PESQUISA Norte e Nordeste somam 1,4 mil moveleiras INDÚSTRIA Economia circular fortalece competitividade na Paraíba EVENTOS Feiras que impulsionaram o desenvolvimento regional EXPANSÃO Reconflex amplia estrura com nova fábrica no CE Norte & Nordeste Edição 47 | Julho • Agosto • Setembro de 2026 Expansão econômica acima da média nacional e geração de empregos ampliam oportunidades para fabricantes e lojistas da região HORIZONTE FAVORÁVEL IMPULSIONA O MERCADO moveisdevalor.com.br @moveisdevalor
4 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE Redação e Administração Rua Dep. Estefano Mikilita, 125 3º andar Portão • Curitiba • PR • Brasil • CEP 81070-430 (41) 99912-9877 moveisdevalor.com.br Diretores Ari Bruno Lorandi aribruno@moveisdevalor.com.br Inalva Corsi inalvacorsi@moveisdevalor.com.br Administração e Finanças Juliana Pinheiro financeiro@moveisdevalor.com.br Redação Inalva Corsi | 3035 PR Jornalista Responsável redacao@moveisdevalor.com.br Natalia Concentino | 10431 PR natalia@moveisdevalor.com.br João Caetano Guimarães caetano@moveisdevalor.com.br Executiva Comercial | Sul Inalva Corsi (41) 99912-9877 | 99991-2974 inalvacorsi@moveisdevalor.com.br Executiva Comercial | Sudeste e Nordeste Cidinha Leal (17) 98114-3666 cidinha@moveisdevalor.com.br Diagramação e Direção de Arte Bruna Rosário arte@moveisdevalor.com.br Assinaturas e Circulação (41) 99912-9877 assina@moveisdevalor.com.br Apoiam esta publicação Sindmóveis/PE • Sindicato das Indústrias de Móveis de Pernambuco Presidente: Guilherme Brito (81) 3338-1370 Sindimir • Sindicato das Indústrias de Madeira de Imperatriz e Região Presidente: Manoel Messias Nunes Sarmento (99) 3524-8624 Sindmóveis/CE • Sindicato das Indústrias do Mobiliário no Estado do Ceará Presidente: Osterno Junior (85) 3261-9769 EXPEDIENTE A revista Móveis de Valor Norte & Nordeste é uma publicação trimestral de responsabilidade do Intelligence Group e que conta com o apoio dos sindicatos e entidades de classe do Norte e Nordeste. Tem como objetivo a divulgação e promoção exclusiva da indústria e do varejo de móveis destas regiões. Norte & Nordeste @moveisdevalor Acompanhe a Móveis de Valor também em nossas redes sociais Acesse a versão digital da revista O segundo semestre começou com indicadores positivos para as regiões Norte e Nordeste. Expansão econômica acima da média nacional, avanço do mercado imobiliário, geração de empregos e fortalecimento do consumo ampliam as oportunidades para fabricantes e varejistas. A Pesquisa Industrial Anual de 2024 também confirma a força do "Brasil de Cima" na concentração de indústrias de móveis e na geração de empregos. São mais de 1,4 mil fabricantes do segmento, com cinco ou mais empregados, responsáveis por mais de 30 mil postos de trabalho e R$ 6,3 bilhões em receita líquida naquele ano. Apesar da defasagem – característica da divulgação do IBGE –, os dados revelam a importância crescente das duas regiões para a indústria moveleira nacional. Ainda no campo dos números, a análise do IPCA do semestre, que mede o repasse de preços dos móveis ao consumidor, mostra que, nas duas regiões, os reajustes ficaram abaixo da inflação. Um olhar mais atento, porém, revela diferenças expressivas entre as capitais: Belém registrou o maior repasse, de 3,93%, enquanto Recife teve o menor, de apenas 0,53%. Há, porém, um dado que preocupa o setor: o déficit da balança comercial. As importações cresceram 93% no semestre, enquanto as exportações recuaram 36%. Chama atenção, sobretudo, a dependência da China. Em meio a esse cenário despontam empresas como a Center Kennedy, varejista com 40 anos de história e forte presença no Norte do País, que vive um momento de expansão. Além de inaugurar um novo centro de distribuição em Oiapoque, a empresa investe em logística, fortalece a governança e prepara a sucessão. PALAVRA DA EDITORA Outro exemplo é a Reconflex, tradicional fabricante de colchões da Bahia que, após abrir uma unidade em Pernambuco, investe agora em uma fábrica no Ceará. Paralelamente à expansão, moderniza seus parques fabris e amplia o desenvolvimento de produtos para fortalecer sua atuação no mercado nordestino. Da Paraíba vem mais um exemplo de inovação. A Essanto alia gestão de resíduos, energia solar e formação profissional na produção de móveis planejados, ajudando a desconstruir a antiga imagem das marcenarias tomadas pela poeira. Esta edição traz ainda um resgate das grandes feiras realizadas ao longo dos anos no Norte e Nordeste que contribuíram, e continuam contribuindo, para fortalecer o setor. Em um mercado em constante transformação, informação de qualidade segue sendo um dos principais diferenciais para quem precisa tomar decisões. É com esse compromisso que entregamos mais uma edição da Móveis de Valor Norte e Nordeste. Publisher
5 10 Horizonte favorável impulsiona mercado de móveis Center Kennedy completa 40 anos em pleno crescimento 26 Móveis sobem menos que a inflação no semestre 18 Calendário de feiras fortalece o setor regional 40 SUMÁRIO 06 CÁ ENTRE NÓS 10 HORIZONTE FAVORÁVEL IMPULSIONA MERCADO DE MÓVEIS 14 NORTE E NORDESTE SOMAM 1,4 MIL INDÚSTRIAS MOVELEIRAS 18 MÓVEIS SOBEM MENOS QUE A INFLAÇÃO NO SEMESTRE 20 DÉFICIT RECORDE NA IMPORTAÇÃO/EXPORTAÇÃO PREOCUPA 26 CENTER KENNEDY COMPLETA 40 ANOS EM PLENO CRESCIMENTO 30 RECONFLEX AMPLIA ESTRUTURA PARA NOVO CICLO DE CRESCIMENTO 34 COLCHÕES PREMIUM ABREM ESPAÇO PARA NOVA ESTRATÉGIA 38 ECONOMIA CIRCULAR FORTALECE INDÚSTRIA NA PARAÍBA 40 CALENDÁRIO DE FEIRAS FORTALECE O SETOR REGIONAL 46 AGOSTO ENCERRA TEMPORADA DE FEIRAS NO NORTE E NORDESTE 48 FORMÓBILE ATRAI BOM PÚBLICO DO BRASIL DE CIMA 52 CONEMOV TRATA DE GESTÃO, TECNOLOGIA E DESENVOLVIMENTO 56 DURABILIDADE VOLTA AO CENTRO DAS DECISÕES DE COMPRA
