MV Norte & Nordeste

45 dores apresentados pela economista, 82% das famílias brasileiras estão endividadas, destinando quase 30% da renda ao pagamento de dívidas. A intenção de compra de bens duráveis chegou a 75,8 pontos, abaixo do nível de neutralidade de 100 pontos, embora tenha avançado 17,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para Catarina, isso demonstra alguma melhora na disposição para consumir, mas ainda insuficiente para superar as restrições impostas pelo crédito caro. No segmento infantil, entretanto, a compra também envolve uma dimensão emocional. A preparação para a chegada de um filho desperta expectativas e o desejo de criar um ambiente acolhedor. O desafio é conciliar esse sentimento com o orçamento e as condições da casa. O QUARTO PRECISA ACOMPANHAR O CRESCIMENTO Uma das principais oportunidades identificadas por Paulo Escrivano está em acompanhar as diferentes fases da infância. Nos primeiros meses, o quarto é organizado principalmente para facilitar a rotina dos adultos. Berço, cômoda e espaços de armazenamento atendem às necessidades de cuidado com o bebê. Com o crescimento, surgem outras demandas. A criança começa a alcançar livros, guardar brinquedos, escolher roupas e desenvolver atividades que exigem maior autonomia. Posteriormente, o ambiente pode precisar de uma escrivaninha e novas soluções de organização. Essa evolução valoriza móveis capazes de assumir diferentes funções. Uma cômoda com trocador removível pode continuar sendo utilizada por muitos anos. Um berço conversível acompanha a transição para a mini cama. Sistemas de armazenamento reorganizáveis também permitem adaptar o quarto sem substituir todo o mobiliário. “Existe uma oportunidade de acompanhar a família para além da montagem do quarto do bebê, com soluções adequadas ao crescimento da criança e ao orçamento da casa”, afirma Escrivano. O especialista observa que a montagem do quarto e sua utilização efetiva nem sempre acontecem simultaneamente. Algumas famílias mantêm o bebê no quarto dos pais durante os primeiros meses, em superfície própria e separada, por razões que envolvem saúde, praticidade, afeto e condições de moradia. Isso significa que o consumo pode ocorrer em diferentes momentos. Em vez de concentrar todas as oportunidades na chegada do bebê, o setor pode oferecer complementos e adaptações conforme as necessidades aparecem. A internet também influencia essas escolhas, ampliando o acesso a referências de decoração e organização. Entre elas estão os ambientes inspirados no método montessoriano, que valorizam a autonomia Paulo Escrivano, cientista do consumo Catarina Carneiro, economista da CNC A flexibilidade e a multifuncionalidade são importantes para que os móveis acompanhem o crescimento da criança

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