Móveis de Valor - Edição 255

27 moveisdevalor.com.br Agora, com a guerra afetando rotas estratégicas e elevando o custo de transporte em até cinco vezes em alguns casos, o mesmo padrão se repete. Não se trata apenas de petróleo. Insumos industriais, alimentos e matérias-primas passam a enfrentar gargalos simultâneos, ampliando a pressão sobre preços em escala global. Ainda assim, ao contrário do que muitos analistas previram nos últimos anos, não houve uma ruptura estrutural. POR QUE NINGUÉM FALA EM DESGLOBALIZAÇÃO? A resposta é menos ideológica e mais econômica. A globalização não é sustentada apenas por estratégia – ela é, sobretudo, uma questão de custo. Produzir onde é mais barato continua sendo, para a maioria das empresas, mais vantajoso do que relocalizar operações. Mesmo iniciativas de “nearshoring” e regionalização, que ganharam força após a pandemia, mostram sinais de perda de fôlego. Na prática, empresas voltaram a buscar fornecedores globais mais competitivos, ainda que mais distantes. Ou seja, há discurso de resiliência, mas a lógica da eficiência ainda prevalece. O RISCO SILENCIOSO DA ESTAGFLAÇÃO Esse é o ponto que começa a preocupar economistas – e que ainda aparece pouco no debate público. Quando crises logísticas se combinam com choques de energia, o resultado tende a ser uma equação perigosa com custos de produção O Brasil é altamente dependente de insumos importados, fertilizantes, combustíveis e componentes industriais "Mesmo diante de sucessivos choques, pouco se fala em desglobalização."

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