6 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE ARI BRUNO LORANDI CÁ ENTRE NÓS Algumas frases são tão verdadeiras que servem para empresas, para marcas e até para as pessoas. Uma delas diz o seguinte: "mude tudo o que for necessário... mas nunca mude aquilo que fez as pessoas escolherem você". Parece simples. Mas talvez seja um dos maiores desafios de qualquer empresa. Vivemos a era da transformação. Todo dia surge uma nova tecnologia, uma nova ferramenta, uma nova metodologia, uma nova tendência. Fala-se em inteligência artificial, digitalização, automação, ESG, experiência do cliente... e tudo isso é importante. Muito importante. O problema começa quando, na tentativa de acompanhar todas as mudanças, a empresa esquece quem ela é. E isso acontece mais do que imaginamos. Troca-se o produto porque está na moda. Troca-se a linguagem porque alguém disse que ficou antiga. Troca-se a marca, o posicionamento, a forma de vender, a maneira de atender. De repente, a empresa mudou tanto que nem seus próprios clientes conseguem mais reconhecê-la. Mudança não é apagar a própria história. Mudança é construir o próximo capítulo sem rasgar os anteriores. Pense nas empresas que atravessaram décadas. Algumas já passaram por crises econômicas, mudanças tecnológicas, novas gerações de consumidores e até revoluções industriais. Quase nada nelas permaneceu igual. As fábricas mudaram. Os processos mudaram. Os produtos evoluíram. Mas existe algo que permaneceu. A promessa. MUDAR É PRECISO. PORÉM, PERDER A ESSÊNCIA PODE SER FATAL A razão pela qual as pessoas confiaram naquela empresa pela primeira vez. É essa essência que transforma uma marca em patrimônio. Porque clientes não compram apenas produtos. Compram confiança. Compram coerência. Compram a sensação de que aquela empresa continuará entregando amanhã aquilo que prometeu ontem. E talvez seja justamente esse o maior erro de muitas organizações. Elas passam tanto tempo tentando parecer modernas que deixam de parecer autênticas. E autenticidade não pode ser copiada. Ela é construída ao longo dos anos, nas decisões difíceis, nos momentos de crise, na forma como uma empresa trata seus clientes, seus colaboradores e seus parceiros. Inovar, portanto, não significa romper com tudo o que veio antes. Significa preservar aquilo que é permanente e transformar aquilo que precisa evoluir. Porque tecnologia muda. Mercados mudam. Consumidores mudam. Mas princípios não envelhecem. No fim das contas, empresas não permanecem relevantes apenas pelo que lançam de novo. Permanecem relevantes porque nunca deixam de cumprir a promessa que as tornou importantes. E talvez seja essa a maior lição para qualquer empresário. Não tenha medo de mudar. Tenha medo, isso sim, de deixar de ser a empresa que fez seus clientes escolherem você. Porque a inovação abre portas. Mas é a sua essência que faz as pessoas continuarem entrando por elas.
7
8 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE
9
10 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE HORIZONTE FAVORÁVEL IMPULSIONA O MERCADO DE MÓVEIS NO NORTE E NORDESTE antecedem ciclos positivos para a comercialização de bens duráveis. Em um momento em que o mercado nacional ainda exige competitividade e eficiência, essas regiões passam a representar um dos principais vetores de expansão para o setor moveleiro. No Nordeste, a expectativa é de crescimento de 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, acima do desempenho projetado para diversas regiões do país. Ceará e Paraíba aparecem entre os estados com maior expansão econômica, refletindo um ambiente favorável ao investimento privado e ao consumo. Parte desse movimento está diretamente ligada ao dinamismo do mercado imobiliário. Apenas no primeiro trimestre do ano foram Expansão econômica acima da média nacional, avanço do mercado imobiliário, geração de empregos e fortalecimento do consumo ampliam oportunidades para fabricantes e varejistas Por Guilherme Arruda, jornalista convidado Durante muito tempo, Norte e Nordeste foram vistos como mercados de grande potencial, mas com desenvolvimento desigual e distante dos principais polos da indústria moveleira brasileira. Esse cenário, no entanto, vem mudando de forma consistente. A combinação entre crescimento econômico, expansão do mercado imobiliário, aumento do emprego formal, fortalecimento do consumo e investimentos em infraestrutura está redesenhando o ambiente de negócios nas duas regiões e criando novas oportunidades para fabricantes, fornecedores e lojistas. Mais do que apresentar taxas de crescimento superiores à média nacional, Norte e Nordeste reúnem fatores que tradicionalmente
11 lançadas quase 20 mil unidades habitacionais e comercializadas mais de 22 mil moradias na região. O aquecimento da construção civil costuma produzir reflexos diretos sobre o setor moveleiro, já que a entrega de novos imóveis impulsiona a demanda por móveis, colchões, decoração e produtos para ambientação. Outro indicador relevante é a valorização imobiliária observada em diversas capitais nordestinas, sinalizando um mercado em expansão e maior confiança dos investidores. No Norte, as perspectivas são igualmente positivas. A região deverá registrar o maior crescimento econômico do país em 2026, impulsionada principalmente pelo desempenho de estados como Tocantins, Roraima, Amazonas e Amapá. Além do avanço do PIB, a atividade industrial apresenta resultados consistentes, especialmente no Pará, enquanto Manaus mantém sua posição como um dos principais polos consumidores do país, irradiando influência comercial para toda a Amazônia Ocidental. Para a indústria moveleira, isso significa uma ampliação gradual da demanda tanto por mobiliário residencial quanto corporativo, acompanhando o crescimento urbano e a expansão dos investimentos privados. MERCADO DE TRABALHO REFORÇA CAPACIDADE DE CONSUMO A evolução do emprego formal confirma esse