57 QUANDO COMPETIR APENAS POR PREÇO DEIXA DE FAZER SENTIDO A designer Sarah Montgomery, em entrevista ao portal Better Homes & Gardens, observa que a qualidade média dos móveis caiu nos últimos anos em consequência da corrida por preços menores e entregas cada vez mais rápidas. Segundo ela, a chamada obsolescência programada — estratégia que reduz deliberadamente a vida útil de determinados produtos — contribuiu para consolidar um modelo baseado na substituição frequente do mobiliário. No Brasil, Ari Bruno Lorandi, CEO da Móveis de Valor, entende que esse processo criou um círculo difícil de sustentar ao longo do tempo. "Quando o mercado passa a competir apenas por preço, todos perdem. O varejo pressiona para girar estoque, a indústria reduz margens para manter volume, os investimentos diminuem e o consumidor leva para casa um produto que dificilmente construirá valor ao longo dos anos. Sem previsibilidade, perde-se capacidade de inovação, diferenciação e fortalecimento das marcas". Os sinais observados em diferentes países indicam justamente uma reação a esse modelo. Consumidores voltam a analisar melhor suas compras e demonstram disposição para investir em móveis capazes de permanecer por décadas em suas casas. UM MÓVEL PARA ACOMPANHAR GERAÇÕES Um dos exemplos mais expressivos dessa mudança vem do Reino Unido. Mesmo em um mercado retraído para móveis e artigos para casa, a varejista The Cotswold Company registrou vendas superiores a R$ 830 milhões e crescimento próximo de 25% no lucro. O resultado foi impulsionado por uma estratégia baseada em madeira maciça, produção artesanal e móveis concebidos para permanecer durante muitos anos nas residências. Segundo o CEO Ralph Tucker, consumidores passaram a avaliar suas compras de maneira mais criteriosa, priorizando produtos capazes de atravessar gerações. Aspectos econômicos, ambientais e até demográficos passaram a influenciar a decisão de compra. Em vez de substituir móveis constantemente, cresce o interesse por peças resistentes, de manutenção simples e capazes de acompanhar diferentes fases da vida sem perder atualidade. O DESIGN TAMBÉM AMADURECEU O designer de interiores Flávio Pio percebeu esse movimento durante o Salone del Mobile, em Milão. Segundo ele, muitas empresas reduziram o ritmo de lançamentos e concentraram esforços em atualizar coleções já consolidadas, renovando tecidos, acabamentos e cores sem alterar completamente os produtos. "A sensação foi de um mercado mais maduro", resume. Na avaliação do profissional, consumidores voltam a enxergar o móConforto e durabilidade caminham juntos na nova lógica de consumo. Crédito: bottomlineinc.com. Flávio Pio, designer de interiores.
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