Magno Móveis nas feiras deste ano está a nova linha de cozinhas, considerada pela empresa um importante passo em sua trajetória de evolução. Desenvolvida a partir de uma leitura atenta das demandas observadas nos mercados Norte e Nordeste, a coleção combina funcionalidade, versatilidade e acessibilidade, sem abrir Alexandre Magno e Carmem Freitas, na Femope, em Recife (PE) Carmem Freitas, Marina Magno e Manuele Lima, no Salão Móvel Paraíba, em Campina Grande

32 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE As origens do negócio remontam a 1981, quando Alexandre Magno Barros de Brito iniciou suas atividades produzindo esquadrias e móveis sob medida. Com o aumento da demanda e uma visão voltada para o crescimento, surgiu, em 1992, a Magno Móveis, dando início à produção industrial em maior escala. Desde então, a empresa ampliou sua estrutura, diversificou o portfólio e expandiu sua presença comercial, tornando-se uma das principais fabricantes de móveis de Pernambuco e uma marca reconhecida em diversas regiões do país, especialmente no Norte e Nordeste. Atualmente, a Magno Móveis oferece soluções para dormitórios, salas, cozinhas e escritórios, reunindo produtos que combinam funcionalidade, design e excelente relação custo-benefício. Outro aspecto que marca sua trajetória é a contribuição para o fortalecimento econômico da região. Ao longo de mais de três décadas, a empresa ajudou a consolidar a vocação industrial de Afogados da Ingazeira e do Sertão do Pajeú, gerando empregos, formando mão de obra especializada e estimulando o desenvolvimento da cadeia produtiva local. A sustentabilidade também faz parte da cultura organizacional. A fabricante utiliza painéis de madeira industrializada provenientes de fontes certificadas e adota práticas voltadas à responsabilidade ambiental, buscando conciliar crescimento econômico, eficiência produtiva e compromisso com as futuras gerações. A inovação permanece como um dos pilares da companhia, que investe continuamente na modernização dos processos produtivos, no desenvolvimento de novos produtos e na ampliação de sua presença comercial. Esse posicionamento ganha relevância em um momento em que Norte e Nordeste ampliam sua participação no consumo nacional de bens duráveis, impulsionados pelo crescimento de cidades médias, pela expansão habitacional e pela evolução do varejo regional. Nesse cenário, empresas capazes de compreender as especificidades desses mercados tendem a conquistar vantagens competitivas cada vez mais importantes. Com uma história construída sobre trabalho, empreendedorismo e visão de longo prazo, a Magno Móveis segue ampliando sua presença no mercado brasileiro. Mais do que acompanhar as transformações do setor, a fabricante busca antecipar tendências e transformar seu conhecimento do consumidor regional em oportunidades de crescimento sustentável para os próximos anos. mão dos valores que acompanham a marca desde sua fundação. O projeto reflete o compromisso da empresa em oferecer soluções conectadas à realidade das famílias brasileiras e às necessidades identificadas junto ao varejo regional. “Essa linha representa um novo capítulo para a Magno Móveis. Buscamos unir tradição e inovação para oferecer soluções que façam sentido para o dia a dia das famílias brasileiras”, explica Alexandre. Com composições versáteis e projetos pensados para diferentes estilos de vida, os novos modelos priorizam praticidade, conforto e melhor aproveitamento dos espaços. A receptividade do mercado aos lançamentos, segundo a empresa, confirma a sintonia da coleção com as expectativas dos consumidores e reforça o atual momento de crescimento e renovação da marca. TRAJETÓRIA DA MAGNO A trajetória da Magno Móveis se confunde com a própria evolução da indústria moveleira no Sertão do Pajeú. Instalada em Afogados da Ingazeira, a empresa construiu uma história marcada pelo empreendedorismo, pela capacidade de adaptação e pelo compromisso com o desenvolvimento regional. Alexandre Magno, Carmem Freitas, Marina, Matheus e Daniel Magno, na Expomóvel Nordeste, em Caruaru (PE) Diretores da Magno Móveis e equipe da Pereira Móveis no estande da marca na Expomóvel Ceará, em Fortaleza (CE)

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34 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE NOVA FÁBRICA MARCA OS 40 ANOS DA PERNAMBUCANA MÓVEIS SÃO CARLOS aprimoramento constante”, afirma Guilherme Brito, diretor executivo da Móveis São Carlos. Esse evento reuniu lideranças, clientes e colaboradores no Hotel Brotas, na própria cidade de Afogados da Ingazeira. Entre os convidados estavam representantes do setor, como Jamaci Messias Damasceno, assessor de Assuntos Estratégicos e Relações Institucionais da Associação da Indústria de Móveis e Artefatos de Madeira da Paraíba, e Adeilton Pereira, vice-presidente da Abimóvel e sócio-diretor do Grupo Officina, o que evidenciou a importância da São Carlos e o fortalecimento da indústria moveleira no Nordeste. Sobre o investimento no novo galpão, Guilherme conta que o antigo foi crescendo junto com a empresa e Unidade em operação há pouco mais de um ano é apresentada oficialmente ao mercado em evento com parceiros e clientes Depois de um ano fazendo ajustes e operando em sua nova estrutura fabril em Afogados da Ingazeira (PE), a Móveis São Carlos celebrou seus 40 anos com um evento especial, ocasião que também marcou a apresentação formal da nova fábrica a parceiros, clientes e colaboradores. Com 20 mil m², a nova estrutura é mais moderna e atende às necessidades da São Carlos, com layout mais produtivo e com todas as operações acontecendo em um mesmo piso. “O evento aconteceu no final do mês de março e teve como objetivos fortalecer a marca e comemorar com os nossos parceiros, clientes e colaboradores. O ponto mais importante foi perceber que a confiança dos parceiros está ainda maior no nosso trabalho e que todos reconhecem nosso Durante a comemoração dos 40 anos, a Móveis São Carlos levou os parceiros para conhecerem a fábrica nova Por Natalia Concentino, jornalista

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