ambiente favorável. Norte e Nordeste registraram crescimento superior à média nacional na geração de vagas com carteira assinada, ampliando a renda disponível das famílias e fortalecendo a capacidade de consumo. No próprio setor moveleiro, estados como Ceará e Amazonas concentram milhares de trabalhadores na indústria, demonstrando que a atividade vem ganhando importância econômica e consolidando polos produtivos capazes de atender tanto os mercados locais quanto outras regiões brasileiras. Embora o aumento do emprego não represente automaticamente expansão das vendas, trata-se de um dos indicadores mais relevantes para a comercialização de bens duráveis, segmento diretamente influenciado pela confiança do consumidor e pela estabilidade da renda. CRÉDITO AMPLIA INVESTIMENTOS Outro elemento importante é a disponibilidade de crédito para empresas e consumidores. Bancos de desenvolvimento e instituições financeiras regionais vêm ampliando operações voltadas ao comércio, à indústria e à infraestrutura, favorecendo investimentos produtivos e fortalecendo diversos segmentos da economia. Para a cadeia moveleira, isso significa maior capacidade de investimento por parte das empresas, modernização industrial, expansão comercial e Norte e Nordeste registraram crescimento superior à média nacional na geração de vagas
12 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE CONSUMO AMPLIA OPORTUNIDADES O potencial consumidor talvez seja o indicador mais expressivo desse novo cenário. O Nordeste já movimenta cerca de R$ 1,5 trilhão por ano em consumo, equivalente a quase um quinto de todo o mercado brasileiro. Além das grandes capitais, cresce também o número de municípios com elevado poder de compra, ampliando o espaço para a interiorização das vendas e para a atuação de representantes comerciais. No Norte, apesar da menor participação proporcional no consumo nacional, Manaus permanece como um importante centro distribuidor, exercendo influência sobre um vasto mercado regional. Esse processo reduz a concentração das oportunidades nas grandes metrópoles e amplia o alcance das empresas que conseguem estruturar uma estratégia comercial voltada ao interior dos estados. DESENVOLVIMENTO EMPRESARIAL FORTALECE A CADEIA O fortalecimento da indústria moveleira também passa pela atuação de entidades empresariais, instituições de ensino e organizações de apoio ao empreendedorismo, que vêm promovendo iniciativas voltadas à inovação, qualificação profissional, sustentabilidade e aumento da competitividade. Essas ações contribuem para elevar o nível tecnológico das empresas, estimular o desenvolvimento de novos produtos e fortalecer polos produtivos que, até poucos anos atrás, tinham atuação predominantemente regional. Ainda assim, permanecem desafios importantes. O elevado comprometimento da renda das famílias limita parte do consumo de bens duráveis, enquanto a predominância de micro e pequenas empresas exige investimentos constantes em gestão, produtividade e acesso a mercados. UM MERCADO CADA VEZ MAIS ESTRATÉGICO Os indicadores sugerem que Norte e Nordeste deixaram de ser apenas regiões promissoras para se consolidarem como mercados estratégicos para a expansão da indústria moveleira brasileira. O crescimento econômico acima da média nacional, a evolução do mercado imobiliário, a geração de empregos, a expansão da infraestrutura e o fortalecimento do consumo criam condições favoráveis para fabricantes e varejistas ampliarem sua presença nessas regiões. Mais do que acompanhar estatísticas positivas, o setor tem diante de si a oportunidade de reposicionar sua estratégia comercial em mercados que, ano após ano, vêm ganhando peso na economia brasileira e demonstrando capacidade crescente de sustentar um ciclo consistente de desenvolvimento. O Nordeste movimenta R$ 1,5 trilhão por ano em consumo, quase um quinto do mercado brasileiro melhores condições para financiamento ao consumidor final. Mais do que os programas existentes, o que chama atenção é a continuidade desse fluxo de recursos, contribuindo para criar um ambiente de negócios mais favorável ao crescimento empresarial. INFRAESTRUTURA REDUZ CUSTOS E AMPLIA MERCADOS Os investimentos em logística representam outro fator estratégico para o setor. A expansão de ferrovias, rodovias e centros logísticos deverá reduzir custos de transporte e facilitar a distribuição de produtos para mercados antes considerados mais difíceis de atender. Paralelamente, investimentos privados em condomínios logísticos reforçam essa transformação, criando uma infraestrutura mais eficiente para armazenagem e distribuição. Para fabricantes de móveis, cuja competitividade depende fortemente do custo logístico, essas melhorias podem representar ganhos relevantes de eficiência operacional e acesso a novos clientes.
13
14 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE NORTE E NORDESTE SOMAM 1,4 MIL INDÚSTRIAS MOVELEIRAS empresas e, considerando apenas os valores divulgados pelo IBGE, registra cerca de 5 mil trabalhadores e faturamento de R$ 933,7 milhões. Somadas, as duas regiões alcançam receita conhecida de aproximadamente R$ 6,36 bilhões, equivalente a cerca de 11% do faturamento nacional da indústria moveleira. O valor da transformação industrial chega a R$ 2,88 bilhões. NORDESTE CONCENTRA OS MAIORES MERCADOS A estrutura industrial nordestina Enquanto o Nordeste concentra a maior escala da indústria moveleira, o Norte revela polos de elevada produtividade. A análise mostra como cada estado contribui para a expansão do setor e onde estão as principais oportunidades de crescimento Os dados da Pesquisa Industrial Anual de 2024 mostram que as regiões Norte e Nordeste reúnem, juntas, 1.407 empresas fabricantes de móveis com cinco ou mais pessoas ocupadas. O número representa aproximadamente 12,7% do total nacional registrado pela pesquisa. O peso econômico, entretanto, não se distribui de maneira uniforme. O Nordeste concentra a maior escala, com 1.204 empresas, quase 25,9 mil trabalhadores e receita líquida de vendas de aproximadamente R$ 5,42 bilhões. O Norte reúne 203
