MV Norte & Nordeste

21 Embora o programa não seja voltado especificamente ao varejo de móveis, ele atua em um ponto decisivo: a recuperação da capacidade de crédito das famílias. Milhões de consumidores que estavam negativados voltam gradualmente ao sistema financeiro, recuperando o limite de cartão, acesso ao crediário, financiamento e capacidade de parcelamento. E o setor moveleiro conhece bem esse efeito. Historicamente, sempre que ocorre um programa que facilita a negociação por parte dos inadimplentes, acontece naturalmente a expansão do crédito popular, redução momentânea da inadimplência com a reorganização financeira das famílias. As categorias ligadas ao lar costumam responder relativamente rápido a esse quadro favorável. Especialmente em regiões onde o crediário ainda exerce papel central no varejo. O SEGUNDO SEMESTRE HISTORICAMENTE FAVORECE MÓVEIS Existe ainda um fator sazonal extremamente importante. O segundo semestre costuma concentrar o período mais forte para vendas de móveis e colchões no Brasil. Isso ocorre pela combinação da realização da Black Friday, chegada do Natal e das reformas de fim de ano, o recebimento do 13º salário o que estimula maior circulação de renda e a renovação da casa para as festas de fim de ano. No Nordeste, essa dinâmica costuma ganhar intensidade adicional em cidades médias e polos regionais de consumo. Além disso, o varejo regional vem ampliando operações promocionais e digitais, aumentando capacidade de conversão em períodos de maior demanda. O CONSUMIDOR MUDOU — E ISSO MUDA O JOGO Mas existe uma mudança importante: o consumidor nordestino de 2026 não é o mesmo de cinco anos atrás. Agora ele está mais conectado aos acontecimentos, portanto, mais sensível a preço, mais digital o que permite ser mais comparativo e menos impulsivo. O crescimento do e-commerce no ICVA mostra exatamente isso. Enquanto o varejo físico praticamente ficou estagnado, o digital avançou 6,5% nominalmente em abril. Isso cria uma nova lógica competitiva para móveis e colchões. Não basta mais apenas oferecer parcelamento. Será necessário combinar crédito inteligente, possibilidade de ver na loja e fechar na internet, velocidade de entrega, comunicação mais eficiente para que ele tenha percepção de valor. O VAREJO REGIONAL PODE GANHAR PROTAGONISMO Existe outro movimento relevante acontecendo silenciosamente: o fortalecimento do varejo regional nordestino. Enquanto grandes redes nacionais enfrentam pressão O "efeito Desenrola" pode agitar o comércio de móveis no segundo semestre operacional, muitas empresas regionais ganharam em agilidade, proximidade com o consumidor, em eficiência comercial e na capacidade de adaptação local. Em várias cidades do Nordeste, o consumidor ainda mantém forte vínculo com varejistas locais e redes regionais. Isso pode favorecer operações mais rápidas na captura da retomada de consumo. O MAIOR RISCO TALVEZ NÃO SEJA A DEMANDA Curiosamente, o maior risco para parte da indústria pode não ser a falta de consumo. Mas sim erro de leitura do mercado. Depois de meses de desaceleração, muitas empresas reduziram produção, estoques e agressividade comercial. Caso o crédito destrave mais rápido no segundo semestre, algumas operações do varejo podem enfrentar ruptura por escassez, atraso de entrega, perda de timing promocional e maior dificuldade de abastecimento regional. O histórico do setor mostra que retomadas ligadas ao crédito costumam acontecer de forma relativa-

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