MV Norte & Nordeste

19 FORTALEZA REAGE NO FIM DO SEMESTRE Fortaleza iniciou o ano com queda de 0,94% nos preços do mobiliário, mas passou a registrar aumentos a partir de abril. As altas de 0,87% em maio e de 1,27% em junho mostram uma aceleração relevante no encerramento do semestre. No acumulado, os móveis para sala subiram 2,34%, superando os móveis para quarto, com 1,62%. Os móveis para cozinha recuaram 0,41%, e o mobiliário infantil ficou praticamente estável, com alta de 0,16%. Fortaleza aparece, portanto, como um mercado que começou o ano sob pressão promocional, mas avançou gradualmente para uma recuperação de preços. RECIFE PERMANECE MAIS CONTIDO Recife registrou a menor inflação do mobiliário entre as regiões analisadas: apenas 0,53% no primeiro semestre. Os móveis para sala recuaram 0,31%, quarto teve alta discreta de 0,13% e infantil caiu 0,41%. A exceção foi cozinha, que avançou 3,38%. O comportamento mensal reforça a volatilidade: após altas em janeiro e fevereiro, o mobiliário recuou 1,05% em março e 0,42% em abril. Houve recuperação de 0,95% em maio, mas junho voltou a mostrar uma variação modesta, de 0,15%. O dado sugere um varejo mais cauteloso e com menor capacidade de sustentar reajustes generalizados. SALVADOR TEM AS MAIORES PRESSÕES POR CATEGORIA Salvador apresentou um dos quadros mais fortes de recomposição de preços. O mobiliário acumulou 2,56%, mas algumas categorias avançaram muito acima dessa média. Os móveis para cozinha subiram 6,27%, maior variação entre todas as categorias e regiões analisadas. O mobiliário infantil também apresentou aumento expressivo, de 5,68%, enquanto quarto avançou 2,81%. Em sentido contrário, os móveis para sala recuaram 1,04%. A trajetória mensal foi bastante oscilante: alta de 1,19% em janeiro, queda de 1,72% em fevereiro, aumentos em março e abril, novo recuo em maio e alta de 0,95% em junho. Isso indica ajustes pontuais por categoria, mais do que um movimento uniforme de preços. O QUE OS NÚMEROS SINALIZAM O móvel continua subindo menos que a inflação porque o setor ainda precisa disputar cada venda. A pressão competitiva, o crédito caro e a sensibilidade do consumidor ao preço limitam reajustes mais amplos. Ao mesmo tempo, categorias como cozinha em Salvador e Recife, quarto em Belém e sala em Fortaleza mostram que existem bolsões de maior força. Nesses segmentos, a demanda, a mudança do mix ou a recomposição de custos permitiram aumentos mais consistentes. O primeiro semestre não mostra uma inflação generalizada dos móveis, mas revela mercados muito diferentes entre si. Para a indústria, isso reforça a necessidade de abandonar estratégias nacionais uniformes e observar com mais atenção o comportamento de cada praça, canal e categoria.

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