15 está fortemente apoiada em três estados. Bahia, Pernambuco e Ceará respondem por cerca de 72% da receita regional, confirmando a formação de um eixo econômico bastante definido. A Bahia aparece na liderança, com: • 246 empresas; • 6.289 pessoas ocupadas; • R$ 1,44 bilhão em receita; • R$ 625,2 milhões em valor da transformação industrial. Pernambuco vem logo depois, com R$ 1,33 bilhão em receita e 198 empresas. O estado apresenta também o maior valor da transformação industrial da região depois da Bahia, alcançando R$ 616,8 milhões. O Ceará possui a maior base empresarial do Norte e Nordeste, com 326 fabricantes, mas ocupa a terceira posição em receita, com R$ 1,16 bilhão. Essa diferença indica uma estrutura formada por maior quantidade de empresas, mas com faturamento médio inferior ao observado em Bahia e Pernambuco. Paraíba aparece em um segundo grupo de relevância, com 118 empresas, 2.262 trabalhadores e receita de quase R$ 390 milhões. Maranhão e Piauí também demonstram uma presença industrial importante, especialmente em emprego e geração de valor. NORTE TEM MENOR ESCALA, MAS POLOS PRODUTIVOS RELEVANTES No Norte, Pará e Amazonas concentram quase 74% da receita conhecida da indústria moveleira regional. O Pará lidera em número de empresas, unidades industriais e empregos: • 71 empresas; • 147 unidades locais; • 2.233 trabalhadores; • R$ 347,3 milhões em receita. O Amazonas aparece praticamente empatado em faturamento, com R$ 342,1 milhões, apesar de possuir apenas 25 empresas. O estado emprega 1.513 pessoas e alcança R$ 199,2 milhões em valor da transformação industrial. Essa relação sugere uma indústria amazonense formada por empresas proporcionalmente maiores e com maior intensidade produtiva. Rondônia também merece atenção. Embora registre apenas 53 empresas e receita de R$ 186,7 milhões, apresenta a maior receita por pessoa ocupada entre os 16 estados analisados, com aproximadamente R$ 261,8 mil por trabalhador. PRODUTIVIDADE MUDA A LEITURA REGIONAL Quando o critério deixa de ser apenas o tamanho absoluto e passa a considerar a produtividade, o Norte ganha relevância. A receita média por pessoa ocupada é de: • R$ 209,6 mil no Nordeste; • R$ 185,7 mil no Norte. Porém, no valor da transformação industrial por trabalhador, o Norte alcança aproximadamente R$ 94,5 mil, ligeiramente acima dos R$ 93,1 mil do Nordeste. Rondônia e Amazonas aparecem nas primeiras posições entre todos os estados analisados nesse indicador. Rondônia registra VTI de aproximadamente R$ 133,8 mil por trabalhador, enquanto o Amazonas alcança R$ 131,7 mil. Pernambuco lidera o Nordeste, com R$ 117,4 mil. Isso mostra que a menor escala da região Norte não significa necessariamente baixa eficiência. Em determinados mercados, há empresas com elevada capacidade de geração de valor. O QUE OS NÚMEROS SINALIZAM O Nordeste já possui uma estrutura industrial de porte relevante, mas ainda muito concentrada em poucos estados. Bahia, Pernambuco e Ceará funcionam como os principais polos de produção, emprego e faturamento. O Norte apresenta uma indústria mais dispersa e numericamente menor. Mesmo assim, Amazonas, Pará e Rondônia mostram que existem polos com características bastante distintas: o Pará se destaca pela capilaridade, o Amazonas pela escala média das empresas e Rondônia pela produtividade. Para fornecedores e fabricantes que buscam expansão, a leitura não deve considerar apenas o número de empresas. Estados menores podem representar oportunidades interessantes quando combinam produtividade, crescimento regional, distância dos grandes polos do Sul e Sudeste e necessidade de fornecedores mais próximos. Obs. Os valores de pessoal ocupado, receita e transformação industrial de Roraima e Amapá foram inibidos pelo IBGE para preservar a identificação das empresas. Por isso, os totais do Norte são ligeiramente superiores aos apresentados.
16 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE
17
18 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE MÓVEIS SOBEM MENOS QUE A INFLAÇÃO GERAL NO 1º SEMESTRE BELÉM: QUARTO LIDERA OS AUMENTOS Belém apresentou o maior avanço do mobiliário entre as regiões analisadas. O resultado foi puxado principalmente pelos móveis para quarto, que acumularam 4,77% no semestre. Os móveis para sala subiram 2,10%, enquanto cozinha teve variação bem mais moderada, de 0,49%. A trajetória mensal foi irregular, mas terminou em aceleração: depois de alta de 1,48% em março e recuo de 0,21% em abril, o mobiliário voltou a subir 0,86% em junho. Esse comportamento pode indicar maior espaço para recomposição de preços, especialmente nas categorias ligadas ao quarto. Enquanto Belém e Salvador lideram a alta dos preços dos móveis, Fortaleza mostra recuperação gradual e Recife mantém maior estabilidade. A análise revela diferenças regionais importantes e reforça a necessidade de estratégias específicas para cada mercado De janeiro a junho de 2026, o IPCA geral ficou próximo de 4% nas quatro regiões: Fortaleza acumulou 3,97%, Belém 3,93%, Recife 3,91% e Salvador 3,73%. Em todas elas, porém, os preços do mobiliário avançaram menos que o índice geral. Belém apresentou a maior alta para mobiliário, com 3,02%, seguida por Salvador, com 2,56%. Fortaleza acumulou 1,43%, enquanto Recife teve variação de apenas 0,53%. A comparação sugere que o setor ainda encontra dificuldades para repassar integralmente custos e recompor margens. Embora algumas categorias apresentem aumentos expressivos, o comportamento médio dos móveis permanece contido diante da inflação geral.
