MV Norte & Nordeste

54 MÓVEIS DE VALOR NORTE E NORDESTE das, com preferência por matérias- -primas provenientes de áreas de manejo, incluindo espécies como muiracatiara e freijó. A coleção Brasil representa uma ampliação desse repertório. Com peças como o Banco Pedras e a luminária Broto, Igor começa a explorar outras referências culturais, materiais e conhecimentos presentes no país. Na luminária Broto, o trabalho também envolve aproximação com comunidades ribeirinhas. Já o Banco Pedras incorpora o aproveitamento de sobras de marcenaria, enquanto outras soluções da coleção incluem tecidos produzidos a partir de resíduos de garrafas PET retirados dos oceanos. A proposta é demonstrar que a identidade brasileira não precisa estar limitada a uma única região ou a determinados símbolos. “Cada região reúne conhecimentos, modos de viver e maneiras de trabalhar a matéria que podem contribuir para o mobiliário contemporâneo”, observa Igor. Para o designer, a origem brasileira acrescenta significado, mas não substitui a qualidade de execução e a funcionalidade. Um produto precisa estabelecer uma relação com o consumidor, independentemente do país em que será apresentado. Essa é uma questão relevante para a internacionalização do design nacional: desenvolver móveis reconhecíveis por sua linguagem própria, mas capazes de dialogar com diferentes mercados. QUANDO A MODA ENCONTRA O MOBILIÁRIO Enquanto designers brasileiros encontram na natureza e na cultura regional novas possibilidades de expressão, grandes marcas internacionais de moda também passaram a olhar para o mobiliário como uma extensão de sua identidade. Grifes como Chloé, Gucci, Stella McCartney e La DoubleJ desenvolveram colaborações com fabricantes tradicionais, reinterpretando peças consagradas por meio de materiais, cores, estampas e conceitos associados às suas marcas. Essas iniciativas demonstram que a aproximação entre moda e mobiliário vai além de uma relação comercial. Em determinados projetos, a intervenção alcança a própria concepção do produto. A francesa Chloé, por exemplo, colaborou com a italiana Poltronova na reinterpretação da cadeira Tomato, criada por Christian Adam em 1970 e associada ao Design Radical Italiano. A peça manteve sua identidade escultural, mas recebeu revestimento em couro naturalmente curtido, apresentado em tonalidades como creme, conhaque, areia e preto. A intervenção não procurou esconder o desenho original. Ao contrário, preservou seu caráter reconhecível e acrescentou uma interpretação alinhada à linguagem da grife. É uma demonstração de como uma peça histórica pode ganhar nova leitura sem perder a identidade de seu criador. Igor Lima, engenheiro civil, arquiteto, designer de mobiliário e dono do Estúdio que leva seu nome Cadeira Tomato, colaboração Chloé e Poltronova, conforme fotografia original.

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