19 FORTALEZA REAGE NO FIM DO SEMESTRE Fortaleza iniciou o ano com queda de 0,94% nos preços do mobiliário, mas passou a registrar aumentos a partir de abril. As altas de 0,87% em maio e de 1,27% em junho mostram uma aceleração relevante no encerramento do semestre. No acumulado, os móveis para sala subiram 2,34%, superando os móveis para quarto, com 1,62%. Os móveis para cozinha recuaram 0,41%, e o mobiliário infantil ficou praticamente estável, com alta de 0,16%. Fortaleza aparece, portanto, como um mercado que começou o ano sob pressão promocional, mas avançou gradualmente para uma recuperação de preços. RECIFE PERMANECE MAIS CONTIDO Recife registrou a menor inflação do mobiliário entre as regiões analisadas: apenas 0,53% no primeiro semestre. Os móveis para sala recuaram 0,31%, quarto teve alta discreta de 0,13% e infantil caiu 0,41%. A exceção foi cozinha, que avançou 3,38%. O comportamento mensal reforça a volatilidade: após altas em janeiro e fevereiro, o mobiliário recuou 1,05% em março e 0,42% em abril. Houve recuperação de 0,95% em maio, mas junho voltou a mostrar uma variação modesta, de 0,15%. O dado sugere um varejo mais cauteloso e com menor capacidade de sustentar reajustes generalizados. SALVADOR TEM AS MAIORES PRESSÕES POR CATEGORIA Salvador apresentou um dos quadros mais fortes de recomposição de preços. O mobiliário acumulou 2,56%, mas algumas categorias avançaram muito acima dessa média. Os móveis para cozinha subiram 6,27%, maior variação entre todas as categorias e regiões analisadas. O mobiliário infantil também apresentou aumento expressivo, de 5,68%, enquanto quarto avançou 2,81%. Em sentido contrário, os móveis para sala recuaram 1,04%. A trajetória mensal foi bastante oscilante: alta de 1,19% em janeiro, queda de 1,72% em fevereiro, aumentos em março e abril, novo recuo em maio e alta de 0,95% em junho. Isso indica ajustes pontuais por categoria, mais do que um movimento uniforme de preços. O QUE OS NÚMEROS SINALIZAM O móvel continua subindo menos que a inflação porque o setor ainda precisa disputar cada venda. A pressão competitiva, o crédito caro e a sensibilidade do consumidor ao preço limitam reajustes mais amplos. Ao mesmo tempo, categorias como cozinha em Salvador e Recife, quarto em Belém e sala em Fortaleza mostram que existem bolsões de maior força. Nesses segmentos, a demanda, a mudança do mix ou a recomposição de custos permitiram aumentos mais consistentes. O primeiro semestre não mostra uma inflação generalizada dos móveis, mas revela mercados muito diferentes entre si. Para a indústria, isso reforça a necessidade de abandonar estratégias nacionais uniformes e observar com mais atenção o comportamento de cada praça, canal e categoria.
20 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE DÉFICIT NA BALANÇA COMERCIAL PREOCUPA SETOR NO NORTE E NORDESTE importações avançaram para o recorde de US$ 51,3 milhões, ao passo que as exportações somaram somente US$ 3,9 milhões. O quadro gerou um déficit de US$ 47,4 milhões, o maior em uma década, 17% acima do mesmo período do ano anterior e mais do que o dobro em relação a 2023. Nesse mesmo ano de 2023, as compras de produtos chineses foram de US$ 8,6 milhões e no do semestre atual atingiram US$ 26,6 milhões, 47% maior que 2025 e mais do que o dobro de 2023. Rondônia, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Amazonas e Ceará, pela orImportações crescem 93% no 1º semestre, enquanto vendas externas caem 36%, o que gera riscos aos polos industriais regionais com dependência absoluta de um único fornecedor asiático. Redução de 56 mil para 1,8 mil unidades de suportes de cama sinalizam risco de desindustrialização dos polos exportadores da região A balança setorial de móveis apresentou descompasso alarmante nas regiões Norte e Nordeste entre 2023 e 2026 para os primeiros seis meses do ano: enquanto as importações cresceram 93%, as exportações recuaram 36%. A proporção é reveladora: para cada ponto de queda nas vendas ao exterior, as compras avançaram 2,58 pontos. O resultado é uma espécie de efeito tesoura: o produto estrangeiro avança sobre o mercado interno em ritmo mais de 2,5 superior à velocidade com que o Brasil perde presença nos mercados externos. Entre janeiro-junho desse ano, as Por Guilherme Arruda, jornalista convidado
21 dem, lideram o grupo dos maiores importadores, com destaque para a cidade pernambucana de Goiana, responsável por 52% de todas as importações realizadas pelas duas regiões. Fica à frente de Porto Velho, com US$ 7,0 milhões, 76% superior ao registrado nos seis meses iniciais de 2025 e que em 2023 importou apenas US$ 361 mil. É bom ficar de olho em Camaçari e Maceió vem em ascendente. Em 2016, as duas regiões importaram 402 mil unidades, recuaram para 54,5 mil em 2023, o pior resultado, e nesse ano registraram 279,8 mil, crescimento de 69% sobre igual intervalo do ano passado. Detalhe: 98% vieram de um único país, a China. Três polos se destacam: Rio Grande do Norte, com 31,7 mil peças, Pernambuco, com 35,4 mil, mas nada se compara a Rondônia com 103,6 mil unidades, quase 2,5 vezes o total do ano passado. Esses três polos concentram 61% do total adquirido no mercado externo. EXPORTAÇÕES Pernambuco e Bahia continuam como os principais polos exportadores, concentrando 78% de todos os embarques das duas regiões, tendo como destino mercados como EUA, Moçambique, Bolívia, Paraguai, Argentina e Venezuela. Entre 2016 e 2022, a venda média para Moçambique foi de US$ 353 mil, nos dois anos seguintes sofreu irregularidades e
22 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE voltou com força nesse ano com US$ 337,3 mil. O Chile, que outrora foi um grande comprador, recuou para US$ 85,5 milhões na primeira metade desse ano – a média dos três anos anteriores é de US$ 121,6 mil. No período pré-pandemia, o volume de unidades negociadas no mercado externo alcançou 70,8 mil em 2018 e 83,1 mil no ano seguinte. Entre janeiro e junho de 2025 foram 17,2 mil e agora em 2026, apenas 7,6 mil peças. Suportes para camas, que lideravam com folga, ruíram de 56 mil unidades (2019) para 1,8 mil. Colchões e assentos de madeira seguem a mesma trajetória declinante. O cenário sinaliza perda severa de competitividade e retração dos negócios no setor moveleiro exportador.
23
24 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE
25
26 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE CENTER KENNEDY TRANSFORMA 40 ANOS DE HISTÓRIA EM PLATAFORMA PARA CRESCER investimentos mais estratégicos de sua história. A escolha do município não foi casual. Localizado na fronteira com a Guiana Francesa, Oiapoque passa por um período de forte expectativa econômica impulsionado pelos projetos de exploração de petróleo na Margem Equatorial. O aumento da movimentação econômica e do fluxo populacional cria perspectivas positivas para o varejo e para novos investimentos. "A implantação desse novo centro de distribuição está na fase final de conclusão. Trata-se de um investimento estratégico para preparar a empresa para o crescimento da região. Queremos contar com uma estrutura logística robusta para atender nossas operações atuais e futuras oportuniRede do Amapá investe em logística, amplia operações, fortalece a governança e prepara a sucessão enquanto acompanha o novo ciclo de desenvolvimento do extremo Norte do Brasil Por Natalia Concentino, jornalista Completar quatro décadas de atuação representa um marco importante para qualquer empresa. Na Center Kennedy, porém, os 40 anos servem menos para olhar o passado e mais para acelerar os planos para o futuro. A tradicional rede varejista do Amapá vive uma fase marcada por expansão, investimentos logísticos, profissionalização da gestão e preparação da sucessão familiar, consolidando uma estratégia voltada ao crescimento sustentável. Depois de fortalecer sua presença no Norte do País, a empresa amplia sua estrutura para atender uma área de influência cada vez maior. Em 2025, inaugurou quatro novas lojas e, neste ano, conclui a implantação de um novo centro de distribuição em Oiapoque, considerado um dos
27 dades", afirma Diego Xavier, diretor da Center Kennedy. Mais do que abastecer a unidade já existente no município, o novo centro foi concebido para sustentar uma expansão mais ampla da operação. "O Oiapoque está em pleno desenvolvimento. Já estudamos a possibilidade de abrir uma segunda loja na cidade nos próximos anos. Inicialmente, o novo CD funcionará como um grande pulmão logístico para essas operações, mas também poderá servir de base para ampliar nossa atuação em municípios próximos", explica. A proximidade com a Guiana Francesa também abre espaço para avaliar oportunidades futuras de expansão internacional, ampliando o horizonte estratégico da companhia. EXPANSÃO ACOMPANHADA PELA MODERNIZAÇÃO DAS LOJAS O crescimento da Center Kennedy ganhou ritmo nos últimos anos. Em 2025, a empresa inaugurou quatro novas unidades, ampliando sua presença em regiões estratégicas do Amapá. Entre elas está uma loja de 480 metros quadrados localizada em uma das áreas mais movimentadas do centro de Macapá. Com novo conceito arquitetônico, iluminação em LED e ambientes renovados, a unidade representa a atualização do padrão de atendimento da rede. "É uma operação localizada em um ponto extremamente estratégico da cidade. O novo formato trouxe resultados muito positivos e reforçou nossa proposta de oferecer uma experiência de compra mais moderna e agradável", destaca Diego Xavier. Outro investimento relevante foi a megaloja inaugurada na Zona Norte da capital. Com 2.800 metros quadrados distribuídos em dois pavimentos, a unidade reúne eletrodomésticos, eletroportáteis, dormitórios, cozinhas, salas e um espaço dedicado a móveis de maior valor agregado, além de estacionamento, lanchonete e setores especializados. CRESCIMENTO DAS VENDAS REFORÇA CONFIANÇA Os investimentos também vêm sendo acompanhados por um desempenho comercial positivo. Segundo a empresa, as vendas de móveis cresceram cerca de 20% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Parte desse resultado está relacionada ao aumento da demanda por televisores durante a Copa do Mundo, movimento que impulsiona categorias complementares. "Quando cresce a venda de televisores, normalmente há um efeito positivo sobre racks, painéis, estantes e sofás. Esse comportamento acaba movimentando diferentes setores da loja", observa o diretor. Mesmo acompanhando com atenção o aumento dos custos logísticos decorrentes da alta dos combustíveis e das tensões geopolíticas internacionais, a expectativa permanece positiva. "Nossa projeção é crescer cerca de 15% até o final do ano. Estamos preparados para isso, com estoques Josevaldo Bandeira (diretor administrativo), Diego Xavier (diretor comercial), Diogo Xavier (diretor logístico) e Edvaldo Xavier de Oliveira (diretor-geral) • Investir antes do mercado amadurecer. • Logística como diferencial competitivo. • Crescimento acompanhado de profissionalização. • Governança como base para a longevidade. • Sucessão tratada como estratégia, e não como urgência. • Expansão sustentada por conhecimento do mercado regional. AS LIÇÕES DA CENTER KENNEDY
28 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE adequados, boas condições comerciais e uma equipe focada em excelência no atendimento", afirma. Paralelamente, a empresa intensifica ações voltadas à profissionalização da gestão, implantando consultorias, revisando estruturas organizacionais e desenvolvendo um novo plano de cargos e salários. GOVERNANÇA E SUCESSÃO PARA SUSTENTAR O FUTURO Outro eixo estratégico da companhia é a preparação da sucessão familiar. O processo vem sendo conduzido gradualmente, permitindo que a nova geração assuma responsabilidades de forma estruturada e alinhada às melhores práticas de gestão. "O processo sucessório começou há alguns anos. Desde que o Sr. Edvaldo iniciou essa transição, vem compartilhando conosco sua experiência e sua forma de conduzir os negócios. Ao mesmo tempo, buscamos constante capacitação para enfrentar os desafios de um mercado cada vez mais dinâmico", relata Diego Xavier. A profissionalização também passa pelo fortalecimento da governança corporativa e pela organização societária, temas que ganharam prioridade nos últimos anos. "Estamos consolidando práticas de governança que tragam mais clareza e segurança para a empresa. Isso fortalece a gestão atual e cria bases sólidas para os próximos sucessores", conclui. Ao completar 40 anos, a Center Kennedy demonstra que longevidade, por si só, não garante competitividade. O diferencial está na capacidade de transformar experiência em estratégia, investir antes da demanda se consolidar e estruturar a empresa para um novo ciclo de crescimento em uma das regiões com maior potencial de desenvolvimento do País. Por que Oiapoque? A decisão de investir em um centro de distribuição no extremo Norte do Brasil vai além da logística. A Center Kennedy aposta no potencial econômico da região, impulsionado pelos projetos de exploração de petróleo na Margem Equatorial, pelo crescimento populacional e pela posição estratégica na fronteira com a Guiana Francesa. O novo CD permitirá reduzir prazos de abastecimento, aumentar a eficiência operacional e criar a infraestrutura necessária para novas lojas e futuras oportunidades de expansão. ☑ 40 anos De atuação no varejo de móveis e eletrodomésticos da Região Norte. ☑ 4 novas lojas Inauguradas em 2025, ampliando a presença da rede em pontos estratégicos do Amapá. ☑ Novo Centro de Distribuição Implantação em Oiapoque para reforçar a logística regional e sustentar futuras expansões. ☑ +20% nas vendas de móveis Crescimento registrado no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. ☑ Meta de +15% em 2026 Projeção de crescimento para o fechamento do exercício, apoiada em estoques, estrutura comercial e atendimento. ☑ Governança em evolução Programas de consultoria, revisão da estrutura organizacional e implantação de um novo plano de cargos e salários. ☑ Sucessão planejada Transição familiar conduzida de forma gradual, com fortalecimento da governança corporativa e preparação da nova geração de gestores. CENTER KENNEDY EM NÚMEROS
29
30 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE RECONFLEX AMPLIA ESTRUTURA INDUSTRIAL E PREPARA NOVO CICLO DE CRESCIMENTO planta cearense entre em operação em aproximadamente um ano. Cada unidade desempenha um papel específico dentro da estratégia da companhia. Enquanto a Bahia preserva sua importância como origem da marca e centro das decisões estratégicas, Pernambuco amplia a capacidade de atendimento a uma região considerada fundamental para o setor moveleiro. Já o Ceará representa um novo passo no processo de crescimento, permitindo atender o mercado local com maior agilidade e ampliar a eficiência logística para todo o Norte e Nordeste. Segundo o diretor comercial da Reconflex, Felipe Mendonça, a escolha dos estados faz parte de uma estratégia de longo prazo. "A nossa Fabricante investe em expansão, modernização industrial e desenvolvimento de produtos para fortalecer sua atuação no mercado nordestino. A estratégia combina eficiência produtiva, inovação e proximidade com clientes e parceiros comerciais Por João Caetano Guimarães, jornalista Fundada em 1993, em Santo Antônio de Jesus (BA), a Reconflex chega aos 33 anos vivendo um novo momento em sua trajetória. Ao longo desses anos, a fabricante consolidou sua atuação no mercado de colchões e construiu uma forte presença no Nordeste. Agora, investe na ampliação da estrutura industrial, modernização dos processos produtivos e no desenvolvimento de novas tecnologias para acompanhar a evolução do setor e sustentar seu crescimento nos próximos anos. Além da Bahia, a marca segue ampliando sua estrutura com uma unidade fabril em Pernambuco e prepara a abertura de sua terceira fábrica, no Ceará. A expectativa é que a Unidade sede da Reconflex, na Bahia
31 expansão é resultado de um planejamento estratégico voltado para aproximar a operação dos principais mercados consumidores do Nordeste, tornando nossa logística mais eficiente e fortalecendo o relacionamento com nossos parceiros comerciais". O crescimento da Reconflex também passa pela modernização destes parques fabris. A empresa está concluindo a atualização da linha de produção de colchões, incorporando equipamentos automatizados para elevar a produtividade e aumentar a precisão das operações. Para Rodrigo Freire, diretor industrial, a automação ocupa um papel crucial no crescimento da empresa. “Estamos concluindo a modernização da nossa linha de produção de colchões, com investimentos contínuos em equipamentos automatizados que aumentam a produtividade, elevam a capacidade de fabricação e tornam nossos processos ainda mais precisos". Além de ampliar a capacidade produtiva, os investimentos buscam padronizar processos, reduzir desperdícios e aprimorar o controle de qualidade, fatores que contribuem para uma operação mais eficiente e prazos de entrega mais competitivos. A evolução da estrutura industrial também se reflete no desenvolvimento do portfólio. Em vez de concentrar esforços apenas no lançamento de novos modelos, a Reconflex afirma acompanhar continuamente o comportamento do mercado para incorporar novas tecnologias. Segundo o diretor industrial, esse processo começa antes mesmo do desenvolvimento dos produtos. "Para nós, inovação não significa apenas lançar novos produtos, mas evoluir continuamente a forma como entregamos conforto, bem- -estar e qualidade de sono. Cada desenvolvimento nasce da escuta do mercado e da busca por tecnologias que façam diferença real no dia a dia dos nossos clientes", destaca. Esse trabalho envolve investimentos em novos materiais, estruturas e acabamentos, incluindo látex 100% natural, tecidos hipoalergênicos, espumas de alta performance, revestimentos com melhor conforto térmico e sistemas desenvolvidos para distribuir melhor a pressão do corpo. A empresa também mantém a atualização dos processos produtivos e dos acabamentos, buscando ampliar a percepção de qualidade dos produtos. Entre os lançamentos recentes, o colchão MyFit reúne essas soluções em um único modelo. Com 30 cm de altura, o produto combina uma lâmina de látex natural, espuma viscoelástica (Memory Foam), espuma D33 e uma base de espuma de alta densidade, composição desenvolvida para Nova planta fabril da Reconflex, no Ceará. A nova unidade amplia a capacidade logística para todo o Norte e Nordeste, proporcionando entregas mais ágeis, maior disponibilidade de produtos e um atendimento mais próximo do cliente Felipe Mendonça, diretor comercial da Reconflex Rodrigo Freire, diretor industrial
32 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE oferecer suporte, alívio de pressão e maior conforto durante o sono. Mendonça diz que o modelo representa a direção adotada pela fabricante na evolução de seu portfólio: desenvolver colchões cada vez mais inteligentes, alinhados às necessidades reais das pessoas e capazes de transformar tecnologia em noites de sono mais saudáveis. Além da combinação de materiais, o colchão utiliza revestimento superior em malha e está disponível nas principais medidas do mercado, reforçando a proposta da Reconflex de aliar inovação, qualidade construtiva e conforto em um único produto. Enquanto amplia sua estrutura industrial, a Reconflex mantém o fortalecimento da rede de revendedores como eixo de sua estratégia comercial. A empresa atua principalmente por meio de lojistas multimarcas e revendedores especializados, responsáveis por consolidar sua presença no Nordeste ao longo das últimas décadas. Além da rede de parceiros, a empresa prepara uma nova proposta para sua unidade própria em Salvador, que passa por um processo de transformação para se tornar um showroom de experiências. “O objetivo é oferecer ao consumidor um ambiente onde seja possível conhecer nossas tecnologias, compreender as diferenças entre os produtos e vivenciar um atendimento consultivo", afirma Felipe Mendonça. Com investimentos simultâneos em expansão industrial, automação, inovação e fortalecimento da rede comercial, a Reconflex prepara sua estrutura para atender um mercado cada vez mais competitivo. O movimento reforça estratégias que devem orientar os próximos passos do setor. Unidade fabril da Reconflex, em Pernambuco Colchão MyFit, da Reconflex
33
34 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE CONCEITO PREMIUM ABRE ESPAÇO PARA NOVA ESTRATÉGIA NO NORTE E NORDESTE sofisticado para se tornar uma expressão de estilo de vida. Essa transformação cria oportunidades que vão muito além das grandes empresas do Sul e Sudeste. Para a indústria do Norte e Nordeste, o movimento pode representar uma janela estratégica para ampliar participação em um mercado de maior valor agregado. A DISPUTA DEIXA DE SER APENAS TECNOLÓGICA Até pouco tempo, o mercado brasileiro de colchões premium era fortemente influenciado por marcas norte-americanas, reconhecidas principalmente pelo investimento em tecnologia e inovação. Mais do que acompanhar a chegada de marcas internacionais, fabricantes da região podem aproveitar a valorização da origem, da manufatura e da hotelaria para disputar um mercado de maior valor agregado Durante muitos anos, competir no mercado premium de colchões significava acompanhar a evolução tecnológica das grandes marcas internacionais. Espumas especiais, sistemas avançados de molas e novas soluções de conforto eram os principais argumentos de venda. Esse cenário, porém, começa a mudar. A chegada de novas marcas globais ao Brasil revela que o segmento de alto padrão está entrando em uma nova fase. Além da tecnologia, ganham espaço atributos como tradição, origem, materiais naturais, experiência de marca e processos de fabricação. O colchão premium deixa de ser apenas um produto
35 Tempur consolidou sua reputação com o desenvolvimento do viscoelástico e sua associação ao conforto de alta performance. Stearns & Foster construiu sua imagem em torno do luxo clássico americano, enquanto Simmons uniu a tradição das molas ensacadas a uma operação industrial consolidada no Brasil. A chegada da britânica Millbrook Beds, por meio da Plumatex, acrescenta uma nova leitura a esse cenário. Em vez de concentrar sua comunicação na tecnologia, a marca aposta na tradição artesanal, nos materiais naturais e em uma manufatura que valoriza o cuidado com cada etapa da produção. O resultado é um mercado em que diferentes narrativas passam a conviver. Não existe mais um único conceito de luxo. Cada marca procura construir sua identidade a partir de atributos específicos, ampliando as possibilidades de escolha para consumidores e lojistas. UMA OPORTUNIDADE PARA A INDÚSTRIA REGIONAL Esse movimento interessa diretamente às empresas instaladas no Norte e Nordeste. A região reúne fabricantes que desenvolveram forte capacidade produtiva, flexibilidade industrial e tradição em atender diferentes perfis de mercado. Em muitos casos, características como produção mais personalizada, relacionamento próximo com clientes e rapidez no desenvolvimento de produtos podem se transformar em diferenciais competitivos justamente em um segmento que valoriza autenticidade. Mais do que disputar preço, o desafio passa a ser construir posicionamento. Nesse contexto, origem, qualidade percebida, acabamento, escolha de materiais e experiência de compra tornam-se ativos tão importantes quanto a tecnologia empregada no produto. HOTELARIA IMPULSIONA A DEMANDA Outro fator favorece essa transformação: o crescimento da hotelaria de alto padrão no Norte e Nordeste. Destinos como Porto de Galinhas, Praia do Forte, Jericoacoara, Fortaleza, São Miguel dos Milagres, Pipa e diversos empreendimentos espalhados pelo litoral nordestino ampliaram significativamente a oferta de hotéis e resorts voltados ao tu-
36 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE rismo de maior poder aquisitivo. Esse segmento exige colchões capazes de proporcionar conforto, durabilidade e uma experiência diferenciada aos hóspedes. Não por acaso, diversas marcas internacionais utilizam a hotelaria como vitrine para fortalecer sua reputação junto ao consumidor. Para fabricantes regionais, esse mercado representa uma oportunidade relevante. Fornecer para hotéis de alto padrão não significa apenas ampliar vendas, mas também agregar valor à marca e abrir portas para novos canais de distribuição. VALOR ANTES DO PREÇO A principal mudança talvez seja justamente essa. O consumidor premium deixou de avaliar apenas especificações técnicas. Hoje ele quer conhecer a história da marca, compreender a origem dos materiais, perceber qualidade na construção do produto e identificar valores que justifiquem o investimento. Essa mudança favorece empresas capazes de construir identidade própria, independentemente do porte ou da localização geográfica. Não se trata de competir diretamente com marcas internacionais, mas de compreender que o mercado passou a reconhecer diferentes caminhos para entregar valor. UM NOVO MOMENTO PARA O SETOR A evolução do segmento premium mostra que o mercado brasileiro de colchões está deixando para trás uma visão baseada exclusivamente em tecnologia e desempenho técnico. Hoje, tradição, design, manufatura, sustentabilidade, hotelaria, experiência de compra e reputação dividem espaço com conforto e suporte. Para a indústria do Norte e Nordeste, essa mudança representa mais do que uma tendência de consumo. É um convite para repensar estratégias de posicionamento e explorar nichos em que diferenciação vale mais do que escala. Em um mercado cada vez mais sofisticado, competir não significa apenas fabricar bons colchões. Significa construir marcas capazes de transmitir confiança, contar uma história e entregar uma experiência coerente com o público que desejam conquistar.
37
38 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE ECONOMIA CIRCULAR FORTALECE COMPETITIVIDADE DE INDÚSTRIA NA PARAÍBA presa atua no desenvolvimento de móveis sob medida para lojas parceiras, construtoras, incorporadoras, hotéis, hospitais e empreendimentos corporativos. O modelo de produção, baseado em projetos personalizados, permite otimizar o uso das matérias-primas e reduzir perdas ao longo do processo industrial, ao mesmo tempo em que amplia a eficiência operacional. A unidade também investe em geração de energia solar, reduzindo o impacto ambiental da operação. A gestão dos resíduos é um dos pilares dessa estratégia. Materiais como plástico, papelão, alumínio, vidro e sobras de MDF são separados, armazenados e encaminhados para reciclagem, reaproveitamento A sustentabilidade vem assumindo um papel cada vez mais estratégico na indústria moveleira brasileira. Mais do que atender exigências ambientais, iniciativas voltadas à economia circular, à eficiência energética e ao aproveitamento racional de matérias-primas contribuem para reduzir desperdícios, aumentar a produtividade e fortalecer a competitividade das empresas. Na Paraíba, a ESSANTO, indústria do Grupo OFFICINA especializada em móveis planejados, tem incorporado esses conceitos à rotina produtiva por meio de um conjunto de ações que reúne gestão de resíduos, reaproveitamento de materiais e qualificação profissional. Instalada em Santa Rita (PB), a emESSANTO alia gestão de resíduos, energia solar e formação profissional na produção de móveis planejados em sua fábrica na Paraíba
flippingbook.comRkJQdWJsaXNoZXIy MzE5MzYz